Eu não gosto de Natal. Pronto, falei. Nunca gostei. mas qual é o problema? Tem um monte de gente que não gosta de bife de fígado e eu adoro. Sempre achei o Natal uma data muito triste e enfadonha, muito sentimento solto à procura do primeiro desavisado para se agarrar.
Atualmente o Natal me cansa. Não tenho nenhum vínculo com qualquer corrente religiosa e o simbolismo cristão não me convence. Fora que de uns tempos pra cá o que menos tem se visto na festa são os rituais ligados à religião. Detesto o apelo ao consumo, à irracionalidade de zumbis circulando freneticamente por ruas e shoppings lotados. As pessoas, coisas, comidas, ou seja, tudo nessa época do ano ativa o botão do meu cérebro que diz FAKE.
Assim sendo, eu venho ignorando/sabotando o Natal ao longo dos anos que me permito viver de acordo com minhas próprias convicções.
No primeiro Natal deste blog, me recordo tivemos nosso momento "esse é um dia como qualquer outro" e resolvemos comer uma pizza preparada em casa sem maiores comemorações, exceto pelos desejos de Feliz Natal de praxe que você dá aqui é ali para todos que estão fora desse estranho mundo de desinventar tradições. Que fique claro que meus desejos de felicidade ao próximo são sinceros, mas eles valem para todo o ano e não apenas para o mês de dezembro.
No Natal seguinte - ano passado - eu tava off-blog, mas nem por isso deixei de dar aquela desatenção que as comemorações natalinas merecem. Fiquei sozinha em casa. Acho que comi qualquer macarrão da revolta anti-Papai Noel e fui dormir, porque era o que podia ser feito naquele momento.
Neste ano, acho que todo mundo já se acostumou com minha falta de habilidade para tal coisa e ninguém fica mais me perguntando que que eu vou fazer no Natal. Ainda perguntam se eu vou ficar em casa no Natal, mas note que isso já é uma evolução se comparada ao questionamento anterior. Essa famigerada pergunta - sobre minhas intenções celebratórias - me causava o arrepio inicial que só ia piorando com a profusão de velhinhos, renas, árvores e bolas em todo lugar onde você passa ao longo dos dias que antecedem o 25 de dezembro.
Aí, além de já ser do contra, a pessoa resolve fazer o que para o almoço e jantar da véspera? Bife de fígado!! Sim, eu adoro e ainda posso inventar minhas próprias tradições. Nada de Chester [oi?], Ave Fiesta [oi? oi?] ou coisas que não gosto de comer - até a rabanada tem sido repensada na minha lista de coisas que gosto. Tá! Meu discurso anti-Natal tá parecendo mais com uma negação confirmatória [isso deve ter um nome em psiquiatria]. Quando a pessoa diz que não querendo dizer sim. Nega tanto que faz exatamente o movimento de quem se importa demais.
O lance do bife de fígado não foi pensado para zoar o Natal, não. Poderia, mas não foi. O dia 24, 25 e adjacências de dezembro para mim não significam nada. Faço tudo como qualquer outro dia, exceto pelos serviços que não abrem ou por qualquer necessidade de ir no mercado que certamente ficará suspensa até o próximo dia em que a população retome sua sanidade mental e volte a se comportar de maneira um pouco menos apoplética.
A história do fígado, foi que nós aqui em casa teremos de ir à cidade grande [Rio de Janeiro] e vamos aproveitar para ir ao Hemorio doar sangue. Na última vez que tentei fazer isso, fui reprovada no teste do ferro e desta vez resolvi me garantir com antecedência. Por isso, essa refeição nutritiva, cheia de proteína animal, verduras escuras e suco de laranja para ficar tudo bem absorvidinho. Como disse, dia normal.
Não vou passar receita de bife de fígado aqui porque ninguém gosta dessa p*rra mesmo. Mas o fato é que enquanto estava comendo percebi que minhas habilidades culinárias me fizeram enxergar um mundo novo. Aprendi a preparar bife de fígado em casa de um jeito que consistia, entre outras coisas, em bater na carne antes de temperar e fritar. Só que, analisando a coisa toda, isso não faz o menor sentido, a não ser que a intenção seja comer carne dura. O fígado é uma carne super macia, mais macia que quase qualquer coisa e bater nele faz com que fique rígido. Sendo assim, hoje penso como consigo processar as informações que recebo e melhorar coisas que já eram boas o suficiente para mim [em uma época em que meu gosto e/ou escolhas eram bem diferentes].
Ah! Eu não tenho nada contra quem celebra o Natal. Tampouco julgo as pessoas [só algumas] que adoram a data e tem suas próprias necessidades de comemoração. Não penso que minhas escolhas são as corretas e pode ser que em algum momento eu possa rever tudo isso, mas por enquanto Natal é só para a parte de mim que deve/se esforça para socializar com o resto da humanidade.
Existem 1.475.876 sites sobre gastronomia, culinária, receitas e afins... Desses, eu frequento com certa regularidade pelo menos uns 598.009... Mas, nem sempre, para não dizer quase nunca, as receitas que vejo são seguidas à risca... Às vezes, mudo um ingrediente, às vezes, pego um pouco de umas três ou quatro receitas... Criei esse blog de mim para mim mesma como uma forma de ter sempre um lugar para lembrar quais receitas funcionaram, de quais eu gostei e como foram feitas por mim.
Mostrando postagens com marcador Porque isso é assim. Mostrar todas as postagens
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Qual é a resposta?
Qual é a resposta certa para:
"Sabe de uma coisa, eu queria comer sorvete, mas tô cheio."
"E qual é a solução para essa equação?"
"Vomitar?!!"
Pois é, mais fácil do que parece. Esse foi o diálogo produtivo que acabei de participar.
"Sabe de uma coisa, eu queria comer sorvete, mas tô cheio."
"E qual é a solução para essa equação?"
"Vomitar?!!"
Pois é, mais fácil do que parece. Esse foi o diálogo produtivo que acabei de participar.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Um doce quase nunca para outra volta de indecisões
Nomes sem sentido são muito legais. Assim como coisas, eles só servem a quem os tem. Estou voltando de novo ao blog e como se fosse uma redenção escrevendo sois posts no lugar de um.
O pão? Ah, o pão? Será trauma ou excesso de supermercado. [Veja a história completa] Não, eu não fiz o pão com centeio, embora tenha me levantado com o ímpeto de fazê-lo. Só que... Quando comecei a arrumar a cozinha para começar os trabalhos [não gosto de começar a cozinhar com cozinha bagunçada, apesar de às vezes fechar os olhos e fazer assim mesmo] me dei conta que havia um pão que não dera certo sobre a pia - o qual teríamos que dar cabo de algum jeito - e mais dois famigerados sacos de pão do supermercado - os quais havia comprado mais cedo em um impulso de "não podemos ficar sem pão". Despensa vazia dá nisso.
Desistência aceita fui caçar algo para me satisfazer culinarísticamente. Procura no cérebro, antes do Google, e surgiu a imagem... Rocambole! Tenho goiabada e muitos anos me separando do último que comi.
Decidida, comecei a procura no Google por receitas, visto que essa é uma coisa que não faço quase nunca e nunca anotei minha receita favorita.
O rocambole? Ah, o rocambole? Será preguiça ou excesso de ovos. Na boa, um troço que leva 6 ovos [mais expressivo que meia dúzia] não é algo que possa animar alguém a começar uma sobremesa. Deixa isso para um dia em que eu começar mais cedo e com mais paciência.
Pensei em panna cotta. Já havia feito algumas com sucesso, pois acho que no fundo estava mais para sobremesa de comer de colher, depois do jantar e tal. Mas ainda não era isso o que eu queria.
Resolvi então arriscar fazer uma pudim de tapioca, cuja receita me foi passada por uma pessoa no trabalho. Não sem antes duvidar entre ele e um bolo de tapioca enviado pela minha mãe. Essa pessoa - a do trabalho - levou o dito pudim numa festa junina e o orgulho da beleza da obra era tão grande quanto o sabor do pudim.
A receita é bem imprecisa, pois foi copiada de boca e deixada no servidor do trabalho em uma pasta batizada sugestivamente de... Receitas. A dita cuja só tem duas ou três receitas, mas tenho quase certeza que ninguém mais se arriscou a fazer o tal pudim da Lucia, a não ser a própria.
Antes de começar a execução das coisas, no entanto, esse post deve fazer jus a seu título e conter mais um pouco de indecisão: Vai caber o pudim na forma menor? Penso eu? Num momento de raríssimo espírito planejador eu medi um litro de água na forma e concluí que se aquele era o volume do ingrediente de maior quantidade na receita [o leite] o pudim inteiro haveria de caber.
Caramelizei a forma e segui:
{{{{{{{{{{{{{{{ Pudim de tapioca da Lucia }}}}}}}}}}}}}}
Como está anotado na receita original
1 lata de leite condensado
1 vidro de leite de coco
3 ovos (usei dois pois estavam enormes, ou então estou com alguma avareza de ovos hoje)
1 colher de manteiga
2 pacotes de coco ralado - o que deduzir serem 100 gramas
1 copo americano de tapioca
1 litro de leite
O lance é fazer um mingau com o leite e a tapioca e, em outro recipiente misturar os outros ingredientes. Eu bati todos menos o coco ralado no liquidificados.
Uma vez o mingau pronto é só incorporar ele a outra mistura, ou incorporar a mistura a ele, tanto faz e foi o que eu fiz. Nessa hora eu também juntei o coco ralado, pois já que eram flocos em não queria que ficassem triturados.
Feito isso, levar o pudim ao forno em banho-maria e, notem bem, retirar quando estiver [sic] "moreninho". Como o meu está nesse momento [é isso mesmo, escrevo enquanto espero um pudim]. Mas ainda vou deixar mais um pouco.
Só que... aqui começa o desespero. Depois de fazer tudo como a receita mandava o volume do troco aumentou enormemente. Eu fiz o mingau e quando juntei o resto quase não coube na panela. Assim como não deu na forma de pudim que eu havia previsto. Além disso, na hora de despejar na forma a coisa foi espirrando toda na medida que caia fazendo uma pequena, mas frustrante sujeira. Assim...
Toca a caramelizar outra forma de pudim para assentar o restante e procurar um tabuleiro em que coubesse as duas formas para tentar assar em uma fornada só. Não tendo tal utensílio, só me restou colocar somente um dos pudins no forno e assar o outro em seguida.
[Pudim número 2 no forno. Bem na hora que eu falava dele.]
Só saberei se tudo isso valeu quando desenformar, mas talvez não seja o pior dos mundos visto que o infortúnio da forma pode me possibilitar um pudim para levar para o trabalho amanhã ou depois.
Só pra não perder o bonde, não sei se faço pot pie ou panquecas para o jantar.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Por algum motivo existem tradições: sorvete de uva com karma
Fiz sorvete de uva e choveu.
Ontem, debaixo de um sol [não literalmente] lindo e quentinho fiquei lá batendo e batendo uva com creme de leite batido - porque não - durante todo o dia. Quando o sorvete ficou pronto, finalmente, o céu escureceu, nuvens raivosas começaram a surgir e em menos de uma hora a profecia se cumpriu. Muita chuva, que no meu caso vem junto com um frio anti-sorvete. Não que eu não possa ou não deva tomar sorvete no frio, não tenho nenhum tipo de preconceito culinarístico-climático. Entretato, acho que por causa da baixa temperatura acabo nem lembrando do sorvete no freezer, uma vez que só consigo lembrar de leite e/ou qualquer outra comida quente e confortante.
Conclusão, hoje é segunda, ainda está chovendo de leve com o frio me pondo de casaco enrolada em um lençol enquanto escrevo isso do sofá de casa. O sorvete? Está no freezer sem nenhuma colherada faltando. Ia comê-lo agora a pouco com bolo, mas o leite quentinho com chocolate venceu a briga. Precisava de comida que fizesse eu lembrar que cheguei em casa e que o dia de trabalho acabou. Na verdade precisava de conforto extremo e não podia contar com isso numa versão humana, pois essa outra parte da história está no trabalho e ainda vai levar um bom tempo para chegar.
Só para não perder o hábito, mas também sem grandes reflexões filosóficas vou colocar a minha receita que tentei fazer com base no melhor sorvete de uma do mundo [essa aqui é a fonte], só que acabei usando proporções diferentes pois estava com creme de leite sobrando. As uvas, surpreendentemente estavam congeladas e ficaram super bem depois que eu dei uma aquecida nelas no fogo. Aqueci cerca de 200 gramas de uvas pretas congeladas no fogo a fim de formar uma calda que pudesse ser peneirada com mais facilidade. Calda pronta, coloquei tudo na peneira para separar os caroços e juntei com uma calda rala de um terço de xícara de açúcar com um quarto de xícara de água, tal como mandava a receita consultada. Bati o creme de leite, na quantidade pedida na receita original, até o ponto de chantilly e levei para a geladeira. Pus também o suco de uva para gelar e enquanto esperava fui fazer outras coisas. Na hora de juntar tudo resolvi que por não ter o que fazer e como guardar o resto do creme de leite ele ia virar sorvete também. Bati mais chantilly com tudo o que tinha na garrafa, totalizando cerca de um terço da garrafa de creme de leite batido. Foi então que juntei tudo, com um pouco de açúcar e sal e fiquei naquela maratona "não deixe seu sorvete cristalizar". Dei cinco batidas em intervalos de 30 minutos nas primeiras três vezes e 1 hora nas duas últimas. Tudo bem que me esqueci dele da terceira para a quarta parada e ele ficou cerca de 1 hora e meia me esperando [meia hora a mais do que o previsto], mas acredito que não tenha interferido negativamente no resultado final. Se eu soubesse o resultado seria melhor, mas não tô no clima do sorvete agora então deve ficar para o fim de semana.
História publicada rapidinho, mas sem os detalhes da trabalheira que foi o fim de semana com várias comidas - Focaccia de Calabresa e Alecrim com fermento de uma semana, Sorvete de Uva, Angel Food Cake, Granola e almoços variados - e mais dois dias de limpeza pesada na casa nova para o qual espero me mudar em breve.
Resumidamente, em dois dias minhas estatísticas de limpeza são dois banheiros lavados, atingindo a incrível média de um por dia, a qual não poderia escapar da maledicência das pessoas que gostam de comentários infames; "Mais do que você já lavou desde que veio morar aqui." Foi o que ainda tive que ouvir. E pra acrescentar a essa impressionante conta ainda tenho uma parede inteira de lambris removida com perda mínima das peças. Estou me superando e o que é pior, gostando de trabalhar na casa nova. Como uma pessoa pode fazer uma dissertação de mestrado assim? Com tanta coisa mais importante, divertida e interessante para se fazer. Quando ela acha que lavar banheiro é melhor que sentar a bunda pra escrever sobre o sexo dos anjos ainda pode ser considerada normal?
Ontem, debaixo de um sol [não literalmente] lindo e quentinho fiquei lá batendo e batendo uva com creme de leite batido - porque não - durante todo o dia. Quando o sorvete ficou pronto, finalmente, o céu escureceu, nuvens raivosas começaram a surgir e em menos de uma hora a profecia se cumpriu. Muita chuva, que no meu caso vem junto com um frio anti-sorvete. Não que eu não possa ou não deva tomar sorvete no frio, não tenho nenhum tipo de preconceito culinarístico-climático. Entretato, acho que por causa da baixa temperatura acabo nem lembrando do sorvete no freezer, uma vez que só consigo lembrar de leite e/ou qualquer outra comida quente e confortante.
Conclusão, hoje é segunda, ainda está chovendo de leve com o frio me pondo de casaco enrolada em um lençol enquanto escrevo isso do sofá de casa. O sorvete? Está no freezer sem nenhuma colherada faltando. Ia comê-lo agora a pouco com bolo, mas o leite quentinho com chocolate venceu a briga. Precisava de comida que fizesse eu lembrar que cheguei em casa e que o dia de trabalho acabou. Na verdade precisava de conforto extremo e não podia contar com isso numa versão humana, pois essa outra parte da história está no trabalho e ainda vai levar um bom tempo para chegar.
Só para não perder o hábito, mas também sem grandes reflexões filosóficas vou colocar a minha receita que tentei fazer com base no melhor sorvete de uma do mundo [essa aqui é a fonte], só que acabei usando proporções diferentes pois estava com creme de leite sobrando. As uvas, surpreendentemente estavam congeladas e ficaram super bem depois que eu dei uma aquecida nelas no fogo. Aqueci cerca de 200 gramas de uvas pretas congeladas no fogo a fim de formar uma calda que pudesse ser peneirada com mais facilidade. Calda pronta, coloquei tudo na peneira para separar os caroços e juntei com uma calda rala de um terço de xícara de açúcar com um quarto de xícara de água, tal como mandava a receita consultada. Bati o creme de leite, na quantidade pedida na receita original, até o ponto de chantilly e levei para a geladeira. Pus também o suco de uva para gelar e enquanto esperava fui fazer outras coisas. Na hora de juntar tudo resolvi que por não ter o que fazer e como guardar o resto do creme de leite ele ia virar sorvete também. Bati mais chantilly com tudo o que tinha na garrafa, totalizando cerca de um terço da garrafa de creme de leite batido. Foi então que juntei tudo, com um pouco de açúcar e sal e fiquei naquela maratona "não deixe seu sorvete cristalizar". Dei cinco batidas em intervalos de 30 minutos nas primeiras três vezes e 1 hora nas duas últimas. Tudo bem que me esqueci dele da terceira para a quarta parada e ele ficou cerca de 1 hora e meia me esperando [meia hora a mais do que o previsto], mas acredito que não tenha interferido negativamente no resultado final. Se eu soubesse o resultado seria melhor, mas não tô no clima do sorvete agora então deve ficar para o fim de semana.
História publicada rapidinho, mas sem os detalhes da trabalheira que foi o fim de semana com várias comidas - Focaccia de Calabresa e Alecrim com fermento de uma semana, Sorvete de Uva, Angel Food Cake, Granola e almoços variados - e mais dois dias de limpeza pesada na casa nova para o qual espero me mudar em breve.
Resumidamente, em dois dias minhas estatísticas de limpeza são dois banheiros lavados, atingindo a incrível média de um por dia, a qual não poderia escapar da maledicência das pessoas que gostam de comentários infames; "Mais do que você já lavou desde que veio morar aqui." Foi o que ainda tive que ouvir. E pra acrescentar a essa impressionante conta ainda tenho uma parede inteira de lambris removida com perda mínima das peças. Estou me superando e o que é pior, gostando de trabalhar na casa nova. Como uma pessoa pode fazer uma dissertação de mestrado assim? Com tanta coisa mais importante, divertida e interessante para se fazer. Quando ela acha que lavar banheiro é melhor que sentar a bunda pra escrever sobre o sexo dos anjos ainda pode ser considerada normal?
domingo, 25 de março de 2012
Matando um italiano do coração: pizza de liquidificador
Isso nem pode ser chamado de receita. Quando foi feito? A long long time ago. Já nem me lembro, mas foi antes de eu abandonar o blog. Estava no rascunho a um tempão, pelo menos antes de 06/03. Retomando...
Eu ia chamar esse post com um nome lindo e pomposo como "Voltando aos clássicos" ou algo que o valha, mas aí meu comentarista gastronômico entrou na cozinha na hora em que a tal "pizza" de liquidificador estava assando e me saiu com esse gloriosos título.
Uma heresia? Mataria um italiano do coração? Não sei. No entanto é o que se pode fazer quando por volta de 8 ou 9 da noite e você tem 0 massas de pizza descansadas e fermentadas para colocar a cobertura. Não foi de caso pensado, porque esse post tá parado a um tempão, mas pizza de verdade vai ficar para semana que vem - a última antes da dissertação.
Assim, esse post nasceu com seu título engraçado, a receita foi apenas um pretexto. Mas todo mundo tem seu "dia da vergonha" fazendo pizzas que não merecem usar esse nome e reproduzindo receitas cuja promessa de facilidade remete aos mais sombrios e heréticos programas de culinária da TV. Vou colocar a receita aqui apenas como uma forma de nunca me esquecer desse episódio, porque sinceramente nem achei que ficou isso tudo.
Não estou conseguindo achar a receita novamente. Viu era isso que acontecia antes de eu manter o blog, fazia um troço e perdia um tempão procurando no Google, tentando lembrar os caminhos que me levaram àquela receita específica. Foi só parar umas semanas e aconteceu de novo. Estou procurando ainda, mas lembro que uma coisa me chamou atenção no dia: ela levava uma quantidade de farinha integral e por isso foi a escolhida na ocasião.
Não achei no meu histórico - o Google guarda o seu histórico de navegação todinho na web [fear!] - nenhuma pizza de liquidificador integral. Acredito ter usado essa receita aqui, substituindo meia xícara de farinha pela integral. A cobertura foi de atum com molho de tomates, só que a pizza ficou fina igual biscoito porque eu usei uma forma um tanto quanto desproporcional para a quantidade de massa que tinha no liquidificador. Foi o tipo de coisa que você vê que não cabe, sabe que não vai dar certo, pensa em mudar mas faz errado assim mesmo, ignorando sua intuição culinária.
Pelo tom que venho usando e pelo relativo descaso demonstrado pelas palavras acima já deu pra perceber que esse post não será visualizado muitas vezes, pelo menos não por mim. Fotos? É melhor nem perguntar.
Eu ia chamar esse post com um nome lindo e pomposo como "Voltando aos clássicos" ou algo que o valha, mas aí meu comentarista gastronômico entrou na cozinha na hora em que a tal "pizza" de liquidificador estava assando e me saiu com esse gloriosos título.
Uma heresia? Mataria um italiano do coração? Não sei. No entanto é o que se pode fazer quando por volta de 8 ou 9 da noite e você tem 0 massas de pizza descansadas e fermentadas para colocar a cobertura. Não foi de caso pensado, porque esse post tá parado a um tempão, mas pizza de verdade vai ficar para semana que vem - a última antes da dissertação.
Assim, esse post nasceu com seu título engraçado, a receita foi apenas um pretexto. Mas todo mundo tem seu "dia da vergonha" fazendo pizzas que não merecem usar esse nome e reproduzindo receitas cuja promessa de facilidade remete aos mais sombrios e heréticos programas de culinária da TV. Vou colocar a receita aqui apenas como uma forma de nunca me esquecer desse episódio, porque sinceramente nem achei que ficou isso tudo.
Não estou conseguindo achar a receita novamente. Viu era isso que acontecia antes de eu manter o blog, fazia um troço e perdia um tempão procurando no Google, tentando lembrar os caminhos que me levaram àquela receita específica. Foi só parar umas semanas e aconteceu de novo. Estou procurando ainda, mas lembro que uma coisa me chamou atenção no dia: ela levava uma quantidade de farinha integral e por isso foi a escolhida na ocasião.
Não achei no meu histórico - o Google guarda o seu histórico de navegação todinho na web [fear!] - nenhuma pizza de liquidificador integral. Acredito ter usado essa receita aqui, substituindo meia xícara de farinha pela integral. A cobertura foi de atum com molho de tomates, só que a pizza ficou fina igual biscoito porque eu usei uma forma um tanto quanto desproporcional para a quantidade de massa que tinha no liquidificador. Foi o tipo de coisa que você vê que não cabe, sabe que não vai dar certo, pensa em mudar mas faz errado assim mesmo, ignorando sua intuição culinária.
Pelo tom que venho usando e pelo relativo descaso demonstrado pelas palavras acima já deu pra perceber que esse post não será visualizado muitas vezes, pelo menos não por mim. Fotos? É melhor nem perguntar.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Uma nova série para novos hábitos: ex-preconceito
Apesar de todo o discurso pró-vegetais e toda a reclamação em relação aos que tem problemas existenciais com eles, eu também tenho minhas culpas para confessar sobre o fato de não gostar de alguns vegetais. No entanto, o que vale para os outros vale para mim e venho tentando incorporar a máxima de que não é que você que não goste do legume, só não comeu ele de uma maneira que seu paladar aceite ainda. Por isso, vou começar a fazer uma lista daquilo que me causa reticências e começar a adaptá-las a minha dieta com receitas variadas, até que eu ache a forma correta de preparo.
Neste primeiro episódio o legume escolhido não é nem um desgosto apenas - como os de quem é chato para comer - mas é quase um trauma de infância. Meus problemas gustativos, aparentemente solucionados, são com a berinjela. Digamos que meu primeiro encontro com o vegetal, ainda criança, foi bastante desagradável e isso foi determinante para nosso relacionamento instável.
Certa vez foi com minha mãe e meu irmão em uma excursão que tinha como objetivo passear por algumas cidades visitadas apenas por casais de velhinhos e pessoas que realmente estão [im]pressionadas pela perspectiva de participar de um grupo que viaja de ônibus. Bem, coisas estranhas à parte, é assim que começa minha história de ódio e tolerância com a berinjela.
Nessa excursão, hospedamo-nos em um hotel cujas refeições eram bastante satisfatórias, de acordo com as minhas não confiáveis lembranças de infância. Algumas coisas ficaram bem registradas como a manteiga em bolotinhas que ficava em uma espécie de tina de metal cheia de água, gelo e bolinhas amarelas. Isso foi uma coisa que me impressionou por eu nunca ter visto antes e acho que no momento em que vi pensei no absurdo de ter manteiga na água. Recordo também do salão grande em que comíamos, com muitas mesas e pessoas, que hoje deixa a impressão de ter me hospedado em um hotel grande, do tipo prédio, como dificilmente escolho para ficar quando viajo.
O lance das berinjelas, aconteceu num jantar nesse hotel. Todos se serviam em torno da mesa com as comidas e eu avistei uma cuba dessas de self-service com um picadinho de cubos marrons. Conclusão: eu achei que fosse picadinho de carne e fui na fé e no olho grande pegar a tal carne. Na hora que mordi a coisa, obviamente não se tratava de carne coisa nenhuma mais sim de berinjela. Há um lapso nessa história, pois não sei ao certo como eu fiquei sabendo que aquilo que eu comera era berinjela e só me lembro de fato de uma coisa: não era carne!
Meu ódio, então, não se refere ao gosto da comida em si, mas ao desgosto de ter uma grande expectativa frustrada na primeira mordida. Sem contar o gosto amargo da berinjela, especialmente, para um paladar infantil como era o meu caso. Fiquei muito puta ao morder aqueles cubinhos pequenos e descobrir que não eram o que eu esperava e isso foi irreconciliável. Daí em diante eu jurei ódio ao vegetal em questão e não mais quis saber dele de nenhum modo. Claro que isso foi facilitado pela cultura gastronômica geral da minha casa, a qual não incluía berinjela no cardápio, salvo - é claro - quando virou moda passageira utilizar o seu sumo [ou cápsulas - dã!] em mandingas emagrecedoras milagrosas. Mas isso também não foi pra frente lá em casa e se restringia aos adultos.
Mesmo depois de crescida, já com uma parte do discernimento formado [pelo menos é o que se supõe], ainda não via motivos reais para fazer da berinjela um vegetal comível em minha rotina alimentar. Passei também pela fase do repudiar o seu aspecto, o qual considerava nojento e pouco apetitoso, e já cheguei a recusar um pouco daquele famoso antepasto. Para mim não era concebível comer tal mistura de coisas com aquelas tirinhas marrons ameaçadoras de qualquer senso de estética dos alimentos. Enfim, tenham paciência com uma alma adolescente e com todas os problemas e virtudes que dela possam advir.
O que me fez mudar? Realmente não sei. Num belo dia acordei achando o tal antepasto uma coisa adorável e bem bonita, vai entender. Ainda assim, eu só achei uma foto bonita e apetitosa e não estive em contato com a coisa de fato, apenas o interesse despertado e uma possibilidade de mudança no jogo. Ah! Isso foi a bastante tempo e me lembro que vi a foto de uma página impressa do site da Ana Maria Braga com o antepasto no carro do meu pai, quando estávamos indo - eu e meu irmão - passar um fim de semana na casa dele. Ainda cheguei a comentar, sabe lá porque, que aquilo era gostoso sem nunca ter experimentado nada parecido antes. Acho que foi a foto!
Depois desse súbito e infundado rompante de amor ao vegetal antes odiado levou ainda um bom tempo até que eu resolvesse experimentá-lo e quando o fiz - já na fase adulta - o resultado da tentativa não foi muito satisfatório. Acho que a preparação não estava das melhores - comi no restaurante que costumo almoçar perto do trabalho - e tinha um gosto bastante amargo e oleoso, além do aspecto não muito palatável. Peguei aquela mínima porção de berinjelas refogas naquele dia por raiva de mim mesmo [talvez] ou por estar com muita vontade de provar para mim mesmo que poderia gostar de berinjela. Que saga!
Deixei pra lá, até que um belo dia em que, no mesmo restaurante, nenhuma das carnes me pareceram saborosas o suficiente e a vontade de comê-las era nula [acho que meu problema era com carnes em geral no dia]. Nesse ponto já havia começado a minha mudança de hábitos alimentares e ao avistar um tabuleiro cheio de disquinhos de berinjela cobertas de queijo e com molho de tomates, sabia que seria esse o meu almoço. Não deu outra, estavam deliciosas, no ponto correto em termos de textura [nem muito moles, nem muito duras] e comi tudo aquilo com gosto e com a satisfação da vitória.
Tanto que decidi que iria reproduzir a receita em casa e tentar convencer até os mais radicais que sim, berinjela era bom. Concluí, acertadamente, que o apelo ao queijo seria de grande valia para tocar os corações mais inquietos. Assim, após muitas olhadelas de soslaio para banca de berinjela no sacolão, muita dúvida sobre levá-las ou não para casa naquela compra e muita resistência por parte dos acompanhantes de mercado dizendo: "Pra quê isso aí?", comprei duas berinjelas pequenas e finas [por algum motivo oculto achei que elas finas são melhores].
Ontem foi o dia de me aventurar na cozinha com elas. Preparei meu espírito para as questões por vir e segui em frente com buscas infinitas pela internet para achar algum prato que pela foto fosse semelhante com o do restaurante. Muitas dúvidas! Nunca havia cozinhado berinjela antes na minha vida e não podia errar com tanta expectativa em jogo. Não sabia se cozinharia adequadamente apenas no forno com o molho, se precisava cozinhar antes, for as milhares de dicas diferentes de como tirar o amargo essencial. Desisti das receitas e iniciei uma empreitada meio free style, by myself, com leve inspiração numa berinjela à parmegiana.
Cortei uma delas em discos grossos, coloquei em um escorredor e salpiquei sal por sobre elas [dica um para tirar o amargo], depois coloquei elas mergulhadas na água com vinagre e deixei por meia hora [dica dois para tirar o amargo]. Na dúvida usei todas as dicas de tirar amargo e de certo não sei qual a que fez efeito. Escorri bem, sequei no secador de saladas e, na dúvida, resolvi grelhar cada um dos discos numa frigideira quente com sal e pimenta e uns pedacinhos de alho que passei na chapa só pra dar o ar da graça [vai que grelhar é importante]. Então dispus os discos em um refratário, esquentei o molho de tomate pronto com alho, salsão, manjericão e pimenta. Joguei o molho sobre os discos no refratário e cobri com uma quantidade exagerada de muçarela, umas raspinhas de parmesão e folhas decorativas de manjericão. Depois forno para gratinar.
| Você comeria um prato como esse? |
| E como esse? |
Antes de ir para o forno fui mostrar o refratário coberto de queijo para os mais desconfiados e perguntei: "Olha que lindo! Você não comeria um prato como esse?". A resposta foi: "Aí é que tá! Pela aparência comeria sem dúvida, o problema é o que ela esconde. É uma armadilha! It's a tramp!". Tive que rir descontroladamente mas segui com os planos.
Na mesa, ainda cercada de desconfiança, a berinjela ao forno foi para os pratos e passou com louvor no seu teste de redenção vegetal. Todos adoraram, ficou melhor que a do restaurante e eu já pude até sugerir, sem cometer nenhuma heresia, uma versão de pizza de berinjela.
Mas... Todo processo é lento e cômico nesta residência e o comentário que obtive quando falei - "Agora você gosta de berinjela, que bom! Você é um amante de berinjela!" - foi esse: "Calma aí! Eu gosto desse tipo de berinjela aqui, com muito queijo e nenhuma outra!"
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
O cheiro do bife
Estou sentada no sofá enrolada na coberta em pleno janeiro e o bife do almoço de hoje ainda exala seu odor de chapa gordurenta pela minha pequena sala.
Enquanto escrevo fico incomodada com esse cheiro e não há o que se possa fazer, apenas uma alegria velada de saber que eram os últimos bifes que moravam no meu freezer e, sim, depois de uns três ou quatro meses que decidi mudar a minha alimentação eu consegui zerar o meu estoque de carnes estocadas. O que eu estava esperando com tanta carne estocada, uma guerra nuclear? A campanha freezer de abrigo anti-nuclear nunca mais, continua.
E agora, vou levantar para fazer um caldinho quente e confortante de feijão. Em janeiro, OMG!
Enquanto escrevo fico incomodada com esse cheiro e não há o que se possa fazer, apenas uma alegria velada de saber que eram os últimos bifes que moravam no meu freezer e, sim, depois de uns três ou quatro meses que decidi mudar a minha alimentação eu consegui zerar o meu estoque de carnes estocadas. O que eu estava esperando com tanta carne estocada, uma guerra nuclear? A campanha freezer de abrigo anti-nuclear nunca mais, continua.
| Metalinguagem? |
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Churrasco Parte II: A missão de fim de ano
Eu juro, não sei o que penso quando me proponho a determinadas coisas. Estava com essa pulga desde o fatídico último dia do ano passado - anteontem -, mas sem saber se devia ou não escrever sobre isso. Como protelei na escrita fiquei chateando a pobre alma que mora comigo com minhas insatisfações alimentares e sociais. Por sorte, creio que a opinião dele tende a ser muito parecida com a minha, especialmente no que diz respeito a parte do social e financeira - já que o evento não foi barato - e acho que ficamos os dois mal-humorados e ranzinzas durante "a virada".
Havia desistido de relatar tudo isso, porque é chato e levemente desagradável, mas atende a proposta número 3 desse espaço pessoal que é lembrar de coisas, sejam elas para serem repetidas ou não. Além do que, navegando por aí neste dia preguiçoso e feio [definitivamente os dias chuvosos não são pra mim], li alguns outros relatos de pessoas tão sensatas ou tão incomodadas quanto eu com situações como as que serão descritas que acho que fiquei mais tentada a fazer esse apontamento. Embora eu tivesse certeza absoluta que a pretensa felicidade da grande maioria das pessoas nessas ocasiões não passa de um clichê mal colocado e que não reflete de fato o que elas estão pensando ou querendo daquele momento.
Escrevo pelas razões [abaixo] que dei tentando amenizar a frustração do que me acompanha quando ele veio me ajudar na cozinha e falou o seguinte.
"Poxa, a gente teve que organizar tudo, perdeu tempo, gastou dinheiro e foi tudo um horror: música que eu odeio, gente feliz sem saber porque e comida ruim."
"Pelo menos serve de experiência para que nunca mais façamos isso."
"É mesmo, não quero mais saber de churrasco, só quero salada agora!" - Essa parte me deixou realmente preocupada com a sanidade mental dele.
Tudo começou com a ideia de fazer uma confraternização coletiva de fim de ano com algumas pessoas da vizinhança no condomínio. Muita empolgação inicial e pouca pausa para analisar o cenário como um todo, o que me levaria a concluir o óbvio: não tem como isso dar certo para todo mundo. O saldo geral das reuniões com os vizinhos, usualmente ornadas com churrasco, salvo uma ou outra indisposição com a comida motivadas pelo aumento proporcional de senso crítico em relação ao que entra dentro de mim, é satisfatoriamente positivo. Como toda reunião despretensiosa, cada um tolera, nas poucas horas de convívio, as manias, estranhezas e idiossincrasias mutuamente e o que fica é o papo agradável, as risadas e narrativas de episódios sem importância da vida de cada um.
Acontece que numa data festiva - como o réveillon - parece que todo mundo surta - é picado por algum inseto alienígena talvez? - e aquela ideia de reunião agradável e divertida não se encaixa na necessidade de fazer a "festa" e "comemorar" o ano novo. Só que, eu não sei em relação aos outros, mas para mim parece uma tremenda "forçação de barra" estar feliz e ficar cantando e dançando como se isso fosse uma atitude normal das pessoas envolvidas na questão. Coisas como: "Bebe aí para começar a se soltar". Abraços calorosos de pessoas que costumam a oferecer apenas um tratamento educadamente formal. Atitudes pouco sinceras e um desagradável desconforto potencializado pela incoerência entre ser e parecer. Todos em papéis construídos para uma situação atípica e completamente fora de propósito. Talvez se um observador distante analisasse a cena de pessoas dançando em volta do fogo concluiria que não passam realmente de primitivos seres estranhos, muito estranhos. E, segundo o adorável rabugento que mora comigo, o papel dele foi o de idiota. "Por que as pessoas tem que ficar dançando igual a umas loucas?" "Por que não podem simplesmente sentar e trocar uma ideia como a gente sempre faz?"
Eu não quero beber para ser uma pessoa que não sou normalmente. Obrigada, mas a minha vida é boa e na maioria das vezes me sinto bem comigo mesma, logo, não preciso de nenhuma ocasião especial para ser outra coisa, não preciso da permissividade de datas festivas socialmente estipuladas para liberar um traço oculto de minha personalidade. Sinceramente, eu gosto muito de ter controle sobre minha mente e meus atos para abrir mão dele por causa de bebida. Eu gosto do jeito que eu sou e quero ser assim sempre - na alegria e na tristeza. Ops! Até quando estou mal-humorada gosto de ser eu mesma em um estado que não é aconselhável chegar perto de ninguém, mas ainda assim eu mesma, entendendo que isso faz parte da vida e que uma hora vai passar. Isso tá parecendo aqueles conteúdos de fim de ano - outra coisinha abominável e desnecessária, sempre com os mesmos assuntos requentados e que são esquecidos, abandonados ou inutilizados no caminho -, mas não é não. É apenas uma reflexão pessimista, emburrada, porém autêntica.
O fato é que eu, ingenuamente, achei que seria mais uma reunião com conversa, comida e horas agradáveis, enquanto o mundo pensava em encher a cara, dançar músicas de gosto duvidoso e cantar alegre e desafinadamente algumas pérolas do cancioneiro popular como se isso fosse uma coisa normal. E até agora eu nem falei da comida. Ih, a comida. O que me deixa intrigada é que passam 364 dias e ninguém faz esse tipo de coisa nenhuma vez sequer, em nenhuma ocasião específica. Tanto que, um dos vizinhos que não participou do circo e ficou em sua casa, com a sua família, rindo e conversando na sala de estar, sem nenhuma música tocando e sem a necessidade de estar na "festa de réveillon do condomínio", nos causou um tanto de inveja e aumentou consideravelmente o nosso descontentamento. Tudo o que nós - eu e meu querido companheiro - queríamos era exatamente aquilo: estar sentado rindo e conversando, comendo moderadamente e no silêncio das músicas de elevador, ou seja, o que fazemos sempre sem precisar ficar entediado preso numa situação desagradável por pura convenção social.
Acho que não vou falar da comida, porque é um pé no saco. Churrasco, mal feito, com carnes que não costumamos comer - mas é réveillon, né?, e, pra completar meu infortúnio, nem o que eu me propus a fazer eu consegui deixar do jeito que eu considero aceitável, sem falar na minha mais nova nêmesis [gostei dessa palavra ultimamente], que é aceitar que o paladar das pessoas não é exatamente fruto de uma experiência sensorial objetiva e sim uma convenção muito relacionada a impressão que consumir determinado tipo de carne ou bebida - caros e supostamente chiques - passam até mesmo para quem os consome. Isso é meio estranho, mas já comecei agora vou terminar.
Comida pra mim deve ser cara por ser de qualidade e não porque pareço uma pessoa mais nobre se comer salmão no lugar de sardinha e beber vinho francês no lugar de vinho nacional. Posso gastar mais dinheiro que o normal com um tempero diferenciado - como a baunilha - por saber que aquilo irá incrementar sabor ao meu sorvete e por confiar que comerei um sorvete mais gostoso. Mas isso não vai ser incorporado ao sorvete como chancela de nobreza e diferenciação e nem pretendo que isso aconteça. Do mesmo modo, não quero comer um pedaço duro e mal feito de picanha, só porque isso confere um status de coisa fina ao churrasco festivo. Não sou rica e nem pretendo ser, não sou nobre e nem pretendo ser. Como com gosto coisas simples e bem feitas e sofisticadas se também forem feitas corretamente. Não abriria mão de um bom pedaço de picanha, desde que assada corretamente, no ponto certo e do jeito que tem que ser feita e não porque é "picanha, né gente?".
That's enough! Acaba assim sem final mesmo!
Voltei, pois olhando em perspectiva, tenho coisas boas pra contar. O melhor do churrasco foi a batata assada com requeijão. A costelinha de porco ficou muito melhor hoje, desfiada com molho de tomate, misturada ao arroz de "festa", com passas e ao forno. O melhor almoço de restos já comido, segundo fontes muito confiáveis. E, lembrei, ainda tenho batatas para assar.
Havia desistido de relatar tudo isso, porque é chato e levemente desagradável, mas atende a proposta número 3 desse espaço pessoal que é lembrar de coisas, sejam elas para serem repetidas ou não. Além do que, navegando por aí neste dia preguiçoso e feio [definitivamente os dias chuvosos não são pra mim], li alguns outros relatos de pessoas tão sensatas ou tão incomodadas quanto eu com situações como as que serão descritas que acho que fiquei mais tentada a fazer esse apontamento. Embora eu tivesse certeza absoluta que a pretensa felicidade da grande maioria das pessoas nessas ocasiões não passa de um clichê mal colocado e que não reflete de fato o que elas estão pensando ou querendo daquele momento.
Escrevo pelas razões [abaixo] que dei tentando amenizar a frustração do que me acompanha quando ele veio me ajudar na cozinha e falou o seguinte.
"Poxa, a gente teve que organizar tudo, perdeu tempo, gastou dinheiro e foi tudo um horror: música que eu odeio, gente feliz sem saber porque e comida ruim."
"Pelo menos serve de experiência para que nunca mais façamos isso."
"É mesmo, não quero mais saber de churrasco, só quero salada agora!" - Essa parte me deixou realmente preocupada com a sanidade mental dele.
Tudo começou com a ideia de fazer uma confraternização coletiva de fim de ano com algumas pessoas da vizinhança no condomínio. Muita empolgação inicial e pouca pausa para analisar o cenário como um todo, o que me levaria a concluir o óbvio: não tem como isso dar certo para todo mundo. O saldo geral das reuniões com os vizinhos, usualmente ornadas com churrasco, salvo uma ou outra indisposição com a comida motivadas pelo aumento proporcional de senso crítico em relação ao que entra dentro de mim, é satisfatoriamente positivo. Como toda reunião despretensiosa, cada um tolera, nas poucas horas de convívio, as manias, estranhezas e idiossincrasias mutuamente e o que fica é o papo agradável, as risadas e narrativas de episódios sem importância da vida de cada um.
Acontece que numa data festiva - como o réveillon - parece que todo mundo surta - é picado por algum inseto alienígena talvez? - e aquela ideia de reunião agradável e divertida não se encaixa na necessidade de fazer a "festa" e "comemorar" o ano novo. Só que, eu não sei em relação aos outros, mas para mim parece uma tremenda "forçação de barra" estar feliz e ficar cantando e dançando como se isso fosse uma atitude normal das pessoas envolvidas na questão. Coisas como: "Bebe aí para começar a se soltar". Abraços calorosos de pessoas que costumam a oferecer apenas um tratamento educadamente formal. Atitudes pouco sinceras e um desagradável desconforto potencializado pela incoerência entre ser e parecer. Todos em papéis construídos para uma situação atípica e completamente fora de propósito. Talvez se um observador distante analisasse a cena de pessoas dançando em volta do fogo concluiria que não passam realmente de primitivos seres estranhos, muito estranhos. E, segundo o adorável rabugento que mora comigo, o papel dele foi o de idiota. "Por que as pessoas tem que ficar dançando igual a umas loucas?" "Por que não podem simplesmente sentar e trocar uma ideia como a gente sempre faz?"
Eu não quero beber para ser uma pessoa que não sou normalmente. Obrigada, mas a minha vida é boa e na maioria das vezes me sinto bem comigo mesma, logo, não preciso de nenhuma ocasião especial para ser outra coisa, não preciso da permissividade de datas festivas socialmente estipuladas para liberar um traço oculto de minha personalidade. Sinceramente, eu gosto muito de ter controle sobre minha mente e meus atos para abrir mão dele por causa de bebida. Eu gosto do jeito que eu sou e quero ser assim sempre - na alegria e na tristeza. Ops! Até quando estou mal-humorada gosto de ser eu mesma em um estado que não é aconselhável chegar perto de ninguém, mas ainda assim eu mesma, entendendo que isso faz parte da vida e que uma hora vai passar. Isso tá parecendo aqueles conteúdos de fim de ano - outra coisinha abominável e desnecessária, sempre com os mesmos assuntos requentados e que são esquecidos, abandonados ou inutilizados no caminho -, mas não é não. É apenas uma reflexão pessimista, emburrada, porém autêntica.
O fato é que eu, ingenuamente, achei que seria mais uma reunião com conversa, comida e horas agradáveis, enquanto o mundo pensava em encher a cara, dançar músicas de gosto duvidoso e cantar alegre e desafinadamente algumas pérolas do cancioneiro popular como se isso fosse uma coisa normal. E até agora eu nem falei da comida. Ih, a comida. O que me deixa intrigada é que passam 364 dias e ninguém faz esse tipo de coisa nenhuma vez sequer, em nenhuma ocasião específica. Tanto que, um dos vizinhos que não participou do circo e ficou em sua casa, com a sua família, rindo e conversando na sala de estar, sem nenhuma música tocando e sem a necessidade de estar na "festa de réveillon do condomínio", nos causou um tanto de inveja e aumentou consideravelmente o nosso descontentamento. Tudo o que nós - eu e meu querido companheiro - queríamos era exatamente aquilo: estar sentado rindo e conversando, comendo moderadamente e no silêncio das músicas de elevador, ou seja, o que fazemos sempre sem precisar ficar entediado preso numa situação desagradável por pura convenção social.
Acho que não vou falar da comida, porque é um pé no saco. Churrasco, mal feito, com carnes que não costumamos comer - mas é réveillon, né?, e, pra completar meu infortúnio, nem o que eu me propus a fazer eu consegui deixar do jeito que eu considero aceitável, sem falar na minha mais nova nêmesis [gostei dessa palavra ultimamente], que é aceitar que o paladar das pessoas não é exatamente fruto de uma experiência sensorial objetiva e sim uma convenção muito relacionada a impressão que consumir determinado tipo de carne ou bebida - caros e supostamente chiques - passam até mesmo para quem os consome. Isso é meio estranho, mas já comecei agora vou terminar.
Comida pra mim deve ser cara por ser de qualidade e não porque pareço uma pessoa mais nobre se comer salmão no lugar de sardinha e beber vinho francês no lugar de vinho nacional. Posso gastar mais dinheiro que o normal com um tempero diferenciado - como a baunilha - por saber que aquilo irá incrementar sabor ao meu sorvete e por confiar que comerei um sorvete mais gostoso. Mas isso não vai ser incorporado ao sorvete como chancela de nobreza e diferenciação e nem pretendo que isso aconteça. Do mesmo modo, não quero comer um pedaço duro e mal feito de picanha, só porque isso confere um status de coisa fina ao churrasco festivo. Não sou rica e nem pretendo ser, não sou nobre e nem pretendo ser. Como com gosto coisas simples e bem feitas e sofisticadas se também forem feitas corretamente. Não abriria mão de um bom pedaço de picanha, desde que assada corretamente, no ponto certo e do jeito que tem que ser feita e não porque é "picanha, né gente?".
That's enough! Acaba assim sem final mesmo!
Voltei, pois olhando em perspectiva, tenho coisas boas pra contar. O melhor do churrasco foi a batata assada com requeijão. A costelinha de porco ficou muito melhor hoje, desfiada com molho de tomate, misturada ao arroz de "festa", com passas e ao forno. O melhor almoço de restos já comido, segundo fontes muito confiáveis. E, lembrei, ainda tenho batatas para assar.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
O que você faz
O que você faz quando está na sala vendo novela da tarde - coisas que só as férias proporcionam - e aparece um sujeito na porta que dá para a cozinha abraçado em um pote de tampa verde, sorrindo com cara de carrocho pidão e esse sujeito fica te olhando com essa cara e, sem falar uma palavra, vem até você no sofá, coloca o pote de tampa verde do seu lado e sai?
Resposta: Granola.
Resposta: Granola.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Um fim de semana sem inspiração, um pão que não deu certo e morango. Ah os morangos!
Yes, nós temos morangos!
Pra começar um post como esse, que mais parece um triste samba canção para um fim de semana chuvoso, nada melhor que uma pequena felicidade, já que ainda "é melhor ser alegre que ser triste". E, nada melhor para trazer pequenas felicidades sinceras do que o seu pé de morango dar morangos. Nunca acreditei ser possível plantar e colher qualquer coisa, embora nunca tenha me faltado vontade desde os tempos imemoriais em que se plantava feijão no algodão molhado para trabalho de escola.
Lembrando de feijões, a outra "plantação" da qual também tenho lembrança - quando ainda era um girino - é de uma cebola esquecida na geladeira que se agarrou em um pedaço de esponja [usada na época para retar a umidade da gaveta de vegetais] e brotou. A bicha fez uma raiz gigante e só não me lembro se conseguimos utilizar a esponja depois disso novamente.
Mas não é que a minúscula muda de morango comprada em uma lojinha de plantas só de brincadeira é um verdadeiro Gremilin das frutinhas. Multiplica rapidamente e já está espalhando por toda a horta, sem utilização de nenhum produto além de água. E isso é uma grande satisfação.
Para quem nunca teve pretensão de ter alimentos plantados em casa esse ano até que foi bem frutífero e não posso me queixar. Desde que me mudei procuro manter uma pequena hortinha em vasos que já produzem os temperos que mais gosto. Manjericão [se a gente não comê-lo é capaz dele comer a gente], tomilho, hortelã, manjerona, orégano [que está florindo], todos em vasos.
Mas esse ano, com a criação de uma floreira e de uma horta no condomínio, já colhi tomates, couve, sálvia, rúcula e outras modalidades de vegetais nunca antes imaginados. De sujeito urbano que não conhecia nem o básico das espécies comestíveis que não vendem no mercado, passei a plantadora compulsiva; tudo o que brota da terra é plantado pra ver se pega.
O morango orgânico e caseiro estava realmente muito saboroso, do jeito como a fruta deve ser. Macio e azedo na medida certa, livre de contaminação e com gosto de quem não come morango há um século. Pelo menos desde quando se alarmou toda a população do nível de substâncias perigosas utilizadas nas plantações e presentes residualmente nos morangos de supermercado.
Então depois de um malfadado pão que levou um dia todo fermentando e não forneou bem. O pão parecia que ia mas não foi, ficou cascudo tipo quebra dente e machuca boca e com a massa muito densa. Era pra ser uma massa meio sourdough, que foi executada com muita paciência e parcimônia por quase 12 horas e que desandou na hora de ir para o forno. Primeiro porque foi um parto tirar o pão do pano em que ficou descansando para a superfície onde ia assar, pois a massa era delicada e mole demais para ser manuseada sem deformar. Uma vez no forno, o pão se comportou bem no início, demovendo minhas expectativas frustadas com a saga anterior ele deu uma crescida e começou a tomar forma. Depois o cheiro da derrota: o gás acabou [merda, merda, merda] e nem sei quanto tempo o forno ficou apagado. Não sei se foi falta de vapor ou de gás, mas o troço desandou; demorou um tempão para ficar no ponto, muito além dos 30 minutos sugeridos na receita, e quando fomos comer: decepção. Nem tão sour assim, parecia mais uma overfermentação e com a casca dura demais. Ontem o miolo ainda estava macio, mas hoje me foi sugerido que usasse uma Makita pra cortá-lo. Bom nem só de sucessos vive uma cozinha.
Consequência: hoje a minha disposição para cozinha estava no nível zero. Eu já tava achando que pães artesanais não eram para mim e que de agora em diante só faria pães simples, com fermentação direta e já testados com sucesso por mim mesma. Esses pensamentos nefastos estavam contrariando toda empolgação panificadora que ontem me animou até a pensar em produzir meu primeiro fermento natural nas férias. Tentando colocar as coisas em perspectiva, tendo a optar pelo meio termo no qual os pães artesanais só serão feitos em dias de muita inspiração culinária e de sol [dias de chuva não me fazem muito bem], não sendo eles nunca uma opção para substituir o pão do dia a dia. Isso porque depois dessa experiência, como iremos comer o pão durinho assim mesmo, fiquei com peninha daqueles que terão que aturar a massa pesada pelo resto da semana, mesmo ele não tendo falado nada sobre esse assunto.
Mas aí veio o morango. Ah! O morango! O que ele tem haver com isso? Deixou meu dia bem melhor logo cedo e até o sol saiu [isso não é uma metáfora]. Meus pensamentos anti-panificadores foram sendo dissipados e acho que com o próximo pão bem sucedido, provavelmente uma foccacia tiro certo, e as férias se aproximando minha regulagem vai voltar ao normal e vou até arriscar um panettone. Afinal, eu até comprei um livro só de pães!!
Restabelecida a normalidade culinária nesta cozinha até o pobre pão ruim teve seu acesso ao estrelato. Virou ingrediente numa bela salada com manjericão, azeite, alho frito, pimenta cambuci, cebola e sardinha. Que recebeu um único comentário após ser comida no almoço: "E agora, o que tem pro prato principal?".
"Rá."
De todo o modo, esse fim de semana não foi lá essas coisas em termos culinarísticos, mesmo com a recuperação pós-morango. Tenho que fazer compras, porque estou adiando isso há exatas duas semanas, colocar algumas coisas para funcionar, de modo que mantenha meu espírito de comer melhor, e ainda tenho que superar o episódio da frigideira amaldiçoada que fez minha omelete de atum grudar no almoço de ontem. Tenho que dizer, apesar disso beirar a humilhação, que a frigideira é antiaderente. Por isso, acredito piamente que ela estava ou está amaldiçoada pelos deuses do ovo grudado.
Pra começar um post como esse, que mais parece um triste samba canção para um fim de semana chuvoso, nada melhor que uma pequena felicidade, já que ainda "é melhor ser alegre que ser triste". E, nada melhor para trazer pequenas felicidades sinceras do que o seu pé de morango dar morangos. Nunca acreditei ser possível plantar e colher qualquer coisa, embora nunca tenha me faltado vontade desde os tempos imemoriais em que se plantava feijão no algodão molhado para trabalho de escola.
Lembrando de feijões, a outra "plantação" da qual também tenho lembrança - quando ainda era um girino - é de uma cebola esquecida na geladeira que se agarrou em um pedaço de esponja [usada na época para retar a umidade da gaveta de vegetais] e brotou. A bicha fez uma raiz gigante e só não me lembro se conseguimos utilizar a esponja depois disso novamente.
Mas não é que a minúscula muda de morango comprada em uma lojinha de plantas só de brincadeira é um verdadeiro Gremilin das frutinhas. Multiplica rapidamente e já está espalhando por toda a horta, sem utilização de nenhum produto além de água. E isso é uma grande satisfação.
| Pé de Morango |
| Morango Antes |
| Morango Depois |
Mas esse ano, com a criação de uma floreira e de uma horta no condomínio, já colhi tomates, couve, sálvia, rúcula e outras modalidades de vegetais nunca antes imaginados. De sujeito urbano que não conhecia nem o básico das espécies comestíveis que não vendem no mercado, passei a plantadora compulsiva; tudo o que brota da terra é plantado pra ver se pega.
O morango orgânico e caseiro estava realmente muito saboroso, do jeito como a fruta deve ser. Macio e azedo na medida certa, livre de contaminação e com gosto de quem não come morango há um século. Pelo menos desde quando se alarmou toda a população do nível de substâncias perigosas utilizadas nas plantações e presentes residualmente nos morangos de supermercado.
Então depois de um malfadado pão que levou um dia todo fermentando e não forneou bem. O pão parecia que ia mas não foi, ficou cascudo tipo quebra dente e machuca boca e com a massa muito densa. Era pra ser uma massa meio sourdough, que foi executada com muita paciência e parcimônia por quase 12 horas e que desandou na hora de ir para o forno. Primeiro porque foi um parto tirar o pão do pano em que ficou descansando para a superfície onde ia assar, pois a massa era delicada e mole demais para ser manuseada sem deformar. Uma vez no forno, o pão se comportou bem no início, demovendo minhas expectativas frustadas com a saga anterior ele deu uma crescida e começou a tomar forma. Depois o cheiro da derrota: o gás acabou [merda, merda, merda] e nem sei quanto tempo o forno ficou apagado. Não sei se foi falta de vapor ou de gás, mas o troço desandou; demorou um tempão para ficar no ponto, muito além dos 30 minutos sugeridos na receita, e quando fomos comer: decepção. Nem tão sour assim, parecia mais uma overfermentação e com a casca dura demais. Ontem o miolo ainda estava macio, mas hoje me foi sugerido que usasse uma Makita pra cortá-lo. Bom nem só de sucessos vive uma cozinha.
Consequência: hoje a minha disposição para cozinha estava no nível zero. Eu já tava achando que pães artesanais não eram para mim e que de agora em diante só faria pães simples, com fermentação direta e já testados com sucesso por mim mesma. Esses pensamentos nefastos estavam contrariando toda empolgação panificadora que ontem me animou até a pensar em produzir meu primeiro fermento natural nas férias. Tentando colocar as coisas em perspectiva, tendo a optar pelo meio termo no qual os pães artesanais só serão feitos em dias de muita inspiração culinária e de sol [dias de chuva não me fazem muito bem], não sendo eles nunca uma opção para substituir o pão do dia a dia. Isso porque depois dessa experiência, como iremos comer o pão durinho assim mesmo, fiquei com peninha daqueles que terão que aturar a massa pesada pelo resto da semana, mesmo ele não tendo falado nada sobre esse assunto.
Mas aí veio o morango. Ah! O morango! O que ele tem haver com isso? Deixou meu dia bem melhor logo cedo e até o sol saiu [isso não é uma metáfora]. Meus pensamentos anti-panificadores foram sendo dissipados e acho que com o próximo pão bem sucedido, provavelmente uma foccacia tiro certo, e as férias se aproximando minha regulagem vai voltar ao normal e vou até arriscar um panettone. Afinal, eu até comprei um livro só de pães!!
Restabelecida a normalidade culinária nesta cozinha até o pobre pão ruim teve seu acesso ao estrelato. Virou ingrediente numa bela salada com manjericão, azeite, alho frito, pimenta cambuci, cebola e sardinha. Que recebeu um único comentário após ser comida no almoço: "E agora, o que tem pro prato principal?".
"Rá."
De todo o modo, esse fim de semana não foi lá essas coisas em termos culinarísticos, mesmo com a recuperação pós-morango. Tenho que fazer compras, porque estou adiando isso há exatas duas semanas, colocar algumas coisas para funcionar, de modo que mantenha meu espírito de comer melhor, e ainda tenho que superar o episódio da frigideira amaldiçoada que fez minha omelete de atum grudar no almoço de ontem. Tenho que dizer, apesar disso beirar a humilhação, que a frigideira é antiaderente. Por isso, acredito piamente que ela estava ou está amaldiçoada pelos deuses do ovo grudado.
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