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terça-feira, 10 de abril de 2012

Pepino refogado com calabresa e yakissoba de linguine: welcome to my world

Ser uma pessoa pouco ortodoxa e que pouco se importa com a maior parte das tradições pode ter seu lado bom. Experimentar pratos que não tem absolutamente nenhuma lógica culinária é uma dessas vantagens e poder desvirtuar qualquer receita tradicional sem ficar com culpa na consciência por estar cometendo heresia ou estar blasfemando alguma cultura distante também é uma coisa que vale à pena. Sem pressão, sem medo, nada de purismos e fome, muita fome: talvez essa seja a fórmula da inventividade culinária.

Lembrando que às vezes pode não dar certo! Por isso, inclusive, me arrisco mais quando estou sozinha e não terei que alimentar ninguém. Se ficar horrível eu como sozinha e não preciso ficar me sentindo a pior das piores criaturas por estar servindo algo tão ruim. Sozinha, nessa situação, eu me sinto apenas a pior das criaturas por estar comendo mal e/ou ter que jogar comida fora [é, teve uma vez que nem eu mesma aguentei um radicchio velho].

Ontem fui para casa com yakissoba na cabeça [não literalmente - o que seria estranho]. Na verdade, esse pensamento me ocorreu no meio do caminho, quando já havia desistido de pensar pensamentos sérios e necessários. Diga-se de passagem, os pensamentos sérios são sempre necessários. Ocorre que eu sabia que o macarrão para yakissoba não era item disponível no meu armário, sabia da mesma maneira que ter pego ele da prateleira do mercado - duas vezes - e ter desistido de levar me traria arrependimentos, agora devidamente comprovados com o arrependimento de não ter o macarrão apropriado chateando meus pensamentos que não eram para ser aborrecidos. Como tudo que ocorre no meio do caminho para casa, a chateação passou e a clareza das ideias loucas transformou os momentos de exitação em inventividade culinária. Ah! Passar no mercado e comprar o dito ingrediente não era opção nesse dia.

Cheguei em casa, cansada e faminta, mas fui tomar um banho antes de abrir os trabalhos porque também estava precisada de um pouco de água quente para melhorar o espírito. Depois de tudo isso, fui para cozinha e, mesmo tendo a pia com um pouco de louça, olhei para o outro lado e comecei a criar a refeição imaginada. 

O negócio era para ser yakissoba like, já que eu não tinha como fazer o original. Era também para usar o meio pepino que já era quase um picles na geladeira. Mas os processos criativos são muito misteriosos e sem mais nem menos você lembra de algo que pode colocar ou tirar na receita para ter no final alguma coisa comível e com o mínimo de coerência. Porque não é porque o troço é inventado, esquisito e experimental que não tem que ter o mínimo de elaboração teórica. Tanto que desisti da cenoura porque achei que não ia combinar. Não sei qual seria o resultado, mas preferi simplificar a coisa e não me arrependi no final. Lembrei de um restinho de calabresa que sobrara, já cortada, de um dia de pizza e usei sem querer muito um pouco de muçarela proveniente da mesma ocasião.

Então foi água no fogo para cozinhar um pouco de linguine, na falta de macarrão apropriado. Frigideira com um punhado de gergelim para tostar. Depois que os gergelins começam a pular da frigideira, um pouco de óleo de canola, linguiça calabresa cortada em cubos, pepino cortado em cubos, pimenta calabresa, pimenta do reino. Refoga, treina o balanço da frigideira, deixa pular umas linguiças e uns pepinos pra fora. Um pouco de farinha e água do macarrão. Macarrão que testa sua paciência pronto [teoria a ser estudada - a fome desacelera o tempo], escorre deixando um pouco da água, joga na frigideira e despeja uma quantidade boa de molho shoyu. Deixa o líquido reduzir um pouco e o macarrão dar uma fritada de leve. Prato ou tigela, muçarela por cima meio a contragosto, e surprise. Um sabor diferente, confortante e muito bom. Boa pedida para comer sozinha e ficar feliz e não só porque eu tava com fome, mas porque o yakissoba nada ortodoxo ficou realmente saboroso. 

Foto não tenho, fica pra próxima.

terça-feira, 6 de março de 2012

Viagem longa, conversa produtiva ou a inveja saudável (literalmente): tomates vermelhos assados

Título longo, comida rápida. Não podia deixar passar a oportunidade de usar um pouco de construção na forma de escrever.

Esse prato - rápido, saudável e indolor - é fruto de uma conversa que tive ontem com uma grande amiga, que também é a leitora mais assídua deste blog. Desconsidera-se o fato dela ser a única leitora, não muito frequente, mas que merece ser reverenciada por isso. Encontrei com a conversa acidentalmente, ambas estávamos à caminho do nosso trabalho, que por acaso é no mesmo prédio. Digo por acaso, pois já éramos amigas de infância há pelo menos uns dez anos, logo, desde antes dela começar a trabalhar no mesmo setor e prédio que eu.

Calor e aborrecimentos com o trânsito - cada vez mais caótico - à parte, as duas já no ônibus, conversamos sobre os assuntos do fim de semana e para minha total surpresa ela direcionou a conversa para assuntos culinários dizendo:

"Lembrei de você esses dias... Lá em casa tinha dois tomates grandes... Eu não gosto dessas coisas grandes, mas marido compra assim mesmo. Então eu cortei eles e assei no forno por um tempo e quando ficou assim... Ele fica murchinho, né? [Sinalizei que sim com a cabeça] Tirei, coloquei queijo prato por cima, aqueles temperos nada naturais que têm lá em casa e foi pro forno de novo "

Ao que eu respondi:

"Fica bom, né?" [Coloque aqui uma certa confusão mental de palavras proferidas sem pensar num momento de sonolência, uma vez que pensando bem, agora, não me lembro de ter comido tomates assados. Apesar de saber que ela vai ler isso e se deparar com a minha total honestidade, tenho que manter a transparência para este blog de memórias, gustativas inclusive]

Eu acho que confundi os tipos de prato, pois sempre como tomate recheado cru, não assado.

Voltando a história. ela continuou:

"Pois é, e me encheu, ficou bom e foi o meu jantar. Lembrei do blog, porque fiz rapidinho."

Agora fala se eu não estou fazendo discípulos da alimentação saudável, porém rápida, mesmo quando se está sozinha em casa?

Bom, eu não resisti a essa conversa e fui pensando no jantar com tomates assados no longo caminho de casa. A inveja saudável entra aqui. Matutando sobre os meus próprios tomates assados fui listando mentalmente os ingredientes disponíveis na minha cozinha para a refeição saudável e copiada das experiências alheias.

O resultado foi: duas bandas de tomates débora sem sementes e sem o miolo [fiz um buraco no tomate retirando toda a polpa que ia atrapalhar a entrada do recheio], salpicado com pimenta moída na hora, sal e açúcar. Depois, preenchendo as cavidades que ficaram, recheio de restinho de atum, cebola picadinha, polpa do tomate picadinha, o caldo que solta das sementes quando peneiradas, queijo minas padrão em cubículos e molho shoyo. Por cima e pra dar uma graça, uma noz picadinha. Até porque não aguentava mais aquela noz solitária me olhando. Forno bem quentinho por uns dez minutos e pronto. Fui na horta e peguei umas folhas de rúcula para acompanhar e dar a sua contribuição verdificada e tirei uma fatia de pão caseiro para acompanhar só porque havia feito exercícios e precisada de um pouco de carboidrato. Não fosse isso, só o tomate seria perfeito com o suco de limão que também fez companhia a este jantar - solo mais feliz.
Olha eles aí!

Agradecimentos especiais a quem deu a ideia e, vamos dizer, ensinou o prato. Já que ela não tem um blog e lembrou de colocar no meu. Aí está. Créditos para ela, com as felicitações de quem não poderia imaginar que um dia ia aprender um prato novo vindo dessa fonte.

Só pra terminar, quando contei a ela sobre o meu jantar de ontem a reação foi apenas essa: "Hum, invejinha..."

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Hamburguer sim, carne não. E de quebra muitas pequenas almôndegas.

Eu vinha com uma vontade crescente de comer hamburguer. Obviamente, caseiro, temperado na medida certa [nem muito, nem pouco], em um pão também feito em casa, molho e salada de rúcula. Do mesmo modo, tenho estado entusiasmada com a ideia de potencializar o uso da proteína de soja nos nas minhas refeições em casa, além de, claro, testar maneiras saborosas - ou ao menos palatáveis - de consumir esse ingrediente.

A coisa toda de usar soja não é tanto para fazer a substituição da carne nos nossos pratos cotidianos. A minha ideia não é parar de comer proteína animal de uma vez por todas. Entretanto, gosto de ter mais uma opção de proteína que possa virar comida saudável e de melhor digestão. De algum modo a carne vermelha me dá uma certa gastura vez em quando, porque eu como e me sinto lenta, pesada, sem vontade pra quase nada [ou quase tudo, como faria mais sentido].

Já tive algum sucesso fazendo almondegas de carne de soja em mais de uma ocasião, em que todo mundo comeu e nem sentiu. Mas foi só, com a proteína granulada e tempero de creme de cebola. Queri ir um pouco além e também conseguir fazer receitas que levassem a proteína em cubos. Tive experiências frustrantes com proteína feita desse jeito quando tentei parar de comer carne nos idos de minha adolescência. Tentei várias vezes e nunca consegui reproduzir nada com resultado satisfatório, tanto que achei durante anos que carne de soja não era pra mim. A textura me incomodava muito, parecendo uma esponja que nem de longe lembrava carene [na época eu buscava um substituto literal para carne - já faz muito tempo], sem contar o cheiro que me enjoava e não me fazia sentir vontade de comer aquilo. Conclusão: eu joguei a toalha e arquivei o projeto carne de soja.

Mas eu sempre tento não ser preconceituosa com comida e quase todos os alimentos, ao meu modo de ver, são dignos de uma segunda chance de serem amados. Com a carne de soja não foi diferente. Certa feita, meu querido companheiro, na época ainda meu namorado de casas separadas, entrou nessa vibe de parar com a carne vermelha, deixando todos [leia-se a mãe] enlouquecidos. Como parar de comer carne? Isso não pode! Eu bem que me aproveitei da situação e resolvi testar receitas com proteína de soja, porque se ele queria parar de comer carne alguém tinha que fazer alguma coisa para ajudar nos processos. Com a mudança na dieta dele, eu fui procurar informações sobre o modo de preparo da proteína e consegui acertar o preparo de almondegas com creme de cebola. Consegui mesmo, porque o menino comeu um monte até não dar mais. Eu também fiquei muito satisfeita com o resultado e comecei a desconfiar que gostava de carne de soja.

Fizemos essa almondega várias vezes e todas com relativo sucesso, mas duas coisas me incomodavam nisso: o fato de só ter esse prato na manga para usar a carne de soja e o desprezível creme de cebola [hoje eu sei disso]. Até que vi um programa do Claude Troigos em que a receita foi um strogonoff com carne de soja e risoto de quinoa e isso me encorajou a tentar novamente fazer alguma coisa com os cubos de proteína de soja. Comprei e reservei para o momento certo, ou seja, aquele em que eu achasse que um pouco de creme de leite não é assim um pecado capital.

Tudo bem que esse post é sobre hamburguer, que é quase uma almondega chata, e que no fim virou mesmo almondega. Só que foi feito com a carne em cubos e sem creme de cebola, o que já vale o crédito pelo feito. Como a massa original com carne de soja e temperos, a qual serve bem para fazer as duas coisas, ficou muito boa, para o meu, o seu e o nosso paladar, tive que anotar aqui para não esquecer o que usei para fazê-la. Gostei, principalmente, da textura da carne em cubos processada com os temperos que ficou bem modelável, sem, contudo, ficar encharcada de farinha ou outro agente para dar liga. Não fica exatamente firme, como um hamburguer tradicional, mas o gosto compensa certa dificuldade inicial.

Vou por a receita na lista, porque tudo isso vai para o processador, sendo que os mais duros vão primeiro e depois é só modelar conforme o uso. Lá em casa, eu fiz os hamburguers na sexta, sem pão mesmo e com salada. Sobrou uma quantidade razoável da massa e meu adorado devorador de meat balls falou tanto "daquelas almondegas que você faz com molho" que não me deixou muita escolha sobre o destino da sobra de massa.

Segue a lista.

100gramas de carne de soja em cubos hidratada com páprica e zathar.
meia cebola
2 dentes de alho
pimenta branca
pimenta rosa
manjerona
orégano
funghi seco (opcional, mas dá um estilo)
nozes (ou pistache, que preferi não arriscar em nome da concisão)
salsinha
cebolinha francesa
pimenta verde
uma colher de manteiga
sal
uma fatia de pão de forma
provolone ralado (pode ser parmesão)

Da próxima vez não por pimenta rosa, pois ela marcou muito os pedaços em que ficou. Contudo devo tentar usar shoyu, que não tinha no momento, aveia, pra agregar fibras e molho inglês, só pro gosto mesmo. Acho que essa receita se presta bem a fazer não só hamburgueres e almondegas como recheio para pastéis ou esfirras, quibe de forno e outras variações em que a carne de soja possa ser usada.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Obsessão seu nome é bolo de limão ou como evitar uma neurose escrevendo um blog

Engraçadinho título!!!

Limões sicilianos: fui atraída por uns outro dia no mercado. Fui chegando perto da banca onde estava uma caixa pequena deles, com apenas algumas unidades. E, como nos desenhos animados, fui levada flutuando até eles pelo seu aroma inebriante. Não resisti e tive que comprar uma meia dúzia de quatro, mesmo estando pela hora do morte à 6 e pouco o quilo. Bom, coisas de pessoas levemente amalucadas e que são atraídas por alimentos pelos quais a maioria dos mortais - pelo menos os do lado de cá do Equador - não dariam a mínima.

Limões na sacola e, como eram poucos, um ponto de interrogação sobre o onde seriam empregados. Dessa vez eu contrariei a minha lógica de não comprar por impulso algo que "talvez eu possa precisar", mas eu já vinha de olho nesses limões a algumas semanas e vejo isso como um passo fora da linha que permite a manutenção do equilíbrio - cada vez menos radical, cada vez mais tendendo ao meio termo.

Limões atraentes
Como disse meu querido companheiro, talvez, se nós vivêssemos em terras de limão siciliano seríamos apaixonados pelo verde e óbvio "tahiti". Só que vivemos deste lado quente do planeta e o exotismo dos limões ovalados, amarelos, muito perfumados e que nos remete aos caça-níqueis de filme americano me faz querer comprá-los por preços absurdos e, quiça, tê-los no quintal de casa numa árvore grande pontilhada de amarelo.

Lembro de um episódio do programa do Claude Trogrois em que ele diz o quanto ficou impressionado quando experimentou o limão tahiti no Brasil, já que ele não estava acostumado com aquele sabor e aroma. Então, se ele que é famoso e importante pode eu também posso. Colocados em escala, não sei se pela estranheza ou se pelo sabor, o siciliano está á frente de todos os outros limões, sendo seguido pelo galego e depois pelo verde - são esses que eu conheço até hoje.

Mas o que tudo isso tem a ver com as neuroses sendo evitadas?

Com os limões sicilianos me olhando da fruteira e os dias sem bolo em casa ultrapassando perigosos limites eu resolvi que nada poderia ser mais propício do que utilizá-los com a nobre finalidade de perfumar e aromatizar um bolo de limão.

Eu tenho duas experiências com bolos de limão nesta casa: uma ruim e outra muito boa, exatamente nessa ordem. A primeira vez que tentei fazer esse tipo de bolo, simples e levemente azedo, errei feio naquela cobertura durinha que vai por cima e fiz uma melecada que acabou com tudo. A calda ficou muito mole e muito doce e quando eu joguei por cima do bolo ela foi engolindo a massa toda e caindo pra fora do prato. Um desastre tanto estético quanto de sabor, pois a massa ficou exageradamente doce e o furo do meio do bolo virou uma piscina de calda. Comemos? Sim, comemos, mas não com tanto entusiasmo. Sinto-me um pouco menos traumatizada por esse episódio atualmente porque naquela ocasião eu ainda não compreendia muito bem o temperamento do forno novo e os bolos saíam sempre com pequenos defeitos.

Tudo isso rendeu, além de frustração gastronômica [dois frustrados, quem cozinhou e quem comeu], uma certa desconfiança em relação aos pobres bolos de limão, tão saborosos em minhas lembranças nem tão vivas assim [tenho a impressão de que não comi muitos bolos de limão na vida]. Fui para uma segunda tentativa com muito mais confiança, visto que já estava com o forno domado e acabara de produzir, alguns dias antes, um bolo mesclado que foi sucesso absoluto e tinha aparência de prateleira de confeitaria tamanha perfeição. Orgulho mode on! Só que, um bolo ruim no histórico abala a credibilidade dos críticos mais vorazes e quando eu sugeri um bolo de limão para aquela tarde de inverno a resposta foi que era melhor não porque o último...

Eu insisti que faria o bolo novamente e daria certo dessa vez. Resultado: ninguém se arrependeu por isso. Aqui está a prova que tudo saiu conforme deveria.

A decoração deixa a desejar, mas a aparência...
Com cobertura nevada! Pena que a foto é do celular.
Agora começa de fato o problema deste post. Na época em que este bolo maravilhoso foi produzido eu não escrevia sobre o ato de cozinhar. Apenas cozinhava e marcava diversas páginas como favoritos. Obviamente, isso acarretava problemas ingerenciáveis para um universo do tamanho da internet. Muito fácil é anotar receitas favoritas em um caderno, mas em sites a coisa complica. Especialmente porque, devido aos meus critérios de organização pouco convencionais, os meus favoritos não são a fonte mais confiável de conhecimento.

Voltando ao bolo de limão siciliano eu tinha a seguinte dúvida antes de começar a prepará-lo: qual fora a receita utilizada para fazer o bolo de limão que deu certo da última vez? Isso seria uma dúvida besta e qualquer pessoa normal, diante da impossibilidade de solucioná-la, iria deixar pra lá e procurar outra receita que fosse de bolo e que levasse limão. Mas não, a pessoa resolve encarar as coisas de um modo obsessivo-compulsivo e descobrir a todo custo qual era "a" receita para a perfeição bolístico-limonácia. Daí surgem ideias absurdas e tentativas mais absurdas ainda de refazer os passos virtuais daquele dia; procurar informações através da fotografia do bolo [único registro e evidência material que o bolo existiu]; tentar rastear o histórico pela data da foto [tarde demais a foto datava 13 de agosto de 2011]; inventariar os sites mais visitados a procura de bolo de limão e comparar as datas das postagens para descartar o que foi feito depois; ler as receitas e tentar se imaginar usando os ingredientes listados; e mais um sem-número de pesquisas investigativas dignas de um crime de assassinato de livros policiais; tudo pelo bolo de limão.

Isso deve ter tomado toda a minha tarde, mas ideias fixas são assim mesmo. Por sorte eu sempre faço várias coisas ao mesmo tempo no computador e a pesquisa foi combinada com outras tarefas que eu precisava cumprir. Conjugando todos os fatores, eu deduzi que a receita era essa aqui. Quem dera tivesse toda essa disposição para pesquisa acadêmica. Eu seria o ás dos arquivos.

Definida a receita a ser utilizada fui pra cozinha e fiz o bolo colocando apenas mais suco de limão, já que o siciliano é bem menos ácido que o tahiti. Usei o todo o suco de um limão mais as raspas. Diminuí também a manteiga e usei 180 gramas [mais do que suficiente, na minha avaliação].

O bolo ficou muito bom, extremamente perfumado, azedinho na medida e fofo, muito fofo. Tanto que já o elegeram o bolo de limão oficial melhor de todos. Entretanto, eu não acho que tenha sido essa a receita utilizada da outra vez e preciso tentar outras até encontrar. Virou uma questão de honra saber. Mesmo depois de mais um bolo bem sucedido, continuo a busca pela receita perdida de bolo de limão.

Notaram a diferença?

Bolo + Instrumentos de trabalho.


Conclusão: tudo isso poderia ter sido evitado se eu escrevesse um blog de comida desde sempre. Quantas neuroses seriam evitadas ou pelo menos amainadas por esse simples gesto.





sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Do the evolution: pão italiano integral à perfeição

Eu fiquei realmente feliz, entusiasmada, extasiada ao morder esse pão. Eu venho buscando a perfeição panificadora a algum tempo, utilizando os mais diversos recursos, pesquisando, lendo sobre técnicas, entendendo a química por trás de tudo, procurando receitas e, sobretudo tentando. Já errei algumas vezes, é verdade, mas o sucesso tem sido maior que o fracasso proporcionalmente.

O fato de fazer pães em casa, além de ser terápico em alguns momentos, permite controlar melhor aquilo que vai na massa e, consequentemente, para dentro do seu corpinho. Apesar do benefício considerável que isso representa, não é o suficiente. Um pão caseiro tem que ser melhor que o comercial no quesito sabor, de modo que compense, sem restrições, o empreendimento que acarreta para ser produzido nas condições não tão favoráveis de uma cozinha doméstica. Não adianta ser mais saudável, controlado e com ingredientes selecionados, se não for comível.

Daí a minha quase neurose com relação ao resultado que sairá de cada fornada. Mesmo com os indícios positivos enquanto o preparo da massa vai sendo feito, só quando você abre o pãozinho, passa manteiga e como é possível avaliar se aquele estava de acordo ou não com o padrão que você espera de pães de um modo geral.

Eu já havia feito essa receita em uma outra oportunidade sem muito sucesso, pelo menos não um sucesso retumbante. O pão ficou mais duro do que o esperado e deu um certo trabalho para ser consumido por inteiro. Só que eu já vinha na expectativa de produzir um pão mais hardcore desde a última aventura bem-sucedida com o semi-integral de forma.

Na verdade, eu não sei muito bem o que eu busco com pães dessa natureza, mais encorpados, com gosto mais forte e que enchem a boca quando você come. Não tenho muito com o que comparar, já que a variedade panificadora nas cidades onde morei se resumiam a uns três ou quatro tipos de pães bem aceitos por 90% da população das redondezas. O máximo de variação das padarias locais eram um pão recheado com sobras de presunto e queijo das pontinhas da peça que não dão para ser fatiadas. E, quando muito, uma fruta cristalizada mais estilosa - nem por isso saborosa - pipocava em uma fina camada cretinamente enganadora sobre a casca do pão doce.

Acho que teria uma coisa se visitasse uma padaria de verdade, com variedades infinitas de tipos de pães de todos os lugares e formas e cheiro de pão fresco. Acho que meu descontentamento hoje ainda é maior porque não existe mais padeiro, mas sim um funcionário misturador do pó que vem no saco da famigerada Bunge [ou similares]. E, assim, todas as massas do mais básico pão francês não alcançariam o status de decente na minha classificação nem tão apurada. É sempre o pão de massa sem gosto, levemente azeda, sem a casca quebradiça - é um absurdo economizarem até na casca - e que se esfiar vira uma coisa amorfa e borrachuda, cujo mal-estar de comer só pode ser explicado pela fome ou minimizado pela utilização de torradeiras, sanduicheiras ou equipamentos do gênero.

Conversas a parte, escolhi e comecei essa receita por puro impulso de sair de uma inércia preguiçosa e perigosamente contagiante que me acometeu no início dessas férias. Eu tinha que fazer alguma coisa para não ficar parada, então fui fazer pão. Não que haja nada de errado com rompantes culinários que te tiram do estado de letargia moribunda, exceto pelo timing do pão. Pão tem etapas, método e um tempo próprio para que funcione bem, devido a fermentação necessária para que cresça e fique macio. Quando tal entusiamo me acometeu, calculei mal esse tempo e descobri que só teria pão pronto no jantar se seguisse as etapas previstas na receita. Solução: já estava com a massa em andamento e não tinha como voltar atrás, então deixa o pão fermentar lentamente na geladeira até o dia seguinte.

Funcionou? Acredito que perfeitamente, pois foi um dos melhores pães já feitos por essas mãozinhas que escrevem esse texto. A receita é de um velho e conhecido site: Pão italiano integral.

Já as modificações são, como sempre, parte dessa alma inquieta que não aceita regras ou medidas fixas. Rá. Mentira, pois é só alguma coisa pouco lógica que me acomete e faz com que eu faça tudo do meu jeito mesmo, apesar de ter receita e uma pessoa experiente que já fez a receita dizendo que dá certo daquele jeito. Vai entender.

Mas as mudanças foram poucas, eu só aumentei um pouco a quantidade de fermento, de 3 para 5 gramas, porque acho que, secretamente, eu quero que o saco de 500g de fermento biológico acabe. Usei um pouco, cerca de 30 gramas, de farelo de trigo misturado a farinha integral. E, claro, coloquei mais água do que o recomendado [bad, bad, bad, mania feia]; pus 250 gramas de água, quando a receita pedia 225. Eu tenho problemas com esse negócio de água na massa de pão, é como uma síndrome pós-Bertinet. Medi 250 para ir acrescentando mais aos poucos se fosse necessário, mas aí algum fluxo sanguíneo é interrompido na minha cabeça, me dá um branco e a criatura joga o copo de água todo na massa, sem nem ao menos lembrar que era só para o caso de necessidade.

Depois de sovar bem a massa, arquivei ela na geladeira até o dia seguinte, quando após a modelagem e a fermentação final de uma hora e meia ela poderia ir para o forno. Até agora tenho tido sucesso com pães de dormem antes de serem assado, será que pode ser um novo método de massa dormida? Tudo bem que já exista a pré-fermentação, as bigas e todas aquelas coisas de gente sem pressa, mas esse método é para os que são atrapalhados e ainda assim querem pão; ou para os que querem ele assado e com cheiro no café da manhã sem ter que acordar no horário do padeiro. Tem funcionado bem até agora.

Antes do pão no forno, mais um procedimento, criar steam para criar casca. O pão tava lindão e bem crescido, então, eu não queria estragar tudo por falta de vapor, valendo-me, por isso, de todos os métodos conhecidos para criar gotículas de água no meu forninho doméstico meia boca. Liguei o bicho para pré-aquecer e quase desmontei a grade pra poder colocar uma assadeira no chão do forno com água. Depois coloquei água para ferver no fogo e na hora de colocar o pão, coloquei mais água fervente na assadeira, acionei um ajudante para jogar o pão lá dentro enquanto eu pulverizava água no forno com o borrifador.


Perfeitos!

Funcionou? Funcionou, mas acho que da próxima vez vou tentar uma assadeira vazia pré-aquecendo junto com o forno que recebe água só quando já está quente, pois isso deve criar mais vapor. O bom mesmo foi ter que tirar a assadeira com água do chão do forno depois dos primeiros dez minutos. E nessa parte eu devo um agradecimento a uma amiga que me presenteou com uma luva de pegar coisas quentes providencial. Eu já tinha uma luva dessas, mas com a que ela me deu eu pude fazer a coisa com o máximo da segurança e atenção e não deixei água fervendo cair em nada, apesar das chances serem sempre desfavoráveis em relação a minha pessoa e procedimentos delicados.

Agradecimento especial pela luva.
Veredicto: eu fiz ruídos estranhos enquanto estava comendo o pão e não sabia se ria ou mastigava. Não preciso dizer mais nada.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quanto mais férias, mais pão. Mais um de canela e passas

Lembra da história do pão de canela é passas que todo mundo ama? Pois é, testei outra receita na segunda e vou anotar aqui para não esquecer porque ficou bem melhor que o anterior, com muito mais farinha integral [perdi o medo da farinha integral?], sem ficar fermentando de um dia para o outro. Apesar de eu ter encharcado o pão além do que a receita pedia #paomeleca #manianova levando uma verdadeira surra para sová-lo e dele ter ficado mais baixo que um pão de forma convencional. Mas também, quem precisa de convenções quando se tem um devorador de pão de canela em casa e ele fica espetacularmente macio. No fim ele ficou até bonitinho e só ficou mais baixo porque fiz meia receita.

Pena que foto não tem cheiro

Chega de ficar escrevendo por hoje então segue a receita. Mais uma da Ana Elisa do La Cucinetta. E as modificações, além de reduzir todos os ingredientes pela metade.

Usei 150 gramas de farinha integral, 62 gramas de farinha comum, 150 gramas de água [foi aqui que afoguei o pão, fui achando que dava e colocando mais água - por que será que é tão difícil segui receita?], 1 colher de chá de fermento biológico seco,  uma pitada de sal, 1 colher e meia de chá de canela [queria o gosto pronunciado], 15 gramas de manteiga, duas colheres de sopa de mel e cerca de 40 gramas de passas claras e escuras hidratadas em um pouco de vodka, além de 2 míseros damascos perdidos no vidrinho que clamavam por algum uso decente.

Omiti o maple syrup e coloquei mais mel pelo óbvio motivo de não ter isso em casa. Ainda não procurei para comprar, mas parece que minhas desconfianças sobre ter uma árvore de maple aqui na rua, em frente a minha casa, estão sendo confirmadas. Estou bolando uns testes para ver como a planta se comporta, mas hoje, enquanto jardinávamos a frente do condomínio, um vizinho soltou a pista de que uma conhecida havia dito a ele que essa árvore era usada para fazer mel. Esse bairro é só alegria em termo de planta. Além de ter um monte de frutas [hoje comemos as amoras maduras e doces de um pé que na verdade é um pedaço de tronco, plantado a pouco mais de três meses, que estava caído por causa da chuva e não tinha nem raiz ainda], ainda pode ter árvore de maple.

Também deixei passar o lance de molhar leite antes de ir para o forno, porque eu estava um tanto quanto atarantada na cozinha. E a colher de açúcar que estava na receita original pegou gripe e morreu.

Só mais uma coisa: o cheiro desse pão no forno, é uma coisa absurda de boa.

Updated [04/02/2012]: estou fazendo esse pão de novo e dessa vez foi ainda mais água. Cerca de 200g. Também achei muito, mas é preciso anotar que a massa não fica mole como as feitas com farinha comum e por isso acho que acabei colocando mais. Também usei meia colher de sopa de fermento seco pra ver o que acontece.

sábado, 5 de novembro de 2011

Salada ou Massa? Tanto faz: refeição inspirada na salada caprese

Eu comprei um maço de rúcula. Eu ia fazer sanduíche para jantar sexta à noite e estava ainda um pouco confusa sobre as opções de recheio, salvo a rúcula. No meio do caminho [tinha uma pedra] lembrei que podia fazer macarrão com molho de rúcula no lugar de sanduíche. A receita desse macarrão foi a maneira que encontrei para introduzir a rúcula nas nossas refeições, tendo em vista o profundo apego [Sarcasm] que meu querido companheiro tem com os vegetais - especialmente os verdes: gosta tanto deles que não os come [deve ser pena deles]. A rúcula passou no teste do não gosto e agora frequenta bem este lar, tanto que tenho até um pezinho dela na varanda.

Entretanto não queria massa com molho de leite para o jantar, pois já estava um pouco tarde e achei que seria demais. Aí veio o insight gastronômico: entre uma salada caprese meio capenga [não tinha muçarela de búfala e não ia comprar] e uma versão de massa menos volumosa estaria o meu jantar de sexta-feira. Já estava com essa salada em mente para ser preparada, mas ia adiando porque nunca tinha a tal da muçarela à disposição. Aqui onde eu moro não é muito fácil achar determinados ingredientes com uma qualidade minimamente aceitável. Prova disso é o sujeito [eu] ficar perambulando com uma garrafa de suco de goiaba de 1 litro, comprada a 80 quilômetros de casa, na mochila só porque esse tipo de suco natural não é vendido na sua cidade [momento no sense]. Achar a muçarela de búfala eu até achei no mercado, mas eu olhei pra ela profundamente e o produto não me convenceu, não parecia ser de muita qualidade e já estou sentido que a pessoa vai ficar andando quilômetros com queijo na bolsa para poder comer salada caprese.

Voltando ao assunto do post, o que fiz foi misturar um pouco das duas coisas e usar uma base de salada fria como molho para meu macarrão, o que, diga-se de passagem, ficou surpreendentemente bom. A salada "tipo" caprese foi feita a partir de livre interpretação já que não usei os ingredientes tradicionais, mas acho que o pessoal de Capri não liga para isso. Como toda primeira vez que faço alguma receita nova, acabei sujando mais coisa do que o necessário. Então vou escrever aqui do modo como farei das próximas vezes para não ter que ficar com vários potinhos pra lavar depois, logo será uma descrição no imperativo.

Coloque a água para ferver e vá separar os ingredientes para a salada. Separe as folhas de um maço de rúcula se gostar muito ou 1/2 maço se gostar pouco. A rúcula nesse caso interpreta o papel de manjericão, que deveria ir na salada original. Lave as folhas e seque no seu secador de salada [coloquei isso só porque tinha que falar do secador de salada que eu comprei recentemente e de fato funciona]. Se for usar toda a rúcula plante os tufos com raiz no seu vaso ou na horta [como eu fiz hoje]. Tempere cerca de 50g de ricota com sal e cebolinha para substituir a muçarela de búfala com glamour. Pique dois tomates débora pequenos em cubos médios. Retire as sementes e deixa-as descansando sobre uma peneira [com um recipiente por baixo, claro] para poder utilizar o suco que escorre. Separe umas quatro ou cinco azeitonas e compre as pretas da próxima vez [usei verde porque era o que eu tinha] e corte elas ao meio. Depois dos preparativos todos, a água já deve ter fervido. Então coloque sal, um pouco de ervas "comestíveis" e 200g de macarrão pequeno na panela [dessa vez eu só tinha penne tricolori em casa, mas quando eu imaginei esse prato o que vi foram gravatinhas no meio das folhas verdes]. Espere o macarrão cozinhar e ficar al dente. Escorra ele e jogue um pouco de água fria para interromper o cozimento. Agora já é hora da montagem feita em camadas. Disponha o macarrão não muito quente no recipiente em que será servido. Jogue ao estilo grande chef falsamente despreocupado com a beleza do prato: pimenta calabresa sem medo [dessa vez não ficou picante o suficiente], azeite de oliva extravirgem, um pouco de gersal. Depois os tomates, a azeitona, mais gersal e azeite. O gran finale é com a rúcula rasgada com as mãos, mais gersal e azeite. O gran gran finale pode [deve] ser com parmesão ralado na hora no ralo grosso, porque tem gente aqui em casa que gosta de morder o parmesão enquanto come e o com o ralador fino "fica parecendo um cabelinho".

Updated [07/11/2011]: Esqueci de falar que também é pra botar um alhinho frito, que no meu caso ganhei da mãe.

O resultado final foi ótimo, bem leve como estava esperando e com sabores amargo e doce balanceados. Vai ter de novo com certeza.

Notas:

Fui procurar o link da receita do macarrão com rúcula e percebi que já tinha escrito lá no outro post sobre o modo como a rúcula começou a ser consumida aqui em casa. Além de levemente esquecida estou ficando repetitiva, shame on me!

Acabo de descobrir porque meu querido companheiro gosta da rúcula. Segundo ele: "ela tem um gosto assim, meio amendoado [de amendoim] no final". Pode?

sábado, 22 de outubro de 2011

Tudo o que você quer num dia como este... É uma sopa como esta.

A sopa de ervilha é um grande clássico nessa residência [50% da audiência desse site - duas pessoas, tirando eu - sabe disso perfeitamente e já experimentou a dita cuja]. Não há um inverno, ou outra estação qualquer, que não se faça ela algumas vezes. O pacote da ervilha faz parte das compras com naturalidade, como pão, farinha e leite. O fato que é esse é um prato tipo "Chuck Norris approves", ou sucesso garantido no dizer do meu querido companheiro.

E, desde que eu me entendo por gente, culinarísticamente falando, eu reproduzo essa receita que já fazia sucesso na casa de mãe e nas reuniões da minha família. No caso desta sopa, entretanto, acho que superei a geração precedente fui aperfeiçoando o preparo, de modo que hoje consigo fazer versões que considero melhores do que eu comia quando era mais nova, nas casas de minha mãe ou tias.

Esse também é um daqueles pratos que: 1. você faz no famoso olhômetro, sem medir nada; 2. é uma obra totalmente aberta e aceita muitas variações do tipo não tem uma coisa, põe outra; 3. por isso mesmo, nunca leva os mesmos ingredientes; 4. caso leve os mesmos ingredientes, tem algum componente místico [que deve envolver alinhamento de planetas, pressão atmosférica e humor da ervilha utilizada] que faz com que uma sopa nunca fique igual a outra já tomada anteriormente. Ou seja, para mim, é um prato paradoxal por ser um clássico e ao mesmo tempo completamente imprevisível.

Ontem, nesse frio todo com que a primavera nos agraciou nesse outubro, fiz essa sopa com alguns ingredientes nunca antes utilizados na história desse prato. Eu sei que em time que está ganhando não se mexe [na verdade não sei quem inventou esse ditado besta], mas acho que essa máxima não se aplica a uma pessoa que deseja superar o seu conservadorismo culinário no quesito de sopas e caldos. Assim sendo, seguindo a lógica deste blog e também como forma de comprovar cientificamente que esse prato é irrepetível, estou escrevendo essa receita secreta com todas as medidas [depois de ler esse post de novo vi o quão científico é uma pitada disso, um mínimo daquilo, por isso não sai igual] que usei na preparação para testar se é possível reproduzir a receita e ela ficar idêntica em sabor.

Utilizei 250 gramas de ervilha [sim, eu pesei = #insanidade] e deixei elas de molho em água por 6 horas, coloquei de manhã e fiz a sopa no fim da tarde. Bati no processador 3 dentes de alho, 1 pedaço de gengibre de uns 2cm e uma pitada de pimenta calabresa seca powerful [essa pimenta tá bem curtida]. Fogo baixo. Na panela de pressão coloquei cubos de bacon [tá, esse eu não medi] até liberarem a gordura e ficarem bem crocantes; retirei o bacon e coloquei 1/2 linguiça calabresa também em cubos para fritar até ficarem beeeem torradinhas. Depois de fritas eu as retirei e refoguei lentamente 1/2 talo de alho poró [só a parte branca] e essa mistura feita no processador, regando com água aos poucos, até ficar meio caramelizado [marronzinho]. Voltei com o bacon e a linguiça para a panela e depois joguei toda a ervilha escorrida para refogar e agregar bem o gosto dos temperos. Quando começou a dar sinais de que estava grudando no fundo joguei um pouco de água mexi bem para fazer uma espécie de deglacê, juntei 1/2 colher de chá de sal, um mínimo de pimenta do reino e joguei cerca de 2 litros de água quente na panela para cobrir tudo. Quanto começou a levantar fervura, fechei a panela de pressão e aumentei um pouco o fogo. Mais 20 minutos no fogo depois que começou a chiar e pronto. Então, abri a panela e estava um pouco grudado no fundo [acho que com a ervilha mais macia por causa do molho, 15 minutos de fogo eram suficientes], nada que abalasse a estrutura da sopa, mas por precaução troquei de panela, testei o sal, coloquei mais 1/2 colher de chá [acho que também não precisava] e, como ainda estava um pouco cedo para o jantar eu deixei descansando por algumas horas até comer [um verdadeiro gesto heróico].

A outra parte envolvida nessa relação chegou bem na hora da fritura da linguiça [prêmio de timing para a cozinheira, porque é uma grande satisfação quando as pessoas chegam na hora do melhor cheiro na cozinha para atiçar todas as lombrigas #feticheolfativo]. E quando chegou queria café. Toca então a fazer um café mexendo a sopa e bizoiando a água e colocando o pó, afff! Deu tudo certo no fim, mas depois do café, quando ele já ia subir para o banho foi dada a notícia: "Essa sopa hoje é um pouco diferente". "Diferente por quê? O que tem nela?". "Gengibre e alho poró, pra ver como fica". Dessa vez passou - pelo menos era o que parecia - porque não tinha nada que sugerisse algo muito desconhecido dentro desse universo gastronômico do tamanho do armário de rodoviária.

Sopa pronta. Ao ver a sopa na outra panela veio logo o questionamento primeiro com a expressão no rosto e depois verbalizando:

"Uê!???".
E já veio a explicação:
"Pegou um pouco no fundo, ficou bem grossa, aí eu troquei de panela só pra garantir".
E a resposta infame: "Foi o gengibre que sugou toda a água da sopa e levou para uma outra dimensão fora do planeta".
"Pois é,  né? O gengibre é estranho, não pode ser mesmo desse planeta. Isso dá um filme, sabia? Gengibre: o estranho passageiro."
"Conta a história dos gengibres alienígenas que vem para Terra sugar toda nossa água..."
"Para levar para o planeta dos gengibres?".
"É. Até a cozinheira que tem um blog salvar a humanidade."
"Aí não, porque já fica muito verossímil."

FIM

Isso é o que dá a criatura trabalhar no sábado!!

Mas a sopa, ficou muito boa mesmo. Grossa como um creme e quente na medida certa.

sábado, 24 de setembro de 2011

Livre Interpretação do velho macarrão com molho de rúcula

Ou uma receita para acabar com a rúcula... [e ela ainda não acabou]

A rúcula foi introduzida aqui em casa a partir dessa receita. Eu descobri que gosto de rúcula tardiamente, mas a cor muito verde "ofusca" o paladar do outro residente, tal como qualquer coisa verde ou que não tenha um tom "pão com queijo". Mas, apesar disso, fora os truques culinários de convencimento mais comuns - prato colorido, enfeites pirotécnicos, fetiches olfativos, etc - sustendo a seguinte máxima: quem não sabe cozinhar deve aprender a gostar do que tem pra comer. Morrer de fome ninguém morre, e, se isso vale para crianças, para adultos (meu caso) não tem nem discussão.

A rúcula agora já faz parte do nosso cardápio e, acredite, já é até consumida crua em sanduíches, por cima da pizza e em poucas saladas. No entanto, toda vez que aparece vem acompanhada da frase "Esse amargo da rúcula só fica bom quando acompanhado por alguma outra coisa, né?". Leia-se por "outra coisa", carne do sanduíche, queijo da pizza, dentre outros com menor teor de verdura.

Ontem esse macarrão foi feito mais uma vez, mas no que pode ser considerada uma livre interpretação, já que não segui a receita original e fui acrescentando tudo no olho mesmo. Da original, só a inspiração para acabar com a rúcula que estava na geladeira. Aliás, os talos do maço de rúcula que tinha raízes foram para o vaso [de plantas] e estão verdes e em pé ainda. Logo, tenho a impressão que poderei produzir minhas próprias rúculas do próximo sanduíche. Plantadora Compulsiva.

Os procedimentos são mais ou menos esses a seguir que anotei no bloco de notas para não esquecer já que estou o dia todo sem a merda da internet, que sempre me deixa na mão no fim de semana. Hate.

Para o molho: No liquidificador 500ml de leite com rúcula e mais ou menos 2 colheres de maizena [porque eu despejei no liqui o resto que tinha na caixa], um punhado de linhaça e um pedaço de gengibre. Depois vem a etapa da panela, mas nessa hora já é bom colocar a água do macarrão para ferver, pois o tempo de preparo sincroniza numa boa. Na panela, que não é a que está com água fervendo, dã, colocar pequenos pedaços de bacon [a quantidade varia de acordo com alguns fatores como silueta dos comensais, tamanho da culpa, rigidez da dieta, etc.] para fritar sem acrescentar mais nada, pois o próprio porquinho já solta óleo suficiente , depois juntar cebola beeeem picadinha - de modo que no final dos processos fique apenas a sua lembrança - e refogar até que ela fique translúcida [porque se ficar transparente, como indicam várias receitas, tem algum buraco para outra dimensão na panela]. Em seguida, despejar o líquido do liquidificador [cacofonia] na panela e mexer até engrossar. No final colocar um pouco de sal, não muito porque ainda vai entrar queijo, e pimenta do reino moída na hora, se possível.

Enquanto isso na sala de justiça... Quando a água ferver na panela do macarrão é hora de colocar um pouco de sal e se quiser um pouco de ervas "comestíveis" secas. Colocar o 250g de macarrão de pequeno porte [parafuso, penne, conchinhas, gravatinhas] na água fervendo  e cozinhar pela metade do tempo que consta na embalagem. E, sim, também existe fundamento nas embalagens de macarrão.

A finalização consiste em colocar o macarrão em um refratário, ou algum recipiente que possa ir ao forno, juntar ao molho ainda na panela uma certa quantidade de queijo ralado - pode ser qualquer queijo derretível na quantidade que não fique absurdamente dominante para o paladar - despejar o molho no macarrão e misturar bem. Se não misturar bem o macarrão de baixo fica seco e gruda todo no fundo, como aconteceu dessa vez, sem que isso prejudicasse muito o resultado final. Cobrir com mais queijo ralado e levar ao forno para gratinar [até ficar dourado por cima].

PS.: Lembrar de fazer fotos das comidas porque eu sempre esqueço. #fail. Falta de um pensamento de quem está escrevendo o que cozinha.

PS 2.: Toda vez que eu falo em tirar foto das comidas vem uma voz dizendo: "Temos que comprar umas coisas mais bonitinhas para arrumar a foto das comidas, essa toalha tá horrível!!".