terça-feira, 17 de junho de 2014

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Arroz com quê?

Quando você não pensou no almoço e o seu corpo começa a emitir sons e sinais de protesto contra sua existência diminui muito a probabilidade de se produzir na cozinha alguma coisa digna de nota.

No entanto...

Às vezes...

As forças cósmicas do universo [pra não dizer os deuses] conspiram a favor. Pô, tava demorando, né? Já tava achando que não ia mais rolar.

Levantei da frente do computador aos primeiros sinais de fome para ver o que poderia ser feito pensando logo em um arroz com pinhão, que já estava cozido na geladeira a algum tempo. Só que olhando para eles achei que já haviam esperado tempo demais para serem utilizados e resolvi não arriscar.

Com o pinhão fora do jogo só restou uma lata de atum para fazer com o arroz. Bleh!! Isso tava com maior cara de mexidinho, juntadinho e outras coisas que combinam o que se tem a disposição torcendo para que seja comestível de alguma forma. Longe de mim denegrir a imagem da comida de improviso e de aproveitamento, mas que é uma loteria às vezes, isso é. E que às vezes dá errado, isso também dá.

Ideia, ideia, ideia...

Posso melhorar isso de alguma maneira. Tinha pensado em usar gengibre e shoyu para puxar o prato para algo mais oriental. Tá pode ser, mas também podia radicalizar na ousadia e tentar o impensável para uma comida de emergência: destrancar o preciosamente guardado açafrão.

Não queiram minha cabeça por blasfemar contra alguma regra sagrada da culinária. Nem me colocar na fogueira por desperdício, sacrilégio ou ostentação [termo da moda]. Foi uma opção meio que improvisada e que nem pode ter sido a melhor, mas era um risco que teria que correr.

Fazendo uma rápida pesquisa.

"O que você prefere, gengibre ou açafrão?"
"Açafrão, não sei direito se lembro do gosto."

Nada como as explicações mais simples para os fatos complexos da culinária. Vamos de açafrão. Mas não somente...

Meia xícara de arroz foi cozido em um caldo que levou alho, cebola, pimenta e 1/2 lata de atum refogados em azeite. Açafrão, claro!. Azeitonas pretas, sal e pimenta do reino. Somente isso e para finalizar pedaços da outra metade da lata de atum.

Ficou ótimo, surpreendente para a rapidez com que foi feito, mas o melhor foi a combinação do prato com um suco de lima da pérsia, gengibre e água gasosa.

Almoço de emergência mas nem por isso negligenciado.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Um almoço à indiana sozinha parte 2

Tá frio! Isso é uma resolução diária para minha pessoa. Acabar o verão por aqui é igual a frio constante.

Acabou o tempo da salada, dos sanduíches refrescantes e bem vinda temporada de caldos, sopas, e coisas quentes, escaldantes e confortantes de modo geral.

Isso é tema para todas as refeições. Em um dia em que eu tinha que almoçar sozinha e o resultado poderia ser qualquer um porque não teria ninguém para agradar, avaliar ou sofrer calado, resolvi levar a coisa para a cozinha indiana para aquecer a refeição solitária.

Não tenho experiência nesse tipo de cozinha, só sei que ele é praticamente uma fonte confiável de calor instantâneo e me inspira de imediato a sensação de estar confortavelmente instalada sob cobertas felpudas e aconchegantes.

Junta-se a necessidade de querer espantar o frio a situação de entressafra de compras em que estou mergulhada. Lembra do desânimo para a culinária? Então, afetou o incompreendido prazer de passear no mercado também. Mas já tô voltando ao normal. Espero!

A decisão sobre o que fazer para o almoço foi simplificada por:

Não tinha muitas opções de prato a serem feitos devido à falta de matéria-prima;
Queira algo quente, daquele jeito que a sua cara fica vermelha quando você come [gengibre];
Tinha que ser algo vegetariano [não tinha carne e se tivesse também não estava no clima para isso];
Essa receita já havia chamado a minha atenção recentemente;
Milagrosamente eu tinha tudo o que a receita pedia;
O grão de bico tava lá abandonado no freezer envolto pelo vento ártico que circula no espaço vazio;
Eu queria comer isso!!!!!

Peguei a referência no site LaCucinetta, com a ressalva da autora de também não ser expert em cozinha indiana. Mas, quem se importa? Eu queria aquilo pra mim, no almoço. F***-se o resto!

Essas reflexões e receita nem seriam publicadas, mas nesse momento estou atendendo a pedidos que me chegaram calorosos e desesperados via whatsapp.

Recado 1: Alguns ingredientes não são muito fáceis de achar por aí, mas eu posso conseguir para você [para a autora dos pedidos calorosos].

Recado 2: Não tem recado 2, mas eu coloquei o 1 então queria seguir uma lógica.

A receita tá aqui ó http://www.lacucinetta.com.br/2014/05/um-almoco-indiana-seguindo-com.html, mas colei ela aqui embaixo pra facilitar.

As minhas modificações foram usar Passata de Tomate no lugar do tomate em lata e omitir o limão. Por quê? Por que? Não tinha! O limão. O tomate em lata eu tinha, mas a passata tava aberta.

Outra coisa, não fiz a mesma quantidade proposta na receita abaixo; os tempero foram todos colocados no olho e também usei um pouquinho de canela na mistura de temperos secos.
GRÃO-DE-BICO COM GENGIBRE
(Do ótimo Vegetarian Cooking for Everyone, de Deborah Madison)

Ingredientes:
3 colh. (sopa) óleo vegetal
1 cebola grande, picada
1 folha de louro
3 dentes de alho, picadinhos
2 colh. (sopa) gengibre fresco ralado
2 colh. (chá) semente de coentro moída
2 colh. (chá) cominho moído
1/4 colh. (chá) cardamomo moído
sal e pimenta-do-reino
2 tomates, sem pele e em cubos (usei meia lata do italiano)
1 1/2 xic. caldo do cozimento do grão-de-bico ou água
3 xic. grão-de-bico cozido ou 2 latas, escorridas e enxaguadas
suco de meio limão

Preparo:
Aqueça o óleo numa frigideira grande em fogo médio. Junte a cebola e cozinhe, mexendo frequentemente, até bem dourada, cerca de 12-15 minutos.
Abaixe o fogo e junte o louro, alho, gengibre, especiarias, 1/2 colh. (chá) cada de sal e pimenta, e os tomates. Cozinhe por 5 minutos, junte o grão-de-bico e o caldo e deixe levantar fervura. Cozinhe até que fique com uma consistência mais grossa, de molho. Acerte o sal e a pimenta e tempere com o suco de limão.

Na verdade eu não fiz todos os pratos do post. Fiz arroz branco com um extra de alho e o grão de bico com gengibre. Porque era o que tinha e porque era só pra uma pessoa, né?

Ah! O título é pra fazer uma referência à referência de onde tirei a receita.

Quero muito esses livros da Deborah Madison, mas já coloquei e tirei do carrinho da Amazon umas 20 vezes.

Como explicar que uma pessoa que não tem nada em casa, tenha cardamomo, coentro em grãos e gengibre. Eram os deuses conspirando para que eu fizesse esse prato, só pode!

Sério, eu tinha tudo isso em casa. E nada mais além disso, quase.

Pensando agora. To chocada!! Ou, bolei!

Comi a foto!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Salada sim, salada não

Salada não tem receita. Isso é fato! Mas uma combinação correta de ingredientes pode fazer toda diferença e quando isso acontece... Heaven!

Aconteceu ontem mesmo no jantar. Estava até disposta a comer algo mais substancial que uma salada, afinal estamos no outono. Mas não tava muito afim de fazer algo dessa categoria de comida.

Minha indisposição para a cozinha continua firme, mas acho que parando de falar sobre isso ela talvez melhore. Falta inspiração para coisas novas e aquela boa vontade de começar os trabalhos.

Ideias eu até tenho muitas, passo um bom tempo destrinchando mentalmente a despensa para montar as combinações que ficam entre a pretensão da novidade, a vontade propriamente dita de comer alguma coisa específica e a mais frequente o que está morrendo na geladeira/despensa/armário e precisa ser utilizado urgentemente.

Crio mil e um planos de ação para passar uma tarde agradável na cozinha fazendo vários quitutes mas quando chego em casa... Blééé. Só a louça na pia já faz pensar em dar meia volta e virar consumidora de comidas prontas, por pior que o gosto disso possa parecer.

Já eram 5 horas quando a comida começou a ser preparada e uma rodada rápida pelo meu feed de blogs de comida já havia me direcionado a alguns dias atrás para essa receita. Entre o que iria ser e o possível àquela hora, essa salada me pareceu a melhor coisa que poderia sair da cozinha àquela altura.

Tinha todos os ingredientes? Claro que não! Então segue no improviso, usando o que se tem e dando um pouco mais de substância ao acrescentar uma lata de atum na receita original. De igual mesmo só a cenoura e a quinoa, o resto foi o possível.

Usei 2 cenouras, 1/2 xícara de quinoa, cramberries, passas pretas, atum em lata, gengibre fresco picado, sal pimenta do reino, vinagre de arroz, azeite, um pingo de óleo de gergelim [isso fez diferença], gergelim e um pouco de um mix de castanhas que já estava pronto e era o que tinha para dar a textura crocante. Pronto.

Ficou ótimo. Comemos com pão integral torrado e uma fatia de queijo minas padrão. Versátil, porque vai como salada, vai como recheio de sanduíche e vai assim como comemos, sobre o pão como uma brusqueta diferente.


sábado, 24 de maio de 2014

Queria voltar mais aqui

É isso. O título resume muito bem a intenção, mas a disposição não acompanha.

A cozinha tem sido mais do mesmo  e a preguiça geralmente tem sido maior do que a curiosidade.

Inspiração tenho pouca, mas parece na verdade que estou presa a alguma coisa que não me deixa sair do lugar. Alguma força imobilizante que vai fazendo com que tudo seja adiado.

Não, não é uma momento difícil ou infeliz. Estou bem, e bem feliz. Só que melhor fora da cozinha por enquanto. A felicidade não está mais nas receitas e coisas gostosas que se pode fazer para comer.

Mas com certeza está na boa comida. Dessa sim eu não abro mão.

Fechei temporariamente a padaria de fim de semana e as invencionices culinárias estão cada vez mais escassas.

Queria voltar mais aqui, mas não sei pra quando.


sábado, 10 de maio de 2014

Momento de tensão será que vai?

Estou com um bolo de açúcar mascavo no forno. Preparado com maior boa vontade. Mas eis que o neurônio organizador da multitarefa deu uma pifada.

Fazendo bolo e conversando no whatsapp a vaca pode ter ido pro brejo. Ou o bolo para o lixo.

Esqueci o fermento!!! Isso não me acontecia a um tempão. Puxa, que azar. Quando comecei a guardar as coisas peguei o pote de fermento e o filme do fracasso passou na minha cabeça.

É você esqueceu. Não adianta tentar criar uma imagem ilusória na cabeça para te convencer da não realidade. Fudeu!!

Já convencida que pior não iria ficar. Que seria ingenuidade eu achar que iria descobrir uma variação revolucionária, inédita e original de brownie  - como chegou a passar pela mente e rapidamente foi refutada pela visão "vai gastar gás à toa".Que tava tudo tão perdido!

Fiz o improvável e jamais recomendado para o caso de bolos...

Abri o forno...

Peguei a quantidade de fermento necessária e misturei à massa delicadamente com a espátula e devolvi ele para o forno.

Ele tá lá, parece saudável. Não sei ainda se o final da história será feliz! Se haverá a redenção da cozinheira que fala demais no whatsapp. E olha que eu nem uso tanto.

O cheiro tá bom, mas ainda há uma ponta de dúvida. Daqui a pouco saberei se essa será mais uma proeza culinária engraçada para contar depois.

Voltando para registrar o final da história.

Deu certo de um modo diferente. O bolo não cresceu como normalmente cresceria, mas também não ficou solado. Batizado de mezzo bolo|mezzo brownie, ficou bom, deu pra comer e ninguém reclamou.

A teoria da improbabilidade infinita hoje funcionou direitinho.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Curiosidade de um dia de inspiração

Sábado compramos um carro novo. É Amarelo Solar igual a Le Creuset.

Pedido inusitado, vida natureba e questões, muitas questões

Ontem eu recebi um pedido inusitado do comedor de bolos. A questão não estava naquilo que havia sido pedido em si: um bolo com passas.

A singularidade estava na iniciativa tão espontânea de pedir um tipo de bolo, visto que, todas as vezes que eu pergunto qual bolo a pessoa vai querer ela responde: "Qualquer um, desde que seja bolo."

Desde que seja bolo significa:

1. Nunca coloque frutas dentro da massa do bolo de modo que os pedaços fiquem mastigáveis.

2. [Quase sempre] Não faça bolos com cores exóticas. Especialmente as que pertencem a paleta de cores de embalagens de produtos farmacêuticos. Isso só aconteceu uma vez com um bolo de beterraba e até hoje é lembrado e recontado vividamente e com requinte de crueldade.

3. Nunca coloque frutas dentro do bolo exceto se elas forem banana, maçã [com ressalva], ou limão.

Idiossincrasias a parte, eu fiquei chocada momentaneamente com um pedido tão direto e ao mesmo tempo inédito. Passas não são, assim, uma coisa muito amada que ele não pode viver sem. Gostar pode até ser que goste, mas não não com aquele desespero de quem trocaria um dedo por elas.

Tava já chegando a hora do bolo [domingo à tarde é sempre propício para um bolo] e eu não via muitas alternativas para o pedido. Vai ver que era porque eu não havia procurado. No entanto, ao pensar passas me vem imediatamente a ideia de integral - não me pergunte o porquê [esse eu sei que é junto e com assento].

Fui procurar algo que achei que tivesse visto no livro Panelinha da Rita Lobo. Um bolo integral com várias frutas e castanhas. Folheando, vi que tinha uma versão integral de bolo de cenoura que me interessou. Tô numa vibe meio culpa meio natureba sem saber o que exatamente vem primeiro: se a neurose ou a saúde. Lendo os ingredientes do bolo, adivinha o que tinha na lista: passas. Sinal, sim um sinal! Era o bolo que deveria ser feito naquele dia. Muita coincidência!

Não pensei muito e comecei a separar os ingredientes temerosa que a falta de uma farinha branca fosse inviabilizar a mastigação no futuro. Apesar disso, segui com a coisa e troquei audaciosamente 1/3 de farinha integral por fibra de trigo.

O bolo é um espanto de umidade e fica com um sabor muito marcado de melado, provavelmente por causa do açúcar mascavo. É denso, mas não é pesado, nem ficou duro. A cenoura ralada fica mastigável, mas em muita harmonia com as passas [mesclei escuras e claras]. Resultado muito bom, com as solicitadas passas e bastante saúde embutida. Vai para os favoritos e para o blog! Já tá indo.

Uma curiosidade é que não comprei este livro para mim. Comprei para presentear uma amiga oculta que, descobri, na última hora [dois dias antes da troca dos presentes], já ter o livro. Como comprei pela internet e não poderia trocar a tempo, resolvi ficar com ele e comprar outro livro para ela. Como um presente indireto este livro tem até sido bastante útil, já que é o segundo bolo natureba feito nesta casa que saiu de suas páginas. Tenho folheado ele e gostado de ler quando não tenho muita inspiração.

Conclusão: quando for dar um livro para alguém compre um que você não tenha que poderá ficar para você sem o sentimento de estar sendo consumista.

Vou ver se consigo uma foto. Já que comprei uma câmera nova! A câmera! Já tem um mês e não produzi nenhuma foto de comida para o blog.




Para não dizer que escondo informação... Até de mim mesma

No episódio de hoje: sorvete de baunilha. De novo? Sim, de novo. Por quê? Porque das outras vezes não foram receitas "definitivas" [se é que isso existe]. 

Escrevi essa receita, que é a que eu tenho usado para sorvete de baunilha, para uma amiga que adquirira sua sorveteira [não foi bem comprada, mas conseguiu]. Como a receita tá tão bem explicadinha e eu lembrei que esqueci de postar o update da receita que estou gostando atualmente vou colocar a mensagem na íntegra aqui para ficar como referência.

Eu não consegui manter uma receita "definitiva" de pizza. Toda vez que vou fazer tento alguma coisa. Outra coisa que tem variabilidade constante é a receita da granola caseira - hoje já feita totalmente free style, com ingredientes sendo adicionados de modo completamente aleatório. 

Mas sorvete... Sorvete não, não há espaço para experimentações radicais em algo que tem tanta química e física envolvidas. Eu também não tenho muita experiência com a coisa para ir modificando ao deus [pode ser qualquer um] dará e por isso acho que mantenho-me oprimida entre as regras e quantidades.

Vou reproduzir o texto do e-mail como foi enviado para que tudo fique arquivado. E, como era de se supor, essa receita não tem foto. Tava afim de fazer sorvete de baunilha aqui em casa, mas por algum motivo as favas estão em falta e não tô conseguindo colocar a produção em prática.

Oi,
Pra você não ficar espalhando que eu guardo informação só pra mim eu ia te mandar os livros que eu tenho sobre sorvete, mas o tamanho do arquivo é muito grande e não consegui enviar por email.
Pra compensar...
Apesar de eu saber que essa sorveteria vai ficar pegando pó por pelo menos dois anos, aí vai a receita que eu uso para o sorvete de baunilha. Fui testando e cheguei onde eu queria em termos de sorvete de baunilha.
Sorvete de Baunilha
xícara de 250ml
2 xícaras de leite (500 ml)
1 xícara de creme de leite fresco (250ml)
3/4 xícara de açúcar (150 gramas)
6 gemas
1 fava de baunilha
1 pitada de sal
1/2 dose de vodca (25 ml) (opcional, mas ajuda nos processos, não só para alcoolizar o sorvete)
Pra fazer é que tem que ter cuidado porque quando você mistura líquido quente com ovos eles podem talhar e virar ovo mexido.
Primeiro você aquece o leite o açúcar e o sal até dissolver o açúcar. Coloca as sementes da baunilha e a fava nessa mistura. (se não souber como usar a baunilha veja aqui: http://desafiosgastronomicos.blogspot.com.br/2013/09/tecnica-como-abrir-fava-da-baunilha.html)
Depois de aquecer deixar a baunilha em infusão por 1 hora, mas eu nunca faço isso porque não tenho paciência de ficar esperando.
Bata as gemas em uma tigela funda. Se você tiver deixado o leite em infusão, reaqueça ele.
Aí que vem a parte perigosa: juntar o leite quente com as gemas frias. Você tem que colocar cerca de 1/3 do leite na tigela das gemas e misturar simultaneamente para as gemas não cozinharem. Depois que estiver misturado, pode jogar o restante do leite. Se acontecer de as gemas talhares, não se desespere, é só passar tudo pela peneira depois.
Depois de juntar tudo leve ao fogo baixo novamente, mexendo sempre até parecer um mingau mole. Esse é o custard. O ponto certo é você afundar a colher na panela e retirar, se a mistura cobrir as costas da colher está pronto.
Tá quase acabando: Deixe o custard esfriar um pouco, junte o creme de leite e coloque para gelar.
O bom deixar na geladeira de um dia para o outro antes de bater na sorveteira. Antes de bater, retire a fava da baunilha da mistura (não joga ela fora!!!), claro.
Agora sim, use a sorveteira conforme as instruções.
Lição de hoje: Nem sempre o mais simples é mais fácil, mas é sempre mais gostoso.
Ah! você pode lavar a fava de baunilha, secar com papel toalha e guardar dentro do pote de açúcar que ele fica aromatizado.
Desculpa o texto gigante.
Beijo e bom carnaval!

terça-feira, 4 de março de 2014

A volta dos que não foram: bolo de nozes bem depois do Natal

Esse blog tem falado mais de retorno do que de comida. Poderia ser um blog de nostalgia e promessas não cumpridas, mas não. Ainda não! Not yet! Eu tenho cozinhado, porém nada de diferente e que mereça ser passado para frente como peça eternizada de conteúdo duvidoso na internet.

Preciso postar o link de onde retirei uma receita de bolo de nozes que realmente me agradou. Aquela coisa de que vou esquecer o link e tal...

Mas dessa vez aconteceu algo realmente bizarro. Agora acabou de acontecer. Fui procurar no histórico de navegação o link do site de onde eu tirei a receita para colar aqui. É um site achado na busca do google e que eu não frequento, logo, a chance de lembrar dele daqui a uma semana é nula.

Nisso eu fiz a pesquisa no google novamente e fui clicando nos links marcados como visitados. [Veja bem, eu fiz o bolo no domingo e já não sei o endereço do site]. Daí que a página da onde retirei estava fora do ar e o google me deu a opção de exibir a página em cache. Claro que ainda estava no cache, porque foi acessada no domingo. Então copio aqui a receita que consegui extrair desse conteúdo em cache, porque o site mesmo já era.

Ou seja, deixar essas coisas para depois pode realmente não ser uma boa ideia, porque quase que perco a receita pra sempre. Ou por pelo menos um tempo indeterminado, visto que o blog pode ter caído de carnaval.

Bolo de Nozes com Baba de Moça
3 ovos
2 xícaras de chá de açúcar
3/4 de xícaras de chá de óleo
2 xícaras de chá de farinha de trigo
1 xícara de chá de iogurte natural
1 xícara de nozes picadas
1 colher de sopa de fermento em pó

Recheio (Baba de Moça):
1 xícara de chá de leite de coco
1 1/2 xícara de chá de açúcar
2 xícaras de chá de água
1 colher de sopa de manteiga
6 gemas
4 unidades de cravos da índia

Modo de Preparo:
1. Na batedeira, bata os ovos, o açúcar e o óleo.
2. Acrescente a farinha, o iogurte e as nozes, misture bem e finalize com o fermento.
3. Unte a forma com manteiga e farinha, despeje a massa nela e leve ao forno preaquecido por 40 minutos (fogo médio).
Recheio (Baba de Moça):
1. Junte a água, o açúcar e os cravos e ferva até o ponto de fio. Tire do fogo e adicione a manteiga.
2. Misture as gemas peneiradas ao leite de coco. Quando a calda estiver morna, junte a mistura. Mexa bem.
3. Volte tudo ao fogo médio, mexendo sem parar até engrossar levemente. Resfrie antes de usar.
Para montar:
1. Corte a massa no meio e passe uma camada do recheio no meio.
2. Feche o bolo e passe uma camada em cima. Não deixe escorrer e decore como preferir.
Esse bolo faz o maior sucesso!

Não fiz a baba de moça, porque não achei necessário, mas vai o crédito da receita que estava no site Naked Cake, da Chef Lu Zaidan.

Falando do bolo em si, não me lembro de ter comido bolo de nozes. Já comi bolo com nozes, mas em que o sabor predominante era outro. Também já comi aqueles bolos que o pessoal coloca um pouquinho de nozes trituradas em cima só pra dar um toque mais amendoado. E eu tenho problemas com esse negócio semântico do bolo.

Nessa receita a noz predomina e o bolo fica realmente muito bom. O iogurte dá um pouco mais de umidade à massa o faz com que ela fique melhor no dia seguinte quanto parece que os sabores se apuram e integram melhor. [Deve ser por isso que esses bolos de natal europeus ficam trocentos dias descansando]

Fiz uma pequena substituição na receita original que foi usar 1/2 xícara de açúcar mascavo no lugar do comum, mas acho que vai da certo também se fizer com 50/50.

Em termos de bolo de nozes, creio que este foi o melhor único bolo de nozes que já fiz na vida. Sem mais!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Quem tem medo do bife de fígado. Ou como fazer o mais estranho dos natais

Eu não gosto de Natal. Pronto, falei. Nunca gostei. mas qual é o problema? Tem um monte de gente que não gosta de bife de fígado e eu adoro. Sempre achei o Natal uma data muito triste e enfadonha, muito sentimento solto à procura do primeiro desavisado para se agarrar.

Atualmente o Natal me cansa. Não tenho nenhum vínculo com qualquer corrente religiosa e o simbolismo cristão não me convence. Fora que de uns tempos pra cá o que menos tem se visto na festa são os rituais ligados à religião. Detesto o apelo ao consumo, à irracionalidade de zumbis circulando freneticamente por ruas e shoppings lotados. As pessoas, coisas, comidas, ou seja, tudo nessa época do ano ativa o botão do meu cérebro que diz FAKE.

Assim sendo, eu venho ignorando/sabotando o Natal ao longo dos anos que me permito viver de acordo com minhas próprias convicções.

No primeiro Natal deste blog, me recordo tivemos nosso momento "esse é um dia como qualquer outro" e resolvemos comer uma pizza preparada em casa sem maiores comemorações, exceto pelos desejos de Feliz Natal de praxe que você dá aqui é ali para todos que estão fora desse estranho mundo de desinventar tradições. Que fique claro que meus desejos de felicidade ao próximo são sinceros, mas eles valem para todo o ano e não apenas para o mês de dezembro.

No Natal seguinte - ano passado - eu tava off-blog, mas nem por isso deixei de dar aquela desatenção que as comemorações natalinas merecem. Fiquei sozinha em casa. Acho que comi qualquer macarrão da revolta anti-Papai Noel e fui dormir, porque era o que podia ser feito naquele momento.

Neste ano, acho que todo mundo já se acostumou com minha falta de habilidade para tal coisa e ninguém fica mais me perguntando que que eu vou fazer no Natal. Ainda perguntam se eu vou ficar em casa no Natal, mas note que isso já é uma evolução se comparada ao questionamento anterior. Essa famigerada pergunta - sobre minhas intenções celebratórias - me causava o arrepio inicial que só ia piorando com a profusão de velhinhos, renas, árvores e bolas em todo lugar onde você passa ao longo dos dias que antecedem o 25 de dezembro.

Aí, além de já ser do contra, a pessoa resolve fazer o que para o almoço e jantar da véspera? Bife de fígado!! Sim, eu adoro e ainda posso inventar minhas próprias tradições. Nada de Chester [oi?], Ave Fiesta [oi? oi?] ou coisas que não gosto de comer - até a rabanada tem sido repensada na minha lista de coisas que gosto. Tá! Meu discurso anti-Natal tá parecendo mais com uma negação confirmatória [isso deve ter um nome em psiquiatria]. Quando a pessoa diz que não querendo dizer sim. Nega tanto que faz exatamente o movimento de quem se importa demais.

O lance do bife de fígado não foi pensado para zoar o Natal, não. Poderia, mas não foi. O dia 24, 25 e adjacências de dezembro para mim não significam nada. Faço tudo como qualquer outro dia, exceto pelos serviços que não abrem ou por qualquer necessidade de ir no mercado que certamente ficará suspensa até o próximo dia em que a população retome sua sanidade mental e volte a se comportar de maneira um pouco menos apoplética.

A história do fígado, foi que nós aqui em casa teremos de ir à cidade grande [Rio de Janeiro] e vamos aproveitar para ir ao Hemorio doar sangue. Na última vez que tentei fazer isso, fui reprovada no teste do ferro e desta vez resolvi me garantir com antecedência. Por isso, essa refeição nutritiva, cheia de proteína animal, verduras escuras e suco de laranja para ficar tudo bem absorvidinho. Como disse, dia normal.

Não vou passar receita de bife de fígado aqui porque ninguém gosta dessa p*rra mesmo. Mas o fato é que enquanto estava comendo percebi que minhas habilidades culinárias me fizeram enxergar um mundo novo. Aprendi a preparar bife de fígado em casa de um jeito que consistia, entre outras coisas, em bater na carne antes de temperar e fritar. Só que, analisando a coisa toda, isso não faz o menor sentido, a não ser que a intenção seja comer carne dura. O fígado é uma carne super macia, mais macia que quase qualquer coisa e bater nele faz com que fique rígido. Sendo assim, hoje penso como consigo processar as informações que recebo e melhorar coisas que já eram boas o suficiente para mim [em uma época em que meu gosto e/ou escolhas eram bem diferentes].

Ah! Eu não tenho nada contra quem celebra o Natal. Tampouco julgo as pessoas [só algumas] que adoram a data e tem suas próprias necessidades de comemoração. Não penso que minhas escolhas são as corretas e pode ser que em algum momento eu possa rever tudo isso, mas por enquanto Natal é só para a parte de mim que deve/se esforça para socializar com o resto da humanidade.

Qual é a resposta?

Qual é a resposta certa para:

"Sabe de uma coisa, eu queria comer sorvete, mas tô cheio."

"E qual é a solução para essa equação?"

"Vomitar?!!"

Pois é, mais fácil do que parece. Esse foi o diálogo produtivo que acabei de participar.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cozinha produtiva em 3, 2... 1

Hoje, 22 de dezembro, nada como as férias para fazer com que a cozinha seja produtiva. Resultado de um dia de produção a toda é muita comida e por sorte, até agora dando certo.

Começando pelo que ficou pronto primeiro. Bolo de limão. Receita já testada muitas vezes e que normalmente funciona. Bolo fofinho, aerado e com goto acentuado de limão, porque, bem, leva suco de limão na massa, né? As únicas alterações do original são a falta de cobertura, porque cobertura não é muito bem aceita por essas bandas, e uma redução drástica na quantidade de manteiga da receita original. Usei 100 gramas, metade do que pedia a receita. Aliás, já venho testando esse bolo com menos manteiga toda vez que faço, mas o limite tinha sido 150 gramas. Hoje reduzi mais 50 gramas e comprovei o que já desconfiava por lógica de ciência bolística, para 300 gramas de farinha de trigo usar 200 gramas de manteiga é só um passo a mais para a ponte de safena. Aliás 2: essa é a única implicanciazinha que tenho em relação ao receitas do site em questão, é sempre muita manteiga. Mas que fique claro que as adoro o site, acompanho pelo feed, gosto muito do texto da autora e sempre tenho sucesso com as receitas publicadas. Acabo mesmo é dando uma filtrada pela quantidade de manteiga presente na receita ou faço testes reduzindo a sua proporção.

Bolo de limão, com limão mesmo

De perto
A segunda coisa que ficou pronta, foi um tabuleiro de granola, mas essa é a mesma receita que venho fazendo e adaptando a muito tempo. Tem algumas coisas interessantes que acontecem com essa granola. Ela nunca fica com o mesmo gosto e depois que comecei a fazer nunca mais comprei granola industrializada para comermos em casa. Vai um pouco de tudo e a receita já está totalmente adaptada ao nosso gosto [meu gosto] por menos açúcar [essa é uma vantagem] e também a praticidade para preparar. Tudo vai em um único recipiente, suja menos louça e normalmente faço quando dá pra aproveitar o forno de alguma maneira. Prático e rápido. Enquanto escrevo isso a outra parte dessa história tá lá comendo e guardando a granola - exatamente nessa ordem - para garantir sua cota de fibras da semana. E o cheiro do pão tá vindo do forno exatamente como deveria ser toda tarde meio chuvosa de domingo nas férias quando a pessoa acorda com uma inquietação que só pode ser um caboclo cozinhador acoplado.

E o pão é o terceiro prato do dia. Um pão de mandioca muito bom. Mesmo. Sério. Nunca tinha feito pão com outro ingrediente principal que não a farinha. Já havia pensado em pão de batata, mas não executei. Comi um pãozinho e ele está espetacular, cheiroso, com um aroma leve de alecrim e muito, mas muito fofo. E a casca. Hum, a casca. Tá tão crocante, fazendo barulho de pão que dá até gosto. Isso me fez anotar mentalmente [e textualmente também] que preciso testar as forminhas de silicone para panificação, visto que as melhores cascas foram dos três pãezinhos que coloquei nas forminhas de silicone porque não couberam no tabuleiro. A receita veio daqui, mas sofreu alteração. Reduzi a quantidade de farinha para 500g, sendo 400 gramas de farinha de trigo branca e 100 gramas de semolina. Acrescentei também um pouco de alecrim picado na massa que confere o efeito surpresa quando você morde e eventualmente sente o gosto da erva. Para a próxima tentativa, vou reduzir bastante a quantidade de fermento, nem que para isso tenha que aumentar o tempo de fermentação, pois acho irá ficar mais interessante e com menos cheiro e gosto da levedura. Creio que a receita foi pensada originalmente para não dar errado e por isso a quantidade de farinha e fermento são maiores que a necessidade real. 

Juntinhos

Pãezinhos de mandioca
Agora só falta o frango. Frango assado de domingo, só que ao estilo estripador... Em pedaços.

O hoje do post já é ontem, só que depois de um dia tão produtivo e da barriga cheia do jantar não consegui voltar para terminar a história.

Sem problema, pois pelo menos desta vez eu estou voltando para finalizar dignamente um post quando escrevo em algum ponto que vou fazê-lo. Ou quando fica uma ponta solta no texto.

O fato é que passei uma manhã inteira me xingando porque não lembrava de como fiz o último frango assado aqui em casa. Isso, porque na minha memória ele tinha ficado muito bom e podia ser repetido sem erro. Tempos difíceis esses sem anotar as coisas em um pedaço de papel virtual.

Daí que resignada por não conseguir acionar a lembrança, comecei a busca - meio que só pra não dizer que não fiz - por uma anotação da receita em algum bloco de notas, em algum arquivo de algum computador. Na minha fase off-blog eu anotava algumas coisas que achava sensacionais em um arquivo para lembrar e publicar em um futuro que sabia, já no momento em que aquilo era o presente, que nunca iria chegar. Eu dificilmente faço essas coisas que guardo/escrevo/prometo como meta que vou realizar no futuro. Isso gerou um sem número de bons textos de faculdade não lidos e outros tantos de boas receitas não preparadas e incontáveis e-mails mais longos para os quais eu nunca voltei.

Como já era de se esperar a busca deu em nada. Eu não tinha nenhuma anotação de frango assado para recorrer. Vai de cabeça mesmo. Puxa da memória e segue o fluxo. Coloquei o frango em uma marinada de alho, pimenta branca, coentro em grãos, páprica, sal, azeite, suco de 1/2 laranja e alecrim. Ficou por aproximadamente 6 horas na geladeira. Depois coloquei os pedaços de frango com a pele virada para baixo em uma assadeira que foi na boca do fogão com: azeite, pimenta do reino moída na hora por cima, alguns dentes de alho, alecrim, mais um pouquinho de sal e cebola cortada em quartos. Deixei a pele do frango ficar bem torradinha e coloquei a assadeira no forno baixo. Deixei cerca de meia hora e virei os pedaços para a pele ficar para cima e o cozimento continuar. Fui regando de tempo em tempo para não perder a suculência. Funcionou bem, mas da próxima vez viraria os pedaços antes de ir para o forno cobriria com alumínio e deixaria menos tempo. Acho que ganharei em suculência.

Com o fundo da assadeira fiz um molho e comemos com aipim que também foi ao forno com parmesão azeite, sal e pimenta. Acho que numa outra ocasião colocarei o aipim com o frango para ver o que acontece.

Nem eu consigo saber se esse é o lado certo da foto

Na boa, faltou só uma cerveja pra acompanhar. Até mesmo quem não é de beber alcoólicos sinalizou a falta como uma baixa na refeição. Fica pra próxima!

Quase que eu esqueço. Teve sobremesa. Sorvete de baunilha feito em casa [aqui] mas com 2 vezes a quantidade de leite eme relação ao creme de leite e 6 gemas. Não, não foi feito nessa mesma leva de cozinha produtiva, mas foi um dos melhores sorvetes de baunilha que eu já fiz até agora.

Foi corrido, cansativo [dormi como uma pedra depois de jantar + Breaking Bad]. No entanto, fiquei satisfeita com tudo o que produzi. Acho que acordei para isso ontem. Não sei se são as férias ou a necessidade de acabar com qualquer vestígio de comida em casa antes de viajar, mas continuo com a cabeça na cozinha. Rever prioridades talvez.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Entre fatias, entrementes

Talvez esteja inaugurando uma nova série no blog. Talvez não. Mas o fato é que calor e tentativas, até agora bem sucedidas de levar almoço para o trabalho [uma pausa aqui que estou de férias e então não sei como isso acabará], fizeram-se repensar o conceito de sanduíche de modo a torná-lo uma opção viável tento pela praticidade quanto pelo ponto de vista nutricional.

Falar em praticidade é algo óbvio. Como dois pães com recheio não vão ser uma coisa rápida, fácil e indolor. O que também nos leva a mais uma conclusão óbvia sobre as vantagens de ter um sanduíche para levar de almoço no trabalho. E leve, não ocupa muto espaço na bolsa; não precisa requentar; e, quando frio, é uma boa opção para os dias quentes, etc., etc., etc.

Daí para a parte de fazer com que seu corpo se mantenha funcionando, como substituição da refeição, deve conter várias camadas para fazer algum sentido nutricional. Adoro camadas! Adoro comida com camadas coloridas, que você corta e vira um desenho no prato.

Tenho experimentado algumas receitas e as de hoje são duas muito boas que levam lombo de porco defumado.

Entre frio e quente, entre pão, lombo e cebola 

2 pães de forma [nesse caso branco, porque era o que tinha, mas se tivesse de centeio, ou preto, ia ser ideal]
fatias de lombo de porco defumado
fatias de queijo minas frescal
1 cebola cortada em rodelas
folhas de radichio
mostarda

O modo de fazer tem uma lógica para otimizar o uso da panela e não perder muito tempo para montar. Eu, particularmente, organizei tudo cortado em uma tábua sobre o fogão e fui preparando os ingredientes separadamente em uma frigideira antiaderente.

Usei uma única frigideira para não perder o fio de praticidade necessária e economizar na hora da louça, mas se o pão pudesse ser feito separadamente, talvez ficasse melhor.

Primeiro de tudo: cebolas. Vão na frigideira com um pouco de manteiga, açúcar mascavo, sal e pimenta do reino até ficarem caramelizadas, ou um pouco antes [meu caso] se você estiver com pressa [muito eu]. ficou pronto? Com ou sem pressa? Reserve na própria tábua.

Agora vem as fatias de lombinho, as quais não precisam ser necessariamente passadas na chapa, mas tem gente que reclama que o "porco pode tá cru e é melhor esquentar um pouco só pra garantir".

Passado o lombo, é esquentar um pouco o pão e depois derreter o queijo, porque se derreter o queijo antes você pode ultrapassar a fronteira limite da quantidade aceitável de resíduos aceitáveis na panela para continuar usando ela sem lavar.

A montagem é simples: pão mostarda, radichio rasgado, lobinho, cebolas, queijo e... pão.

Acho que tomamos com um suco de limão e desceu muito bem.





domingo, 15 de dezembro de 2013

Selva de varanda

Tava com uma carência de fotos... E comidas que .. Eram meio nhem... Não eram fotogênicas.

Pimenta, sálvia, mais pimenta e um tomilho ensandecido

Dedo de Moça gigante, espinafre, sálvia, segurelha, manjericões, pimenta de cheiro, cebolinha francesa, hortelã.

Selvagem.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sobrou aipim do bom? Sopa

Essa é uma receita de sobras. Eu tô com muita má vontade para escrever ultimamente. No entanto sinto que boas ideias se perderão caso eu não as coloque no "papel". Essa sopa é uma dessas boas ideias que surgem no momento em que se cozinha e depois vão sendo suplantadas por novas coisas que acontecem e com a dinâmica de cozinhar para o dia a dia.

Não tá muito quente pra sopa? Não está meio fora de estação? Sim, mas felizmente onde eu moro o clima colabora bastante para o ato de comer alimentos quentes. Frio não tá, no entanto, à noite um caldinho cai bem e não mata os comensais de tanto suar.

Esse caldo de aipim não é nada levinho, porque acho que ser pesado é da constituição própria do dito vegetal. Ainda usei bacon para dar um gosto e isso torna a coisa mais heavy ainda. Não é nenhum feijão carregado que vem com aquela moleza pós-prato mas dá uma tristezinha boa depois de comer.

Usei um aipim muito bom, que já estava cozido e desmanchando antes de ir para a panela do caldo. Eu comprei ele com um dos locais aqui da região que vende legumes/frutas/verduras de porta em porta [Ah! A vida no campo], bem melhor que enciclopédia, perfume e palavras vazias sobre alguma coisa transcendental. Cozinhei todo o aipim comprado, com uma parte fiz um escondidinho vegetariano de cogumelos que também merece um post e as sobras ficaram na geladeira meio sem destino.

Quando cheguei ao limite do dilema o que teremos para o jantar, lembrei das sobras do aipim e resolvi fazer uma sopinha pra aquecer esse resquício de dias frios que já se foram a muito tempo junto com o inverno. A receita, como foi totalmente intuitiva vai daquele modo contado mesmo, porque não tem muita medida ou coisa do tipo, é tudo meio como está seu espírito no momento e quais são os ingredientes que tem em casa.

Primeiro de tudo, foi para o pilão, alho [tipo 3 dentes], pimenta branca em grãos, uma pimenta de cheiro fresca que parece uma pitanga e foi recolhida dos vasinhos de tempero [faz muita diferença e poderia ter colocado mais se eu tivesse. No meu pé só tinha uma pimenta madura e me arrependi de não ter trazido um pouco dessa pimenta que estava jogava aos montes na sala do café no trabalho]. Além disso, acrescentei aos temperos pilados um punhado de sálvia e sal.

Na panela quente com um fio de azeite foi bacon em cubos até soltarem bem a gordura e ficarem crocantes - meio à pururuca, se é que isso é correto de se afirmar para bacon. Depois que eles estavam no ponto, foram retirados da panela e colocados para escorrer no papel toalha. Na gordura do bacon, refoga-se um pouco de cebola [meia] com os temperos do pilão. Por fim vai o aipim cortado em cubos para refogar um pouco nesses temperos. Quando começar a grudar no fundo da panela é hora de juntar uma dose - generosa - de cachaça para deglaçar. Aqui foi a melhor ideia que eu tive desde que comecei a fazer essa sopa. Nunca pensei que o gostinho e o aroma da bebida fossem ficar tão presentes na hora de comer e que isso fosse tão agradável. Bom também se quiser afogar as mágoas durante o jantar, porque embora não dê para embebedar ninguém, pelo menos é uma desculpa.

Feito isso, foi só juntar um pouco de caldo. Qualquer caldo serve, mas usei um de grão de bico que tinha congelado. Acertar o sal e a pimenta, voltar com o bacon para a panela na hora de servir para que ele fique crocante e não ensopado.

Esqueci de comentar que enquanto estava apurando no fogo, já com o caldo, juntei um pedaço pequeno da casca de um queijo parmesão para ajudar a desenvolver o sabor do caldo e também funcionou.

Como sempre, eu não tenho fotos. Não que eu não goste delas. É que eu sempre esqueço de tirar e foto de caldo, à noite, sem tripé, dificilmente iria ficar publicável.

Tudo que eu sei, é que esse caldo de aipim e pinga [porque a pinga ficou presente] merece ser repetido, porque foi uma ótima refeição. Apreciada com torradas feitas de ciabatta que comprei na padaria  cheia de esperança de que fosse abri-la e ver aqueles alvéolos bonitos. Ledo engano, o pão tava bem meia boca, com muito fermento e provavelmente sem o tempo de fermentação que merecia. Ao ver minha decepção, meu querido companheiro só falou: "Mas também o que você esperava". Eu tinha esperança, tá. Contra-argumentei que a padaria parecia tão legal, toda arrumada e com coisas caras e de rico por todos os lados, achei que pelo menos podiam se dignar a fazer um pão clássico decente e não fazer um pão chato coberto de farinha querendo enganar o consumidor. Então não bota a p*rra do nome do pão de ciabatta na etiqueta.

Sem problema, o caldo de aipim levemente encachaçado tornou o pão um coadjuvante bem fuleirinho que nem recebe fala nenhuma e não atrapalha o andamento do script.

Resolução do dia: espero por posts com um pouco mais de inspiração.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Um molho que vale uma salada

Essa receita está muito atrasada e espero que a minha memória não me traia, pois o resultado ficou muito interessante com potencial para animar uma salada simples de almoço no trabalho.

Fiz meio de improviso, já que pretendia levar para o almoço do trabalho [estou adepta a levar comida de casa para o trabalho] uma salada cuja base era grão de bico. Pensando de estalo me ocorreu de usar o tahine no molho e temperar tudo com algum tipo de mistura que lembrasse comida árabe.

<<<< O molho levou >>>>
receita pra 1 só

1 colher de café de tahine
1 colher de café de mel
sal e pimenta do reino a gosto
1 tiquinho quase nada de tabasco
azeite também a gosto

É misturar bem e pronto, não tem modo de fazer

<<<<  A salada levou >>>>
receita pra 1 só

1 xícara bem cheia de grão de bico
1 tomate picado grosseiramente sem as sementes
1 pouco de damasco seco picado pequeninho
1 punhado de queijo coalho ralado ou cortado em cubos
folhas novas de aipo.

O esquema da marmita foi feito da seguinte maneira:

Peguei a tigela que utilizo como tudo [recipiente de transporte, refratário para cozimento e prato], fiz o molho de tahine com mel, coloquei nessa ordem o tomate picado; o grão de bico e o damasco misturando levemente eles; o queijo e as folhas de aipo. Na hora de comer misturei tudo no próprio pote e pronto.

O resultado final foi muito positivo, visto que a combinação do grão de bico com o molho proporcionou um sabor agradável, levemente adocicado e apimentado na medida pelo tabasco.



sábado, 30 de novembro de 2013

Tá... Tags

Esse espaço já foi bem menos requisitado. Ultimamente estou me esforçando para voltar a ele e retomar minhas lembranças culinárias, mas tá f*da.

Por mais poético que pareça uma tag chamada "Simplesmente", ou outra "Aprendiz de Feiticeiro", isso não facilita em nada o intuito de achar as receitas depois num índice liricamente emaranhado.

Temos então que procurarei colocar tags mais óbvias, nem por isso menos "boring" [colocar chatas aqui não me causa a mesma sensação], para tentar organizar melhor as receitas e tornar esse site mais funcional para mim mesmo.

Começarão a aparecer marcadores como Pães, Bolos, Doces, e talvez, a depender do meu estado de espírito que é o que comanda este blog, com nomes de ingredientes para facilitar aquela busca: eu tenho um[a] [coloque seu legume/verdura sempre esquecido aqui - é porque isso só acontece com vegetais, ninguém esquece o pedaço de bife] me olhando entre a vida e a morte na geladeira e não tenho destino a dar para ele[a].

Não, não vou deixar de colocar as tags poéticas que eu gosto nas coisas.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

1-0-0 (pass, fail, fail): conspiração cósmica ou teimosia mesmo

Quem gosta, lê e - mesmo que muito raramente - escreve sobre comida sabe o que é No-knead bread. O pão sem sova que já correu os quatro cantos da internet. Pois bem, comigo não é diferente. Mesmo que um pouco tardiamente, ou seja, depois da grande febre que dever ter sido as primeiras horas da descoberta de tal miraculosidade (eu não não acompanhei esse movimento porque meu interesse por culinária à época era inversamente proporcional ao tamanho do meu entendimento sobre o assunto), eu acabei esbarrando com a técnica de fazer pão sem ter que sovar.

Não que eu ache que a sova seja um grande problema na tarefa de fazer um pão, pelo contrário. No entanto, acho que isso é um tipo de coisa que faz parte do "todo" de todo acompanhante de blog de comida. Como uma espécie de checkpoint da culinária. Gosta de gastronomia, de panificação e de foodblog, vai ter que fazer um pão sem sova, só pra dizer que passou por isso.

A minha história com o pão sem sova se confunde com a falta de um equipamento crucial para que a empreitada dê certo. Um recipiente com tampa [Le Creuset] que possa acomodar o pão [Le Creuset] e ir ao forno[tampado, óbvio] sem derreter [hum, Le Creuset], queimar, colocar fogo na casa toda, leia-se - uma panela Le Creuset. Claro, evidente, que outros recipientes podem cumprir o mesmo papel que a dita panela francesa, mas não havendo mais nenhuma desculpar razoável para adquirir uma Le Creuset, a não ser a mais descarada vontade de consumo daquelas que a gente luta contra o quanto pode, o No-Knead Bread serve como motivo esfarrapado para colocar na lista de prós da panela de ferro que custa os olhos da cara.

Visto que este post é sobre um fracasso, acho que escrevo ele tardiamente com motivos escusos para falar mesmo é da panela, uma vez que as duas coisas se confundem. O meu desejo de comprar uma Le Creuset ficou mais aguçado depois de descobrir a possibilidade de fazer um pão tão badalado e uma vez adquirida uma panela tão falada o pão foi a segunda coisa que foi pra dentro dela... Só para testar se funciona mesmo no forno...

Pão não, panela... sim.

A primeira coisa feita na panela, só pra não deixar passar foi risoto. Acho. E não me lembro risoto de que.

O pão tem por toda a internet e não vou postar receita aqui. Expectativa em 100% e um pão duro como uma pedra, foi o que ganhei. O meu querido companheiro falou que era o fermento e eu disse que isso não era possível. O fermento tava velho, já tinha trocentos anos que comprei, mas como poderia se o fermento... Fungo por acaso morre? Achei que a prudência não era suficiente e meti outra receita do pão para rodar na semana seguinte na mesma panela, com o mesmo fermento. E... Fail again!

Será o fermento? Desisti de testar outro No-Knead Bread e larguei para lá, pois calculei que mais uma semana comendo farinha na versão pedra não seria saudável. No caso do último pão nem pra "crouton" serviu de tão duro. Como estivera muito tempo sem botar mão em massa - leia-se, fazer pão - pensei que tanto tempo pudesse ter influenciado as energias cósmicas da panificação, mas eu não acredito muito nisso e resolvi que tá bom, já deu, um dia quem sabe eu volto para essa receita e vou ver se me beneficio das quimeras de facilidade prometidas.

Por enquanto foi tempo demais, ingredientes demais, paciência de mais e pão de menos, bem menos, menos mesmo.

O 1 do post pelo menos, refere-se a Le Creuset amarela novinha que eu comprei na promoção e não me arrependo. Fiquei meio assim, pois não me dou a arroubos consumistas. Não gosto de coisas e odeio ter o que não preciso, mas sinto que dessa vez valeu a pena, apesar achar que de todos os critérios usados para comprar alguma coisa são puramente subjetivos. Ela é muito bonita e não faz feio quando o assunto é ser panela - se é que essa é uma qualidade a ser considerada. Acabei sem pão sem sova, mas com a cozinha mais equipada.

Foto? Do pão não e da panela... Também não.

Vão-se os pães e ficam as panelas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um doce quase nunca para outra volta de indecisões

Nomes sem sentido são muito legais. Assim como coisas, eles só servem a quem os tem. Estou voltando de novo ao blog e como se fosse uma redenção escrevendo sois posts no lugar de um.

O pão? Ah, o pão? Será trauma ou excesso de supermercado. [Veja a história completa] Não, eu não fiz o pão com centeio, embora tenha me levantado com o ímpeto de fazê-lo. Só que... Quando comecei a arrumar a cozinha para começar os trabalhos [não gosto de começar a cozinhar com cozinha bagunçada, apesar de às vezes fechar os olhos e fazer assim mesmo] me dei conta que havia um pão que não dera certo sobre a pia - o qual teríamos que dar cabo de algum jeito - e mais dois famigerados sacos de pão do supermercado - os quais havia comprado mais cedo em um impulso de "não podemos ficar sem pão". Despensa vazia dá nisso.

Desistência aceita fui caçar algo para me satisfazer culinarísticamente. Procura no cérebro, antes do Google, e surgiu a imagem... Rocambole! Tenho goiabada e muitos anos me separando do último que comi. 

Decidida, comecei a procura no Google por receitas, visto que essa é uma coisa que não faço quase nunca e nunca anotei minha receita favorita. 

O rocambole? Ah, o rocambole? Será preguiça ou excesso de ovos. Na boa, um troço que leva 6 ovos [mais expressivo que meia dúzia] não é algo que possa animar alguém a começar uma sobremesa. Deixa isso para um dia em que eu começar mais cedo e com mais paciência.

Pensei em panna cotta. Já havia feito algumas com sucesso, pois acho que no fundo estava mais para sobremesa de comer de colher, depois do jantar e tal. Mas ainda não era isso o que eu queria.

Resolvi então arriscar fazer uma pudim de tapioca, cuja receita me foi passada por uma pessoa no trabalho. Não sem antes duvidar entre ele e um bolo de tapioca enviado pela minha mãe. Essa pessoa - a do trabalho - levou o dito pudim numa festa junina e o orgulho da beleza da obra era tão grande quanto o sabor do pudim. 

Posou bem pra foto. Um viva pra quem tinha a foto do pudim e não sabia!


A receita é bem imprecisa, pois foi copiada de boca e deixada no servidor do trabalho em uma pasta batizada sugestivamente de... Receitas. A dita cuja só tem duas ou três receitas, mas tenho quase certeza que ninguém mais se arriscou a fazer o tal pudim da Lucia, a não ser a própria.

Antes de começar a execução das coisas, no entanto, esse post deve fazer jus a seu título e conter mais um pouco de indecisão: Vai caber o pudim na forma menor? Penso eu? Num momento de raríssimo espírito planejador eu medi um litro de água na forma e concluí que se aquele era o volume do ingrediente de maior quantidade na receita [o leite] o pudim inteiro haveria de caber.

Caramelizei a forma e segui:

{{{{{{{{{{{{{{{ Pudim de tapioca da Lucia }}}}}}}}}}}}}}
Como está anotado na receita original

1 lata de leite condensado
1 vidro de leite de coco
3 ovos (usei dois pois estavam enormes, ou então estou com alguma avareza de ovos hoje)
1 colher de manteiga
2 pacotes de coco ralado - o que deduzir serem 100 gramas
1 copo americano de tapioca
1 litro de leite

O lance é fazer um mingau com o leite e a tapioca e, em outro recipiente misturar os outros ingredientes. Eu bati todos menos o coco ralado no liquidificados.

Uma vez o mingau pronto é só incorporar ele a outra mistura, ou incorporar a mistura a ele, tanto faz e foi o que eu fiz. Nessa hora eu também juntei o coco ralado, pois já que eram flocos em não queria que ficassem triturados.

Feito isso, levar o pudim ao forno em banho-maria e, notem bem, retirar quando estiver [sic] "moreninho". Como o meu está nesse momento [é isso mesmo, escrevo enquanto espero um pudim]. Mas ainda vou deixar mais um pouco.

Só que... aqui começa o desespero. Depois de fazer tudo como a receita mandava o volume do troco aumentou enormemente. Eu fiz o mingau e quando juntei o resto quase não coube na panela. Assim como não deu na forma de pudim que eu havia previsto. Além disso, na hora de despejar na forma a coisa foi espirrando toda na medida que caia fazendo uma pequena, mas frustrante sujeira. Assim...

Toca a caramelizar outra forma de pudim para assentar o restante e procurar um tabuleiro em que coubesse as duas formas para tentar assar em uma fornada só. Não tendo tal utensílio, só me restou colocar somente um dos pudins no forno e assar o outro em seguida.

[Pudim número 2 no forno. Bem na hora que eu falava dele.]

Só saberei se tudo isso valeu quando desenformar, mas talvez não seja o pior dos mundos visto que o infortúnio da forma pode me possibilitar um pudim para levar para o trabalho amanhã ou depois.

Só pra não perder o bonde, não sei se faço pot pie ou panquecas para o jantar.