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sábado, 21 de dezembro de 2013

Entre fatias, entrementes

Talvez esteja inaugurando uma nova série no blog. Talvez não. Mas o fato é que calor e tentativas, até agora bem sucedidas de levar almoço para o trabalho [uma pausa aqui que estou de férias e então não sei como isso acabará], fizeram-se repensar o conceito de sanduíche de modo a torná-lo uma opção viável tento pela praticidade quanto pelo ponto de vista nutricional.

Falar em praticidade é algo óbvio. Como dois pães com recheio não vão ser uma coisa rápida, fácil e indolor. O que também nos leva a mais uma conclusão óbvia sobre as vantagens de ter um sanduíche para levar de almoço no trabalho. E leve, não ocupa muto espaço na bolsa; não precisa requentar; e, quando frio, é uma boa opção para os dias quentes, etc., etc., etc.

Daí para a parte de fazer com que seu corpo se mantenha funcionando, como substituição da refeição, deve conter várias camadas para fazer algum sentido nutricional. Adoro camadas! Adoro comida com camadas coloridas, que você corta e vira um desenho no prato.

Tenho experimentado algumas receitas e as de hoje são duas muito boas que levam lombo de porco defumado.

Entre frio e quente, entre pão, lombo e cebola 

2 pães de forma [nesse caso branco, porque era o que tinha, mas se tivesse de centeio, ou preto, ia ser ideal]
fatias de lombo de porco defumado
fatias de queijo minas frescal
1 cebola cortada em rodelas
folhas de radichio
mostarda

O modo de fazer tem uma lógica para otimizar o uso da panela e não perder muito tempo para montar. Eu, particularmente, organizei tudo cortado em uma tábua sobre o fogão e fui preparando os ingredientes separadamente em uma frigideira antiaderente.

Usei uma única frigideira para não perder o fio de praticidade necessária e economizar na hora da louça, mas se o pão pudesse ser feito separadamente, talvez ficasse melhor.

Primeiro de tudo: cebolas. Vão na frigideira com um pouco de manteiga, açúcar mascavo, sal e pimenta do reino até ficarem caramelizadas, ou um pouco antes [meu caso] se você estiver com pressa [muito eu]. ficou pronto? Com ou sem pressa? Reserve na própria tábua.

Agora vem as fatias de lombinho, as quais não precisam ser necessariamente passadas na chapa, mas tem gente que reclama que o "porco pode tá cru e é melhor esquentar um pouco só pra garantir".

Passado o lombo, é esquentar um pouco o pão e depois derreter o queijo, porque se derreter o queijo antes você pode ultrapassar a fronteira limite da quantidade aceitável de resíduos aceitáveis na panela para continuar usando ela sem lavar.

A montagem é simples: pão mostarda, radichio rasgado, lobinho, cebolas, queijo e... pão.

Acho que tomamos com um suco de limão e desceu muito bem.





terça-feira, 31 de janeiro de 2012

3 minutos e não é miojo? Salada morna de couscous marroquino com calabresa

Estou postando o que acabei de almoçar. Raspei a tigela e fui comendo mais devagar na medida que foi acabando pra ver se fazia render. Mais rápido impossível! Tirei essa manhã para trabalhar bastante e como ia almoçar sozinha fiquei protelando a ida para a cozinha. Só que a fome é implacável e começou a apertar de um modo que comer três ou quatro uvas não resolveriam.

Pra comer na frente do computador.

Infelizmente, almocei sozinha porque minha companhia está mal do estômago e não prefere não abusar. Tomou apenas chá com torradas e está descansando nesse momento. Para meu completo desgosto, ainda começou a chover muito e nem vou comentar que hoje é o último dia de férias. Já me conformei, mas sempre fica uma pontinha de tristeza pelo fato.

A salada, morna e perfeita para esse dia foi feita no impulso e improviso. Improviso porque não segui receita e impulso porque eu nem tava pensando em almoçar, mas foi só botar os pés na cozinha que entrei em alfa e fui inventando e juntando tudo como se isso fosse muito natural. Estou começando a gostar muito de cozinha, o que é ao mesmo tempo muito bom - me distrai e me divirto - e preocupante - pois posso virar a louca que só fala de comida.

Prato único.
Então foi assim: cortei um pedaço de linguiça calabresa em cubos nem tão perfeitos assim; fritei eles em uma frigideira até criar aquela casquinha tostada, acrescentei cebola e um pouco de molho de tomate caseiro. Desliguei o fogo e acrescentei salsinha e cebolinha picada em grande quantidade. Enquanto isso eu aqueci água, hidratei o couscous. Quando ele ficou pronto [cerca de 3 minutos], temperei com zathar, piquei uma noz por cima e juntei a calabresa misturando bem. Salsinha por cima e yumiii! Ficou tão melhor do que o esperado.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Comida rápida para dias preguiçosos e algumas boas notícias

Esses últimos dias tem sido meio lerdos e sem muita empolgação. Prenúncio do fim das férias. Acho que ando mais devagar para ver se surte algum efeito no passar das horas. Como eu não quero fim de férias! Tantas obrigações desagradáveis por vir, dias longos, cansativos e poucas alegrias. Isso se reflete diretamente na minha disposição para cozinhar, já que vai chegando a hora do almoço e eu ainda nem pensei e nem quero pensar no que fazer. O resultado são sempre comidas mais rápidas e práticas, sem abrir mão do sabor e da saúde e - é claro - sem apelar para facilidades cujos benefícios são duvidosos. Aqui em casa lasanha congelada não entra! E tenho dito.

Apesar das lamúrias que anunciam o fim da vagabundagem, este post também tem boas novas. Depois de muito tempo procurando um fornecedor de alimentos orgânicos, ou que fosse perto ou que entregasse aqui em casa, eu descobri uma fonte que faz as duas coisas. Nessa onda de comer melhor tenho me interessado cada vez mais por expandir o horizonte de preocupações concernentes a comida que me alimenta. E nesse processo a escolha e a compra da matéria-prima não é só uma parte essencial como também a mais difícil de ser feita como se deve.

Ter produtos de qualidade, mesmo pagando um pouco mais caro, não é tarefa das mais fáceis. É preciso experimentar, testar e, sobretudo, procurar. Até porque na lei da selva no mercado reza a valorização do mais barato independente da qualidade dos produtos. Algumas coisas são quase impossíveis de se comprar com o mínimo de confiança e outras estão fora da realidade financeira desta pequena família. Outro aspecto desta questão, ainda mais complicado, é ter produtos como frutas, hortaliças e vegetais, frescos e sem contaminantes, preferencialmente de produtores locais.

Prato sui generis.
Muitas tentativas depois encontrei por acaso, em um folder colado na portaria do condomínio, a referência da Fazenda Constância, a qual produz orgânicos e faz entregas aqui  pela região. Prestaram um serviço de qualidade e me entregaram na última sexta-feira produtos muito bom e frescos [visivelmente recém colhidos]. Fiquei feliz de poder contar com esse tipo de atendimento e agora tenho uma abóbora gigante - apesar de muito bonita - para dar cabo em um milhão de pratos. Já falei aqui em casa que esta será a semana da abóbora!

Acho que com tanta comida rápida, só passei mesmo para registrar tudo isso e falar do primeiro prato com produtos orgânicos fornecido dos "vizinhos". Salada de beterrabas dulcíssimas, com tomates [esses comprados no mercado] marinados em salsinha e cebolinha, com uma omelete verde de alho poró, e muita cebolinha. Tudo isso finalizado com as flores comestíveis que ganhei de brinde na cesta orgânica. Que o trabalho do pessoal da fazenda prospere e que eles continuem prestando um serviço de qualidade.

Mais uma coisa que ia esquecendo. Um bolo de banana incrível e totalmente para preguiçosos. O comedor de bolos compulsivo que mora comigo falou mais de três vezes que estava ótimo, e, ele é autoridade no assunto. Fácil, fácil. É tipo uma cuca de banana, mas com uma pequena intervenção gastronômica de minha parte ficou um achado culinário. Sem contar que promoveu uma necessária extinção das bananas que ficavam me olhando da bancada da pia. Foi o cacho todo e agora só restam duas.

A receita veio daqui, mas fiz algumas modificações pois chocolate não é um ingrediente muito bem quisto por essas bandas. Não que a gente não goste, mas é meio arriscado, comê-lo em excesso. O que fiz de diferente foi primeiro aromatizar o leite com 50 gramas de café em grãos. Fervi o leite com os grãos e deixei descansando enquanto fazia a farofa, com farinha, açúcar mascavo, um pouco de chocolate em pó, leite ninho e manteiga [da próxima vez vou por aveia]. Em uma forma redonda montei farofa, banana, farofa, banana, passas pretas, farofa, aveia, pedaços de manteiga e a parte líquida só com ovos e o leite aromatizado.

Ficou uma ótimo, saudável e com gosto de café. Banana e café combinam!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Heaven: quando tudo dá certo na cozinha

Como eu já falei hoje, fazer exercícios deu um start em alguma coisa que havia perdido desde o fim do ano passado. Voltei pra casa bem e determinada a executar, não gente, mas planos.

Eu ainda planejo as nossas refeições com antecedência antes mesmo de sair às compras, o que me ajuda a comprar menos e evitar o desperdício. Ultimamente, acho que tenho relaxado um pouco na coisa de comprar o estritamente necessário para a sobrevivência e me deixei levar por umas cerejas aqui, um queijo diferente ali que talvez tenham sido adquiridos por mero impulso. Entretanto, radicalismos a parte, acho que estou tentando chegar a um meio termo, já que considero a fase inicial de adaptação como etapa concluída neste processo de mudança de hábitos. Agora eu tenho um plano, mas estou um pouco mais aberta a improvisos, desde que não comprometam a regra do desperdício.

Uma das extravagâncias recentes foi um pedaço de queijo feta que me deixou enlouquecida diante dele na geladeira do supermercado - ficarei conhecida conhecida como a louca da geladeira? - pensando se devia ou não comprá-lo. Pega na prateleira: ah, eu mereço um queijo diferente. Bota na prateleira: vou comprar ricota mesmo. Pega de volta: mas porque não, né?. Devolve: é meio caro. Aí, o que eu faço. Levei o queijo pra casa. Acho que não tô batendo bem mesmo, porque tenho a impressão de que ele nem era tão caro assim e nem se compara com ricota, a qual também tem seu valor se não for comparada com um delicioso e forte tipo feta.

Queijo na geladeira e muita vontade de usá-lo, já foi para uma salada logo no segundo dia e seu gosto forte e ligeiramente salgado joga por terra qualquer pensamento que associe salada a uma coisa sem graça. Na boa, entre o feta e a mussarela de búfala sou mais feta. Como disse meu querido companheiro: "A única coisa que me decepcionou um pouco na culinária italiana foi a mussarela de búfala, pois o resto dá sempre certo!" A pessoa tá virando um gourmet nas análises. Também o tanto que eu encho o saco com as explicações todas e praticamente obrigando o pobre a ficar me vendo deslumbrada folhear um livro de mais de mil páginas, só podia dar nisso.

Ponto pros gregos!

Mas o bom é que o feta combina muito bem com o resto do kit cucina italiana: tomate e manjericão. Ontem foi a vez do queijo figurar numa salada de improviso feita para um jantar quase lanche, já que remediou aquela fominha do início da noite. Estávamos bem e sem fome, vendo seriados, quando a luz começou a piscar e o computador deu tilt por causa das quedas de luz. Parecia aquelas cenas de filme de terror em que todos os eletrodomésticos ficam ligando e desligando sozinhos. Caiu uma fase da eletricidade, então o seriado foi pra conta e só nos restou ir para a cozinha - à meia luz - arrumar alguma coisa pra passar o tempo.

Chamei a salada, simpaticamente, de salada de cubos e nas cambuquinhas juntei tomates de um tipo berry, que eu nunca tinha visto até achar a bandejinha no mercado e ter que comprar [é um impulso quase incontrolável comprar um vegetal que eu não conheço - paciência]. São muito doces e valeram a pena. Depois pão de forma caseiro, sal, azeite, pimenta moída da hora, folhas de manjericão e queijo feta. Não preciso dizer que estava tudo cortado em cubos. Pra finalizar e dar um pouco de sustância, fiz dois ovos poché e coloquei por cima de tudo.

Incrível, o molinho da gema, derretendo e agregando sabor aos vegetais. Vou falar: os mais reticentes comeram e ficaram felizes e satisfeitos, cantando aos quatro ventos que aquela salada era ótima e que comeria de novo. O meu mais novo problema com a salada é que acaba rápido e não enche a barriga dos mais vorazes, mas isso é um bom problema, afinal, daqueles dos quais não podemos reclamar.

Vai parecer um déjà vu, só que hoje eu cheguei bem disposta da rua e fui fazer o almoço seguindo o plano do almoço para quarta-feira: macarrão integral com vegetais inspirado livremente neste aqui. Estava pretendendo usar um restante de vagens francesas que já estavam cozidas na geladeira com alho, hortelã e o queijo queridinho nesta temporada. Mas aí, achei que o tomate ia dar uma cor tão boa que resolvi colocar também e ficou parecendo a comida de ontem. Ficou muito bom, é o tomate foi providencial, dando um up no prato tanto visualmente quanto no sabor.

Para o macarrão de hoje - que poderia ser considerado uma salada morna - usei um pouco de macarrão fusilli integral [eu meço a massa crua no prato, um para casa um que vai comer, e jogo na água], tomates cortados em cubos e marinados em azeite, sal, orégano fresco florido e raspas de limão siciliano ultra perfumados, vagens refogadas em alho e azeite. É só juntar tudo na panela e finalizar com folhas de hortelã rasgadas e queijo feta esmigalhado.

Obra-prima! Com direito a uma vagem rebelde.

Lindo prato e muito saudável. Sem contar que também foi aprovado e estou contente nesse momento com meus resultados na cozinha. Andava meio mais ou menos com alguns resultados não tão satisfatórios e hoje tudo deu certo. Acabei de comer um dos melhores pães que já produzi, sobre o qual devo escrever amanhã e isso foi absolutamente fabuloso. A cozinha é, definitivamente, o meu território!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Alguns quilômetros pedalando na chuva e uma pasta de grão de bico mão na roda

Não preciso nem dizer que o bonitinho que mora comigo não gosta de grão de bico. Pelo menos ele se propôs a experimentar um grãozinho pra ter certeza se era o que ele imaginava. E foi botar na boca pra descobrir que as previsões dele estavam mesmo certas e que ele não gostava de grão de bico. Apesar disso, como ele vem aperfeiçoando o paladar, tenho que admitir que ele sempre se esforça para explicar as razões de não gostar de algo, o que nove entre dez vezes está relacionado a textura do alimento.

Particularmente, eu tendo a achar que problemas com textura é puramente cultural e pode ser resolvido com o hábito de comer determinada coisa. Ainda assim, apresentar determinado ingrediente em outros formatos facilita a vida dos que não gostam de sua textura e podem ser uma boa porta de entrada para a apreciação do gosto pura e simplesmente.

Foi o que fiz no caso dessa pasta de grão de bico. Quando comprei uma lata do grão pronto para o consumo já tinha em mente fazer algo do tipo, mais parecido com homus tahine, é verdade. Ontem eu abri a lata e usei metade dela numa saladinha apenas para mim na hora do almoço. O que sobrou virou uma pasta bastante saborosa para um lanche corrido hoje depois de pedalar um monte, embora não ao estilo imaginado por pura falta de tahine.

Sair para pedalar me fez bem, enquanto eu estava em plena atividade, bastando chegar em casa para me sentir completamente destruída. O corpo esfria e você sequer sente suas pernas mexerem apropriadamente - ou seja, com mínima coordenação - mas eu tava precisando mesmo de sair um pouco da vida sedentária que venho levando nesse início de ano, sair de casa, respirar ar puro e apreciar belas vistas de montanhas. E a bicicleta funciona bem para isso, pois dá pra ir devagar e sempre me concentrando para não perder o fôlego antes da hora.

Não tem foto de pasta, mas tem o visual do passeio. Inda peguamos chuva e me caguei toda - de barro - na volta do passeio.

Pedala, pedala, pedala, e... ah, o visual

Bem que o pessoal pediu um bifinho para o almoço pós-pedal, mas acho que a minha cara de destruída estava muito desesperadora que acabaram desistindo da ideia. Eu mais que pronto coloquei a pastinha salvadora em ação para comer com pão integral. E também funciona muito bem com biscoito doce, tipo maisena, por mais incrível que isso possa parecer. Acho que também serviria para passar em torradas e talvez até gratinada com pão como base.

Enfim, para a pasta bati no processador meia lata de grão de bico pronto que deveria ter uma xícara mais ou menos, com meio dente de alho, meio copo de iogurte [80 gramas mais ou menos], um punhado generoso de hortelã fresco, sal, um pouco de pimenta fresca e azeite. O negócio é ser bem batido até tudo virar uma pasta como um patê bem consistente. E vale muito a pena, além de ser rápida e prática para servir com ou mais variados tipos de pratos.

Esse é um jeito de comer grão de bico que funciona até com os mais resistentes, pois a textura muda completamente e, por isso, foi aceita sem maiores problemas aqui em casa pela parte menos, digamos, como-qualquer-coisa-que-me derem. Porém, sempre tem um porém, tenho que testar outras maneira com uma interferência menor dos temperos fortes como hortelã, já que o comentário foi : "Tá ótimo, tá tudo com gosto de hortelã! Ele tomou conta de tudo e o grão de bico é só um elemento QSP".

Eu falo isso desse jeito aqui no blog e pode até passar uma ideia de inesperado, mas foi só eu botar a boca na pasta que eu já senti que o comentário iria ser esse.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Batata assada que merece um crédito

O que pode ter de mais em comer batata assada? Tudo, quando elas são feitas no improviso, com sobras de outras refeições, de uma maneira que não se sabia se era correta ou não, ou mesmo se ia dar certo ou não e ainda assim, ficam absolutamente deliciosas.

Muito prática essa receita e o que deve dar mais trabalho é embrulhar as batatas em papel alumínio. No meu caso, ontem, as batatas já estavam devidamente temperadas e embaladas, porque foram preparadas para o churrasco de fim de ano, então foi só meter no forno e esperar.

Antes que alguém se assuste, as batatas estavam devidamente armazenadas na geladeira e estavam cruas. Desse modo, ficar aguardando três dias para irem para o forno não foi nenhum sacrilégio. Pelo contrário, as sobras do churrasco estão produzindo improvisações bem boas na minha cozinha. Acredito que para compensar toda a frustração da carne - o que me faz depender cada vez menos de bichinhos para me sentir satisfeita nas refeições. E quando eu digo satisfeita, digo tanto em termos alimentares quanto na questão do prazer de desfrutar de um belo prato de comida. Como eu disse hoje: a minha vibe natureba está indo de vento em popa.

Primeiro eu lavei um monte de batatas médias com casca e tudo. Isso deve ter sido no dia 31, antes do churrasco. Com elas bem lavadinhas e ainda molhadas fiz vários furos com uma faca pequena em cada uma das batatas. Essas batatas molhadas e furadas absorvem melhor o gosto dos temperos, já que elas serão temperadas ainda estão cruas. Dispus todas elas em um tabuleiro grande e juntei azeite em quantidade considerável, bastante pimenta rosa [acho que essa é a minha preferida], folhas e talos separados de um ramo de alecrim e sal. Elas ficaram marinado uma ou duas horas nessa mistura e depois foram embaladas em papel alumínio. Claro que ao embalar eu fiz questão de deixar algumas partes do tempero dentro do embrulho. Então é só esfregar a batata no tempero e enrolar no papel.

No dia do churrasco, com tantas opções para comer e algum descrédito dos "pseudo-churrasqueiros pseudo-ortodoxos" em relação a incluir vegetais no templo da carne elas ficaram meio de lado e só foram para a brasa no final, com todos já de barriga cheia. Até que alguém lembrou delas e falou: "Vamos botar as batatas?" Eu, que já tinha me decidido não me meter mais com as escolhas do que ia pra churrasqueira e de como ia ser feito, vi naquilo uma ótima oportunidade. Foi bom ter um acesso de discernimento nessa hora, porque nos meus cálculos gastronômicos - ou nas minhas ideias fixas pouco fundamentadas - as batatas deveriam ir para a churrasqueira junto com as brasas. Coisas que só se explicam quando se fica meio amalucada e exagerada por assistir demais aos programas de Jamie com seu estilo inglês estabanado e falsamente despretensioso.

Por algum motivo, uma centelha de sanidade brilhou no momento de colocar os vegetais para assar, e eu coloquei as batatas na grelha sobre as brasas. Na verdade a dita centelha foi a frustração de ter cebolas, poucas horas antes colocadas direto junto ao carvão, carbonizadas e sem gosto de nada quando foram retiradas de junto ao fogo sob o risco de ficar com a própria mão churrasqueada. Bem, tudo o que posso concluir é que não sei como ou porque é tão difícil para muitas pessoas aprender com os próprios erros. Batatas assadas depois, elas fizeram um tremendo sucesso junto aos comensais daquele fatídico evento e surpreenderam até os mais radicais. Aplausos para elas aos comentários de: "Não sabia que dava pra fazer batata na churrasqueira!" "Nunca tinha comido ela assim!" "E não é que fica bom!" Elas receberam um belo complemento de requeijão e passaram muito bem no teste do churrasco. Mas a barriga cheia do pessoal falou mais alto e não assamos todas na noite do réveillon.

No almoço do dia seguinte eu já estava com más intenções em relação a elas e por isso propositadamente não as coloquei na roda para o "enterro dos ossos" da noite anterior.

Elas ficaram então na minha geladeira até ontem a noite, quando calculadamente todas as sobras mais perecíveis já haviam sido consumidas e só restava um pouco de um ragu feito com a carne desfiada da costelinha. Não deu outra, mesmo sendo esse meu plano desde o dia seguinte ao churrasco, ou seja, desde o início. Batatas embrulhadas no tabuleiro, tabuleiro no forno e assistir um episódio de "How I Met Your Mother" enquanto espera. Fiquei meio apreensiva, já que o cheiro do papel alumínio no forno começou a exalar um odor meio metálico, meio queimado [óbvio!?]. Mas mantive e concentração no seriado e ignorei o cheiro. De fato, acho que na hora em que começa a cheira é porque já está quase pronto, então pode funcionar como um sinal para ir conferir o se as batatas já estão prontas, mas como eu coloquei o assado no forno de cima de um fogão duplo e com a temperatura mais alta, pode ser também que o tabuleiro estivesse muito perto da chama e por isso fez com que o papel queimasse.

Tudo isso não interferiu no resultado final. Para conferir se as batatas já estão assadas, com ou sem cheiro, é só abrir lá e espetar elas com o garfo. Estando macias e penetráveis pelo garfo, estão prontas. Uma vez prontas, desembrulhei elas, cortei-as ao meio e besuntei cada uma com uma colher de requeijão. POr fim joguei o ragu de costelinha de porco poer sobre elas e levei de volta ao fogo por apenas 5 minutos. O tempo de derreter o requeijão e esquentar o molho.

Ficaram absolutamente deliciosas, prato único para uma refeição nem tão leve assim. Lembram um pouco as servidas pelo restaurante Batata Inglesa, mas são bem melhores porque temperadas. Além disso, acho que por causa do tipo de batata [dessas lavadas comuns nos mercados] não ficaram tão ressecadas e farinhentas. Não sei, só sei que ficou melhor e com uma casquinha levemente tostada por fora. Amazing!!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Couscous marroquino e faxina, uma combinação quase perfeita

Eu hoje acordei virada do avesso. Não literalmente é claro, mas, digamos, em termos de espírito. Normalmente meus fins de semana são de cozinha e preguiça. Cozinha para cozinhar, apenas. E preguiça por todos os poros que só me permite fazer - além de cozinhar é claro - o extremamente necessário que tenha que ser terminado antes de a segunda chegar, ou seja, obrigações de todo o tipo - trabalho ou estudo. Surpreendentemente, meus fins de semana também tem sido ocupados por outra tarefa quase viciante, até então bem pouco explorada, que é ficar escrevendo sobre comida neste blog que vos fala.

Mesmo as tarefas que faço obrigada nos fins de semana são de cunho absolutamente intelectual, feitas sentadinha na frente do computador e que beiram a monotonia de uma alma preguiçosa. Mas hoje, não! Hoje minha alma acordou com uma "Maria" embutida. Estava muito mais disposta para tarefas hard, em que cujas habilidades braçais do ser humano sejam exploradas em proporções maiores que o intelecto. Tanto que essa frase saiu da minha boca, apesar de agora, escrevendo sobre isso, nem eu mesma acredite [taí a vantagem de escrever um blog]:

"Amor, vamô lavar o chão da cozinha?"

O espanto não foi só meu, mas de fato lavamos não só o chão da cozinha como os armários, fogão e geladeira, num espasmo faxineiro de uma vez só. O faxinão do Natal, tal como minha mãe costumava a fazer mais ou menos nessa época do ano, em que todo um ritual era executado como que preparando o lar para a data festiva. Pelo menos confio que a minha sanidade mental está em dia por saber que não cheguei no nível de pendurar 2000 pisca-piscas em volta de todas a fachada da casa como um letreiro de estabelecimentos comerciais [ou não] de mal gosto.

O resultado comestível dessa história do faxinão, que achei que nem fosse postar, dado ao meu espírito virado de hoje, foi uma salada completamente nutritiva e fácil de fazer com couscous marroquino, esse ilustre desconhecido. Veja bem, estávamos na maior batalha contra as sujeiras e gorduras, cansados e famintos e ainda assim, esse prato foi tão "Quick and Easy", que mesmo com a cozinha toda virada não apelamos para o sanduíche de pão com ovo. A preparação dele me habilitou completamente para a função de cozinheira em lugares inóspitos, visto que foi feito em um dois palmos de pia, com pouquíssimos utensílios e montado nas mesmas tigelas em que comemos, ou seja, quase nada de louça no final.

Conheci o couscous nas andanças pelos blogs e sites de comida na internet e hoje reverencio-o completamente. O troço fica pronto em 5 minutos assim: coloca-se o couscous em uma tigela [com certeza a mesma em que irá comer], deixa ele hidratar com água quente por 5 minutos e pronto. No meu caso eu misturei com tomates cerejas cortados em quatro [eram tomates quase laranja de tão grandes], aipo, queijo minas em cubinhos, passas pretas e uvas cortadas ao meio. Depois é só temperar com azeite, sal e pimenta síria e se alimentar com uma refeição saudável e nutritiva. Quanta mudança nesses hábitos!!

A combinação é quase perfeita que esse negócio de caboclo limpador não se cria comigo, não e já cantou pra subir tão logo a faxina começou. E vem vindo a vontade de se jogar no sofá e ficar por lá mesmo.

domingo, 23 de outubro de 2011

Pappa al pomodoro: uma receita muito boa e meio esquecida

Apesar de gostar de cozinhar e de aprender sobre cozinha desde pequena, meu conhecimento acerca do assunto não era muito amplo até, digamos, poder ter acesso à internet e, sobretudo, a uma cozinha só pra mim. Costumava cozinhar na casa da minha mãe, mas só o necessário para me manter de pé, já que a cozinha não oferecia muitos atrativos, tanto em termos de espaço quanto de organização.

Hoje, tenho as coisas quase do jeito que eu quero, porque sempre tem alguma coisa para arrumar ou um utensílio que a gente quer muito. A cozinha funciona muito bem, tem bastante espaço, é arrumada na medida do possível e passo quase todo o fim de semana nela quando não tenho outros compromissos. Além do que, a internet é um mundo vasto para os amantes da culinária e consigo muito mais acesso a ingredientes exóticos, pratos típicos e utensílios nem sempre tão úteis. Já até comprei meus primeiros livros de culinária [pela internet]. Gosto da pesquisa sobre o assunto, sobretudo de conhecer novos pratos típicos e saber suas origens dos pratos. Foi exatamente o que aconteceu com essa receita de Pappa al pomodoro.

Contando com os milhões de blogs de culinária que existem na internet com receitas e estilos para todos os gostos, cheguei a esse prato tipicamente italiano através do La Cucinetta [tão citado aqui que acho que terei de pagar royalties] e das histórias de sua autora descendente de italianos. No início fiquei um pouco desconfiada de uma espécie de sopa que só leva tomate. Eu nunca tive coragem de fazer sopa de tomate por achar um excesso. Mas, como a curiosidade pelo novo geralmente é maior do que a prudência de ficar dentro de limites conhecidos  [que assim permaneça], fui atrás de meia dúzia de receitas de pappa al pomodoro - sempre faço isso à título de comparação [não vou entregar minha latinha de tomates assim tão fácil] - e descobri que a maioria delas era muito parecida e levava os mesmos ingredientes na composição: tomate, pão e manjericão.

Vi a receita pela primeira vez aqui, mas preparei esta do site do Jamie Oliver. As duas são parecidas, mas a última levava tomates de latinha, que era o que eu pretendia usar, e gostei da ideia de assar os tomates cerejas para dar uma incrementada. Descumpri uma regra pessoal de tentar sempre a receita mais original possível, quando eu faço ela pela primeira vez. Mas, nesse caso, essa parece ser daquelas receitas que não tem muita restrição e se faz com o que tem à disposição no momento.

O fato é que o prato é surpreendentemente gostoso e confortante, especialmente numa noite fria como fez no dia em que comemos. Agradeço a curiosidade por te-lo experimentado e, com certeza, esse é um prato para se fazer muitas vezes. Os italianos sabem mesmo tratar das coisas simples. O que me faz pensar sobre o motivo de um prato como esse - notadamente bom, bonito e barato - ser tão pouco falado e consumido, pelo menos nos meios em que já andei. Ficamos comendo e confabulando sobre o esquecimento que faz com que determinados aspectos de uma cultura se percam, tal como esse prato.

sábado, 15 de outubro de 2011

Batatas ao murro para elevar o microondas a um outro nível

Pra começar, eu nem ia publicar essa receita porque ela é bem simples de fazer, mesmo. Mas pensando em algumas pessoas que não sabem o porquê do microondas habitar uma cozinha - não é mesmo - resolvi deixá-la aqui e alertar os desavisados [a desavisada, na verdade] sobre este prático eletrodoméstico.

Esse post pode até virar uma série: Se tem microondas, use-o!

Especialmente dedicado a pessoa que vive reclamando que não sabe usar e que só serve pra esquentar leite.

Simples assim, pegue batatas de médias para grandes. Na minha conta é uma batata por pessoa, mas se a cozinheira tiver que alimentar serres humanos não tão comedidos assim, podem ser duas por pessoas. No meu caso, foram três batatas médias e não sou eu a pessoa que exagera na comilança.

Não é pra tirar a casca da batata, mas em compensação, tem que lavar bem, né? No mínimo! Então coloque-as em um refratário que possa ir ao microondas [dãã] e coloque lá dentro. Agora vem as instruções complexas sobre o dito aparelho.

1. Feche a portinha, não esqueça.
2. Se o seu micro for modernoso, vai ter um botão escrito batata, com o desenho da leguminosa. Aperta ele.
3. E vai apertando o botão escrito porção até mais ou menos a quantidade em gramas que você supõem ter em batatas.
3.1. Se não tiver esse botão, não é preciso se desesperar, basta colocar em potência alta de 10 a 15 minutos [três batatas].
3.2. O controle de prevenção de catástrofes recomenda que você, na primeira vez, coloque 10 minutos apenas.
4. Espere o bicho apitar e confira o resultado.
4.1. Com uma faca, espete uma das batatas e veja se a faca entra com facilidade [sinal que estão macias]. Se sim, a primeira etapa está pronta. Se não coloque no microondas de novo e vá acrescentando mais 3 minutos por vez e conferindo.

Não esqueça de anotar o tempo total para não precisar ficar nesse vai não vai da próxima vez.

A batata vai estar quente, então pegue-as com cuidado enrole ela em um pano de prato e de um soco nela [nem muito forte, nem muito fraco], o suficiente para que a casca se rompa e você consiga ver seu interior desfarelando.

É interessante ter algum recheio nessa história, então é possível fazer qualquer coisa que se tenha disponível no momento: frango, atum, presunto, até salsicha. Mas a minha recomendação é um pouco de manteiga ou ricota com alho [o meu caso foi o último]. Para fazer tanto um quanto o outro basta misturar alho espremido a manteiga ou ricota. Mas atenção, nesse passo coloque apenas um dente de alho para duas colheres de manteiga ou 200 gramas de ricota e não faça como eu. Não coloque três dentes de alho para não ficar com bafo mata-vampiro.

Feito o recheio, despeje sobre a batata ainda quente e: se estiver com pressa, sirva assim mesmo; se estiver sem pressa, coloque um pouco de queijo derretível [mussarela ou parmesão] por cima e coloque no forno para gratinar.

Comentários finais: A versão sem pressa é bem melhor e a versão rápida fica melhor com molho de manteiga ou cremoso.

Este foi um post da incrível série: Se tem microondas, use-o! A seu favor!



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Geleia 3 x Cozinheira 1: ou panna cotta com calda de amora pra não perder de zero

A geleia de amora desse post foi, durante 48 horas, uma doce esperança de que eu iria finalmente me livrar do fiasco do quebra-queixo de amora da temporada passada. Pois é, não vingou. Eu tive fé que um bom espírito gelificante iria transformar aquela coisa líquida no potinho recilado de "Queensbery" em algo passível de ser passado no pão com a faca e não algo para molhar o pão tal como a coisa havia sido amaldiçoada.

Já pensando em colocar a mistura novamente no fogo para reduzir mais um pouquinho comecei minha busca frenetica e secretamente a vários sites e posts de outros blogs sobre geleias e suas técnicas obscuras. Procurei durante um bom tempo uma maldita foto do ponto da geleia. Já que a perseguição do meu trauma passado fez eu desligar o fogo antecipadamente por duas vezes. Cheguei a jurar, para mim mesmo, é claro, numa espécie de neurose do endurecimento precoce [estranho isso], que o tal ponto havia chegado da segunda vez. E deixei ela lá descansando por incontáveis horas para assistir a mágica e falar: "Aha! Eu sabia que ia funcionar dessa vez". #fail.

Fui dissuadida a reduzir mais um pouco a mistura, uma vez que um pote já virara meio pote com a primeira tentativa e a chance de não haver nada no fim era grande. E, como as amoreiras são as #melhoresarvoresdo mundo ever, tinha um montão de amoras lá fora para uma próxima tentativa. Decidi ir catar amora na rua mais tarde para a nova empreitada. Dessa fez colhemos numa vasilha bem maior e ficamos um bom tempo de pé em pé pegando as frutinhas pretas. O melhor é que ainda tem bastante para pegar.

Por dentro do pé de amora

O pote resultado da colheita. [Detalhe para os dedos roxos combinando com a blusa, com o pote e as amoras - trash!]
Updated: Só agora reparei a combinação kitsch e monocromática da foto acima.

Entretanto, ainda havia a "geleia Clownberry" (a única que você pode molhar no pão) que não podia ser jogada fora. A partir disso, eis que sem querer acabei fazendo uma deliciosa calda de amoras no ponto exato para jogar por sobre alguma coisa. E com aquele doce|azedo característico da fruta muito intensificado depois das duas idas ao fogão. E o pretexto utilizado para jogar a calda de amora por cima foi uma escolha bastante acertada, que, de certo modo, eu já vinha mirando em alguns sites por conta da minha missão de acabar com a gelatina sem sabor comprada no ímpeto do "eu posso precisar disso para alguma receita". Aí, encaixou com um Lego: nós tínhamos uma receita carente de calda e uma calda precisando de algo em que ela pudesse escorrer.

Esse achado foi a panna cotta uma receita de origem italiana que nunca havia experimentado - na verdade, sequer conhecia - até começar a ser mais [muito mais, às vezes irresponsavelmente mais] assídua nas publicações, sites e blogs sobre comida. [Agora eu entro na livraria e fico ali espremida na minúscula prateleira de gastronomia, a qual ainda tem disputar espaço com os vinhos, olhando os livros e causando certa estranheza nos meus amigos] O termo significa creme cozido e a sobremesa é tão deliciosa quanto simples, como tudo de comer cuja origem é a Itália. Além do mais, por ser de comer de colher, acaba com a derrota total que vinha satisfazendo a nossa vontade de um docinho depois do almoço. Um dia, o nem tão bom assim doce de leite de lata e, no outro, o mais famigerado ainda "leite ninho com açúcar". Isso quando eu não achava uma lata de leite condensado aberta com uma colherada faltando no fundo da geladeira, nos dias em que eu não estava em casa na hora do almoço.

Devido a uma baixa no armário de mantimentos e também dotada de um pouco de autoconfiança culinária fiz uma modificação nessa receita que nunca havia feito antes e nem sabia como era. No blog em que peguei a receita foi também onde eu descobri que a panna cotta existia. Depois comecei a procurar em outros lugares, mas essa ainda me parecia a melhor receita, já que era a que levava a menor quantidade de ingredientes, o que lhe conferia um quê de originalidade, no sentido de estar mais próximo da origem de sua execução. Meu problema era, no entanto, que só havia um creme de leite de 200g de caixinha no meu armário e a receita pedia 300g de creme de leite fresco. Embora, naquele momento, eu pudesse abstrair a enorme distância de sabor que existe entre o creme de leite fresco e o "de caixinha", a diferença de peso não era algo a ser ignorado.

Primeiro pensei em reduzir a quantidade da receita para adequá-la, mas eram muitos os cálculos para os outros ingredientes. Também fui procurar variações em outros sites que pudessem utilizar menos creme de leite, mas ainda tinha a impressão que devia começar pelo começo com uma receita desse tipo, assim, tradicional. Outro ponto a favor da minha primeira escolha era o fato dessa receita ser a mesma do Professional Baking, "o" livro do "Le Cordon Bleu". O que eu fiz então foi completar as 100 gramas que faltavam de creme de leite com iogurte natural, com base nessa combinação aqui. No fim, ficou perfeito! Uma combinação incrível da panna cotta não muito firme, não muito doce e com leve toque de iogurte mais a calda de amora doce|azeda no ponto correto. Uma sobremesa ideal, que concorre muitos pontos na frente, ao título de favorita por essas bandas de cá. Chega a ser ridículo de tão básico e tão gostoso.

A incursão pela culinária tradicional continua e para o próximo fim de semana estou com uma ideia fixa, como as do Brás Cubas: Apfelstrudel.

Tenho que comprar maçãs!