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domingo, 11 de dezembro de 2011

Um fim de semana sem inspiração, um pão que não deu certo e morango. Ah os morangos!

Yes, nós temos morangos!

Pra começar um post como esse, que mais parece um triste samba canção para um fim de semana chuvoso, nada melhor que uma pequena felicidade, já que ainda "é melhor ser alegre que ser triste". E, nada melhor para trazer pequenas felicidades sinceras do que o seu pé de morango dar morangos. Nunca acreditei ser possível plantar e colher qualquer coisa, embora nunca tenha me faltado vontade desde os tempos imemoriais em que se plantava feijão no algodão molhado para trabalho de escola.

Lembrando de feijões, a outra "plantação" da qual também tenho lembrança - quando ainda era um girino - é de uma cebola esquecida na geladeira que se agarrou em um pedaço de esponja [usada na época  para retar a umidade da gaveta de vegetais] e brotou. A bicha fez uma raiz gigante e só não me lembro se conseguimos utilizar a esponja depois disso novamente.

Mas não é que a minúscula muda de morango comprada em uma lojinha de plantas só de brincadeira é um verdadeiro Gremilin das frutinhas. Multiplica rapidamente e já está espalhando por toda a horta, sem utilização de nenhum produto além de água. E isso é uma grande satisfação.

Pé de Morango

Morango Antes

Morango Depois
Para quem nunca teve pretensão de ter alimentos plantados em casa esse ano até que foi bem frutífero e não posso me queixar. Desde que me mudei procuro manter uma pequena hortinha em vasos que já produzem os temperos que mais gosto. Manjericão [se a gente não comê-lo é capaz dele comer a gente], tomilho, hortelã, manjerona, orégano [que está florindo], todos em vasos.

Mas esse ano, com a criação de uma floreira e de uma horta no condomínio, já colhi tomates, couve, sálvia, rúcula e outras modalidades de vegetais nunca antes imaginados. De sujeito urbano que não conhecia nem o básico das espécies comestíveis que não vendem no mercado, passei a plantadora compulsiva; tudo o que brota da terra é plantado pra ver se pega.

O morango orgânico e caseiro estava realmente muito saboroso, do jeito como a fruta deve ser. Macio e azedo na medida certa, livre de contaminação e com gosto de quem não come morango há um século. Pelo menos desde quando se alarmou toda a população do nível de substâncias perigosas utilizadas nas plantações e presentes residualmente nos morangos de supermercado.

Então depois de um malfadado pão que levou um dia todo fermentando e não forneou bem. O pão parecia que ia mas não foi, ficou cascudo tipo quebra dente e machuca boca e com a massa muito densa. Era pra ser uma massa meio sourdough, que foi executada com muita paciência e parcimônia por quase 12 horas e que desandou na hora de ir para o forno. Primeiro porque foi um parto tirar o pão do pano em que ficou descansando para a superfície onde ia assar, pois a massa era delicada e mole demais para ser manuseada sem deformar. Uma vez no forno, o pão se comportou bem no início, demovendo minhas expectativas frustadas com a saga anterior ele deu uma crescida e começou a tomar forma. Depois o cheiro da derrota: o gás acabou [merda, merda, merda] e nem sei quanto tempo o forno ficou apagado.  Não sei se foi falta de vapor ou de gás, mas o troço desandou; demorou um tempão para ficar no ponto, muito além dos 30 minutos sugeridos na receita, e quando fomos comer: decepção. Nem tão sour assim, parecia mais uma overfermentação e com a casca dura demais. Ontem o miolo ainda estava macio, mas hoje me foi sugerido que usasse uma Makita pra cortá-lo. Bom nem só de sucessos vive uma cozinha.

Consequência: hoje a minha disposição para cozinha estava no nível zero. Eu já tava achando que pães artesanais não eram para mim e que de agora em diante só faria pães simples, com fermentação direta e já testados com sucesso por mim mesma. Esses pensamentos nefastos estavam contrariando toda empolgação panificadora que ontem me animou até a pensar em produzir meu primeiro fermento natural nas férias. Tentando colocar as coisas em perspectiva, tendo a optar pelo meio termo no qual os pães artesanais só serão feitos em dias de muita inspiração culinária e de sol [dias de chuva não me fazem muito bem], não sendo eles nunca uma opção para substituir o pão do dia a dia. Isso porque depois dessa experiência, como iremos comer o pão durinho assim mesmo, fiquei com peninha daqueles que terão que aturar a massa pesada pelo resto da semana, mesmo ele não tendo falado nada sobre esse assunto.

Mas aí veio o morango. Ah! O morango! O que ele tem haver com isso? Deixou meu dia bem melhor logo cedo e até o sol saiu [isso não é uma metáfora]. Meus pensamentos anti-panificadores foram sendo dissipados e acho que com o próximo pão bem sucedido, provavelmente uma foccacia tiro certo, e as férias se aproximando minha regulagem vai voltar ao normal e vou até arriscar um panettone. Afinal, eu até comprei um livro só de pães!!

Restabelecida a normalidade culinária nesta cozinha até o pobre pão ruim teve seu acesso ao estrelato. Virou ingrediente numa bela salada com manjericão, azeite, alho frito, pimenta cambuci, cebola e sardinha. Que recebeu um único comentário após ser comida no almoço: "E agora, o que tem pro prato principal?".

"Rá."

De todo o modo, esse fim de semana não foi lá essas coisas em termos culinarísticos, mesmo com a recuperação pós-morango. Tenho que fazer compras, porque estou adiando isso há exatas duas semanas, colocar algumas coisas para funcionar, de modo que mantenha meu espírito de comer melhor, e ainda tenho que superar o episódio da frigideira amaldiçoada que fez minha omelete de atum grudar no almoço de ontem. Tenho que dizer, apesar disso beirar a humilhação, que a frigideira é antiaderente. Por isso, acredito piamente que ela estava ou está amaldiçoada pelos deuses do ovo grudado.

domingo, 30 de outubro de 2011

Cardápio de um fim de semana em que a comilança acabou cedo

Aviso importante: esse post contém lamúrias, portanto pense bem antes de continuar.

Nesse fim de semana mais longuinho devido a um feriado na sexta-feira tentei manter meu cardápio enxuto para não abusar do tanto de tempo livre em casa. Às vezes, quando fico em casa dá vontade de comer toda hora e não sei ao certo o que motiva essa ansiedade, já que não é sempre que estou assim. Nesses dias de fome descontrolada é mais difícil manter a sincronia do intervalo de três horas entre cada refeição, sem contar que ter mais tempo para cozinhar dá margem a ficar inventado ainda mais coisas para comer.

Embora tenha ficado naturalmente moderada - o que significada sem vontade de comer toda hora, mas com o comichão inquietante de ficar cozinhando - nos últimos fins de semana, tenho desenvolvido algumas estratégias para quando não estou numa relação tão zen assim com a comida. Uma delas é desmistificar a equivalência entre comida gostosa e junk food. Eu adoro pizza, principalmente a que fazemos aqui em casa, mas procuro não pensar nela como a única opção saborosa que posso consumir. Em uma oportunidade, troquei a massa de pizza por pão sírio e acho que resolvi o problema de matar a vontade, sem exagero. Explico: quando faço pizza em casa a  massa rende, no mínimo, duas das grandes e acabo comendo demais, o que não acontece quando temos apenas uma pequena pizza do tamanho de um pão sírio. Sem contar que um dia antes esse pão rendeu um saudável sanduíche frio com alface, tomate, beterraba, ricota temperada e carne assada desfiada.

Mas nesse final de semana em particular a vizinhança teve a brilhante ideia de fazer um churrasco, o que já me deu culpa só em aceitar. Gosto da ideia de me reunir com pessoas para comer e conversar, e também gosto de churrasco, e também não quero ser a chata que leva legume para a churrasqueira, mas tem alguma coisa que me aborrece, gastronomicamente falando, nesse tipo de comida que eu não tenho certeza do que é. Talvez seja a sensação de que exagero que você sente ao comer demais ou o desconforto de ficar embatumado tantas carnes depois. Não sinto culpa de gordinho - pela comida em si - mas sempre me parece que comer desse jeito é uma agressão contra si próprio. Espero que essa história de comer melhor não se torne um problema toda vez que os eventos sociais envolverem comida, mas não me sinto mais tão à vontade assim para ficar me empanturrando de carne defumada e farofa.

E o pior, fico tentada a fazer umas experimentações culinárias nos temperos, preparações e tipos de carne que serão assadas [para dar um toque gourmet no churrasco], e sinto que isso não terá boa recepção na confraria do carvão composta pelos machos sem frescura. Embora eles tenham aceitado usar sal aromatizado, ainda que com reticências das primeiras vezes, somente os homens comandam a grelha, dotados de todo o seu instinto primitivo de assar à moda das cavernas. Cuidado você deve ter, já dizia o mestre Yoda. É muito fácil parecer esnobe quando você curte culinária, presta mais atenção no paladar dos alimentos e começa a pensar onde estava com a cabeça quando achou que sorvete do supermercado era uma coisa gostosa.

À propósito, passei pela experiência traumática do sorvete hoje. Enquanto estava comendo um sorvete em sua versão de creme [pelo menos era o que dizia a embalagem] com a famosa banana assada na churrasqueira [a banana, e só ela, foi ponto alto do almoço para mim] só conseguia pensar em gordura hidrogenada. Tenho ficado mais exigente e menos tolerante com produtos antes incontestáveis - e que muita gente ainda acha muito bom - e isso me obriga a exercitar meu bom senso para não falar demais e acabar chateando ou ofendendo alguém. Pra completar, acho que não fui só eu quem passou pelo trauma do sorvete, pois o meu querido companheiro se ofereceu para me dar uma sorveteira no Natal [uêba]!! O que é ótimo porque talvez ganhe uma sorveteira e não me sinto tão freak com minhas chatices gustativas.

Parêntesis: percebam como esses posts de hoje vêm se encaixando.

Conclusão: não quero ser a saudável chata, muito menos a metida a chef mais chata ainda, mas preciso pensar sobre esse negócio de churrasco para tentar me encontrar dentro dessa ode à comilança. E lá vou eu de novo atrás do equilíbrio.


Como a proposta para "queimar uma carninha" surgiu no ontem de manhã, já comecei a pisar no freio desde a hora do almoço. Desisti de fazer carne com batata [óbvio], arquivei as panna cottas para comer outro dia e tirei fatias finas do pão de canela e passas para fazer um sanduíche. No jantar fiz umas batatas, mais ou menos como as do vídeo aí em baixo, com repolho [tentei dizer que o repolho era alface pra fazer "as pessoa" comer, mas não deu certo porque não sei mentir nem por uma boa causa] e tomate. Fiz as batatas puras com azeite, sem nenhum tempero e com o primeiro cozimento no microondas.



Cheguei a fazer um outro sorvete com o que sobrou do creme de leite da panna cotta, mas foi um projeto experimental e nem cheguei a comê-lo direito para definir se está ou não satisfatório.

O churrasco foi hoje no almoço e ainda estou com a estanha sensação de ter comido um boi inteiro. Para não ficar apenas me lamentando nessa ladainha toda de culpa e coisa e tal, fiz uma farofa da qual realmente eu gostei.

Nunca tinha me dado muito bem com farofas. Pelo menos nunca tinha experimentado nenhuma parecida com a farofa sabor ponte de safena que o pessoal lá de casa fazia nas festinhas e encontros familiares - que foram muitos. E, sempre pode ficar pior, mesmo achando que o problema da minha farofa era mão leve na manteiga ela ficava uma papa gordurenta quando eu ultrapassava a linha do entupimento coronariano. A farofa de hoje, pelo contrário, levou apenas a gordura dos cubos de bacon que eu coloquei e ficou boa, apesar de eu achar que a proporção entre a farinha e os outros trecos ainda pode ser ajustada. Coloquei bacon, cebola, alho, ovo, farinha com gérmen de trigo tostados previamente, sal e passas. Carreguei um pouco a mão no sal e acho que ficou mais seca do que eu gostaria, mas creio que seja esse o caminho em busca da farofa perfeita.

P.S.: Estou desistindo de comer qualquer coisa até o fim do dia de hoje.

Update de mesmo dia: voltei porque esqueci de falar da calda de açúcar e canela que fiz para cobrir a panna cotta. Foi uma calda que deu errado e depois deu certo. Fiz com 1/3 de xícara de açúcar cristal, 5 colheres de água e uma espremidinha de limão. Tudo muito bom se a bicha não tivesse endurecido quando esfriou. Como não ia perder para uma calda de açúcar, eu voltei ela para o fogo e coloquei mais 1/4 de xícara de água, deixei ferver um pouco reduzindo o mínimo e pronto. A consistência ficou perfeita para uma calda mole.