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terça-feira, 3 de junho de 2014

Um almoço à indiana sozinha parte 2

Tá frio! Isso é uma resolução diária para minha pessoa. Acabar o verão por aqui é igual a frio constante.

Acabou o tempo da salada, dos sanduíches refrescantes e bem vinda temporada de caldos, sopas, e coisas quentes, escaldantes e confortantes de modo geral.

Isso é tema para todas as refeições. Em um dia em que eu tinha que almoçar sozinha e o resultado poderia ser qualquer um porque não teria ninguém para agradar, avaliar ou sofrer calado, resolvi levar a coisa para a cozinha indiana para aquecer a refeição solitária.

Não tenho experiência nesse tipo de cozinha, só sei que ele é praticamente uma fonte confiável de calor instantâneo e me inspira de imediato a sensação de estar confortavelmente instalada sob cobertas felpudas e aconchegantes.

Junta-se a necessidade de querer espantar o frio a situação de entressafra de compras em que estou mergulhada. Lembra do desânimo para a culinária? Então, afetou o incompreendido prazer de passear no mercado também. Mas já tô voltando ao normal. Espero!

A decisão sobre o que fazer para o almoço foi simplificada por:

Não tinha muitas opções de prato a serem feitos devido à falta de matéria-prima;
Queira algo quente, daquele jeito que a sua cara fica vermelha quando você come [gengibre];
Tinha que ser algo vegetariano [não tinha carne e se tivesse também não estava no clima para isso];
Essa receita já havia chamado a minha atenção recentemente;
Milagrosamente eu tinha tudo o que a receita pedia;
O grão de bico tava lá abandonado no freezer envolto pelo vento ártico que circula no espaço vazio;
Eu queria comer isso!!!!!

Peguei a referência no site LaCucinetta, com a ressalva da autora de também não ser expert em cozinha indiana. Mas, quem se importa? Eu queria aquilo pra mim, no almoço. F***-se o resto!

Essas reflexões e receita nem seriam publicadas, mas nesse momento estou atendendo a pedidos que me chegaram calorosos e desesperados via whatsapp.

Recado 1: Alguns ingredientes não são muito fáceis de achar por aí, mas eu posso conseguir para você [para a autora dos pedidos calorosos].

Recado 2: Não tem recado 2, mas eu coloquei o 1 então queria seguir uma lógica.

A receita tá aqui ó http://www.lacucinetta.com.br/2014/05/um-almoco-indiana-seguindo-com.html, mas colei ela aqui embaixo pra facilitar.

As minhas modificações foram usar Passata de Tomate no lugar do tomate em lata e omitir o limão. Por quê? Por que? Não tinha! O limão. O tomate em lata eu tinha, mas a passata tava aberta.

Outra coisa, não fiz a mesma quantidade proposta na receita abaixo; os tempero foram todos colocados no olho e também usei um pouquinho de canela na mistura de temperos secos.
GRÃO-DE-BICO COM GENGIBRE
(Do ótimo Vegetarian Cooking for Everyone, de Deborah Madison)

Ingredientes:
3 colh. (sopa) óleo vegetal
1 cebola grande, picada
1 folha de louro
3 dentes de alho, picadinhos
2 colh. (sopa) gengibre fresco ralado
2 colh. (chá) semente de coentro moída
2 colh. (chá) cominho moído
1/4 colh. (chá) cardamomo moído
sal e pimenta-do-reino
2 tomates, sem pele e em cubos (usei meia lata do italiano)
1 1/2 xic. caldo do cozimento do grão-de-bico ou água
3 xic. grão-de-bico cozido ou 2 latas, escorridas e enxaguadas
suco de meio limão

Preparo:
Aqueça o óleo numa frigideira grande em fogo médio. Junte a cebola e cozinhe, mexendo frequentemente, até bem dourada, cerca de 12-15 minutos.
Abaixe o fogo e junte o louro, alho, gengibre, especiarias, 1/2 colh. (chá) cada de sal e pimenta, e os tomates. Cozinhe por 5 minutos, junte o grão-de-bico e o caldo e deixe levantar fervura. Cozinhe até que fique com uma consistência mais grossa, de molho. Acerte o sal e a pimenta e tempere com o suco de limão.

Na verdade eu não fiz todos os pratos do post. Fiz arroz branco com um extra de alho e o grão de bico com gengibre. Porque era o que tinha e porque era só pra uma pessoa, né?

Ah! O título é pra fazer uma referência à referência de onde tirei a receita.

Quero muito esses livros da Deborah Madison, mas já coloquei e tirei do carrinho da Amazon umas 20 vezes.

Como explicar que uma pessoa que não tem nada em casa, tenha cardamomo, coentro em grãos e gengibre. Eram os deuses conspirando para que eu fizesse esse prato, só pode!

Sério, eu tinha tudo isso em casa. E nada mais além disso, quase.

Pensando agora. To chocada!! Ou, bolei!

Comi a foto!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sobrou aipim do bom? Sopa

Essa é uma receita de sobras. Eu tô com muita má vontade para escrever ultimamente. No entanto sinto que boas ideias se perderão caso eu não as coloque no "papel". Essa sopa é uma dessas boas ideias que surgem no momento em que se cozinha e depois vão sendo suplantadas por novas coisas que acontecem e com a dinâmica de cozinhar para o dia a dia.

Não tá muito quente pra sopa? Não está meio fora de estação? Sim, mas felizmente onde eu moro o clima colabora bastante para o ato de comer alimentos quentes. Frio não tá, no entanto, à noite um caldinho cai bem e não mata os comensais de tanto suar.

Esse caldo de aipim não é nada levinho, porque acho que ser pesado é da constituição própria do dito vegetal. Ainda usei bacon para dar um gosto e isso torna a coisa mais heavy ainda. Não é nenhum feijão carregado que vem com aquela moleza pós-prato mas dá uma tristezinha boa depois de comer.

Usei um aipim muito bom, que já estava cozido e desmanchando antes de ir para a panela do caldo. Eu comprei ele com um dos locais aqui da região que vende legumes/frutas/verduras de porta em porta [Ah! A vida no campo], bem melhor que enciclopédia, perfume e palavras vazias sobre alguma coisa transcendental. Cozinhei todo o aipim comprado, com uma parte fiz um escondidinho vegetariano de cogumelos que também merece um post e as sobras ficaram na geladeira meio sem destino.

Quando cheguei ao limite do dilema o que teremos para o jantar, lembrei das sobras do aipim e resolvi fazer uma sopinha pra aquecer esse resquício de dias frios que já se foram a muito tempo junto com o inverno. A receita, como foi totalmente intuitiva vai daquele modo contado mesmo, porque não tem muita medida ou coisa do tipo, é tudo meio como está seu espírito no momento e quais são os ingredientes que tem em casa.

Primeiro de tudo, foi para o pilão, alho [tipo 3 dentes], pimenta branca em grãos, uma pimenta de cheiro fresca que parece uma pitanga e foi recolhida dos vasinhos de tempero [faz muita diferença e poderia ter colocado mais se eu tivesse. No meu pé só tinha uma pimenta madura e me arrependi de não ter trazido um pouco dessa pimenta que estava jogava aos montes na sala do café no trabalho]. Além disso, acrescentei aos temperos pilados um punhado de sálvia e sal.

Na panela quente com um fio de azeite foi bacon em cubos até soltarem bem a gordura e ficarem crocantes - meio à pururuca, se é que isso é correto de se afirmar para bacon. Depois que eles estavam no ponto, foram retirados da panela e colocados para escorrer no papel toalha. Na gordura do bacon, refoga-se um pouco de cebola [meia] com os temperos do pilão. Por fim vai o aipim cortado em cubos para refogar um pouco nesses temperos. Quando começar a grudar no fundo da panela é hora de juntar uma dose - generosa - de cachaça para deglaçar. Aqui foi a melhor ideia que eu tive desde que comecei a fazer essa sopa. Nunca pensei que o gostinho e o aroma da bebida fossem ficar tão presentes na hora de comer e que isso fosse tão agradável. Bom também se quiser afogar as mágoas durante o jantar, porque embora não dê para embebedar ninguém, pelo menos é uma desculpa.

Feito isso, foi só juntar um pouco de caldo. Qualquer caldo serve, mas usei um de grão de bico que tinha congelado. Acertar o sal e a pimenta, voltar com o bacon para a panela na hora de servir para que ele fique crocante e não ensopado.

Esqueci de comentar que enquanto estava apurando no fogo, já com o caldo, juntei um pedaço pequeno da casca de um queijo parmesão para ajudar a desenvolver o sabor do caldo e também funcionou.

Como sempre, eu não tenho fotos. Não que eu não goste delas. É que eu sempre esqueço de tirar e foto de caldo, à noite, sem tripé, dificilmente iria ficar publicável.

Tudo que eu sei, é que esse caldo de aipim e pinga [porque a pinga ficou presente] merece ser repetido, porque foi uma ótima refeição. Apreciada com torradas feitas de ciabatta que comprei na padaria  cheia de esperança de que fosse abri-la e ver aqueles alvéolos bonitos. Ledo engano, o pão tava bem meia boca, com muito fermento e provavelmente sem o tempo de fermentação que merecia. Ao ver minha decepção, meu querido companheiro só falou: "Mas também o que você esperava". Eu tinha esperança, tá. Contra-argumentei que a padaria parecia tão legal, toda arrumada e com coisas caras e de rico por todos os lados, achei que pelo menos podiam se dignar a fazer um pão clássico decente e não fazer um pão chato coberto de farinha querendo enganar o consumidor. Então não bota a p*rra do nome do pão de ciabatta na etiqueta.

Sem problema, o caldo de aipim levemente encachaçado tornou o pão um coadjuvante bem fuleirinho que nem recebe fala nenhuma e não atrapalha o andamento do script.

Resolução do dia: espero por posts com um pouco mais de inspiração.

sábado, 16 de junho de 2012

Quem te viu, quem te vê: sopa de cenoura e gengibre

Essa é mais uma história do garoto que não comia vegetais. Verduras, legumes e boa parte das frutas estavam fora de seu cardápio e passavam longe do que considerava gostoso. Nada no mundo o convencia do contrário a não ser a necessidade vital de nutrientes [o que o fazia encarar tudo como suplemento ou remédio] e a persistência por parte da cozinheira, a qual se convencera a algum tempo atrás de que não existe comida que se goste e sim comida que não foi feita de uma maneira que se goste.

Isso parece repetitivo e de fato o é, mas esta é a minha vida.

Ontem à noite, algo me dizia que deveria fazer alguma coisa para comer no jantar. Fiquei com essa sensação, sem saber o que a intuição estava me mandando fazer. Inicialmente pensei em um angu de fubá molinho, mas logo desisti por saber no fundo que não era isso, ainda. Pode ser também que tenha desistido por não ter nenhuma coisa legal para fazer um molho de acompanhar angu, mas isso não vem ao caso. O fato é que a ideia do angu foi se afastando e dando lugar a pensamentos mais nefastos e complexos ligados diretamente à sopa.

Poderia ser ervilha? Sim, pois eu a tinha no armário, além de agradar os corações mais exigentes no campo sopístico. Ele adora sopa de ervilha e esta sempre é a sua opção número um para qualquer menção a pratos quentes, confortantes e invernais. Ocorre que eu fui criada comendo sopa de ervilha com calabresa e outras carnes, digamos, mais para o estilo feijoada. Em casa de minha mãe - e tias e adjacências - a sopa de ervilha é um clássico feito à "velha escola" de pessoas que não se preocupavam com entupimentos em coronárias e outras obstruções. Assim sendo, eu abortei a missão da sopa de ervilha, não sem alguma resistência por parte das outras partes, por pura falta de calabresa. Vejam bem o tanto de apreço que o sujeito tem por esta sopa, uma vez que mesmo apresentando a falta de calabresa como motivo incontestável para adiar a sopa ele perguntou, assim como quem não quer nada: "Não dá pra fazer só com bacon?"

Depois de eu dissuadi-lo da ideia de comer sopa de ervilha [ficou para hoje como preço das negociações], continuei com os pensamentos que me levaram ao inventário mental da geladeira, que me levou a única opção possível. Sopa de cenoura! Era o que tinha e mais nada, a não ser um poucos rabanetes e tomates cerejas, que convenhamos, ficam tão sem função nas temperaturas quase glaciais do outono/ inverno nesta cidade fria. Perguntei ao companheiro querido, que estava trabalhando o dia inteiro com milhares de tarefas, se ele comeria uma sopa de cenoura se eu a fizesse. "Com gengibre!", ressaltei como se isso o fosse animar. Ele respondeu que sim com o ânimo de quem vaia para um casamento, mas no fundo sei que não se convenceu. Usou sua frase padrão para esse tipo de questionamento: "Tá, eu posso comer." Que significa: "Não é o que eu queria, mas eu faço o esforço."

Passa da etapa, decisão / convencimento eu coloquei uma panela com água para ferver e fui catar uma ervas lá fora. Tive que usar ervas locais [da minha varanda mesmo], porque as outras estavam na horta lá no final do condomínio e o frio e as roupas de frio ridículas me impediram de ir tão longe buscar mato pra sopa.

Foto clássica de sopa sem iluminação adequada.
Acho que estava mal influenciada pelo programa culinário da Rita Lobo - que mostrou receita de sopa de abóbora - e tive a nefasta sugestão de ferver a água primeiro para depois juntar a cenoura e os temperos. Shame on me! Pode até ser mais saudável, mas o sabor... Não sei, estamos falando da pessoa que não gosta de vegetais e tampouco sopas feitas com eles. Então me ocorreu que deveria - é claro, porque não pensei nisso antes - assar as cenouras com temperos e depois bater tudo para formar um creme bem mais intenso e com um leve sabor caramelado. Assim sim, foi o que fiz.

Tabuleiro pequeno, cenouras cortadas ao meio no sentido do comprimento [cerca de 300 gramas], três dentes de alho inteiros e descascados, um pedaço de gengibre, uma colher de chá de mel, um pouco de azeite, uma pitada de sal e pimenta moída na hora. Mistura tudo, dá uma arrumada de modo que as cenouras não fiquem sobrepostas e forno bem quente. Eventualmente, é bom abrir o forno e dar uma mexida geral em tudo e quando as cenouras estiverem macias e carameladas [com as bordas pretinhas] é só retirar e bater no liquidificador com água quente e algumas ervas [no meu caso usei tomilho e manjerona]. Isso feito, passe a sopa pela peneira e aperte bem para sair todo o caldo grosso. Se for necessário bata de novo o que sobrou na peneira no liquidificador com um pouco do líquido coado. Não sei, mas no caso da sopa de cenoura acho que a etapa da peneira é fundamental para os pedacinhos que ficam não incomodarem, Digo isso, porque da última vez que fiz sopa com vegetais mais duros fiquei incomodada com a textura, embora o sabor estivesse ótimo.

Intuição e queijo!
O caldo coado volta para o fogo até engrossar bem. Quando estiver quase pronto, acerte o sal, coloque um pouco de manteiga para aveludar o caldo e um fio de azeite para o sabor. Eu servi com farofinha de farelo pão e queijo minas curado. Acredito ter intuído muito bem acerca da sopa e principalmente do queijo minas no lugar do parmesão, já que o sabor mais forte combinou muito bem com o adocicado quente da cenoura e do gengibre. Comemos, ficamos vermelhos e com a cara quente e o termômetro pessoal para comidas gostosas que mora comigo disse que comeria mais se tivesse e que ficou muito bom. Quem te viu, quem te vê!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Provando a irrestibilidade do meu feijão, parte II

Eu estou sumida, mas não completamente. A quantidade de coisas para fazer e alguns eventos de fim de semana tem me tirado da cozinha ultimamente, pelo menos no que diz respeito às experimentações e novidades culinárias que eu tenho que anotar para não esquecer. Tenho cozinhado apenas para subsistência - o que já é muita coisas, visto que poderia apelar para não-comidas congeladas - e para pequenas reuniões sociais regadas a quantidades astronômicas e cansativas de pizzas.

Dito isto, venho aqui fazer um update das atividades culinárias das últimas semanas, corridas e um pouco preguiçosas. Especialmente no que diz respeito ao quesito escrever, a resistência tem sido grande, desde que dei um tempo na famigerada dissertação. Se por um lado sobra tempo, por outro sentar na frente de uma tela e ficar gastando meus preciosos neurônios com letras não me parecia tão atrativo.

Percebo escrevendo essas palavras agora que na verdade o "dar um tempo" me fez bem. As ideias estão fluindo melhor e o texto não me parece tão forçado, como obrigação de blogueiro sempre alerta e feliz. Não sou blogueira e quase me confundi tentando ser. O melhor é seguir o meu ritmo e quando der vontade de vir aqui eu o faço. A única implicação negativa que posso observar nessa posição é o fato de perder algumas receitas pelo caminho, já que não estarão registradas, mas é um preço justo.

Escrevo, como uvas velhas e aguardo a hora de sovar um pão. Um que eu acabei de achar procurando um pão rápido e prático - palavra nefasta - para eu tomar café sozinha hoje à tarde, que infortúnio. Impetuosamente aceitei essa receita aqui [literalmente] sem pensar muito sobre ela e sem uma infinidades de pesquisas pela rede atrás do "melhor" disso ou daquilo. Tem dias em que você só quer o básico, ainda mais depois de ficar lendo livros heréticos sobre personalidades que criam a mais valiosa empresa de computadores do mundo a partir de simplificações e minimalismos.

Pausa para sovar [mexer] o pão!

A massa tá tão molinha que sovar me parece um erro semântico.

Voltando a conversa inicial, que já está perdido, visto que alguns parágrafos [contei, mas acho que parágrafo de uma linha é meio que café com leite, então resolvi por alguns] depois eu ainda não toquei no assunto feijão propriamente dito. A correira, a confusão, a preguiça - ah tá, lembrei - e alguns problemas de ordem pessoal me afastaram da culinária. Sim, mas não por completo e esse simples feijãozinho de sábado, merece minhas honrarias e considerações por escrito de tão perfeito que ficou. Claro que a perfeição está medida aqui de acordo com a minha escala feijonística de perfeição. Sem dúvida, na minha opinião, esse foi o melhor feijão que eu já servi para alguém. Esta também foi a opinião do meu querido companheiro, mas ele só tem 10 anos de feijões ao meu lado não pode avaliar a escala evolutiva prá-relacionamento. Além disso, [dei um tapão sem querer na bacia e as uvas voaram longe - ainda bem que só tinhas umas poucas murchas] ele ficou com o que eu consideraria a cara do feijão perfeito, com o caldo grosso, mas caroços firmes, que quando você põe no prato ele se esparra sem perder a  cremosidade e fica com uma textura aveludada envolvendo seus pequenos grãos.Essa foi uma descrição meio poética de mais para feijão, mas foi assim que ficou e se tivesse que usar uma imagem, acho que parece aquelas cenas de canais de TV pseudo-científicos que mostra a lava de vulcão escorrendo lentamente por uma superfície. Geológico demais, mas foi a única coisa que me veio a mente.

O fato é que eu estava a fim de comer feijão já tinha um tempo e as minhas últimas tentativas, digamos, não foram aprovadas no meu controle de qualidade pessoal. Depois que extingui a última porção de feijão preto que tinha no freezer - finalmente, pois demorou uma vida pra acabar - fui atrás de feijões de outros tipos para variar um pouco. Acontece que o término do meu feijão preto calhou de coincidir com uma abdução coletiva de todos os outros tipos de feijões do mercado, o que atrapalhou minha busca em alguma semanas.  Parece uma saga, exageradamente detalhada para simplesmente comprar feijão, e foi por isso que desisti de ficar me afundando exaustivamente num mar de indecisões sobre melhor tipo de feijão e pegar um pacote de carioquinha que era o que tinha no mercado.

Uma vez em casa o pacote de feijão carioquinha morou no armário por um bom tempo antes de ver a luz, finalmente. Sempre pensava em fazer mas alguma coisa conspirava contra e eu acabava desistindo. No último fim de semana, aproveitei que estava meio agitada demais, fazendo um milhão de coisas ao mesmo tempo e procurando mais coisas para fazer, e fui cozinhar feijão. Vou comer feijão nesse fim de semana e estava decidido. Na quinta à noite coloquei o feijão de molho na água - assim não teria escapatória. Na sexta pela manhã, antes de sair para resolver alguma coisas que não me lembro mais, troquei a água do molho e pensei em cozinhar o feijão para o almoço. Quando voltamos da rua, já era muito tarde e a fome era maior do que o tempo necessário para o feijão ficar pronto, então fizemos um lanche [eu acho] e deixei ele aguardando seu momento, mais tarde. Nessa hora, apenas troquei a água mais uma vez dando uma lavada geral em tudo. No fim da tarde de sexta, coloquei ele para cozinhar - e a essa altura já sabíamos que comeríamos pizza no dia seguinte - pizzas que sobraram do fim de semana anterior.

Cozinhei meio quilo de feijão carioquinha com quatro folhas de louro e dois dentes de alho inteiros. E, importante, joguei os grão na panela de pressão com a água fervendo, deixei a temperatura aumentar e tampei. Depois de começar a chiadeira, mais trinta minutos e uma feliz revelação ao abrir a panela. O aspecto do feijão tava tão perfeito, que em não podia simplesmente congelar ele todo. Estava tão promissor e fresco que eu "tinha que" temperar uma parte e comer, apesar da sombra da pizza por vir. Separei metade,  aproximadamente, nos potes para o freezer e comecei a temperar o restante.

Para o tempero, só o essencial e algumas carnes pra dar uma sustância. no pilão foram três dentes de alho, uma pitada de sal e algumas folhas de manjericão. Na panela, com o fogo sempre baixo [feijão requer paciência], bacon picado até soltar a gordura. Depois a pasta de alho até dourar e, por último, calabresa em rodelas até ficaram bem crocantes. Depois que esse tempero apura bem, é preciso juntar o feijão, mas não tudo junto. Primeiro, uma concha com mais caldo para limpar o fundo da panela e em seguida, o restante do feijão que fica apurando no fogo baixo até começar a ferver e engrossar ainda mais. Só no fim, sal - meia colher de chá - e pimenta do reino a gosto.

Ficou incrível e eu prontamente abasteci uma caneca, como manda a tradição, feijão e um fio de azeite por cima. Não sei se a culpa antecipada pela eminência da noite da pizza ou o fastio pela lembrança do cafe da tarde ainda fresca, fez meu querido companheiro desistir do feijão para o jantar de sexta-feira. Eu deixei ele esfriando para o almoço do sia seguinte. Acontece que algumas poucas horas depois, alguém não resistiu e se pronunciou com fome: "Bem que eu comeria feijão agora", foi a frase que ele proferiu. Eu prontamente fui aquecer o caldo para comê-lo como uma sopa com pão torrado. Pra quem não queria jantar até que a disposição foi boa, visto que a sobre não dava nem para um almoço no dia seguinte.

No almoço do dia seguinte, fiz um pouco de arroz para acompanhar e temperei o feijão que estava no pote para ser congelado, pois o que tinha não dava e necessitávamos de mais feijão àquela altura. Comemos de novo e do feijão que iria todo para o freezer só sobrou um potinho. Refeição confortante, mais caseira impossível e deliciosa. No almoço, ainda refoguei um pouco de couve da horta para meu acompanhamento - o companheiro não gosta de couve - e posso tirar minha licença para feijoada, pois o teste foi muito bom.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Cogumelos em três tempos: mais umas primeiras vezes

Eu nunca havia cozinhado com cogumelos, mas isso não quer dizer que eu não vinha pensando nisso a algum tempo. Eu só conhecia, na minha trista ignorância culinária, os degenerados champingnons (que nem pode pode ser considerado) e os maravilhosos funghi secci (que me deram motivos para ir além). Do céu ao inferno dos cogumelos - e isso sem que eles fossem mágicos - eu fui na minha loja de produtos naturais favorita [toda vez que entro na outra saio levemente deprimida, mas às vezes é essa outra que está mais perto] e perguntei pelo shitake seco, na intenção de fazer risotto; usar cogumelo; e não me arriscar muito, já que eu já tinha usado o funghi seco. Então a vendedora muito gentilmente me perguntou se eu não queria levar o fresco que acabara de chegar. Eu titubeei sem quer fazê-lo, pois quero comprar cogumelo fresco a um tempão, mas sempre que encaro eles meus temores culinários me fazem desistir.

Dentre esses temores estão uma possível inépcia que me fizesse estragar tão nobre e caro ingrediente;. uma possível conjuntura kármica que me levasse a não combinar os outros ingredinetes direito; o meu querido companheiro odiar cogumelos - ele já não gosta de champignon - para todo o sempre enquanto ele existir, seja pela primeira, pela segunda ou pela própria terceira razão [ele não gostar por não gostar também é opção neste caso].

O negócio dos pequenos negócios é que o outro tem um poder de convencimento maior que a sua consciência. Na verdade, nos mercados grandes, em que você faz um caminho solitário pelas prateleiras e passa incólume por todos os funcionários do mercado, a ponderação é exclusivamente pessoal. Nos mercados pequenos em que você mal ou bem consegue ter algum contato com o vendedor a parte da sua consciência que quer muito levar o produto ganha o reforço da sugestão. E isso leva a irresistibilidade da compra.

Depois dessa teoria mercadológica absurda, vamos ao que importa que são as receitas feitas com cogumelos. Eu disse sim aos cogumelos frescos, lindos shitakes marrons por fora, branquíssimos por dentro e levemente perfumados com cheiro de levedura [fermento, para os incautos]. É, eu adoro um cheiro de fermento, vai entender. Acho também que esse aroma não era tão leve, pois não foi só eu quem senti.

Aqui estão eles!
Por outro ângulo!

Deixa eu fazer só mais uma digressão. Perceberam como eu coloquei parênteses normais no início do texto? Então, acho que estou muito tempo longe da informalidade linguística, ao mesmo tempo em que passo muitas horas queimando neurônios academicamente. Ô desperdício.

Junto com o shitake freco, levei macarrão para yakissoba e mais algumas coisas chatas que estávamos precisando em casa. Tinha cenouras e brócolis orgânicos em casa para completar o meu jantar de uma quinta-feira que nem me lembro mais qual era. A primeira refeição cogumelística então foi yakissoba.

Lembrando: a única coisa que eu sabia sobre cogumelos era que tinha que tirar o cabo e não podia lavar os chapeuzinhos porque eram igual a uma esponja. Se eu os lavasse iriam absorver a água e ficar muxibentos.

Cozinhei 200 gramas do macarrão e em uma frigideira coloquei um punhado de gergelim para tostar, depois reguei com óleo de canola e pus a cenoura para refogar. Juntei o brócolis, deixei que cozinhasse um pouco. Pimenta do reino, sal e bastante gengibre ralado. No fim juntei o cogumelo fatiado. Quando tudo estava refogado joguei o macarrão com um pouco da água do cozimento, uma boa regada com shoyo e pronto. Ficou excepcional! Pelo menos para mim que adoro yakissoba e nunca cheguei muito perto de fazer um que parecesse uma comida tradicional. Nesse eu achei que cheguei a algum lugar, embora não ouse dizer que ficou como deveria ser, uma vez que nunca provei um yakissoba de verdade.

Refogando...

Em breve coloco a receita número 2: omelete divina que combina muito bem com os cogumelos.

Volto hoje, alguns dias depois, com a receita da omelete de shitake. Eu já não estou me lembrando muito bem dela, mas omelete não é muito a lista de ingredientes - que devem estar fresquíssimos - mas o modo de fazer e o jeito para a coisa.

Se não me engano a coisa foi assim: eu fatiei os cogumelos bem finos, refoguei com alho em um pouco de manteiga. Bati dois ovos com sal e pimenta do reino moída na hora e duas colheres de sopa de leite. Despejei todo o líquido na frigideira, sobre os cogumelos e fui construindo a omelete. Sim, construindo, pois para ela ficar bem fofinha é preciso ir trazendo com delicadeza as bordas para o centro da frigideira, deixando o ovo que ainda não está cozinho escorrer para o espaço que ficou. Depois foi colocar queijo ralado por cima e deixar ficar bem dourada embaixo. Dobrar e servir com salada verde. Ficou muito bom e acho que foi onde o shitake mostrou a que veio e se saiu melhor, pois combinou bem tanto com o ovo quanto com o alho.

Como são perfeitinhos e fofos.
Comi sozinha e me deixou confortada e satisfeita. Um jantar perfeito e leve para dias em que você só quer comer sem se estressar com nada. Agora não me lembro muito bem se refoguei os cogumelos e separei antes de juntá-los no ovo. Vai saber.

A receita número três é a de um risotto, com shitake, brócolis orgânico. Tudo como manda o figurino... Separei o shitake em duas partes: a primeira foi picada e foi para o refogado no início da preparação, a segunda foi fatiada refogada com alho na manteiga [isso combina] e acrescida ao risotto no final, para não perder a textura do cogumelo. Caldo de legumes no fogo com os cabinhos dos cogumlos e algumas folhas do brócolis. Alho e shitake na panela, depois o brócolis refogando bem. Junto o arroz, um pouco de vinho branco e fico lá mexendo até cansar. No final, junto manteiga, parmesão, pimenta do reino e o refogado dos cogumelos feito separadamente. Acerto o sal e pra mesa.

Todos comeram felizes e ficaram satisfeitos com os esforços empreendidos pelo cogumelo nesses dias de comida diferente. Eles está aprovados e podem fazer parte do cardápio tranquilamente, sem maiores questionamento. A mesma sorte não tem a cenoura e alguns outros vegetais menos favorecidos.

domingo, 15 de abril de 2012

Reflexões sobre o tempo e um macarrão impressiona visita

Eu não sou muito partidária de receitas que estão na categoria impressiona-visita, e isso é verdade. Gosto de cozinhar para agradar ou outros, tudo bem. Mas não acho que para isso seja preciso fazer um prato que seja uma obra de engenharia, tampouco ficar me estapeando com comidas que levem uma semana pra ficar pronta e tem ingredientes para dois metros de lista. Não faço o gênero me admirem eu faço comida decorada nem o vejam como eu trabalhei duro para servir a todos os convidados.

Para mim, pessoalmente, agradar com comida significa ter um prato simples e muito gostoso a sua disposição quando se está com fome. Nada de sofisticado, nada de pomposo, ou da moda, mas confortante e confortável - não vou servir ostra, escargot ou lagosta pra visita minha.

Como diz os mandamentos daquele inglês metido que atende pelo nome de Jamie Oliver: flavour, taste and combination. Essa é a mágica, é aí onde me encaixo e me sinto mais a vontade na cozinha, com um pouco menos de sujice e bagunça, porque o sujeito é meio porquinho.

Embora não pretenda impressionar visitas piro-tecnicamente com meus pratos, sempre penso em menus que sirvam bem para atender amigos ou qualquer outro gênero de pessoas que resolvam aparecem na residência, ligando antes para confirmar, é claro. Isso porque, acho que vale à pena investir seu tempo - não tanto que você fiquei descabelada e descadeirada no momento de desfrutar da comida - para fazer alguma coisa especial e diferente do comum, mesmo que para isso seja necessário apenas um pequeno esforço teórico, ou seja, se dedicar a pensar na concepção da receita e na maneira de deixá-la o mais apetitosa possível na hora de comer.

Esse macarrão com alho poró é um exemplo magistral disso. Uma receita muito boa, que não dá muito trabalho e nem toma muito tempo. Tempo, é o que anda cada vez escasso para mim, moeda valiosa cada vez mais rara de modo que é preciso economizar. Por mais que isso me cause certo pesar é o tempo de cozinha que vem sendo transferido para outras atividades. Portanto, as receitas tem que ser simples - sem grandes questionamentos filosóficos - meio clássicas - porque já deram certo inúmeras vezes - e que possam ser preparadas em menos de uma hora. Parece slogan de programa de culinária desses canais absurdamente fúteis, os quais só me prestam devido aos benditos programas de culinária. Digressão: adoro programa de culinária, principalmente aqueles em que a comida e não um bando de jurados metidos são a atração principal.

Voltando ao macarrão, antes que eu me esqueça de vez da receita, já que este post está stucked a quase um mês, eu cozinhei macarrão fusilli integral para duas pessoas, sendo uma voraz, medindo no prato [coloca o macarrão cru no prato até onde você supõe que a pessoa vá comer e joga na panela quantas vezes forem o número de pessoas ou a fome dos convidados]. Antes de colocar ele para cozinhar, enquanto a água fervia eu fiz cerca de 300ml de molho branco básico com manteiga, farinha e leite. Esse molho branco pode perfeitamente ser substituído por creme de leite fresco, o que eu já fiz em outra ocasião e agiliza mais ainda, mas nesse dia eu não tinha creme de leite fresco e nem tinha meios de comprar - estou falando de tempo e distância do mercado e não meios econômicos. Coloquei então uma tigela funda como um bowl [odeio esse termo] de inox [se não for inox ou vidro a tigela derrete, óbvio] sobre uma panela de água quente e coloquei o molho branco, pimenta do reino, noz moscada e uma gema [dá um sabor legal]. Mexi e deixa lá apurando. Enquanto isso refoguei, sem deixar murchar um talo de alho poró na manteiga, juntei ao molho e ralei bastante queijo parmesão e um pouco de muçarela dentro da tigela. Todo esse queijo vai juntando e derretendo no molho lentamente e quando o macarrão terminar de cozinhar é só jogar ele ali dentro e servir sem nem precisar sujar mais nenhuma louça.

O resultado é sensacional. É, sem dúvida, uma receita para servir para visitas se fartarem [eu falei de receitas para visita em algum lugar, não? Já faz tanto tempo que não lembro.] e por isso está na minha lista de coisas que posso servir para alguém que venha nos visitar. Além do mais não é nada do tipo que obriga o cozinheiro a ficar preso no fogão até os 45 minutos do segundo tempo em plena hora do almoço, fazendo o pobre ou a pobre ter que comer toda descabelada e esbaforida, enquanto o resto da humanidade está feliz e despreocupada.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Pepino refogado com calabresa e yakissoba de linguine: welcome to my world

Ser uma pessoa pouco ortodoxa e que pouco se importa com a maior parte das tradições pode ter seu lado bom. Experimentar pratos que não tem absolutamente nenhuma lógica culinária é uma dessas vantagens e poder desvirtuar qualquer receita tradicional sem ficar com culpa na consciência por estar cometendo heresia ou estar blasfemando alguma cultura distante também é uma coisa que vale à pena. Sem pressão, sem medo, nada de purismos e fome, muita fome: talvez essa seja a fórmula da inventividade culinária.

Lembrando que às vezes pode não dar certo! Por isso, inclusive, me arrisco mais quando estou sozinha e não terei que alimentar ninguém. Se ficar horrível eu como sozinha e não preciso ficar me sentindo a pior das piores criaturas por estar servindo algo tão ruim. Sozinha, nessa situação, eu me sinto apenas a pior das criaturas por estar comendo mal e/ou ter que jogar comida fora [é, teve uma vez que nem eu mesma aguentei um radicchio velho].

Ontem fui para casa com yakissoba na cabeça [não literalmente - o que seria estranho]. Na verdade, esse pensamento me ocorreu no meio do caminho, quando já havia desistido de pensar pensamentos sérios e necessários. Diga-se de passagem, os pensamentos sérios são sempre necessários. Ocorre que eu sabia que o macarrão para yakissoba não era item disponível no meu armário, sabia da mesma maneira que ter pego ele da prateleira do mercado - duas vezes - e ter desistido de levar me traria arrependimentos, agora devidamente comprovados com o arrependimento de não ter o macarrão apropriado chateando meus pensamentos que não eram para ser aborrecidos. Como tudo que ocorre no meio do caminho para casa, a chateação passou e a clareza das ideias loucas transformou os momentos de exitação em inventividade culinária. Ah! Passar no mercado e comprar o dito ingrediente não era opção nesse dia.

Cheguei em casa, cansada e faminta, mas fui tomar um banho antes de abrir os trabalhos porque também estava precisada de um pouco de água quente para melhorar o espírito. Depois de tudo isso, fui para cozinha e, mesmo tendo a pia com um pouco de louça, olhei para o outro lado e comecei a criar a refeição imaginada. 

O negócio era para ser yakissoba like, já que eu não tinha como fazer o original. Era também para usar o meio pepino que já era quase um picles na geladeira. Mas os processos criativos são muito misteriosos e sem mais nem menos você lembra de algo que pode colocar ou tirar na receita para ter no final alguma coisa comível e com o mínimo de coerência. Porque não é porque o troço é inventado, esquisito e experimental que não tem que ter o mínimo de elaboração teórica. Tanto que desisti da cenoura porque achei que não ia combinar. Não sei qual seria o resultado, mas preferi simplificar a coisa e não me arrependi no final. Lembrei de um restinho de calabresa que sobrara, já cortada, de um dia de pizza e usei sem querer muito um pouco de muçarela proveniente da mesma ocasião.

Então foi água no fogo para cozinhar um pouco de linguine, na falta de macarrão apropriado. Frigideira com um punhado de gergelim para tostar. Depois que os gergelins começam a pular da frigideira, um pouco de óleo de canola, linguiça calabresa cortada em cubos, pepino cortado em cubos, pimenta calabresa, pimenta do reino. Refoga, treina o balanço da frigideira, deixa pular umas linguiças e uns pepinos pra fora. Um pouco de farinha e água do macarrão. Macarrão que testa sua paciência pronto [teoria a ser estudada - a fome desacelera o tempo], escorre deixando um pouco da água, joga na frigideira e despeja uma quantidade boa de molho shoyu. Deixa o líquido reduzir um pouco e o macarrão dar uma fritada de leve. Prato ou tigela, muçarela por cima meio a contragosto, e surprise. Um sabor diferente, confortante e muito bom. Boa pedida para comer sozinha e ficar feliz e não só porque eu tava com fome, mas porque o yakissoba nada ortodoxo ficou realmente saboroso. 

Foto não tenho, fica pra próxima.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Respostas Objetivas para Questões Existenciais: como fazer um caldo grosso de feijão sem amassar os grãos

Não, eu não sei porque alguém faria uma pergunta como essa, já que é perfeitamente sabido que amassando os caroços de feijão o caldo fica mais grosso. Mas, sim, essa pergunta me foi feita mais ou menos assim.

"A minha tia faz um feijão muito grosso e não usa nada para amassar ele. Fica muito bom. E eu não sei como ela faz. Ela não quer me dar a receita. Como é que faz?"

Como essa história já ocorreu a algum tempo, pode ser que não tenha sido exatamente como o relatado, mas está valendo assim mesmo. Também não sei se esse problema de feijão já foi resolvido pela maior interessada, mas se não aqui vai o passo a passo à prova de falhas. Quem disse que um bom caldo de feijão não pode ser uma questão existencial? Ou pelo menos ter a importância que o feijão, esse estranho ingrediente comum, merece?

Então, esse post de hoje tem nome e endereço certos, vai para aqueles [ou aquela] que tem problemas em cozinhar feijão com propriedade. Na verdade eu já vinha pensando em escrever sobre como fazer um feijão mais saboroso a mais tempo, pelo menos desde que eu mesma fiz um apanhando de dicas para a preparação sair do jeito que eu acho que deve ser: com os carolos desmanchando e o caldo bem grosso. Entretanto estava esperando a oportunidade de refrescar minha memória colocando em prática os métodos culinário-místicos do bom cozimento do feijão, já que não cozinho o dito grão com tanta frequência assim - meio quilo de feijão aqui em casa dura décadas. Seguem então o registro, para nunca mais esquecer e ajudar os menos hábeis, das minhas impressões sobre o tema.

O que é preciso para ter um caldo de feijão decente na sua mesa? Um plano infalível! Aí vai ele.

Primeiro de tudo, é preciso, sim, escolher o feijão. Eu mesmo achava que essa regra podia ser pulada até morder alguma coisa não tão macia assim que fez até meu cérebro trincar. Era uma pedra!! Escolha os melhores grãos e descarte sem dó:

os muito velhos. Sim, você vai sentir que ele tá velho.
os meio podres. Quase sempre esses desprivilegiados são também deformados.
as pedras. Você não vai querer trincar o cérebro.
os que parecerem estranhos. Esse método científico consiste em olhar bem para o grão e pensar: "Eu comeria isso?"

Nessa parte ainda estaremos a 1 dia inteiro, ou pelo menos uma noite, de comer o feijão então é preciso planejar o cozimento com antecedência e claro fazer mais do que o necessário para uma refeição e congelar o resto. Não há cristão que possa sobreviver tendo que cozinhar feijão todos os dias só porque alguém é tão absurdamente chato que dê importância a isso.

Ah! Todos métodos foram testados meticulosamente com meio quilo de feijão. Para quantidades maiores ou menores - não não valem a pena e o gás - utilize essa poderosa ferramente chamada matemática.

Então, depois de escolher os grãos vencedores coloque-os de molho em cerca de 2 litros de água fervente. Esse molho deve durar 12 horas. Deste modo, o ideal é fazer isso na noite anterior ao preparo para que o banho do feijão não seja alvo de brigas, inquéritos ou fome extremada.

No dia seguinte o feijão deverá estar mais macio e com um resto de água preta e meio nojenta. Essa água deve ser jogada fora e os grãos lavados algumas vezes. Feito isso, coloque em uma panela de pressão cerca de 3 litros de água e algumas folhas de louro. Não coloque sal! Quando a água estiver fervendo, jogue o feijão dentro da panela e espere até que o caldo volte a ferver. Nessa hora, tampe a panela, abaixe o fogo [importante] e deixe cozinhar de 15 a 20 minutos.

Passado esse tempo, faça todos os procedimentos para abrir a panela corretamente e verifique se os grãoes estão macios mordendo alguns deles. Se tudo estiver certo é porque funcionou e na hora de temperar o feijão o caldo engrossará com certeza.

Se acabou de cozinhar o feijão, tudo deu certo e sua paciência ainda não se esgotou, faça como eu e não perca a oportunidade de tomar um caldinho de feijão grosso, puro, como nos mais renomados e|ou decadentes botecos. Para isso basta ter feijão com mais caldo que caroço [no meu caso umas três conchas], um pedaço de linguiça calabresa cortada em cubos, meia cebola cortada em cubos, 1 talinho de salsão picado, um pedaço de alho poró picado e o seguinte tempero feito no pilão novo [na falta de pilão utilize o processador]: 3 dentes de alho, dois ou três grãos de pimenta branca, três folhas de sálvia, um pouco de pimenta rosa, uma pitada de sal. Refogue todos os temperos em uma panela, que não é a do feijão. Quando o tempero estiver bem moreno, sem queimar, junte uma concha de feijão, misture um pouco para apurar e despeja a mistura na panela em que está o restante do feijão. Deixe no fogo até engrossar e depois coma prazerosamente com um fio de azeite, um pouco de alho frito e se possível uma montinho de couve quase torrada na mesma panela em que os temperos foram refogados.

Conforto em caldo

Refeição magnífica que não precisa de acompanhamentos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Para um jantar quente! Creme de lentilha picante com fubá

Eu tava afim de uma comidinha quente para jantar hoje. Apesar do título do post, não é o que aparenta, pois esse jantarzinho quente foi solo. Minha pretensão era comer alguma coisa quente não na temperatura mas em ardido, menos confort, mais up.

A foto não ajuda, mas é o que se pode fazer tarde de noite e com fome

Também parece ser uma sandice querer comida quente em pleno dezembro, mas estamos sendo agraciados por meses de tempo feio e chuvoso nesse verão e isso pode ser multiplicado por 10 quando o local em questão é minha residência. Aff! Fazer o quê! São os fenômenos climáticos que colocam por terra toda a espera pelas comidas de verão, justo no ano em que você decide fazer cardápio sazonal e se empolga toda com as possibilidades de comidas frias e refrescantes. La niña, I hate u!

De tudo isso, uma coisa é fato: eu adoro pimenta! E isso independe da estação, embora desconfie [ainda não é uma certeza] que no verão a mostarda seja a melhor opção para o efeito desejado. Não qualquer uma como já expliquei certas vezes para alguns interlocutores mais próximos. A minha preferência em termos "ardentes" são os tipos de pimenta ou tempero que quando você come a sua cara fica quente e parece que está saindo aquela fumacinha da sua cabeça igual desenho animado. Não gosto muito de pimenta que deixa apenas a boca ardida ou dormente, prefiro sentir calor e poder diferenciar o gosto da pimenta. Ultimamente, por isso, tenho me permitido experimentar diversos temperos que proporcionam essa "caliência", desde os asiáticos e árabes até as pimentas nacionais mesmo que vou tendo acesso aos poucos [algumas das quais nem sei o nome].

Voltando ao jantar quente de uma quinta-feira chuvosa, mas véspera de fim de semana, visto que estou dispensada de trabalhar amanhã [uêba, pensamentos felizes, risos soltos e acalorados nesse momento - será que pimenta da onda? que estou levemente embebedada pela quantidade de pimenta ingerida?] resolvi dar uma inventada com um prato que me veio por "insight" [eu não chego a sonhar com os pratos que preparo, até porque nunca lembro do que sonho, mas ultimamente tenho tido pequenas ausências momentâneas em que estou pensando em combinações de ingredientes e refeições possíveis - será normal?], assim, do nada. Eu nunca vi ninguém misturar fubá com lentilha em lugar nenhum, mas o momento era de livre criação, já que se ficasse uma porcaria eu ia ter que comer sozinha mesmo.

De uma completa incógnita a magnífica descoberta culinária foram exatas meia hora, ou seja, o tempo que esse prato levou para ficar pronto, o que também o habilita para figurar na série "Quick and Easy". Na verdade, antes mesmo de comer as minhas lentilhas picantes elas já podiam ser classificadas como deliciosa promessa olfativa. O cheiro na cozinha estava ótimo, a mistura dos temperos fervendo na panela parecia uma versão sofisticada das "Casas Pedro" [minha loja de temperos favorita, apesar de sua localização não muito prática em relação aos meus caminhos].

Tudo foi feito da seguinte forma: quando cheguei em casa, cerca de 2 horas antes de ir preparar a lentilha, coloquei de molho 1/4 de xícara de lentilha. Essa quantidade serve generosamente 1 pessoa que gosta de pimenta ou duas bastante comedidas [eu comi tudo sozinha, mas estava sustância porque hoje o dia foi meio escasso]. Na hora de preparar aqueci um pouco de manteiga e coloquei para refogar 1 dente pequeno de alho, na verdade meio dente grande que sobrara de outra comida qualquer; um pouco de cebola picada; um pedaço bem pequeno de gengibre também picado; um pedaço de folha tenra de alho poró; e um talinho de salsão picado. Triturei no pilão [brinquedo novo sobre o qual falarei melhor em outro post] três grãozinhos de pimenta branca, 1 cravo da índia com um pouco de canela em pó. No refogado juntei as lentilhas, deixei apurar um pouco e foi só juntar os temperos triturados, um pouco de água e meia colher de chá de curry. Só pra deixar claro, pus água no pilão para pegar todo o tempero triturado e depois joguei essa mistura na panela. A lentilha foi cozinhando e eu pondo mais água quando necessário. No final, com a lentilha já bem macia, misturei em um recipiente a parte uma colher de sopa de fubá e um pouco de água fria [acho que 1/2 xícara], o que foi pra panela também. Aumentei o fogo e mexi até engrossar como um creme. Uma vez engrossado o caldo está pronto pra comer e ficar passando calor a cada colherada.

Muito bom mesmo! Vou tentar em uma outra oportunidade essa mesma receita com menos curry ou gengibre, para os menos fanáticos por pratos apimentados. O fubá transformou o que seria uma sopa de lentilha em creme, uma consistência que apreciamos muito aqui em casa. Além de tudo isso, combinou bem com a lentilha.

domingo, 23 de outubro de 2011

Pappa al pomodoro: uma receita muito boa e meio esquecida

Apesar de gostar de cozinhar e de aprender sobre cozinha desde pequena, meu conhecimento acerca do assunto não era muito amplo até, digamos, poder ter acesso à internet e, sobretudo, a uma cozinha só pra mim. Costumava cozinhar na casa da minha mãe, mas só o necessário para me manter de pé, já que a cozinha não oferecia muitos atrativos, tanto em termos de espaço quanto de organização.

Hoje, tenho as coisas quase do jeito que eu quero, porque sempre tem alguma coisa para arrumar ou um utensílio que a gente quer muito. A cozinha funciona muito bem, tem bastante espaço, é arrumada na medida do possível e passo quase todo o fim de semana nela quando não tenho outros compromissos. Além do que, a internet é um mundo vasto para os amantes da culinária e consigo muito mais acesso a ingredientes exóticos, pratos típicos e utensílios nem sempre tão úteis. Já até comprei meus primeiros livros de culinária [pela internet]. Gosto da pesquisa sobre o assunto, sobretudo de conhecer novos pratos típicos e saber suas origens dos pratos. Foi exatamente o que aconteceu com essa receita de Pappa al pomodoro.

Contando com os milhões de blogs de culinária que existem na internet com receitas e estilos para todos os gostos, cheguei a esse prato tipicamente italiano através do La Cucinetta [tão citado aqui que acho que terei de pagar royalties] e das histórias de sua autora descendente de italianos. No início fiquei um pouco desconfiada de uma espécie de sopa que só leva tomate. Eu nunca tive coragem de fazer sopa de tomate por achar um excesso. Mas, como a curiosidade pelo novo geralmente é maior do que a prudência de ficar dentro de limites conhecidos  [que assim permaneça], fui atrás de meia dúzia de receitas de pappa al pomodoro - sempre faço isso à título de comparação [não vou entregar minha latinha de tomates assim tão fácil] - e descobri que a maioria delas era muito parecida e levava os mesmos ingredientes na composição: tomate, pão e manjericão.

Vi a receita pela primeira vez aqui, mas preparei esta do site do Jamie Oliver. As duas são parecidas, mas a última levava tomates de latinha, que era o que eu pretendia usar, e gostei da ideia de assar os tomates cerejas para dar uma incrementada. Descumpri uma regra pessoal de tentar sempre a receita mais original possível, quando eu faço ela pela primeira vez. Mas, nesse caso, essa parece ser daquelas receitas que não tem muita restrição e se faz com o que tem à disposição no momento.

O fato é que o prato é surpreendentemente gostoso e confortante, especialmente numa noite fria como fez no dia em que comemos. Agradeço a curiosidade por te-lo experimentado e, com certeza, esse é um prato para se fazer muitas vezes. Os italianos sabem mesmo tratar das coisas simples. O que me faz pensar sobre o motivo de um prato como esse - notadamente bom, bonito e barato - ser tão pouco falado e consumido, pelo menos nos meios em que já andei. Ficamos comendo e confabulando sobre o esquecimento que faz com que determinados aspectos de uma cultura se percam, tal como esse prato.

sábado, 22 de outubro de 2011

Tudo o que você quer num dia como este... É uma sopa como esta.

A sopa de ervilha é um grande clássico nessa residência [50% da audiência desse site - duas pessoas, tirando eu - sabe disso perfeitamente e já experimentou a dita cuja]. Não há um inverno, ou outra estação qualquer, que não se faça ela algumas vezes. O pacote da ervilha faz parte das compras com naturalidade, como pão, farinha e leite. O fato que é esse é um prato tipo "Chuck Norris approves", ou sucesso garantido no dizer do meu querido companheiro.

E, desde que eu me entendo por gente, culinarísticamente falando, eu reproduzo essa receita que já fazia sucesso na casa de mãe e nas reuniões da minha família. No caso desta sopa, entretanto, acho que superei a geração precedente fui aperfeiçoando o preparo, de modo que hoje consigo fazer versões que considero melhores do que eu comia quando era mais nova, nas casas de minha mãe ou tias.

Esse também é um daqueles pratos que: 1. você faz no famoso olhômetro, sem medir nada; 2. é uma obra totalmente aberta e aceita muitas variações do tipo não tem uma coisa, põe outra; 3. por isso mesmo, nunca leva os mesmos ingredientes; 4. caso leve os mesmos ingredientes, tem algum componente místico [que deve envolver alinhamento de planetas, pressão atmosférica e humor da ervilha utilizada] que faz com que uma sopa nunca fique igual a outra já tomada anteriormente. Ou seja, para mim, é um prato paradoxal por ser um clássico e ao mesmo tempo completamente imprevisível.

Ontem, nesse frio todo com que a primavera nos agraciou nesse outubro, fiz essa sopa com alguns ingredientes nunca antes utilizados na história desse prato. Eu sei que em time que está ganhando não se mexe [na verdade não sei quem inventou esse ditado besta], mas acho que essa máxima não se aplica a uma pessoa que deseja superar o seu conservadorismo culinário no quesito de sopas e caldos. Assim sendo, seguindo a lógica deste blog e também como forma de comprovar cientificamente que esse prato é irrepetível, estou escrevendo essa receita secreta com todas as medidas [depois de ler esse post de novo vi o quão científico é uma pitada disso, um mínimo daquilo, por isso não sai igual] que usei na preparação para testar se é possível reproduzir a receita e ela ficar idêntica em sabor.

Utilizei 250 gramas de ervilha [sim, eu pesei = #insanidade] e deixei elas de molho em água por 6 horas, coloquei de manhã e fiz a sopa no fim da tarde. Bati no processador 3 dentes de alho, 1 pedaço de gengibre de uns 2cm e uma pitada de pimenta calabresa seca powerful [essa pimenta tá bem curtida]. Fogo baixo. Na panela de pressão coloquei cubos de bacon [tá, esse eu não medi] até liberarem a gordura e ficarem bem crocantes; retirei o bacon e coloquei 1/2 linguiça calabresa também em cubos para fritar até ficarem beeeem torradinhas. Depois de fritas eu as retirei e refoguei lentamente 1/2 talo de alho poró [só a parte branca] e essa mistura feita no processador, regando com água aos poucos, até ficar meio caramelizado [marronzinho]. Voltei com o bacon e a linguiça para a panela e depois joguei toda a ervilha escorrida para refogar e agregar bem o gosto dos temperos. Quando começou a dar sinais de que estava grudando no fundo joguei um pouco de água mexi bem para fazer uma espécie de deglacê, juntei 1/2 colher de chá de sal, um mínimo de pimenta do reino e joguei cerca de 2 litros de água quente na panela para cobrir tudo. Quanto começou a levantar fervura, fechei a panela de pressão e aumentei um pouco o fogo. Mais 20 minutos no fogo depois que começou a chiar e pronto. Então, abri a panela e estava um pouco grudado no fundo [acho que com a ervilha mais macia por causa do molho, 15 minutos de fogo eram suficientes], nada que abalasse a estrutura da sopa, mas por precaução troquei de panela, testei o sal, coloquei mais 1/2 colher de chá [acho que também não precisava] e, como ainda estava um pouco cedo para o jantar eu deixei descansando por algumas horas até comer [um verdadeiro gesto heróico].

A outra parte envolvida nessa relação chegou bem na hora da fritura da linguiça [prêmio de timing para a cozinheira, porque é uma grande satisfação quando as pessoas chegam na hora do melhor cheiro na cozinha para atiçar todas as lombrigas #feticheolfativo]. E quando chegou queria café. Toca então a fazer um café mexendo a sopa e bizoiando a água e colocando o pó, afff! Deu tudo certo no fim, mas depois do café, quando ele já ia subir para o banho foi dada a notícia: "Essa sopa hoje é um pouco diferente". "Diferente por quê? O que tem nela?". "Gengibre e alho poró, pra ver como fica". Dessa vez passou - pelo menos era o que parecia - porque não tinha nada que sugerisse algo muito desconhecido dentro desse universo gastronômico do tamanho do armário de rodoviária.

Sopa pronta. Ao ver a sopa na outra panela veio logo o questionamento primeiro com a expressão no rosto e depois verbalizando:

"Uê!???".
E já veio a explicação:
"Pegou um pouco no fundo, ficou bem grossa, aí eu troquei de panela só pra garantir".
E a resposta infame: "Foi o gengibre que sugou toda a água da sopa e levou para uma outra dimensão fora do planeta".
"Pois é,  né? O gengibre é estranho, não pode ser mesmo desse planeta. Isso dá um filme, sabia? Gengibre: o estranho passageiro."
"Conta a história dos gengibres alienígenas que vem para Terra sugar toda nossa água..."
"Para levar para o planeta dos gengibres?".
"É. Até a cozinheira que tem um blog salvar a humanidade."
"Aí não, porque já fica muito verossímil."

FIM

Isso é o que dá a criatura trabalhar no sábado!!

Mas a sopa, ficou muito boa mesmo. Grossa como um creme e quente na medida certa.