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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Arroz com quê?

Quando você não pensou no almoço e o seu corpo começa a emitir sons e sinais de protesto contra sua existência diminui muito a probabilidade de se produzir na cozinha alguma coisa digna de nota.

No entanto...

Às vezes...

As forças cósmicas do universo [pra não dizer os deuses] conspiram a favor. Pô, tava demorando, né? Já tava achando que não ia mais rolar.

Levantei da frente do computador aos primeiros sinais de fome para ver o que poderia ser feito pensando logo em um arroz com pinhão, que já estava cozido na geladeira a algum tempo. Só que olhando para eles achei que já haviam esperado tempo demais para serem utilizados e resolvi não arriscar.

Com o pinhão fora do jogo só restou uma lata de atum para fazer com o arroz. Bleh!! Isso tava com maior cara de mexidinho, juntadinho e outras coisas que combinam o que se tem a disposição torcendo para que seja comestível de alguma forma. Longe de mim denegrir a imagem da comida de improviso e de aproveitamento, mas que é uma loteria às vezes, isso é. E que às vezes dá errado, isso também dá.

Ideia, ideia, ideia...

Posso melhorar isso de alguma maneira. Tinha pensado em usar gengibre e shoyu para puxar o prato para algo mais oriental. Tá pode ser, mas também podia radicalizar na ousadia e tentar o impensável para uma comida de emergência: destrancar o preciosamente guardado açafrão.

Não queiram minha cabeça por blasfemar contra alguma regra sagrada da culinária. Nem me colocar na fogueira por desperdício, sacrilégio ou ostentação [termo da moda]. Foi uma opção meio que improvisada e que nem pode ter sido a melhor, mas era um risco que teria que correr.

Fazendo uma rápida pesquisa.

"O que você prefere, gengibre ou açafrão?"
"Açafrão, não sei direito se lembro do gosto."

Nada como as explicações mais simples para os fatos complexos da culinária. Vamos de açafrão. Mas não somente...

Meia xícara de arroz foi cozido em um caldo que levou alho, cebola, pimenta e 1/2 lata de atum refogados em azeite. Açafrão, claro!. Azeitonas pretas, sal e pimenta do reino. Somente isso e para finalizar pedaços da outra metade da lata de atum.

Ficou ótimo, surpreendente para a rapidez com que foi feito, mas o melhor foi a combinação do prato com um suco de lima da pérsia, gengibre e água gasosa.

Almoço de emergência mas nem por isso negligenciado.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Salada sim, salada não

Salada não tem receita. Isso é fato! Mas uma combinação correta de ingredientes pode fazer toda diferença e quando isso acontece... Heaven!

Aconteceu ontem mesmo no jantar. Estava até disposta a comer algo mais substancial que uma salada, afinal estamos no outono. Mas não tava muito afim de fazer algo dessa categoria de comida.

Minha indisposição para a cozinha continua firme, mas acho que parando de falar sobre isso ela talvez melhore. Falta inspiração para coisas novas e aquela boa vontade de começar os trabalhos.

Ideias eu até tenho muitas, passo um bom tempo destrinchando mentalmente a despensa para montar as combinações que ficam entre a pretensão da novidade, a vontade propriamente dita de comer alguma coisa específica e a mais frequente o que está morrendo na geladeira/despensa/armário e precisa ser utilizado urgentemente.

Crio mil e um planos de ação para passar uma tarde agradável na cozinha fazendo vários quitutes mas quando chego em casa... Blééé. Só a louça na pia já faz pensar em dar meia volta e virar consumidora de comidas prontas, por pior que o gosto disso possa parecer.

Já eram 5 horas quando a comida começou a ser preparada e uma rodada rápida pelo meu feed de blogs de comida já havia me direcionado a alguns dias atrás para essa receita. Entre o que iria ser e o possível àquela hora, essa salada me pareceu a melhor coisa que poderia sair da cozinha àquela altura.

Tinha todos os ingredientes? Claro que não! Então segue no improviso, usando o que se tem e dando um pouco mais de substância ao acrescentar uma lata de atum na receita original. De igual mesmo só a cenoura e a quinoa, o resto foi o possível.

Usei 2 cenouras, 1/2 xícara de quinoa, cramberries, passas pretas, atum em lata, gengibre fresco picado, sal pimenta do reino, vinagre de arroz, azeite, um pingo de óleo de gergelim [isso fez diferença], gergelim e um pouco de um mix de castanhas que já estava pronto e era o que tinha para dar a textura crocante. Pronto.

Ficou ótimo. Comemos com pão integral torrado e uma fatia de queijo minas padrão. Versátil, porque vai como salada, vai como recheio de sanduíche e vai assim como comemos, sobre o pão como uma brusqueta diferente.


sábado, 21 de dezembro de 2013

Entre fatias, entrementes

Talvez esteja inaugurando uma nova série no blog. Talvez não. Mas o fato é que calor e tentativas, até agora bem sucedidas de levar almoço para o trabalho [uma pausa aqui que estou de férias e então não sei como isso acabará], fizeram-se repensar o conceito de sanduíche de modo a torná-lo uma opção viável tento pela praticidade quanto pelo ponto de vista nutricional.

Falar em praticidade é algo óbvio. Como dois pães com recheio não vão ser uma coisa rápida, fácil e indolor. O que também nos leva a mais uma conclusão óbvia sobre as vantagens de ter um sanduíche para levar de almoço no trabalho. E leve, não ocupa muto espaço na bolsa; não precisa requentar; e, quando frio, é uma boa opção para os dias quentes, etc., etc., etc.

Daí para a parte de fazer com que seu corpo se mantenha funcionando, como substituição da refeição, deve conter várias camadas para fazer algum sentido nutricional. Adoro camadas! Adoro comida com camadas coloridas, que você corta e vira um desenho no prato.

Tenho experimentado algumas receitas e as de hoje são duas muito boas que levam lombo de porco defumado.

Entre frio e quente, entre pão, lombo e cebola 

2 pães de forma [nesse caso branco, porque era o que tinha, mas se tivesse de centeio, ou preto, ia ser ideal]
fatias de lombo de porco defumado
fatias de queijo minas frescal
1 cebola cortada em rodelas
folhas de radichio
mostarda

O modo de fazer tem uma lógica para otimizar o uso da panela e não perder muito tempo para montar. Eu, particularmente, organizei tudo cortado em uma tábua sobre o fogão e fui preparando os ingredientes separadamente em uma frigideira antiaderente.

Usei uma única frigideira para não perder o fio de praticidade necessária e economizar na hora da louça, mas se o pão pudesse ser feito separadamente, talvez ficasse melhor.

Primeiro de tudo: cebolas. Vão na frigideira com um pouco de manteiga, açúcar mascavo, sal e pimenta do reino até ficarem caramelizadas, ou um pouco antes [meu caso] se você estiver com pressa [muito eu]. ficou pronto? Com ou sem pressa? Reserve na própria tábua.

Agora vem as fatias de lombinho, as quais não precisam ser necessariamente passadas na chapa, mas tem gente que reclama que o "porco pode tá cru e é melhor esquentar um pouco só pra garantir".

Passado o lombo, é esquentar um pouco o pão e depois derreter o queijo, porque se derreter o queijo antes você pode ultrapassar a fronteira limite da quantidade aceitável de resíduos aceitáveis na panela para continuar usando ela sem lavar.

A montagem é simples: pão mostarda, radichio rasgado, lobinho, cebolas, queijo e... pão.

Acho que tomamos com um suco de limão e desceu muito bem.





domingo, 8 de dezembro de 2013

Um molho que vale uma salada

Essa receita está muito atrasada e espero que a minha memória não me traia, pois o resultado ficou muito interessante com potencial para animar uma salada simples de almoço no trabalho.

Fiz meio de improviso, já que pretendia levar para o almoço do trabalho [estou adepta a levar comida de casa para o trabalho] uma salada cuja base era grão de bico. Pensando de estalo me ocorreu de usar o tahine no molho e temperar tudo com algum tipo de mistura que lembrasse comida árabe.

<<<< O molho levou >>>>
receita pra 1 só

1 colher de café de tahine
1 colher de café de mel
sal e pimenta do reino a gosto
1 tiquinho quase nada de tabasco
azeite também a gosto

É misturar bem e pronto, não tem modo de fazer

<<<<  A salada levou >>>>
receita pra 1 só

1 xícara bem cheia de grão de bico
1 tomate picado grosseiramente sem as sementes
1 pouco de damasco seco picado pequeninho
1 punhado de queijo coalho ralado ou cortado em cubos
folhas novas de aipo.

O esquema da marmita foi feito da seguinte maneira:

Peguei a tigela que utilizo como tudo [recipiente de transporte, refratário para cozimento e prato], fiz o molho de tahine com mel, coloquei nessa ordem o tomate picado; o grão de bico e o damasco misturando levemente eles; o queijo e as folhas de aipo. Na hora de comer misturei tudo no próprio pote e pronto.

O resultado final foi muito positivo, visto que a combinação do grão de bico com o molho proporcionou um sabor agradável, levemente adocicado e apimentado na medida pelo tabasco.



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Couscous marroquino e falafel na falta de um título mais criativo

Era uma sádabo e nós em casa. Nada pode ser melhor do que isso, exceto saber que tem um feriado na segunda. A semana não foi fácil, alguns problemas se acumulam, e pior ainda, vão e voltam e não nos deixam em paz. Estava num ponto limite entre a razão e o desespero [meio exagerado isso], mas nem vontade de cozinha em vinha tendo até as coisas clarearem um pouco neste fim de semana.

Eu ando meio sem paciência para quase todo mundo, exceto alguns bons e velhos companheiros que nunca são demais e sempre estão a postos quando se precisa. Mesmo que eles não saibam que você precisa deles e que eles nunca fiquem sabendo [talvez hoje saibam] eles estão lá e fazem as coisas melhores. E sem que isso implique necessariamente em consolar você. Ando levemente introspectiva demais, pensativa demais e absolutamente sem ideias que prestem, para quase tudo que me proponho a fazer parece que os pensamentos não fluem como deveriam.

Estou caminhando com os projetos, mas me sinto como se estivesse presa [acho que stucked é a melhor palavra para descrever isso] sem sair do lugar. Estranho isso, meio freak, pra não dizer depressivo e inapropriado. Pra ninguém achar que terei tendencias suicidas futuras, isso é só em relação ao trabalho e aos estudos e não chega a me tirar do sério. Apenas acho que registrar ajuda a exorcizar um pouco desses fantasmas emperradores e por isso deixo essas pequenas confissões públicas.

Essa inquietação pede uma comida fácil e rápida, só que sem parecer de preguiçoso. Nada de juntar tudo na geladeira e fazer omeletão, ou torta de resto, ou coisas que envolvam as palavras liquidificador e panela de pressão. Um mandamento culinário diz que usar panela de pressão é pra fazer coisa difícil - feijão, lentilha, sopas variadas, "carne assada" - e trabalhosas, nada de facilitar a vida da cozinheira que isso não é comercial de margarina nem nada. Assim sendo, com a criatividade em dia e uma ligeira queda para o Oriente o almoço saiu com rapidez, facilidade e um pouco de estilo. Fiz falafel assado com uma salada de couscous marroquino pra lembrar os velhos tempos em que eu tinha algum comprometimento com o planejamento das refeições.

Com a minha atual fase de correria, o preparo das comidas não tem sido, assim, um ato de pensamento voluntário, tendendo ao estilo "geladeira oráculo": olhe fixamente dentro dela e veja se encontra a resposta. Mas isso não quer dizer que não tenho, tentado ao menos, comer de modo correto e saudável, pois se em casa está mais difícil nos almoços no restaurante quando estou no trabalho tenho me mantido firme na missão e, inversamente, distante do empadão de frango e da batata frita dos infernos. Toda essa história também prova que todo o tempo investido anteriormente em planejar, medir e combinar alimentos para criar pratos quase à exaustão estão sendo muito bem aproveitados agora. De certo modo, aumentei em muito a variedade de receitas na manga e consigo manter um armário com itens suficientes para cozinhar sem pensar e sem sofrer, mesmo quando falta algum ingrediente. É o bônus da comida saudável, porque uma vez liberta de convenções do arroz com feijão e da opressão do creme de leite, fica muito fácil preparar qualquer coisa.

Nesse último sábado então, fui pra cozinha sabendo o que queria mas sem investir um tempo enorme e desnecessário nisso. Quick and easy e um pouco atabalhoado! Joguei no processador, cerca de 250 gramas de grão-de-bico-cozido, meia cebola picada, dois dentes de alho picados, um punhado de cebolinha picada, pimenta do reino moída na hora, sal, uma quantidade exagerada de tabasco só percebida em sua picância depois que comemos [mas ainda assim ficou bom], um pouco de azeite e um pouco [bem pouco - uma colher de sopa] de caldo de legumes. À massa que se formou juntei farinha integral, zathar e farelo de trigo até dar liga no ponto de modelar, mas sem deixar muito seco. Depois, modelei os bolinhos, no formato de pequenos hamburgueres, e dispus em uma assadeira untada com óleo. Forno, depois que eles tostarem de um lado é só virar e esperar tostar o outro. Enquanto os bolinhos estavam no forno comecei a preparar a salada de couscous marrooquino. Piquei tomates cereja em quatro, queijo provolone em cubos. Hidratei uma xícara do couscous em caldo de legumes. Juntei os picados com o couscous e acrescentei folhas de manjericão, sal, pimenta e azeite.

Quase árabe.
Esqueci de dizer, que enquanto o falafel assava no forno, ainda fiz um bolo pra aproveitar a quentura e o tempo na cozinha. Só deus sabe o quanto de louça e sanidade isso me custou. Espero que minha memória esteja funcionando, pois estou sentido ela falhar e começo a duvidar dessa história do bolo. OMG! Lembrei! Foi isso mesmo que aconteceu, pois na hora em que eu fui virar os bolinhos [não sei escrever falafel no plural] que começaram meio que a querer desmontar, claro, minha outra parte foi ajudar com a batedeira que estava pirando e girando a tigela feito louca sem bater nada. Ele gentilmente, foi até lá e raspou as laterais da tigela com a colher colocando a massa em seu devido lugar.

A combinação dos dois ficou bem saborosa, só que ao contrário das minhas expectativas a salada de couscous alimentou todos satisfatoriamente e ainda sobrou. Pensei: vou fazer uma porção grande, porque a comida vai ser só isso e corro o risco de ter gente com fome depois do almoço. Aconteceu justamente o inverso, depois de duas pequenas rodadas os mais desesperados já estavam cheios e desistiram de acabar com a salada de uma vez. Sobrou aquele pouco indesejado, que não dá pra dois e é muito pra um, mas fazer o quê?

Dito isto, o almoço foi bem bacana e saudável, fazendo eu me sentir bem comigo mesma e satisfeita para uma sessão de bolos, bolinhos e mais algumas rodadas de comida de verdade. Hoje, à propósito, foi dia de polenta coberta com fígado de frango feito espetacularmente na manteiga com alho, cebola, tomate, shoyu e alecrim. simples e delicioso, tão quente quanto confortante, pra não dizer necessário.

domingo, 15 de abril de 2012

Reflexões sobre o tempo e um macarrão impressiona visita

Eu não sou muito partidária de receitas que estão na categoria impressiona-visita, e isso é verdade. Gosto de cozinhar para agradar ou outros, tudo bem. Mas não acho que para isso seja preciso fazer um prato que seja uma obra de engenharia, tampouco ficar me estapeando com comidas que levem uma semana pra ficar pronta e tem ingredientes para dois metros de lista. Não faço o gênero me admirem eu faço comida decorada nem o vejam como eu trabalhei duro para servir a todos os convidados.

Para mim, pessoalmente, agradar com comida significa ter um prato simples e muito gostoso a sua disposição quando se está com fome. Nada de sofisticado, nada de pomposo, ou da moda, mas confortante e confortável - não vou servir ostra, escargot ou lagosta pra visita minha.

Como diz os mandamentos daquele inglês metido que atende pelo nome de Jamie Oliver: flavour, taste and combination. Essa é a mágica, é aí onde me encaixo e me sinto mais a vontade na cozinha, com um pouco menos de sujice e bagunça, porque o sujeito é meio porquinho.

Embora não pretenda impressionar visitas piro-tecnicamente com meus pratos, sempre penso em menus que sirvam bem para atender amigos ou qualquer outro gênero de pessoas que resolvam aparecem na residência, ligando antes para confirmar, é claro. Isso porque, acho que vale à pena investir seu tempo - não tanto que você fiquei descabelada e descadeirada no momento de desfrutar da comida - para fazer alguma coisa especial e diferente do comum, mesmo que para isso seja necessário apenas um pequeno esforço teórico, ou seja, se dedicar a pensar na concepção da receita e na maneira de deixá-la o mais apetitosa possível na hora de comer.

Esse macarrão com alho poró é um exemplo magistral disso. Uma receita muito boa, que não dá muito trabalho e nem toma muito tempo. Tempo, é o que anda cada vez escasso para mim, moeda valiosa cada vez mais rara de modo que é preciso economizar. Por mais que isso me cause certo pesar é o tempo de cozinha que vem sendo transferido para outras atividades. Portanto, as receitas tem que ser simples - sem grandes questionamentos filosóficos - meio clássicas - porque já deram certo inúmeras vezes - e que possam ser preparadas em menos de uma hora. Parece slogan de programa de culinária desses canais absurdamente fúteis, os quais só me prestam devido aos benditos programas de culinária. Digressão: adoro programa de culinária, principalmente aqueles em que a comida e não um bando de jurados metidos são a atração principal.

Voltando ao macarrão, antes que eu me esqueça de vez da receita, já que este post está stucked a quase um mês, eu cozinhei macarrão fusilli integral para duas pessoas, sendo uma voraz, medindo no prato [coloca o macarrão cru no prato até onde você supõe que a pessoa vá comer e joga na panela quantas vezes forem o número de pessoas ou a fome dos convidados]. Antes de colocar ele para cozinhar, enquanto a água fervia eu fiz cerca de 300ml de molho branco básico com manteiga, farinha e leite. Esse molho branco pode perfeitamente ser substituído por creme de leite fresco, o que eu já fiz em outra ocasião e agiliza mais ainda, mas nesse dia eu não tinha creme de leite fresco e nem tinha meios de comprar - estou falando de tempo e distância do mercado e não meios econômicos. Coloquei então uma tigela funda como um bowl [odeio esse termo] de inox [se não for inox ou vidro a tigela derrete, óbvio] sobre uma panela de água quente e coloquei o molho branco, pimenta do reino, noz moscada e uma gema [dá um sabor legal]. Mexi e deixa lá apurando. Enquanto isso refoguei, sem deixar murchar um talo de alho poró na manteiga, juntei ao molho e ralei bastante queijo parmesão e um pouco de muçarela dentro da tigela. Todo esse queijo vai juntando e derretendo no molho lentamente e quando o macarrão terminar de cozinhar é só jogar ele ali dentro e servir sem nem precisar sujar mais nenhuma louça.

O resultado é sensacional. É, sem dúvida, uma receita para servir para visitas se fartarem [eu falei de receitas para visita em algum lugar, não? Já faz tanto tempo que não lembro.] e por isso está na minha lista de coisas que posso servir para alguém que venha nos visitar. Além do mais não é nada do tipo que obriga o cozinheiro a ficar preso no fogão até os 45 minutos do segundo tempo em plena hora do almoço, fazendo o pobre ou a pobre ter que comer toda descabelada e esbaforida, enquanto o resto da humanidade está feliz e despreocupada.

domingo, 25 de março de 2012

Matando um italiano do coração: pizza de liquidificador

Isso nem pode ser chamado de receita. Quando foi feito? A long long time ago. Já nem me lembro, mas foi antes de eu abandonar o blog. Estava no rascunho a um tempão, pelo menos antes de 06/03. Retomando...

Eu ia chamar esse post com um nome lindo e pomposo como "Voltando aos clássicos" ou algo que o valha, mas aí meu comentarista gastronômico entrou na cozinha na hora em que a tal "pizza" de liquidificador estava assando e me saiu com esse gloriosos título.

Uma heresia? Mataria um italiano do coração? Não sei. No entanto é o que se pode fazer quando por volta de 8 ou 9 da noite e você tem 0 massas de pizza descansadas e fermentadas para colocar a cobertura. Não foi de caso pensado, porque esse post tá parado a um tempão, mas pizza de verdade vai ficar para semana que vem - a última antes da dissertação.

Assim, esse post nasceu com seu título engraçado, a receita foi apenas um pretexto. Mas todo mundo tem seu "dia da vergonha" fazendo pizzas que não merecem usar esse nome e reproduzindo receitas cuja promessa de facilidade remete aos mais sombrios e heréticos programas de culinária da TV. Vou colocar a receita aqui apenas como uma forma de nunca me esquecer desse episódio, porque sinceramente nem achei que ficou isso tudo.

Não estou conseguindo achar a receita novamente. Viu era isso que acontecia antes de eu manter o blog, fazia um troço e perdia um tempão procurando no Google, tentando lembrar os caminhos que me levaram àquela receita específica. Foi só parar umas semanas e aconteceu de novo. Estou procurando ainda, mas lembro que uma coisa me chamou atenção no dia: ela levava uma quantidade de farinha integral e por isso foi a escolhida na ocasião.

Não achei no meu histórico - o Google guarda o seu histórico de navegação todinho na web [fear!] - nenhuma pizza de liquidificador integral. Acredito ter usado essa receita aqui, substituindo meia xícara de farinha pela integral. A cobertura foi de atum com molho de tomates, só que a pizza ficou fina igual biscoito porque eu usei uma forma um tanto quanto desproporcional para a quantidade de massa que tinha no liquidificador. Foi o tipo de coisa que você vê que não cabe, sabe que não vai dar certo, pensa em mudar mas faz errado assim mesmo, ignorando sua intuição culinária.

Pelo tom que venho usando e pelo relativo descaso demonstrado pelas palavras acima já deu pra perceber que esse post não será visualizado muitas vezes, pelo menos não por mim. Fotos? É melhor nem perguntar.

terça-feira, 6 de março de 2012

Viagem longa, conversa produtiva ou a inveja saudável (literalmente): tomates vermelhos assados

Título longo, comida rápida. Não podia deixar passar a oportunidade de usar um pouco de construção na forma de escrever.

Esse prato - rápido, saudável e indolor - é fruto de uma conversa que tive ontem com uma grande amiga, que também é a leitora mais assídua deste blog. Desconsidera-se o fato dela ser a única leitora, não muito frequente, mas que merece ser reverenciada por isso. Encontrei com a conversa acidentalmente, ambas estávamos à caminho do nosso trabalho, que por acaso é no mesmo prédio. Digo por acaso, pois já éramos amigas de infância há pelo menos uns dez anos, logo, desde antes dela começar a trabalhar no mesmo setor e prédio que eu.

Calor e aborrecimentos com o trânsito - cada vez mais caótico - à parte, as duas já no ônibus, conversamos sobre os assuntos do fim de semana e para minha total surpresa ela direcionou a conversa para assuntos culinários dizendo:

"Lembrei de você esses dias... Lá em casa tinha dois tomates grandes... Eu não gosto dessas coisas grandes, mas marido compra assim mesmo. Então eu cortei eles e assei no forno por um tempo e quando ficou assim... Ele fica murchinho, né? [Sinalizei que sim com a cabeça] Tirei, coloquei queijo prato por cima, aqueles temperos nada naturais que têm lá em casa e foi pro forno de novo "

Ao que eu respondi:

"Fica bom, né?" [Coloque aqui uma certa confusão mental de palavras proferidas sem pensar num momento de sonolência, uma vez que pensando bem, agora, não me lembro de ter comido tomates assados. Apesar de saber que ela vai ler isso e se deparar com a minha total honestidade, tenho que manter a transparência para este blog de memórias, gustativas inclusive]

Eu acho que confundi os tipos de prato, pois sempre como tomate recheado cru, não assado.

Voltando a história. ela continuou:

"Pois é, e me encheu, ficou bom e foi o meu jantar. Lembrei do blog, porque fiz rapidinho."

Agora fala se eu não estou fazendo discípulos da alimentação saudável, porém rápida, mesmo quando se está sozinha em casa?

Bom, eu não resisti a essa conversa e fui pensando no jantar com tomates assados no longo caminho de casa. A inveja saudável entra aqui. Matutando sobre os meus próprios tomates assados fui listando mentalmente os ingredientes disponíveis na minha cozinha para a refeição saudável e copiada das experiências alheias.

O resultado foi: duas bandas de tomates débora sem sementes e sem o miolo [fiz um buraco no tomate retirando toda a polpa que ia atrapalhar a entrada do recheio], salpicado com pimenta moída na hora, sal e açúcar. Depois, preenchendo as cavidades que ficaram, recheio de restinho de atum, cebola picadinha, polpa do tomate picadinha, o caldo que solta das sementes quando peneiradas, queijo minas padrão em cubículos e molho shoyo. Por cima e pra dar uma graça, uma noz picadinha. Até porque não aguentava mais aquela noz solitária me olhando. Forno bem quentinho por uns dez minutos e pronto. Fui na horta e peguei umas folhas de rúcula para acompanhar e dar a sua contribuição verdificada e tirei uma fatia de pão caseiro para acompanhar só porque havia feito exercícios e precisada de um pouco de carboidrato. Não fosse isso, só o tomate seria perfeito com o suco de limão que também fez companhia a este jantar - solo mais feliz.
Olha eles aí!

Agradecimentos especiais a quem deu a ideia e, vamos dizer, ensinou o prato. Já que ela não tem um blog e lembrou de colocar no meu. Aí está. Créditos para ela, com as felicitações de quem não poderia imaginar que um dia ia aprender um prato novo vindo dessa fonte.

Só pra terminar, quando contei a ela sobre o meu jantar de ontem a reação foi apenas essa: "Hum, invejinha..."

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Pedal, orgânicos... Quibe, grão de bico e a doce sensação que o feriado ainda nem começou

Mais um quibe de forno? A parte ser esse um dos meus pratos favoritos, esse ficou muito bom e tem o diferencial de ter sido feito com carne de soja. Por isso vou anotá-lo aqui para não esquecer. Ele tem também o mérito de ser muito fácil e rápido de ser preparado, bastando estar com a carne e o trigo hidratados, vai tudo para o processador mistura e pronto.

A minha sexta-feira começou com muita cara de sábado, já que eu não precisei ir trabalhar. Por isso, fiquei durante todo o dia pensando ser sábado, apenas para ter o prazer de, ao fim da tarde, chegar a doce conclusão que ainda era sexta e meu feriado apenas começara. Agora que tenho recomendações médicas para pedalar - a melhor notícia do mundo para o meu companheiro pedalador inveterado - e devo fazer por força aquilo que a preguiça me impede, aproveitamos para dar um passeio de leve pelas redondezas. Passeio com destino certo: a Fazenda Constância, produtora de orgânicos que tem me servido com legumes e verduras quinzenalmente. Sempre fazia pedidos para entrega, mas dessa vez como a lista de produtos que eu precisava eram carregáveis em uma bicicleta e eu queria conhecer o local juntei todas os requisitos e fomos até lá.

Foi legal, porque o pessoal foi atencioso com a gente, explicando todo o processo de plantio e os insumos biológicos utilizados para fertilização e controle de pragas. Eles são muito organizados e fazem um trabalho realmente bacana, principalmente se comparado com a média dos serviços prestados aqui na cidade. A fazenda não é muito longe aqui de casa e ir de bicicleta foi bem agradável, porque todo o caminho vale o passeio. Apesar de que, parte de paisagem de casas belíssimas e de pequenas mansões com cores vibrantes, telhado claro e esquadrias pintadas de branco nos deixou um pouco atordoados, tanto pela vontade de morar ali quanto pelo desgosto de não morar. Fazer o quê? Ces't la vie!

À propósito, trouxemos rúcula e uma couve de nome estranho, o qual eu jamais vou lembrar para poder sequer pronunciar, quanto mais escrever. O nome da couve é chingensai, uma espécie chinesa que é mais tenra que a couve mineira e, pelo que disseram, menos amarga. Ainda não provei, quer dizer, ainda não comi refogada como é pra ser feita, mas já tirei um pedacinho crua pra comer e achei bem boa, com um gosto que lembra a couve que estamos mais acostumadas. Eu trouxe sem saber como ia usar, contrariando um pouco a minha lógica de compras, entretanto, ao mesmo tempo, não posso ver nada novo e desconhecido que tenho que experimentar. Deste modo, a couve sei lá o que veio parar na minha geladeira.

Manhã agradável, passeio agradável e, claro, antes de sair deixei o trigo para o quibe e a carne de soja hidratando. Usei, para hidratar, uma proporção de uma medida de trigo para duas de água e achei que desse jeito fica mais fácil, pois não acumula água e na hora de usar nem precisei escorrer. Quando cheguei fui preparar a refeição dos campeões, cheia de fibras, proteínas do quibe com uma salada verde de alface romana, rúcula, tomate cereja e parmesão.

Antes do quibe, fiz essa pasta de grão de bico, com menos iogurte para dar uma consistência mais firme para o recheio do quibe. Além disso, dispensei o limão e juntei à mistura meia pimenta de cheiro vermelha e bastante gergelim. Pasta na geladeira, comecei o resto da receita.

Para o quibe foi no processador, nessa ordem: meia cebola, um dente de alho, alguns pistaches [não tinha muitos e acho que nessa quantidade não ressaltou seu sabor, mas vou anotar para uma próxima vez porque é promissor], a carne de soja, um pouco de hortelã, alguns ramos de salsinha, raspas de limão, sal, linhaça, azeite e páprica. Acho que foi isso, mas tenho dúvidas. Depois juntei essa mistura ao trigo hidratado, com pimenta síria, zathar, tabasco e pouco menos de um quarto de limão espremido. Acho que o limão deu um up no negócio, porque fica um leve gosto, bem agradável ao paladar. Montei em um refratário: massa, pasta de grão de bico, massa e levei ao forno. Nesse meio tempo fiz a salada e como a fome era grande, retirei do forno antes do tempo. Comemos e ficamos satisfeitos, mas não deu pra cortar ele bonitinho e colocar montado no prato, não. Esse quibe fica melhor para corte se servido morno ou mesmo frio. Também recomendaria fazer a receita de um dia para o outro para intensificar o seu sabor, mas eu não tive essa opção.

Melhor de tudo: ver o companheiro que não gosta de grão de bico, indo umas duas ou três vezes no potinho para passar a pastinha no biscoito enquanto esperava pelo almoço. Eu apenas ri, enquanto lavava a louça. Ele veio reclamar que eu estava rindo dele e tive que dizer:

"Não é de você que eu estou rindo. Estou rindo porque a minha teoria funciona e está sendo comprovada empiricamente [não falei empiricamente, mas teria ficado bonito] por você. Não existe comida que você não goste, apenas elas não foram preparadas de um jeito que você goste."

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

3 minutos e não é miojo? Salada morna de couscous marroquino com calabresa

Estou postando o que acabei de almoçar. Raspei a tigela e fui comendo mais devagar na medida que foi acabando pra ver se fazia render. Mais rápido impossível! Tirei essa manhã para trabalhar bastante e como ia almoçar sozinha fiquei protelando a ida para a cozinha. Só que a fome é implacável e começou a apertar de um modo que comer três ou quatro uvas não resolveriam.

Pra comer na frente do computador.

Infelizmente, almocei sozinha porque minha companhia está mal do estômago e não prefere não abusar. Tomou apenas chá com torradas e está descansando nesse momento. Para meu completo desgosto, ainda começou a chover muito e nem vou comentar que hoje é o último dia de férias. Já me conformei, mas sempre fica uma pontinha de tristeza pelo fato.

A salada, morna e perfeita para esse dia foi feita no impulso e improviso. Improviso porque não segui receita e impulso porque eu nem tava pensando em almoçar, mas foi só botar os pés na cozinha que entrei em alfa e fui inventando e juntando tudo como se isso fosse muito natural. Estou começando a gostar muito de cozinha, o que é ao mesmo tempo muito bom - me distrai e me divirto - e preocupante - pois posso virar a louca que só fala de comida.

Prato único.
Então foi assim: cortei um pedaço de linguiça calabresa em cubos nem tão perfeitos assim; fritei eles em uma frigideira até criar aquela casquinha tostada, acrescentei cebola e um pouco de molho de tomate caseiro. Desliguei o fogo e acrescentei salsinha e cebolinha picada em grande quantidade. Enquanto isso eu aqueci água, hidratei o couscous. Quando ele ficou pronto [cerca de 3 minutos], temperei com zathar, piquei uma noz por cima e juntei a calabresa misturando bem. Salsinha por cima e yumiii! Ficou tão melhor do que o esperado.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Retomando o controle dos seus dias com uma salada incrível e equilibrada


Ontem foi um dia muito corrido. Acordei cedo, fui para cachoeira, estavam fazendo obras de contenção na rua da cachoeira. Paramos o carro bem longe, fomos andando, paramos a obra para passar, descemos até a cachoeira. Ficamos  cabreiros com as pedras rolando do morro na obra, fomos embora da cachoeira. Voltamos para casa pela longa estrada de terra. O carro tava limpinho e encerado. Chegamos em casa, fomos na horta, conversamos com os vizinhos e tomamos banho para sair de novo. Afff!

A cachoeira [num dia nublado]

A obra na rua que leva até ela. Pedras rolando...
Tudo isso só pela manhã. Como precisávamos continuar a maratona de terça-feira o almoço foi feito em dois tempos, mas ficou surpreendentemente ótimo, se compararmos tempo de preparação e os ingredientes catados a esmo. Foi um tigelão de coisas saudáveis, combinadas lindamente e que harmonizaram com perfeição. Prato único, mas substancial, pois a medida que eu ia acrescentando os ingredientes o troço ia crescendo e deu quase uma bacia de salada fria e deliciosa.

Em uma tigela grande misturei meia xícara de trigo para quibe - sabiamente colocado para hidratar antes de ir papear com a vizinhança - salsinha crespa e cebolinha picadíssimas, azeite [bastante], suco e raspas de limão siciliano, gengibre ralado, noz moscada ralada, pimenta síria moída na hora, gersal e umas [muitas] gotas de tabasco - eu tenho amado o tabasco. Essa mistura ficou descansando e pegando um pouco desse tempero. Enquanto isso...

Tostei na torradeira duas fatias de pão de forma [era o que eu tinha] e triturei tudo no processador, peguei mais uma fatia de pão, retirei as cascas [comi elas] e cortei em cubos bem pequenos. Aqueci manteiga e azeite em uma frigideira e pus todo o pão - triturado e cortado - lá mexendo de vez em quando até ficar bem tostado.

Na hora de servir, juntei a mistura temperada com uma caixa de seleta de legumes comprada pronta - eu posso explicar.

Explicação
Comprei essa caixa de seleta de legumes para usar na viagem semana passada, já que ia ter que cozinhar em condições desfavoráveis. Entretanto a dita caixa foi apenas passear no campo e voltou intacta para casa e esse foi um bom jeito de dar fim nela, porque aquelas coisinhas boiando no sódio não são nada apetitosas.

Pronto. Retomando. Misturei tudo isso, mais uma beterraba crua ralada e o pão tostado. Almoço: done!

Mas ainda não acabou. comemos, saímos, paramos o carro, pagamos o IPTU [shit, shit!] e fizemos uma parte das compras no caminho. Levamos o carro para trocar o óleo, esperamos, esperamos, esperamos. Tomamos café na padaria [o melhor café da cidade, sem dúvida], terminei de fazer as compras sozinha, fui pro Pilates. Voltamos pra casa, papeamos mais um pouco e fui fazer queijo. Isso mesmo, queijo, mas isso é outro post.

Comida rápida para dias preguiçosos e algumas boas notícias

Esses últimos dias tem sido meio lerdos e sem muita empolgação. Prenúncio do fim das férias. Acho que ando mais devagar para ver se surte algum efeito no passar das horas. Como eu não quero fim de férias! Tantas obrigações desagradáveis por vir, dias longos, cansativos e poucas alegrias. Isso se reflete diretamente na minha disposição para cozinhar, já que vai chegando a hora do almoço e eu ainda nem pensei e nem quero pensar no que fazer. O resultado são sempre comidas mais rápidas e práticas, sem abrir mão do sabor e da saúde e - é claro - sem apelar para facilidades cujos benefícios são duvidosos. Aqui em casa lasanha congelada não entra! E tenho dito.

Apesar das lamúrias que anunciam o fim da vagabundagem, este post também tem boas novas. Depois de muito tempo procurando um fornecedor de alimentos orgânicos, ou que fosse perto ou que entregasse aqui em casa, eu descobri uma fonte que faz as duas coisas. Nessa onda de comer melhor tenho me interessado cada vez mais por expandir o horizonte de preocupações concernentes a comida que me alimenta. E nesse processo a escolha e a compra da matéria-prima não é só uma parte essencial como também a mais difícil de ser feita como se deve.

Ter produtos de qualidade, mesmo pagando um pouco mais caro, não é tarefa das mais fáceis. É preciso experimentar, testar e, sobretudo, procurar. Até porque na lei da selva no mercado reza a valorização do mais barato independente da qualidade dos produtos. Algumas coisas são quase impossíveis de se comprar com o mínimo de confiança e outras estão fora da realidade financeira desta pequena família. Outro aspecto desta questão, ainda mais complicado, é ter produtos como frutas, hortaliças e vegetais, frescos e sem contaminantes, preferencialmente de produtores locais.

Prato sui generis.
Muitas tentativas depois encontrei por acaso, em um folder colado na portaria do condomínio, a referência da Fazenda Constância, a qual produz orgânicos e faz entregas aqui  pela região. Prestaram um serviço de qualidade e me entregaram na última sexta-feira produtos muito bom e frescos [visivelmente recém colhidos]. Fiquei feliz de poder contar com esse tipo de atendimento e agora tenho uma abóbora gigante - apesar de muito bonita - para dar cabo em um milhão de pratos. Já falei aqui em casa que esta será a semana da abóbora!

Acho que com tanta comida rápida, só passei mesmo para registrar tudo isso e falar do primeiro prato com produtos orgânicos fornecido dos "vizinhos". Salada de beterrabas dulcíssimas, com tomates [esses comprados no mercado] marinados em salsinha e cebolinha, com uma omelete verde de alho poró, e muita cebolinha. Tudo isso finalizado com as flores comestíveis que ganhei de brinde na cesta orgânica. Que o trabalho do pessoal da fazenda prospere e que eles continuem prestando um serviço de qualidade.

Mais uma coisa que ia esquecendo. Um bolo de banana incrível e totalmente para preguiçosos. O comedor de bolos compulsivo que mora comigo falou mais de três vezes que estava ótimo, e, ele é autoridade no assunto. Fácil, fácil. É tipo uma cuca de banana, mas com uma pequena intervenção gastronômica de minha parte ficou um achado culinário. Sem contar que promoveu uma necessária extinção das bananas que ficavam me olhando da bancada da pia. Foi o cacho todo e agora só restam duas.

A receita veio daqui, mas fiz algumas modificações pois chocolate não é um ingrediente muito bem quisto por essas bandas. Não que a gente não goste, mas é meio arriscado, comê-lo em excesso. O que fiz de diferente foi primeiro aromatizar o leite com 50 gramas de café em grãos. Fervi o leite com os grãos e deixei descansando enquanto fazia a farofa, com farinha, açúcar mascavo, um pouco de chocolate em pó, leite ninho e manteiga [da próxima vez vou por aveia]. Em uma forma redonda montei farofa, banana, farofa, banana, passas pretas, farofa, aveia, pedaços de manteiga e a parte líquida só com ovos e o leite aromatizado.

Ficou uma ótimo, saudável e com gosto de café. Banana e café combinam!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Heaven: quando tudo dá certo na cozinha

Como eu já falei hoje, fazer exercícios deu um start em alguma coisa que havia perdido desde o fim do ano passado. Voltei pra casa bem e determinada a executar, não gente, mas planos.

Eu ainda planejo as nossas refeições com antecedência antes mesmo de sair às compras, o que me ajuda a comprar menos e evitar o desperdício. Ultimamente, acho que tenho relaxado um pouco na coisa de comprar o estritamente necessário para a sobrevivência e me deixei levar por umas cerejas aqui, um queijo diferente ali que talvez tenham sido adquiridos por mero impulso. Entretanto, radicalismos a parte, acho que estou tentando chegar a um meio termo, já que considero a fase inicial de adaptação como etapa concluída neste processo de mudança de hábitos. Agora eu tenho um plano, mas estou um pouco mais aberta a improvisos, desde que não comprometam a regra do desperdício.

Uma das extravagâncias recentes foi um pedaço de queijo feta que me deixou enlouquecida diante dele na geladeira do supermercado - ficarei conhecida conhecida como a louca da geladeira? - pensando se devia ou não comprá-lo. Pega na prateleira: ah, eu mereço um queijo diferente. Bota na prateleira: vou comprar ricota mesmo. Pega de volta: mas porque não, né?. Devolve: é meio caro. Aí, o que eu faço. Levei o queijo pra casa. Acho que não tô batendo bem mesmo, porque tenho a impressão de que ele nem era tão caro assim e nem se compara com ricota, a qual também tem seu valor se não for comparada com um delicioso e forte tipo feta.

Queijo na geladeira e muita vontade de usá-lo, já foi para uma salada logo no segundo dia e seu gosto forte e ligeiramente salgado joga por terra qualquer pensamento que associe salada a uma coisa sem graça. Na boa, entre o feta e a mussarela de búfala sou mais feta. Como disse meu querido companheiro: "A única coisa que me decepcionou um pouco na culinária italiana foi a mussarela de búfala, pois o resto dá sempre certo!" A pessoa tá virando um gourmet nas análises. Também o tanto que eu encho o saco com as explicações todas e praticamente obrigando o pobre a ficar me vendo deslumbrada folhear um livro de mais de mil páginas, só podia dar nisso.

Ponto pros gregos!

Mas o bom é que o feta combina muito bem com o resto do kit cucina italiana: tomate e manjericão. Ontem foi a vez do queijo figurar numa salada de improviso feita para um jantar quase lanche, já que remediou aquela fominha do início da noite. Estávamos bem e sem fome, vendo seriados, quando a luz começou a piscar e o computador deu tilt por causa das quedas de luz. Parecia aquelas cenas de filme de terror em que todos os eletrodomésticos ficam ligando e desligando sozinhos. Caiu uma fase da eletricidade, então o seriado foi pra conta e só nos restou ir para a cozinha - à meia luz - arrumar alguma coisa pra passar o tempo.

Chamei a salada, simpaticamente, de salada de cubos e nas cambuquinhas juntei tomates de um tipo berry, que eu nunca tinha visto até achar a bandejinha no mercado e ter que comprar [é um impulso quase incontrolável comprar um vegetal que eu não conheço - paciência]. São muito doces e valeram a pena. Depois pão de forma caseiro, sal, azeite, pimenta moída da hora, folhas de manjericão e queijo feta. Não preciso dizer que estava tudo cortado em cubos. Pra finalizar e dar um pouco de sustância, fiz dois ovos poché e coloquei por cima de tudo.

Incrível, o molinho da gema, derretendo e agregando sabor aos vegetais. Vou falar: os mais reticentes comeram e ficaram felizes e satisfeitos, cantando aos quatro ventos que aquela salada era ótima e que comeria de novo. O meu mais novo problema com a salada é que acaba rápido e não enche a barriga dos mais vorazes, mas isso é um bom problema, afinal, daqueles dos quais não podemos reclamar.

Vai parecer um déjà vu, só que hoje eu cheguei bem disposta da rua e fui fazer o almoço seguindo o plano do almoço para quarta-feira: macarrão integral com vegetais inspirado livremente neste aqui. Estava pretendendo usar um restante de vagens francesas que já estavam cozidas na geladeira com alho, hortelã e o queijo queridinho nesta temporada. Mas aí, achei que o tomate ia dar uma cor tão boa que resolvi colocar também e ficou parecendo a comida de ontem. Ficou muito bom, é o tomate foi providencial, dando um up no prato tanto visualmente quanto no sabor.

Para o macarrão de hoje - que poderia ser considerado uma salada morna - usei um pouco de macarrão fusilli integral [eu meço a massa crua no prato, um para casa um que vai comer, e jogo na água], tomates cortados em cubos e marinados em azeite, sal, orégano fresco florido e raspas de limão siciliano ultra perfumados, vagens refogadas em alho e azeite. É só juntar tudo na panela e finalizar com folhas de hortelã rasgadas e queijo feta esmigalhado.

Obra-prima! Com direito a uma vagem rebelde.

Lindo prato e muito saudável. Sem contar que também foi aprovado e estou contente nesse momento com meus resultados na cozinha. Andava meio mais ou menos com alguns resultados não tão satisfatórios e hoje tudo deu certo. Acabei de comer um dos melhores pães que já produzi, sobre o qual devo escrever amanhã e isso foi absolutamente fabuloso. A cozinha é, definitivamente, o meu território!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Alguns quilômetros pedalando na chuva e uma pasta de grão de bico mão na roda

Não preciso nem dizer que o bonitinho que mora comigo não gosta de grão de bico. Pelo menos ele se propôs a experimentar um grãozinho pra ter certeza se era o que ele imaginava. E foi botar na boca pra descobrir que as previsões dele estavam mesmo certas e que ele não gostava de grão de bico. Apesar disso, como ele vem aperfeiçoando o paladar, tenho que admitir que ele sempre se esforça para explicar as razões de não gostar de algo, o que nove entre dez vezes está relacionado a textura do alimento.

Particularmente, eu tendo a achar que problemas com textura é puramente cultural e pode ser resolvido com o hábito de comer determinada coisa. Ainda assim, apresentar determinado ingrediente em outros formatos facilita a vida dos que não gostam de sua textura e podem ser uma boa porta de entrada para a apreciação do gosto pura e simplesmente.

Foi o que fiz no caso dessa pasta de grão de bico. Quando comprei uma lata do grão pronto para o consumo já tinha em mente fazer algo do tipo, mais parecido com homus tahine, é verdade. Ontem eu abri a lata e usei metade dela numa saladinha apenas para mim na hora do almoço. O que sobrou virou uma pasta bastante saborosa para um lanche corrido hoje depois de pedalar um monte, embora não ao estilo imaginado por pura falta de tahine.

Sair para pedalar me fez bem, enquanto eu estava em plena atividade, bastando chegar em casa para me sentir completamente destruída. O corpo esfria e você sequer sente suas pernas mexerem apropriadamente - ou seja, com mínima coordenação - mas eu tava precisando mesmo de sair um pouco da vida sedentária que venho levando nesse início de ano, sair de casa, respirar ar puro e apreciar belas vistas de montanhas. E a bicicleta funciona bem para isso, pois dá pra ir devagar e sempre me concentrando para não perder o fôlego antes da hora.

Não tem foto de pasta, mas tem o visual do passeio. Inda peguamos chuva e me caguei toda - de barro - na volta do passeio.

Pedala, pedala, pedala, e... ah, o visual

Bem que o pessoal pediu um bifinho para o almoço pós-pedal, mas acho que a minha cara de destruída estava muito desesperadora que acabaram desistindo da ideia. Eu mais que pronto coloquei a pastinha salvadora em ação para comer com pão integral. E também funciona muito bem com biscoito doce, tipo maisena, por mais incrível que isso possa parecer. Acho que também serviria para passar em torradas e talvez até gratinada com pão como base.

Enfim, para a pasta bati no processador meia lata de grão de bico pronto que deveria ter uma xícara mais ou menos, com meio dente de alho, meio copo de iogurte [80 gramas mais ou menos], um punhado generoso de hortelã fresco, sal, um pouco de pimenta fresca e azeite. O negócio é ser bem batido até tudo virar uma pasta como um patê bem consistente. E vale muito a pena, além de ser rápida e prática para servir com ou mais variados tipos de pratos.

Esse é um jeito de comer grão de bico que funciona até com os mais resistentes, pois a textura muda completamente e, por isso, foi aceita sem maiores problemas aqui em casa pela parte menos, digamos, como-qualquer-coisa-que-me derem. Porém, sempre tem um porém, tenho que testar outras maneira com uma interferência menor dos temperos fortes como hortelã, já que o comentário foi : "Tá ótimo, tá tudo com gosto de hortelã! Ele tomou conta de tudo e o grão de bico é só um elemento QSP".

Eu falo isso desse jeito aqui no blog e pode até passar uma ideia de inesperado, mas foi só eu botar a boca na pasta que eu já senti que o comentário iria ser esse.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Batata assada que merece um crédito

O que pode ter de mais em comer batata assada? Tudo, quando elas são feitas no improviso, com sobras de outras refeições, de uma maneira que não se sabia se era correta ou não, ou mesmo se ia dar certo ou não e ainda assim, ficam absolutamente deliciosas.

Muito prática essa receita e o que deve dar mais trabalho é embrulhar as batatas em papel alumínio. No meu caso, ontem, as batatas já estavam devidamente temperadas e embaladas, porque foram preparadas para o churrasco de fim de ano, então foi só meter no forno e esperar.

Antes que alguém se assuste, as batatas estavam devidamente armazenadas na geladeira e estavam cruas. Desse modo, ficar aguardando três dias para irem para o forno não foi nenhum sacrilégio. Pelo contrário, as sobras do churrasco estão produzindo improvisações bem boas na minha cozinha. Acredito que para compensar toda a frustração da carne - o que me faz depender cada vez menos de bichinhos para me sentir satisfeita nas refeições. E quando eu digo satisfeita, digo tanto em termos alimentares quanto na questão do prazer de desfrutar de um belo prato de comida. Como eu disse hoje: a minha vibe natureba está indo de vento em popa.

Primeiro eu lavei um monte de batatas médias com casca e tudo. Isso deve ter sido no dia 31, antes do churrasco. Com elas bem lavadinhas e ainda molhadas fiz vários furos com uma faca pequena em cada uma das batatas. Essas batatas molhadas e furadas absorvem melhor o gosto dos temperos, já que elas serão temperadas ainda estão cruas. Dispus todas elas em um tabuleiro grande e juntei azeite em quantidade considerável, bastante pimenta rosa [acho que essa é a minha preferida], folhas e talos separados de um ramo de alecrim e sal. Elas ficaram marinado uma ou duas horas nessa mistura e depois foram embaladas em papel alumínio. Claro que ao embalar eu fiz questão de deixar algumas partes do tempero dentro do embrulho. Então é só esfregar a batata no tempero e enrolar no papel.

No dia do churrasco, com tantas opções para comer e algum descrédito dos "pseudo-churrasqueiros pseudo-ortodoxos" em relação a incluir vegetais no templo da carne elas ficaram meio de lado e só foram para a brasa no final, com todos já de barriga cheia. Até que alguém lembrou delas e falou: "Vamos botar as batatas?" Eu, que já tinha me decidido não me meter mais com as escolhas do que ia pra churrasqueira e de como ia ser feito, vi naquilo uma ótima oportunidade. Foi bom ter um acesso de discernimento nessa hora, porque nos meus cálculos gastronômicos - ou nas minhas ideias fixas pouco fundamentadas - as batatas deveriam ir para a churrasqueira junto com as brasas. Coisas que só se explicam quando se fica meio amalucada e exagerada por assistir demais aos programas de Jamie com seu estilo inglês estabanado e falsamente despretensioso.

Por algum motivo, uma centelha de sanidade brilhou no momento de colocar os vegetais para assar, e eu coloquei as batatas na grelha sobre as brasas. Na verdade a dita centelha foi a frustração de ter cebolas, poucas horas antes colocadas direto junto ao carvão, carbonizadas e sem gosto de nada quando foram retiradas de junto ao fogo sob o risco de ficar com a própria mão churrasqueada. Bem, tudo o que posso concluir é que não sei como ou porque é tão difícil para muitas pessoas aprender com os próprios erros. Batatas assadas depois, elas fizeram um tremendo sucesso junto aos comensais daquele fatídico evento e surpreenderam até os mais radicais. Aplausos para elas aos comentários de: "Não sabia que dava pra fazer batata na churrasqueira!" "Nunca tinha comido ela assim!" "E não é que fica bom!" Elas receberam um belo complemento de requeijão e passaram muito bem no teste do churrasco. Mas a barriga cheia do pessoal falou mais alto e não assamos todas na noite do réveillon.

No almoço do dia seguinte eu já estava com más intenções em relação a elas e por isso propositadamente não as coloquei na roda para o "enterro dos ossos" da noite anterior.

Elas ficaram então na minha geladeira até ontem a noite, quando calculadamente todas as sobras mais perecíveis já haviam sido consumidas e só restava um pouco de um ragu feito com a carne desfiada da costelinha. Não deu outra, mesmo sendo esse meu plano desde o dia seguinte ao churrasco, ou seja, desde o início. Batatas embrulhadas no tabuleiro, tabuleiro no forno e assistir um episódio de "How I Met Your Mother" enquanto espera. Fiquei meio apreensiva, já que o cheiro do papel alumínio no forno começou a exalar um odor meio metálico, meio queimado [óbvio!?]. Mas mantive e concentração no seriado e ignorei o cheiro. De fato, acho que na hora em que começa a cheira é porque já está quase pronto, então pode funcionar como um sinal para ir conferir o se as batatas já estão prontas, mas como eu coloquei o assado no forno de cima de um fogão duplo e com a temperatura mais alta, pode ser também que o tabuleiro estivesse muito perto da chama e por isso fez com que o papel queimasse.

Tudo isso não interferiu no resultado final. Para conferir se as batatas já estão assadas, com ou sem cheiro, é só abrir lá e espetar elas com o garfo. Estando macias e penetráveis pelo garfo, estão prontas. Uma vez prontas, desembrulhei elas, cortei-as ao meio e besuntei cada uma com uma colher de requeijão. POr fim joguei o ragu de costelinha de porco poer sobre elas e levei de volta ao fogo por apenas 5 minutos. O tempo de derreter o requeijão e esquentar o molho.

Ficaram absolutamente deliciosas, prato único para uma refeição nem tão leve assim. Lembram um pouco as servidas pelo restaurante Batata Inglesa, mas são bem melhores porque temperadas. Além disso, acho que por causa do tipo de batata [dessas lavadas comuns nos mercados] não ficaram tão ressecadas e farinhentas. Não sei, só sei que ficou melhor e com uma casquinha levemente tostada por fora. Amazing!!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Comida pós-festas e um novo conceito: desintoxicação preventiva

A cabeça privilegiada que mora comigo criou essa pérola a alguns dias atrás fazendo referência ao almoço que continha uma salada caprese e uns bolinhos de arroz: desintoxicação preventiva. No dia ele queria dizer que aquilo não era comida de gente e ele ia ficar com fome tão logo acabasse a última garfada. Ao que eu respondi, sem perder a compostura, ainda, que era o meu modo de lidar com a comilança de fim de ano, ou seja, sendo comedida e talvez um pouco econômica demais nas refeições cotidianas. Já posso sentir o cheiro do churrasco de fim de ano!

Pois é, então eu resolvi adotar o absurdo conceito de desintoxicação preventiva e estou caprichando na leveza e valor nutricional dos pratos servidos nesta semana de interstício festivo. Sem abandonar os nossos outros mantras culinários de evitar o desperdício e ser prático e rápido de ser feito [tenho notado que sem a carne na refeição e com os vegetais certos qualquer prato passa a ser rápido e fácil].Não posso perder de vista que tenho uma reeducação para manter e tudo fica mais difícil estando de férias - em casa o dia todo -, com o Natal e o Réveillon para eliminar a necessidade de bom senso gastronômico e abrir a porteira da permissividade e do exagero. Eu ando meio radical com essa coisa do exagero na hora de comer. Isso pode soar chato e inconveniente, e de fato até é um pouco dessas duas coisas, mas eu estou oficialmente, e porque não, instintivamente, trocando a quantidade pela qualidade.

Hoje mesmo estava pensando sobre isso depois do almoço. Acho que me sinto bem comendo pouco, e, como eu disse no momento em que pensei, gosto da sensação de acabar de almoçar e estar satisfeita mas ainda com um pouco de fome. O espaço da sobremesa a ser preenchido, apesar de hoje ter dispensado o docinho de depois do almoço para ficar com a boa sensação de quem quem come gengibre em um macarrão feito na medida para manter a saúde e a sanidade - nesses tempos de comilança - em dia.

Mas o macarrão do qual eu ia falar aqui não é exatamente esse com gengibre, mas sim outro feito anteontem com massa integral e um molho de alho poró espetacular. Apesar do molho não ter sido assim tão leve, vamos dar um desconto porque os amantes de creme de leite também merecem um agradinho de vez em quando e eu ainda tinha um restinho de creme de leite fresco na garrafa que eu não podia deixar ver a luz. Pra compensar usei uma massa do tipo fusilli integral muito boa, que acho que será minha marca favorita para macarrão integral. A coisa toda é muito fácil para ser executada.

Essa foto não reflete o sabor desse macarrão.


Básico de toda receita de macarrão: põe a água no fogo pra ferver. Enquanto isso...

Pegue a tigela ou panela que será usada para servir [nesse caso tem que ser de vidro ou inox ou qualquer material que possa ser aquecido] e coloque sobre uma panela de água aquecendo no fogão. Despeje nessa tigela o creme de leite, uma gema, queijo parmesão ralado e noz moscada ralada. Misture bem. No meu caso eu fiz um refogado de cebola e alho poró na manteiga e coloquei no creme também. Quando o macarrão estiver pronto é só escorrer, dispor ele na tigela, mexer para que o molho incorpore e pronto, vai do fogão para a mesa e é certeza de aprovação.

Eu ia parar por aqui, mas agora me deu vontade de falar do macarrão de hoje que também ficou muito saboroso e bem mais leve. Fiz com liguine de trigo durum e muitos vegetais. Dá pra imaginar os comentários? "Nossa, quantos vegetais! Que coisa mais colorida. [coloque aqui um ar de desconfiança]".

Seguindo a lógica do não desperdício, tinha congelado os talos e pedaços de folhas de um maço de brócolis  a bastante tempo. Hoje esse congelado saiu da caverna para dar o ar de sua graça em um prato digno de nota - apesar de não ter sido fotografado. Então em uma frigideira grande em fogo bem baixo coloquei um pouco de azeite e gergelim para que ele liberasse um pouco do sabor e aroma. Depois refoguei um dente de alho em lascas até dourar, um pedaço de gengibre [uma parte em lascas, mas quando a paciência acabou meti ele no ralador mesmo], os talos de brócolis, cenoura cortada em cubículos e tirinhas [os cubos ultra-pequenos de cenoura haviam sobrado crus de uma pasta de atum de ontem e usei eles no macarrão hoje, mas como achei que a composição merecia umas tirinhas piquei mais um tanto de cenoura só pra ficar mais bonito], uma pimentinha vermelha que não arde nada e eu não sei o nome em tirinhas. Depois joguei um pouco de molho de pimenta vermelha, uma pitada de açúcar mascavo, um quase nada de água e esperei o macarrão ficar pronto. Massa cozida al dente, ou até um pouco mais dura pois o cozimento não será interrompido, e escorrida - não sem antes queimar a mão com água quente que pulou da panela quando eu soltei abruptamente um dos cabos que estava quente. Depois de tudo isso, uns pulinhos de dor e uma bronca carinhosa, consegui jogar o macarrão na panela com os legumes, dar um banho leve de azeite em tudo e acrescentar molho shoyu. Deixei o macarrão dar uma fritada de leve na panela, sem grudar muito e finalizei com cebolinha, castanha do pará em lascas [o dia da lasca e da tirinha] e um pouco de sementes de chia [odeio o fato de elas estarem na moda e odeio mais ainda o fato de descobrí-las somente por causa da moda, mas parece que tem um valor nutricional muito bom]. Já nas nossas cambuquinhas o macarrão ainda ganhou algum parmesão como adereço, porque resolvemos que seria batizado como yakisoba de inspiração italiana.

Agora chega. As duas massas são ótimas é muito fáceis de fazer. Como dizem por aí #ficaadica

sábado, 17 de dezembro de 2011

Couscous marroquino e faxina, uma combinação quase perfeita

Eu hoje acordei virada do avesso. Não literalmente é claro, mas, digamos, em termos de espírito. Normalmente meus fins de semana são de cozinha e preguiça. Cozinha para cozinhar, apenas. E preguiça por todos os poros que só me permite fazer - além de cozinhar é claro - o extremamente necessário que tenha que ser terminado antes de a segunda chegar, ou seja, obrigações de todo o tipo - trabalho ou estudo. Surpreendentemente, meus fins de semana também tem sido ocupados por outra tarefa quase viciante, até então bem pouco explorada, que é ficar escrevendo sobre comida neste blog que vos fala.

Mesmo as tarefas que faço obrigada nos fins de semana são de cunho absolutamente intelectual, feitas sentadinha na frente do computador e que beiram a monotonia de uma alma preguiçosa. Mas hoje, não! Hoje minha alma acordou com uma "Maria" embutida. Estava muito mais disposta para tarefas hard, em que cujas habilidades braçais do ser humano sejam exploradas em proporções maiores que o intelecto. Tanto que essa frase saiu da minha boca, apesar de agora, escrevendo sobre isso, nem eu mesma acredite [taí a vantagem de escrever um blog]:

"Amor, vamô lavar o chão da cozinha?"

O espanto não foi só meu, mas de fato lavamos não só o chão da cozinha como os armários, fogão e geladeira, num espasmo faxineiro de uma vez só. O faxinão do Natal, tal como minha mãe costumava a fazer mais ou menos nessa época do ano, em que todo um ritual era executado como que preparando o lar para a data festiva. Pelo menos confio que a minha sanidade mental está em dia por saber que não cheguei no nível de pendurar 2000 pisca-piscas em volta de todas a fachada da casa como um letreiro de estabelecimentos comerciais [ou não] de mal gosto.

O resultado comestível dessa história do faxinão, que achei que nem fosse postar, dado ao meu espírito virado de hoje, foi uma salada completamente nutritiva e fácil de fazer com couscous marroquino, esse ilustre desconhecido. Veja bem, estávamos na maior batalha contra as sujeiras e gorduras, cansados e famintos e ainda assim, esse prato foi tão "Quick and Easy", que mesmo com a cozinha toda virada não apelamos para o sanduíche de pão com ovo. A preparação dele me habilitou completamente para a função de cozinheira em lugares inóspitos, visto que foi feito em um dois palmos de pia, com pouquíssimos utensílios e montado nas mesmas tigelas em que comemos, ou seja, quase nada de louça no final.

Conheci o couscous nas andanças pelos blogs e sites de comida na internet e hoje reverencio-o completamente. O troço fica pronto em 5 minutos assim: coloca-se o couscous em uma tigela [com certeza a mesma em que irá comer], deixa ele hidratar com água quente por 5 minutos e pronto. No meu caso eu misturei com tomates cerejas cortados em quatro [eram tomates quase laranja de tão grandes], aipo, queijo minas em cubinhos, passas pretas e uvas cortadas ao meio. Depois é só temperar com azeite, sal e pimenta síria e se alimentar com uma refeição saudável e nutritiva. Quanta mudança nesses hábitos!!

A combinação é quase perfeita que esse negócio de caboclo limpador não se cria comigo, não e já cantou pra subir tão logo a faxina começou. E vem vindo a vontade de se jogar no sofá e ficar por lá mesmo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Prelúdio de férias é café com panquecas.

Esse post está completamente fora de ordem. Era para ter sido escrito na terça-feira, dia em que tudo o que será contado aconteceu de fato, o que também deixaria o relato com mais sentido. Mas entre comer e escrever as coisas não saem lá muito como planejo, Na terça-feira, o final do meu dia foi muito corrido e meu fôlego [inspiração] para as letras não estava lá essas coisas.

Enfim, tudo que eu sei é que ficar em casa em um dia de semana é muito bom e foi exatamente o que me ocorreu nesse dia [não perca a conta, estamos falando de terça]. Devido a milhares de combinações cósmicas de eventos únicos [parece conversa de físico] eu pude me abster de trabalhar e aproveitar um dia inteiro em casa. Por isso que chamo esse dia de prelúdio de férias, já que nelas ficamos em casa vários dias úteis como o melhor dos bon vivants, pelo menos até onde seus rendimentos alcançam. E... Cafés da manhã em dias de ócio podem e devem ser feitos com menos pressa e mais novidades, tal como panquecas.

Agora que já deu pra entender a lógica do título do post, passemos a história das panquecas. Não exatamente toda a história da relação entre a panqueca e a humanidade, mas apenas uma breve ideia de como esse café da manhã surgiu. Como já sabia que ia ficar em casa pensei em "porque não fazer panquecas para o café amanhã". Até aí tudo bem, mas a parte estranha dessa história é que quando tive o pensamento, imediatamente, este post que agora escrevo foi sendo desenhado pelos meus pobres neurônios não muito ortodoxos. a começar pelo título que surgui tão logo eu imaginei a cominação panquecas + férias.

O que me leva a uma conclusão meio sinistra, pelo menos pra mim. Será que vou começar a comer o que escrevo? No lugar de escrever o que como? Trata-se de uma questão profundamente filosófica sobre o quanto  a sua cabeça pode ser esquisita e trocar os papéis das coisas. No mínimo é coisa de um lunático que só não é mais insana do que escrever tudo isso. Apesar de tudo só o futuro poderá dizer se ficarei viciada em escrever sobre comida e se isso vai atrapalhar a comida que faço. Por hora, acho que tenho que parar de ler Orson Welles.

Terra chamando.

As panquecas ficaram ótimas, "by the way". Usei uma receita clássica de café da manhã estadunidense [o povo da história mais radical e mais latina adora essa palavra] substituindo 30g da farinha comum por fibra de trigo por causa daquele lance dos alimentos com mais teor de fibras e tal. [Heidi Swanson Style]. A receita original está no livro do "Le Cordon Bleu", Todas as Técnicas Culinárias, mas fiz algumas modificações nas proporções pra deixar a panqueca mais molinha. Nesse momento, estou me sentido uma esnobe feliz, que além de agora citar receitas de "livros" de instituições ultra clássicas [e um tanto conservadoras, é verdade], modifica as "proporções". Oh! As proporções modificadas! Então, foram 120 gramas de farinha, 30 gramas de fibra de fibra de trigo, 150 ml de leite, o único ovo que tinha na geladeira, 1 colher de chá de fermento químico, 1 colher de chá de açúcar, 1 colher de chá de manteiga e uma pitada de sal. Bati tudo no mixer, que é um equipamento de cozinha super cool [isso quer dizer útil], e depois fui fazendo as panquecas na frigideira quente, não sem ter um imprevisto. A massa ficou muito líquida e depois que a primeira ameba saiu da frigideira eu achei por bem colocar mais uma colher de farinha na massa e bater bem.

Essa massa não pode esparramar na frigideira como aquela para rechear e enrolar, que conhecemos desde a mais tenra infância como panquecas mas na verdade se chamam crepe. Ela tem que ficar mais firme e fazer um disco gordinho que fica assado e se come com cobertura. Eu gosto delas com um mínimo de massa crua por dentro, não me perguntem porque. Então tento não deixar tempo demais na frigideira. Pra não dar problema eu despejo uma porção da massa - não que não tenha tentado colocar duas porções, mas elas insistiram em se unir, literalmente, contra mim - espero que umas bolhinhas pequenas apareça e viro o mais rápido que posso. Com discos menores também fica mais fácil virar sem fazer nenhum formato esquisito de coisa esparramada.

Comemos as panquecas com uma cobertura não muito clássica, mas nem por isso ruim, que foi geleia de jabuticaba caseira. Em algumas eu passei manteiga. Estava ótimo, além de ter nos livrado do pão que não deu certo logo pela manhã, o que poderia colocar nosso humor em estado letárgico por um bom período de tempo. Essa receita também quebra um galho quando não se tem nada em casa, pois leva poucos ingredientes e uma pequena quantidade de cada coisa faz um montão de panquecas. Acho que deram umas oito ou dez pequenas.

Não tirei foto das mesmas, porque quando acabei de fazer já estávamos com fome e ainda com a mesa da cozinha toda bagunçada. Só que a audiência vem cobrando pelas fotos no blog. Então como nada nesse posta faz muito sentido mesmo,  tornando-o quase uma versão literária de uma pintura surrealista de fundo esquizofrênico coloco uma foto da brusqueta que comemos de noite com o resto do pão que não deu certo. Pelo menos assado e cheio de molho ele ficou mais palatável. Jogar fora é que eu não vou! Zero wasting!

Belas brusquetas para um pão meia boca

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Para um jantar quente! Creme de lentilha picante com fubá

Eu tava afim de uma comidinha quente para jantar hoje. Apesar do título do post, não é o que aparenta, pois esse jantarzinho quente foi solo. Minha pretensão era comer alguma coisa quente não na temperatura mas em ardido, menos confort, mais up.

A foto não ajuda, mas é o que se pode fazer tarde de noite e com fome

Também parece ser uma sandice querer comida quente em pleno dezembro, mas estamos sendo agraciados por meses de tempo feio e chuvoso nesse verão e isso pode ser multiplicado por 10 quando o local em questão é minha residência. Aff! Fazer o quê! São os fenômenos climáticos que colocam por terra toda a espera pelas comidas de verão, justo no ano em que você decide fazer cardápio sazonal e se empolga toda com as possibilidades de comidas frias e refrescantes. La niña, I hate u!

De tudo isso, uma coisa é fato: eu adoro pimenta! E isso independe da estação, embora desconfie [ainda não é uma certeza] que no verão a mostarda seja a melhor opção para o efeito desejado. Não qualquer uma como já expliquei certas vezes para alguns interlocutores mais próximos. A minha preferência em termos "ardentes" são os tipos de pimenta ou tempero que quando você come a sua cara fica quente e parece que está saindo aquela fumacinha da sua cabeça igual desenho animado. Não gosto muito de pimenta que deixa apenas a boca ardida ou dormente, prefiro sentir calor e poder diferenciar o gosto da pimenta. Ultimamente, por isso, tenho me permitido experimentar diversos temperos que proporcionam essa "caliência", desde os asiáticos e árabes até as pimentas nacionais mesmo que vou tendo acesso aos poucos [algumas das quais nem sei o nome].

Voltando ao jantar quente de uma quinta-feira chuvosa, mas véspera de fim de semana, visto que estou dispensada de trabalhar amanhã [uêba, pensamentos felizes, risos soltos e acalorados nesse momento - será que pimenta da onda? que estou levemente embebedada pela quantidade de pimenta ingerida?] resolvi dar uma inventada com um prato que me veio por "insight" [eu não chego a sonhar com os pratos que preparo, até porque nunca lembro do que sonho, mas ultimamente tenho tido pequenas ausências momentâneas em que estou pensando em combinações de ingredientes e refeições possíveis - será normal?], assim, do nada. Eu nunca vi ninguém misturar fubá com lentilha em lugar nenhum, mas o momento era de livre criação, já que se ficasse uma porcaria eu ia ter que comer sozinha mesmo.

De uma completa incógnita a magnífica descoberta culinária foram exatas meia hora, ou seja, o tempo que esse prato levou para ficar pronto, o que também o habilita para figurar na série "Quick and Easy". Na verdade, antes mesmo de comer as minhas lentilhas picantes elas já podiam ser classificadas como deliciosa promessa olfativa. O cheiro na cozinha estava ótimo, a mistura dos temperos fervendo na panela parecia uma versão sofisticada das "Casas Pedro" [minha loja de temperos favorita, apesar de sua localização não muito prática em relação aos meus caminhos].

Tudo foi feito da seguinte forma: quando cheguei em casa, cerca de 2 horas antes de ir preparar a lentilha, coloquei de molho 1/4 de xícara de lentilha. Essa quantidade serve generosamente 1 pessoa que gosta de pimenta ou duas bastante comedidas [eu comi tudo sozinha, mas estava sustância porque hoje o dia foi meio escasso]. Na hora de preparar aqueci um pouco de manteiga e coloquei para refogar 1 dente pequeno de alho, na verdade meio dente grande que sobrara de outra comida qualquer; um pouco de cebola picada; um pedaço bem pequeno de gengibre também picado; um pedaço de folha tenra de alho poró; e um talinho de salsão picado. Triturei no pilão [brinquedo novo sobre o qual falarei melhor em outro post] três grãozinhos de pimenta branca, 1 cravo da índia com um pouco de canela em pó. No refogado juntei as lentilhas, deixei apurar um pouco e foi só juntar os temperos triturados, um pouco de água e meia colher de chá de curry. Só pra deixar claro, pus água no pilão para pegar todo o tempero triturado e depois joguei essa mistura na panela. A lentilha foi cozinhando e eu pondo mais água quando necessário. No final, com a lentilha já bem macia, misturei em um recipiente a parte uma colher de sopa de fubá e um pouco de água fria [acho que 1/2 xícara], o que foi pra panela também. Aumentei o fogo e mexi até engrossar como um creme. Uma vez engrossado o caldo está pronto pra comer e ficar passando calor a cada colherada.

Muito bom mesmo! Vou tentar em uma outra oportunidade essa mesma receita com menos curry ou gengibre, para os menos fanáticos por pratos apimentados. O fubá transformou o que seria uma sopa de lentilha em creme, uma consistência que apreciamos muito aqui em casa. Além de tudo isso, combinou bem com a lentilha.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Quick and Easy: tigela de jardim de verão... na primavera

Essa salada foi meu almoço de hoje e foi colhida, feita e comida em menos de 30 minutos [tô ganhando do Jamie nessa aí]. É de verão porque é fresca e refrescante, apesar de parecer uma  redundância que soa estranho. E é de jardim porque os ingredientes saíram da horta aqui de casa, o que me causa uma ponta de orgulho de ter plantado e colhido, apesar das expressões clichês que soam um tanto piegas.

Foi mais ou menos assim, cheguei em casa da rua; subi até a horta do condomínio [e é orgânica e da qual sou a responsável pelo projeto e execução]; colhi parte dos ingredientes; voltei pra casa; lavei tudo radipidinho; preparei e comi.

Tigela do almoço

Folhas, flores, frutos e pão


Segue o modus operandi do prato: usei folhas de rúcula, três tomates [sendo dois cereja e 1 italiano pequeno], manjericão, flores [sim eu disse flores] de rúcula e tomílho, um pãozinho rústico, um pouco de ricota, parmesão, manteiga, azeite e gersal. O pãozinho foi feito em casa já há algum tempo e estava congelado, tendo sido descongelado para o café e, embora ele obviamente não seja da horta foi feito com centeio e alecrim - da horta. Cortei esse pão em cubos e pus numa frigideira com um pouco de manteiga e azeite para dourar. Quando ficou pronto coloquei um pouco de gersal que já serviu com o tempero da salada toda. Em uma tigela vão as folhas, os tomates cortados ao meio, as flores, o pão, um pouco de ricota esfarelada com três lasquinhas de parmesão e... Pronto. Só comer vagarosamente aproveitando o croc-crunch do pão amanteigado com tomates.

Resultado muito bom mesmo.

Notas: 

comer flor é maior barato, porque é colorido na comida elevado ao quadrado. E gostoso também, porque a do tomilho é meio picante e a da rúcula parece um concentrado da ruculência da folha. 

tirando a ricota e o parmesão esse almoço foi quase todo homemade, com ingredientes produzidos em casa de modo completamente orgânico. Isso é um privilégio que não tem preço, juro. 

poderia ir para o guia da autossuficiência doméstica, mas vai pro quick and easy.

gastei mais tempo escrevendo esse post do que colhendo, fazendo e comendo a salada do meu jardim.