segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cozinha produtiva em 3, 2... 1

Hoje, 22 de dezembro, nada como as férias para fazer com que a cozinha seja produtiva. Resultado de um dia de produção a toda é muita comida e por sorte, até agora dando certo.

Começando pelo que ficou pronto primeiro. Bolo de limão. Receita já testada muitas vezes e que normalmente funciona. Bolo fofinho, aerado e com goto acentuado de limão, porque, bem, leva suco de limão na massa, né? As únicas alterações do original são a falta de cobertura, porque cobertura não é muito bem aceita por essas bandas, e uma redução drástica na quantidade de manteiga da receita original. Usei 100 gramas, metade do que pedia a receita. Aliás, já venho testando esse bolo com menos manteiga toda vez que faço, mas o limite tinha sido 150 gramas. Hoje reduzi mais 50 gramas e comprovei o que já desconfiava por lógica de ciência bolística, para 300 gramas de farinha de trigo usar 200 gramas de manteiga é só um passo a mais para a ponte de safena. Aliás 2: essa é a única implicanciazinha que tenho em relação ao receitas do site em questão, é sempre muita manteiga. Mas que fique claro que as adoro o site, acompanho pelo feed, gosto muito do texto da autora e sempre tenho sucesso com as receitas publicadas. Acabo mesmo é dando uma filtrada pela quantidade de manteiga presente na receita ou faço testes reduzindo a sua proporção.

Bolo de limão, com limão mesmo

De perto
A segunda coisa que ficou pronta, foi um tabuleiro de granola, mas essa é a mesma receita que venho fazendo e adaptando a muito tempo. Tem algumas coisas interessantes que acontecem com essa granola. Ela nunca fica com o mesmo gosto e depois que comecei a fazer nunca mais comprei granola industrializada para comermos em casa. Vai um pouco de tudo e a receita já está totalmente adaptada ao nosso gosto [meu gosto] por menos açúcar [essa é uma vantagem] e também a praticidade para preparar. Tudo vai em um único recipiente, suja menos louça e normalmente faço quando dá pra aproveitar o forno de alguma maneira. Prático e rápido. Enquanto escrevo isso a outra parte dessa história tá lá comendo e guardando a granola - exatamente nessa ordem - para garantir sua cota de fibras da semana. E o cheiro do pão tá vindo do forno exatamente como deveria ser toda tarde meio chuvosa de domingo nas férias quando a pessoa acorda com uma inquietação que só pode ser um caboclo cozinhador acoplado.

E o pão é o terceiro prato do dia. Um pão de mandioca muito bom. Mesmo. Sério. Nunca tinha feito pão com outro ingrediente principal que não a farinha. Já havia pensado em pão de batata, mas não executei. Comi um pãozinho e ele está espetacular, cheiroso, com um aroma leve de alecrim e muito, mas muito fofo. E a casca. Hum, a casca. Tá tão crocante, fazendo barulho de pão que dá até gosto. Isso me fez anotar mentalmente [e textualmente também] que preciso testar as forminhas de silicone para panificação, visto que as melhores cascas foram dos três pãezinhos que coloquei nas forminhas de silicone porque não couberam no tabuleiro. A receita veio daqui, mas sofreu alteração. Reduzi a quantidade de farinha para 500g, sendo 400 gramas de farinha de trigo branca e 100 gramas de semolina. Acrescentei também um pouco de alecrim picado na massa que confere o efeito surpresa quando você morde e eventualmente sente o gosto da erva. Para a próxima tentativa, vou reduzir bastante a quantidade de fermento, nem que para isso tenha que aumentar o tempo de fermentação, pois acho irá ficar mais interessante e com menos cheiro e gosto da levedura. Creio que a receita foi pensada originalmente para não dar errado e por isso a quantidade de farinha e fermento são maiores que a necessidade real. 

Juntinhos

Pãezinhos de mandioca
Agora só falta o frango. Frango assado de domingo, só que ao estilo estripador... Em pedaços.

O hoje do post já é ontem, só que depois de um dia tão produtivo e da barriga cheia do jantar não consegui voltar para terminar a história.

Sem problema, pois pelo menos desta vez eu estou voltando para finalizar dignamente um post quando escrevo em algum ponto que vou fazê-lo. Ou quando fica uma ponta solta no texto.

O fato é que passei uma manhã inteira me xingando porque não lembrava de como fiz o último frango assado aqui em casa. Isso, porque na minha memória ele tinha ficado muito bom e podia ser repetido sem erro. Tempos difíceis esses sem anotar as coisas em um pedaço de papel virtual.

Daí que resignada por não conseguir acionar a lembrança, comecei a busca - meio que só pra não dizer que não fiz - por uma anotação da receita em algum bloco de notas, em algum arquivo de algum computador. Na minha fase off-blog eu anotava algumas coisas que achava sensacionais em um arquivo para lembrar e publicar em um futuro que sabia, já no momento em que aquilo era o presente, que nunca iria chegar. Eu dificilmente faço essas coisas que guardo/escrevo/prometo como meta que vou realizar no futuro. Isso gerou um sem número de bons textos de faculdade não lidos e outros tantos de boas receitas não preparadas e incontáveis e-mails mais longos para os quais eu nunca voltei.

Como já era de se esperar a busca deu em nada. Eu não tinha nenhuma anotação de frango assado para recorrer. Vai de cabeça mesmo. Puxa da memória e segue o fluxo. Coloquei o frango em uma marinada de alho, pimenta branca, coentro em grãos, páprica, sal, azeite, suco de 1/2 laranja e alecrim. Ficou por aproximadamente 6 horas na geladeira. Depois coloquei os pedaços de frango com a pele virada para baixo em uma assadeira que foi na boca do fogão com: azeite, pimenta do reino moída na hora por cima, alguns dentes de alho, alecrim, mais um pouquinho de sal e cebola cortada em quartos. Deixei a pele do frango ficar bem torradinha e coloquei a assadeira no forno baixo. Deixei cerca de meia hora e virei os pedaços para a pele ficar para cima e o cozimento continuar. Fui regando de tempo em tempo para não perder a suculência. Funcionou bem, mas da próxima vez viraria os pedaços antes de ir para o forno cobriria com alumínio e deixaria menos tempo. Acho que ganharei em suculência.

Com o fundo da assadeira fiz um molho e comemos com aipim que também foi ao forno com parmesão azeite, sal e pimenta. Acho que numa outra ocasião colocarei o aipim com o frango para ver o que acontece.

Nem eu consigo saber se esse é o lado certo da foto

Na boa, faltou só uma cerveja pra acompanhar. Até mesmo quem não é de beber alcoólicos sinalizou a falta como uma baixa na refeição. Fica pra próxima!

Quase que eu esqueço. Teve sobremesa. Sorvete de baunilha feito em casa [aqui] mas com 2 vezes a quantidade de leite eme relação ao creme de leite e 6 gemas. Não, não foi feito nessa mesma leva de cozinha produtiva, mas foi um dos melhores sorvetes de baunilha que eu já fiz até agora.

Foi corrido, cansativo [dormi como uma pedra depois de jantar + Breaking Bad]. No entanto, fiquei satisfeita com tudo o que produzi. Acho que acordei para isso ontem. Não sei se são as férias ou a necessidade de acabar com qualquer vestígio de comida em casa antes de viajar, mas continuo com a cabeça na cozinha. Rever prioridades talvez.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Entre fatias, entrementes

Talvez esteja inaugurando uma nova série no blog. Talvez não. Mas o fato é que calor e tentativas, até agora bem sucedidas de levar almoço para o trabalho [uma pausa aqui que estou de férias e então não sei como isso acabará], fizeram-se repensar o conceito de sanduíche de modo a torná-lo uma opção viável tento pela praticidade quanto pelo ponto de vista nutricional.

Falar em praticidade é algo óbvio. Como dois pães com recheio não vão ser uma coisa rápida, fácil e indolor. O que também nos leva a mais uma conclusão óbvia sobre as vantagens de ter um sanduíche para levar de almoço no trabalho. E leve, não ocupa muto espaço na bolsa; não precisa requentar; e, quando frio, é uma boa opção para os dias quentes, etc., etc., etc.

Daí para a parte de fazer com que seu corpo se mantenha funcionando, como substituição da refeição, deve conter várias camadas para fazer algum sentido nutricional. Adoro camadas! Adoro comida com camadas coloridas, que você corta e vira um desenho no prato.

Tenho experimentado algumas receitas e as de hoje são duas muito boas que levam lombo de porco defumado.

Entre frio e quente, entre pão, lombo e cebola 

2 pães de forma [nesse caso branco, porque era o que tinha, mas se tivesse de centeio, ou preto, ia ser ideal]
fatias de lombo de porco defumado
fatias de queijo minas frescal
1 cebola cortada em rodelas
folhas de radichio
mostarda

O modo de fazer tem uma lógica para otimizar o uso da panela e não perder muito tempo para montar. Eu, particularmente, organizei tudo cortado em uma tábua sobre o fogão e fui preparando os ingredientes separadamente em uma frigideira antiaderente.

Usei uma única frigideira para não perder o fio de praticidade necessária e economizar na hora da louça, mas se o pão pudesse ser feito separadamente, talvez ficasse melhor.

Primeiro de tudo: cebolas. Vão na frigideira com um pouco de manteiga, açúcar mascavo, sal e pimenta do reino até ficarem caramelizadas, ou um pouco antes [meu caso] se você estiver com pressa [muito eu]. ficou pronto? Com ou sem pressa? Reserve na própria tábua.

Agora vem as fatias de lombinho, as quais não precisam ser necessariamente passadas na chapa, mas tem gente que reclama que o "porco pode tá cru e é melhor esquentar um pouco só pra garantir".

Passado o lombo, é esquentar um pouco o pão e depois derreter o queijo, porque se derreter o queijo antes você pode ultrapassar a fronteira limite da quantidade aceitável de resíduos aceitáveis na panela para continuar usando ela sem lavar.

A montagem é simples: pão mostarda, radichio rasgado, lobinho, cebolas, queijo e... pão.

Acho que tomamos com um suco de limão e desceu muito bem.





domingo, 15 de dezembro de 2013

Selva de varanda

Tava com uma carência de fotos... E comidas que .. Eram meio nhem... Não eram fotogênicas.

Pimenta, sálvia, mais pimenta e um tomilho ensandecido

Dedo de Moça gigante, espinafre, sálvia, segurelha, manjericões, pimenta de cheiro, cebolinha francesa, hortelã.

Selvagem.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sobrou aipim do bom? Sopa

Essa é uma receita de sobras. Eu tô com muita má vontade para escrever ultimamente. No entanto sinto que boas ideias se perderão caso eu não as coloque no "papel". Essa sopa é uma dessas boas ideias que surgem no momento em que se cozinha e depois vão sendo suplantadas por novas coisas que acontecem e com a dinâmica de cozinhar para o dia a dia.

Não tá muito quente pra sopa? Não está meio fora de estação? Sim, mas felizmente onde eu moro o clima colabora bastante para o ato de comer alimentos quentes. Frio não tá, no entanto, à noite um caldinho cai bem e não mata os comensais de tanto suar.

Esse caldo de aipim não é nada levinho, porque acho que ser pesado é da constituição própria do dito vegetal. Ainda usei bacon para dar um gosto e isso torna a coisa mais heavy ainda. Não é nenhum feijão carregado que vem com aquela moleza pós-prato mas dá uma tristezinha boa depois de comer.

Usei um aipim muito bom, que já estava cozido e desmanchando antes de ir para a panela do caldo. Eu comprei ele com um dos locais aqui da região que vende legumes/frutas/verduras de porta em porta [Ah! A vida no campo], bem melhor que enciclopédia, perfume e palavras vazias sobre alguma coisa transcendental. Cozinhei todo o aipim comprado, com uma parte fiz um escondidinho vegetariano de cogumelos que também merece um post e as sobras ficaram na geladeira meio sem destino.

Quando cheguei ao limite do dilema o que teremos para o jantar, lembrei das sobras do aipim e resolvi fazer uma sopinha pra aquecer esse resquício de dias frios que já se foram a muito tempo junto com o inverno. A receita, como foi totalmente intuitiva vai daquele modo contado mesmo, porque não tem muita medida ou coisa do tipo, é tudo meio como está seu espírito no momento e quais são os ingredientes que tem em casa.

Primeiro de tudo, foi para o pilão, alho [tipo 3 dentes], pimenta branca em grãos, uma pimenta de cheiro fresca que parece uma pitanga e foi recolhida dos vasinhos de tempero [faz muita diferença e poderia ter colocado mais se eu tivesse. No meu pé só tinha uma pimenta madura e me arrependi de não ter trazido um pouco dessa pimenta que estava jogava aos montes na sala do café no trabalho]. Além disso, acrescentei aos temperos pilados um punhado de sálvia e sal.

Na panela quente com um fio de azeite foi bacon em cubos até soltarem bem a gordura e ficarem crocantes - meio à pururuca, se é que isso é correto de se afirmar para bacon. Depois que eles estavam no ponto, foram retirados da panela e colocados para escorrer no papel toalha. Na gordura do bacon, refoga-se um pouco de cebola [meia] com os temperos do pilão. Por fim vai o aipim cortado em cubos para refogar um pouco nesses temperos. Quando começar a grudar no fundo da panela é hora de juntar uma dose - generosa - de cachaça para deglaçar. Aqui foi a melhor ideia que eu tive desde que comecei a fazer essa sopa. Nunca pensei que o gostinho e o aroma da bebida fossem ficar tão presentes na hora de comer e que isso fosse tão agradável. Bom também se quiser afogar as mágoas durante o jantar, porque embora não dê para embebedar ninguém, pelo menos é uma desculpa.

Feito isso, foi só juntar um pouco de caldo. Qualquer caldo serve, mas usei um de grão de bico que tinha congelado. Acertar o sal e a pimenta, voltar com o bacon para a panela na hora de servir para que ele fique crocante e não ensopado.

Esqueci de comentar que enquanto estava apurando no fogo, já com o caldo, juntei um pedaço pequeno da casca de um queijo parmesão para ajudar a desenvolver o sabor do caldo e também funcionou.

Como sempre, eu não tenho fotos. Não que eu não goste delas. É que eu sempre esqueço de tirar e foto de caldo, à noite, sem tripé, dificilmente iria ficar publicável.

Tudo que eu sei, é que esse caldo de aipim e pinga [porque a pinga ficou presente] merece ser repetido, porque foi uma ótima refeição. Apreciada com torradas feitas de ciabatta que comprei na padaria  cheia de esperança de que fosse abri-la e ver aqueles alvéolos bonitos. Ledo engano, o pão tava bem meia boca, com muito fermento e provavelmente sem o tempo de fermentação que merecia. Ao ver minha decepção, meu querido companheiro só falou: "Mas também o que você esperava". Eu tinha esperança, tá. Contra-argumentei que a padaria parecia tão legal, toda arrumada e com coisas caras e de rico por todos os lados, achei que pelo menos podiam se dignar a fazer um pão clássico decente e não fazer um pão chato coberto de farinha querendo enganar o consumidor. Então não bota a p*rra do nome do pão de ciabatta na etiqueta.

Sem problema, o caldo de aipim levemente encachaçado tornou o pão um coadjuvante bem fuleirinho que nem recebe fala nenhuma e não atrapalha o andamento do script.

Resolução do dia: espero por posts com um pouco mais de inspiração.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Um molho que vale uma salada

Essa receita está muito atrasada e espero que a minha memória não me traia, pois o resultado ficou muito interessante com potencial para animar uma salada simples de almoço no trabalho.

Fiz meio de improviso, já que pretendia levar para o almoço do trabalho [estou adepta a levar comida de casa para o trabalho] uma salada cuja base era grão de bico. Pensando de estalo me ocorreu de usar o tahine no molho e temperar tudo com algum tipo de mistura que lembrasse comida árabe.

<<<< O molho levou >>>>
receita pra 1 só

1 colher de café de tahine
1 colher de café de mel
sal e pimenta do reino a gosto
1 tiquinho quase nada de tabasco
azeite também a gosto

É misturar bem e pronto, não tem modo de fazer

<<<<  A salada levou >>>>
receita pra 1 só

1 xícara bem cheia de grão de bico
1 tomate picado grosseiramente sem as sementes
1 pouco de damasco seco picado pequeninho
1 punhado de queijo coalho ralado ou cortado em cubos
folhas novas de aipo.

O esquema da marmita foi feito da seguinte maneira:

Peguei a tigela que utilizo como tudo [recipiente de transporte, refratário para cozimento e prato], fiz o molho de tahine com mel, coloquei nessa ordem o tomate picado; o grão de bico e o damasco misturando levemente eles; o queijo e as folhas de aipo. Na hora de comer misturei tudo no próprio pote e pronto.

O resultado final foi muito positivo, visto que a combinação do grão de bico com o molho proporcionou um sabor agradável, levemente adocicado e apimentado na medida pelo tabasco.



sábado, 30 de novembro de 2013

Tá... Tags

Esse espaço já foi bem menos requisitado. Ultimamente estou me esforçando para voltar a ele e retomar minhas lembranças culinárias, mas tá f*da.

Por mais poético que pareça uma tag chamada "Simplesmente", ou outra "Aprendiz de Feiticeiro", isso não facilita em nada o intuito de achar as receitas depois num índice liricamente emaranhado.

Temos então que procurarei colocar tags mais óbvias, nem por isso menos "boring" [colocar chatas aqui não me causa a mesma sensação], para tentar organizar melhor as receitas e tornar esse site mais funcional para mim mesmo.

Começarão a aparecer marcadores como Pães, Bolos, Doces, e talvez, a depender do meu estado de espírito que é o que comanda este blog, com nomes de ingredientes para facilitar aquela busca: eu tenho um[a] [coloque seu legume/verdura sempre esquecido aqui - é porque isso só acontece com vegetais, ninguém esquece o pedaço de bife] me olhando entre a vida e a morte na geladeira e não tenho destino a dar para ele[a].

Não, não vou deixar de colocar as tags poéticas que eu gosto nas coisas.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

1-0-0 (pass, fail, fail): conspiração cósmica ou teimosia mesmo

Quem gosta, lê e - mesmo que muito raramente - escreve sobre comida sabe o que é No-knead bread. O pão sem sova que já correu os quatro cantos da internet. Pois bem, comigo não é diferente. Mesmo que um pouco tardiamente, ou seja, depois da grande febre que dever ter sido as primeiras horas da descoberta de tal miraculosidade (eu não não acompanhei esse movimento porque meu interesse por culinária à época era inversamente proporcional ao tamanho do meu entendimento sobre o assunto), eu acabei esbarrando com a técnica de fazer pão sem ter que sovar.

Não que eu ache que a sova seja um grande problema na tarefa de fazer um pão, pelo contrário. No entanto, acho que isso é um tipo de coisa que faz parte do "todo" de todo acompanhante de blog de comida. Como uma espécie de checkpoint da culinária. Gosta de gastronomia, de panificação e de foodblog, vai ter que fazer um pão sem sova, só pra dizer que passou por isso.

A minha história com o pão sem sova se confunde com a falta de um equipamento crucial para que a empreitada dê certo. Um recipiente com tampa [Le Creuset] que possa acomodar o pão [Le Creuset] e ir ao forno[tampado, óbvio] sem derreter [hum, Le Creuset], queimar, colocar fogo na casa toda, leia-se - uma panela Le Creuset. Claro, evidente, que outros recipientes podem cumprir o mesmo papel que a dita panela francesa, mas não havendo mais nenhuma desculpar razoável para adquirir uma Le Creuset, a não ser a mais descarada vontade de consumo daquelas que a gente luta contra o quanto pode, o No-Knead Bread serve como motivo esfarrapado para colocar na lista de prós da panela de ferro que custa os olhos da cara.

Visto que este post é sobre um fracasso, acho que escrevo ele tardiamente com motivos escusos para falar mesmo é da panela, uma vez que as duas coisas se confundem. O meu desejo de comprar uma Le Creuset ficou mais aguçado depois de descobrir a possibilidade de fazer um pão tão badalado e uma vez adquirida uma panela tão falada o pão foi a segunda coisa que foi pra dentro dela... Só para testar se funciona mesmo no forno...

Pão não, panela... sim.

A primeira coisa feita na panela, só pra não deixar passar foi risoto. Acho. E não me lembro risoto de que.

O pão tem por toda a internet e não vou postar receita aqui. Expectativa em 100% e um pão duro como uma pedra, foi o que ganhei. O meu querido companheiro falou que era o fermento e eu disse que isso não era possível. O fermento tava velho, já tinha trocentos anos que comprei, mas como poderia se o fermento... Fungo por acaso morre? Achei que a prudência não era suficiente e meti outra receita do pão para rodar na semana seguinte na mesma panela, com o mesmo fermento. E... Fail again!

Será o fermento? Desisti de testar outro No-Knead Bread e larguei para lá, pois calculei que mais uma semana comendo farinha na versão pedra não seria saudável. No caso do último pão nem pra "crouton" serviu de tão duro. Como estivera muito tempo sem botar mão em massa - leia-se, fazer pão - pensei que tanto tempo pudesse ter influenciado as energias cósmicas da panificação, mas eu não acredito muito nisso e resolvi que tá bom, já deu, um dia quem sabe eu volto para essa receita e vou ver se me beneficio das quimeras de facilidade prometidas.

Por enquanto foi tempo demais, ingredientes demais, paciência de mais e pão de menos, bem menos, menos mesmo.

O 1 do post pelo menos, refere-se a Le Creuset amarela novinha que eu comprei na promoção e não me arrependo. Fiquei meio assim, pois não me dou a arroubos consumistas. Não gosto de coisas e odeio ter o que não preciso, mas sinto que dessa vez valeu a pena, apesar achar que de todos os critérios usados para comprar alguma coisa são puramente subjetivos. Ela é muito bonita e não faz feio quando o assunto é ser panela - se é que essa é uma qualidade a ser considerada. Acabei sem pão sem sova, mas com a cozinha mais equipada.

Foto? Do pão não e da panela... Também não.

Vão-se os pães e ficam as panelas.