domingo, 10 de fevereiro de 2013

O sorvete (frozzen) ficou incrível

Pois é, quase três meses depois, I',m back! E com uma preguiça enorme de escrever aquilo que eu tenho que escrever por obrigação. Bobagem e devaneio saem aos montes dessa cabeça insana.

Mas eu tinha que voltar, primeiro porque estou esquecendo os pratos de faço e não tenho onde consultar [again!] e o "lembrar" foi o fator motivador desse blog. Segundo porque acabo de comer meu último e ultimate frozen yogurt. Nem acreditei de tão macio que ficou. Quando fui retirar do pote a colher entrou naquela massa branca sem nenhuma resistência e foi rolando uma bola perfeita. Tá, não muito perfeita, porque a preguiça me fez deixar de lado a colher de sorvete e porque eu não tenho tantas habilidades decorativas assim.

Só que eu tomei a primeira colherada e fiquei feliz por ter produzido aquilo. Azedinho, macio e completamente homogêneo. Segue a receita.

Peguei um litro de iogurte integral e natural [na garrafa dizia apenas leite e fermento lácteo]. Deixei ele sorando por algumas horas [não sei quantas horas, porque sou um fiasco para processos controlados, mas foi algo como cinco ou seis horas]. O processo de dessorar consiste em deixar o iogurte descansando sobre uma peneira forrada com um pano próprio para fazer queijo. Como não tenho o tal pano, utilizo aqui em casa uma fralda de pano de bebê [espero que essas coisas só entrem nesta casa para esta finalidade]. Durante esse processo a os sólidos se separam do líquido. O iogurte sobre a peneira [com os sólidos, é claro] fica denso e muito, mas muito mais consistente. O líquido que fica sob a peneira, e por isso é bom ter uma tigela aparando o que cair, é rico em proteína e pode ser utilizado para fazer bolo, biscoito entre outras coisas. É nutritivo e dura um tempo se guardado em geladeira.

Foto tosca da câmera do computador

Depois disso, e já lá pelas 10 da noite de ontem misturei com o mixer o iogurte [só a parte sólida, heim], que deu cerca de 500 gramas, coloquei um pouco do líquido para chegar a 500 gramas; 100 gramas de creme de leite, 3/4 de xícara de açúcar cristal, meia colher de chá de sal, uma jogadinha de essência de baunilha e uma tampinha de limão que tinha sobrado espremido. Tudo misturado, foi para a geladeira e hoje de manhã para a sorveteira.

Foto menos tosca, mas também da câmera do computador
Pronto, aí está a receita de sucesso, mas ainda preciso testar ela sem o creme de leite pra ver se funciona tão bem quanto.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Um dia e meio bolo

Voltei, de novo! Talvez com mais certeza da volta. Ou não! Estou evitando pressões de todos os tipos e até escrever num blog despretensioso pode se tornar uma coisa opressora em caso de descuido.

A receita é copiada de um site bom de bolos - o Technicolor Kicthen -, mas com algumas modificações para se adaptar ao que tinha na geladeira e para dar fim a 2/3 de um limão que estava perdido depois de ter sido utilizado apenas em parte em um tabule.

O bolo vale muito à pena e é esse aqui. A quantidade de ingredientes e etapas é algo meio exagerado. Um mundo de manteiga e ovos e açúcar que quase não bateu na minha pobre batedeira fraca. O resultado entretanto valeu cada grama de manteiga utilizada, pois a textura do bolo ficou impecável e extremamente delicado. Desmanchando na boca. Não é exatamente um bolo aerado, mas ficou uma pintura. Sem contar o aroma de limão que ficou em toda a casa até a hora de dormir. Lembro da exata sensação que tive ao abrir o forno para conferir se o bolo estava pronto: uma agradável surpresa olfativa quase inebriante que já me deixou satisfeita com a receita sem nem prová-la.

Quanto ao sabor e sucesso do bolo, se justifica pelo título do post. Ele foi feito ontem (20/11/1012) à noitinha, por volta das 19h. HOje quando cheguei do trabalho para o mais que perfeito [e merecido] café da tarde lá estava ele me esperando, ainda mais gostoso do que quente como comemos ontem [não deu pra esperar o bolo esfriar nem para retirá-lo da forma]. Ao final dos trabalhos  sobrou só meio bolo. E olha que o tamanho do bicho é uma ignorância, apesar da leveza e fofuras inerentes.

Um dia

Meio bolo
Quase que esqueço de anotar as modificações feitas na receita original:

  • usei apenas 200 gramas de manteiga e duas colheres de óleo de canola [o último é desnecessário, mas eu fiquei na dúvida da manteiga, bota ou não tudo e acabei usando um pouco de óleo pra compensar]
  • usei duas colheres de chá de fermento, porque não confiei na quantidade ínfima de fermento da receita original, especialmente em relação à proporção dos outros ingredientes
  • usei suco de 3/4 de um limão grande porque queria que ele acabasse e também porque gosto do bolo mais azedo
  • usei apenas 350 gramas de açúcar cristal
  • no lugar do buttermilk coloquei um copo de iogurte de 170 gramas e completei com leite até dar uma xícara.
  • Ah! Também não usei gengibre cristalizado, porque não tinha e não era a proposta desse bolo.



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Voltei... Com brevíssimas anotações

Eu sumi por um motivo razoável. A comida deixou temporariamente de ser prioridade para mim. Muitos dos hábitos saudáveis foram mantidos, com mais ou menos esforços, para não deixar que a correria dos afazeres se impusesse sobre as mudanças benéficas para o corpo. Não abandonei as atividades físicas por completo [somente a bicicleta, um pouco], diminui o ritmo da alimentação supersaudável, mas isso só significa que o que era muito radical foi sendo moldado a uma rotina menos rígida de comportamento, afinal uma pizza caseira no fim de semana não mata ninguém. Só tenho que me esforçar para beber muita água, porque isso sim é uma coisa difícil de se fazer, especialmente no inverno.

Como essas não notas corridas, eu vou ser breve no assunto. Tenho que deixar aqui uma salsa de manjericão, salsinha e azeitonas incrivelmente gostosa, uma base de tempero para sopa que se tornou padrão em casa e uma receita de molho de rúcula, que já apareceu aqui, com algumas alterações benéficas. Tudo muito verde, saboroso e nutritivo.

Começando pela salsa que é rápida, fácil e inspirada em uma receita do Jamie Oliver. Combina com batatas cozidas ou assadas, com macarrão, carne e outra infinidade de coisas. No dia que eu fiz misturei com batatas cozidas ainda quando estavam super quentes. Em um processador vai salsinha, manjericão, azeitona, alho [1 dente], sal, pimenta do reino, um pouco de água para ajudar a processar e um pouco de azeite para diluir. Para misturar com as batatas vale colocar algumas folhinhas de alecrim no final [sem processar, porque fica forte].

O molho padrão [ficou ótimo na sopa de ervilha] foi um daqueles felizes acidentes culinários que não acontecem com frequência. Queria fazer sopa de ervilha e só tinha 1 dente de alho em casa [uma vergonha, eu sei, mas era isso que eu tinha]. Em compensação tinha uma sobrinha da salsa que havia feito para as batatas, a qual estava ainda no potinho do miniprocessador - sinal cósmico que alguma coisas iria sair dali??? Peguei a sobra, coloquei meu dente de alho, gengibre, grão de pimenta branca e folhas de alho poró [só a parte verde] e algumas pimentas rosa [se não me engano, pois já faz tempo]. O molho está pronto, misturei na panela com um refogado de bacon, cebola roxa [tenho trocado a cebola comum pela roxa porque é muito melhor e a cebola está um assalto mesmo, então, não faz diferença pagar um pouco mais na roxa] um pedacinho da parte branca do alho poró. Deu um sabor bem particular a sopa, mas ficou ótimo.

O molho de rúcula... Passou tanto tempo que não me lembro mais dele. Hoje é dia 21/11 e não tenho como recuperar ele todo de memória. Bad for me! Acho apenas que bati rúcula leite e amido de milho no liquidificador e depois levei ao fogo para engrossar. A rúcula anda meio sumida, mas assim que voltar eu tento novamente.

sábado, 16 de junho de 2012

Quem te viu, quem te vê: sopa de cenoura e gengibre

Essa é mais uma história do garoto que não comia vegetais. Verduras, legumes e boa parte das frutas estavam fora de seu cardápio e passavam longe do que considerava gostoso. Nada no mundo o convencia do contrário a não ser a necessidade vital de nutrientes [o que o fazia encarar tudo como suplemento ou remédio] e a persistência por parte da cozinheira, a qual se convencera a algum tempo atrás de que não existe comida que se goste e sim comida que não foi feita de uma maneira que se goste.

Isso parece repetitivo e de fato o é, mas esta é a minha vida.

Ontem à noite, algo me dizia que deveria fazer alguma coisa para comer no jantar. Fiquei com essa sensação, sem saber o que a intuição estava me mandando fazer. Inicialmente pensei em um angu de fubá molinho, mas logo desisti por saber no fundo que não era isso, ainda. Pode ser também que tenha desistido por não ter nenhuma coisa legal para fazer um molho de acompanhar angu, mas isso não vem ao caso. O fato é que a ideia do angu foi se afastando e dando lugar a pensamentos mais nefastos e complexos ligados diretamente à sopa.

Poderia ser ervilha? Sim, pois eu a tinha no armário, além de agradar os corações mais exigentes no campo sopístico. Ele adora sopa de ervilha e esta sempre é a sua opção número um para qualquer menção a pratos quentes, confortantes e invernais. Ocorre que eu fui criada comendo sopa de ervilha com calabresa e outras carnes, digamos, mais para o estilo feijoada. Em casa de minha mãe - e tias e adjacências - a sopa de ervilha é um clássico feito à "velha escola" de pessoas que não se preocupavam com entupimentos em coronárias e outras obstruções. Assim sendo, eu abortei a missão da sopa de ervilha, não sem alguma resistência por parte das outras partes, por pura falta de calabresa. Vejam bem o tanto de apreço que o sujeito tem por esta sopa, uma vez que mesmo apresentando a falta de calabresa como motivo incontestável para adiar a sopa ele perguntou, assim como quem não quer nada: "Não dá pra fazer só com bacon?"

Depois de eu dissuadi-lo da ideia de comer sopa de ervilha [ficou para hoje como preço das negociações], continuei com os pensamentos que me levaram ao inventário mental da geladeira, que me levou a única opção possível. Sopa de cenoura! Era o que tinha e mais nada, a não ser um poucos rabanetes e tomates cerejas, que convenhamos, ficam tão sem função nas temperaturas quase glaciais do outono/ inverno nesta cidade fria. Perguntei ao companheiro querido, que estava trabalhando o dia inteiro com milhares de tarefas, se ele comeria uma sopa de cenoura se eu a fizesse. "Com gengibre!", ressaltei como se isso o fosse animar. Ele respondeu que sim com o ânimo de quem vaia para um casamento, mas no fundo sei que não se convenceu. Usou sua frase padrão para esse tipo de questionamento: "Tá, eu posso comer." Que significa: "Não é o que eu queria, mas eu faço o esforço."

Passa da etapa, decisão / convencimento eu coloquei uma panela com água para ferver e fui catar uma ervas lá fora. Tive que usar ervas locais [da minha varanda mesmo], porque as outras estavam na horta lá no final do condomínio e o frio e as roupas de frio ridículas me impediram de ir tão longe buscar mato pra sopa.

Foto clássica de sopa sem iluminação adequada.
Acho que estava mal influenciada pelo programa culinário da Rita Lobo - que mostrou receita de sopa de abóbora - e tive a nefasta sugestão de ferver a água primeiro para depois juntar a cenoura e os temperos. Shame on me! Pode até ser mais saudável, mas o sabor... Não sei, estamos falando da pessoa que não gosta de vegetais e tampouco sopas feitas com eles. Então me ocorreu que deveria - é claro, porque não pensei nisso antes - assar as cenouras com temperos e depois bater tudo para formar um creme bem mais intenso e com um leve sabor caramelado. Assim sim, foi o que fiz.

Tabuleiro pequeno, cenouras cortadas ao meio no sentido do comprimento [cerca de 300 gramas], três dentes de alho inteiros e descascados, um pedaço de gengibre, uma colher de chá de mel, um pouco de azeite, uma pitada de sal e pimenta moída na hora. Mistura tudo, dá uma arrumada de modo que as cenouras não fiquem sobrepostas e forno bem quente. Eventualmente, é bom abrir o forno e dar uma mexida geral em tudo e quando as cenouras estiverem macias e carameladas [com as bordas pretinhas] é só retirar e bater no liquidificador com água quente e algumas ervas [no meu caso usei tomilho e manjerona]. Isso feito, passe a sopa pela peneira e aperte bem para sair todo o caldo grosso. Se for necessário bata de novo o que sobrou na peneira no liquidificador com um pouco do líquido coado. Não sei, mas no caso da sopa de cenoura acho que a etapa da peneira é fundamental para os pedacinhos que ficam não incomodarem, Digo isso, porque da última vez que fiz sopa com vegetais mais duros fiquei incomodada com a textura, embora o sabor estivesse ótimo.

Intuição e queijo!
O caldo coado volta para o fogo até engrossar bem. Quando estiver quase pronto, acerte o sal, coloque um pouco de manteiga para aveludar o caldo e um fio de azeite para o sabor. Eu servi com farofinha de farelo pão e queijo minas curado. Acredito ter intuído muito bem acerca da sopa e principalmente do queijo minas no lugar do parmesão, já que o sabor mais forte combinou muito bem com o adocicado quente da cenoura e do gengibre. Comemos, ficamos vermelhos e com a cara quente e o termômetro pessoal para comidas gostosas que mora comigo disse que comeria mais se tivesse e que ficou muito bom. Quem te viu, quem te vê!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Provando a irrestibilidade do meu feijão, parte II

Eu estou sumida, mas não completamente. A quantidade de coisas para fazer e alguns eventos de fim de semana tem me tirado da cozinha ultimamente, pelo menos no que diz respeito às experimentações e novidades culinárias que eu tenho que anotar para não esquecer. Tenho cozinhado apenas para subsistência - o que já é muita coisas, visto que poderia apelar para não-comidas congeladas - e para pequenas reuniões sociais regadas a quantidades astronômicas e cansativas de pizzas.

Dito isto, venho aqui fazer um update das atividades culinárias das últimas semanas, corridas e um pouco preguiçosas. Especialmente no que diz respeito ao quesito escrever, a resistência tem sido grande, desde que dei um tempo na famigerada dissertação. Se por um lado sobra tempo, por outro sentar na frente de uma tela e ficar gastando meus preciosos neurônios com letras não me parecia tão atrativo.

Percebo escrevendo essas palavras agora que na verdade o "dar um tempo" me fez bem. As ideias estão fluindo melhor e o texto não me parece tão forçado, como obrigação de blogueiro sempre alerta e feliz. Não sou blogueira e quase me confundi tentando ser. O melhor é seguir o meu ritmo e quando der vontade de vir aqui eu o faço. A única implicação negativa que posso observar nessa posição é o fato de perder algumas receitas pelo caminho, já que não estarão registradas, mas é um preço justo.

Escrevo, como uvas velhas e aguardo a hora de sovar um pão. Um que eu acabei de achar procurando um pão rápido e prático - palavra nefasta - para eu tomar café sozinha hoje à tarde, que infortúnio. Impetuosamente aceitei essa receita aqui [literalmente] sem pensar muito sobre ela e sem uma infinidades de pesquisas pela rede atrás do "melhor" disso ou daquilo. Tem dias em que você só quer o básico, ainda mais depois de ficar lendo livros heréticos sobre personalidades que criam a mais valiosa empresa de computadores do mundo a partir de simplificações e minimalismos.

Pausa para sovar [mexer] o pão!

A massa tá tão molinha que sovar me parece um erro semântico.

Voltando a conversa inicial, que já está perdido, visto que alguns parágrafos [contei, mas acho que parágrafo de uma linha é meio que café com leite, então resolvi por alguns] depois eu ainda não toquei no assunto feijão propriamente dito. A correira, a confusão, a preguiça - ah tá, lembrei - e alguns problemas de ordem pessoal me afastaram da culinária. Sim, mas não por completo e esse simples feijãozinho de sábado, merece minhas honrarias e considerações por escrito de tão perfeito que ficou. Claro que a perfeição está medida aqui de acordo com a minha escala feijonística de perfeição. Sem dúvida, na minha opinião, esse foi o melhor feijão que eu já servi para alguém. Esta também foi a opinião do meu querido companheiro, mas ele só tem 10 anos de feijões ao meu lado não pode avaliar a escala evolutiva prá-relacionamento. Além disso, [dei um tapão sem querer na bacia e as uvas voaram longe - ainda bem que só tinhas umas poucas murchas] ele ficou com o que eu consideraria a cara do feijão perfeito, com o caldo grosso, mas caroços firmes, que quando você põe no prato ele se esparra sem perder a  cremosidade e fica com uma textura aveludada envolvendo seus pequenos grãos.Essa foi uma descrição meio poética de mais para feijão, mas foi assim que ficou e se tivesse que usar uma imagem, acho que parece aquelas cenas de canais de TV pseudo-científicos que mostra a lava de vulcão escorrendo lentamente por uma superfície. Geológico demais, mas foi a única coisa que me veio a mente.

O fato é que eu estava a fim de comer feijão já tinha um tempo e as minhas últimas tentativas, digamos, não foram aprovadas no meu controle de qualidade pessoal. Depois que extingui a última porção de feijão preto que tinha no freezer - finalmente, pois demorou uma vida pra acabar - fui atrás de feijões de outros tipos para variar um pouco. Acontece que o término do meu feijão preto calhou de coincidir com uma abdução coletiva de todos os outros tipos de feijões do mercado, o que atrapalhou minha busca em alguma semanas.  Parece uma saga, exageradamente detalhada para simplesmente comprar feijão, e foi por isso que desisti de ficar me afundando exaustivamente num mar de indecisões sobre melhor tipo de feijão e pegar um pacote de carioquinha que era o que tinha no mercado.

Uma vez em casa o pacote de feijão carioquinha morou no armário por um bom tempo antes de ver a luz, finalmente. Sempre pensava em fazer mas alguma coisa conspirava contra e eu acabava desistindo. No último fim de semana, aproveitei que estava meio agitada demais, fazendo um milhão de coisas ao mesmo tempo e procurando mais coisas para fazer, e fui cozinhar feijão. Vou comer feijão nesse fim de semana e estava decidido. Na quinta à noite coloquei o feijão de molho na água - assim não teria escapatória. Na sexta pela manhã, antes de sair para resolver alguma coisas que não me lembro mais, troquei a água do molho e pensei em cozinhar o feijão para o almoço. Quando voltamos da rua, já era muito tarde e a fome era maior do que o tempo necessário para o feijão ficar pronto, então fizemos um lanche [eu acho] e deixei ele aguardando seu momento, mais tarde. Nessa hora, apenas troquei a água mais uma vez dando uma lavada geral em tudo. No fim da tarde de sexta, coloquei ele para cozinhar - e a essa altura já sabíamos que comeríamos pizza no dia seguinte - pizzas que sobraram do fim de semana anterior.

Cozinhei meio quilo de feijão carioquinha com quatro folhas de louro e dois dentes de alho inteiros. E, importante, joguei os grão na panela de pressão com a água fervendo, deixei a temperatura aumentar e tampei. Depois de começar a chiadeira, mais trinta minutos e uma feliz revelação ao abrir a panela. O aspecto do feijão tava tão perfeito, que em não podia simplesmente congelar ele todo. Estava tão promissor e fresco que eu "tinha que" temperar uma parte e comer, apesar da sombra da pizza por vir. Separei metade,  aproximadamente, nos potes para o freezer e comecei a temperar o restante.

Para o tempero, só o essencial e algumas carnes pra dar uma sustância. no pilão foram três dentes de alho, uma pitada de sal e algumas folhas de manjericão. Na panela, com o fogo sempre baixo [feijão requer paciência], bacon picado até soltar a gordura. Depois a pasta de alho até dourar e, por último, calabresa em rodelas até ficaram bem crocantes. Depois que esse tempero apura bem, é preciso juntar o feijão, mas não tudo junto. Primeiro, uma concha com mais caldo para limpar o fundo da panela e em seguida, o restante do feijão que fica apurando no fogo baixo até começar a ferver e engrossar ainda mais. Só no fim, sal - meia colher de chá - e pimenta do reino a gosto.

Ficou incrível e eu prontamente abasteci uma caneca, como manda a tradição, feijão e um fio de azeite por cima. Não sei se a culpa antecipada pela eminência da noite da pizza ou o fastio pela lembrança do cafe da tarde ainda fresca, fez meu querido companheiro desistir do feijão para o jantar de sexta-feira. Eu deixei ele esfriando para o almoço do sia seguinte. Acontece que algumas poucas horas depois, alguém não resistiu e se pronunciou com fome: "Bem que eu comeria feijão agora", foi a frase que ele proferiu. Eu prontamente fui aquecer o caldo para comê-lo como uma sopa com pão torrado. Pra quem não queria jantar até que a disposição foi boa, visto que a sobre não dava nem para um almoço no dia seguinte.

No almoço do dia seguinte, fiz um pouco de arroz para acompanhar e temperei o feijão que estava no pote para ser congelado, pois o que tinha não dava e necessitávamos de mais feijão àquela altura. Comemos de novo e do feijão que iria todo para o freezer só sobrou um potinho. Refeição confortante, mais caseira impossível e deliciosa. No almoço, ainda refoguei um pouco de couve da horta para meu acompanhamento - o companheiro não gosta de couve - e posso tirar minha licença para feijoada, pois o teste foi muito bom.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Cogumelos em três tempos: mais umas primeiras vezes

Eu nunca havia cozinhado com cogumelos, mas isso não quer dizer que eu não vinha pensando nisso a algum tempo. Eu só conhecia, na minha trista ignorância culinária, os degenerados champingnons (que nem pode pode ser considerado) e os maravilhosos funghi secci (que me deram motivos para ir além). Do céu ao inferno dos cogumelos - e isso sem que eles fossem mágicos - eu fui na minha loja de produtos naturais favorita [toda vez que entro na outra saio levemente deprimida, mas às vezes é essa outra que está mais perto] e perguntei pelo shitake seco, na intenção de fazer risotto; usar cogumelo; e não me arriscar muito, já que eu já tinha usado o funghi seco. Então a vendedora muito gentilmente me perguntou se eu não queria levar o fresco que acabara de chegar. Eu titubeei sem quer fazê-lo, pois quero comprar cogumelo fresco a um tempão, mas sempre que encaro eles meus temores culinários me fazem desistir.

Dentre esses temores estão uma possível inépcia que me fizesse estragar tão nobre e caro ingrediente;. uma possível conjuntura kármica que me levasse a não combinar os outros ingredinetes direito; o meu querido companheiro odiar cogumelos - ele já não gosta de champignon - para todo o sempre enquanto ele existir, seja pela primeira, pela segunda ou pela própria terceira razão [ele não gostar por não gostar também é opção neste caso].

O negócio dos pequenos negócios é que o outro tem um poder de convencimento maior que a sua consciência. Na verdade, nos mercados grandes, em que você faz um caminho solitário pelas prateleiras e passa incólume por todos os funcionários do mercado, a ponderação é exclusivamente pessoal. Nos mercados pequenos em que você mal ou bem consegue ter algum contato com o vendedor a parte da sua consciência que quer muito levar o produto ganha o reforço da sugestão. E isso leva a irresistibilidade da compra.

Depois dessa teoria mercadológica absurda, vamos ao que importa que são as receitas feitas com cogumelos. Eu disse sim aos cogumelos frescos, lindos shitakes marrons por fora, branquíssimos por dentro e levemente perfumados com cheiro de levedura [fermento, para os incautos]. É, eu adoro um cheiro de fermento, vai entender. Acho também que esse aroma não era tão leve, pois não foi só eu quem senti.

Aqui estão eles!
Por outro ângulo!

Deixa eu fazer só mais uma digressão. Perceberam como eu coloquei parênteses normais no início do texto? Então, acho que estou muito tempo longe da informalidade linguística, ao mesmo tempo em que passo muitas horas queimando neurônios academicamente. Ô desperdício.

Junto com o shitake freco, levei macarrão para yakissoba e mais algumas coisas chatas que estávamos precisando em casa. Tinha cenouras e brócolis orgânicos em casa para completar o meu jantar de uma quinta-feira que nem me lembro mais qual era. A primeira refeição cogumelística então foi yakissoba.

Lembrando: a única coisa que eu sabia sobre cogumelos era que tinha que tirar o cabo e não podia lavar os chapeuzinhos porque eram igual a uma esponja. Se eu os lavasse iriam absorver a água e ficar muxibentos.

Cozinhei 200 gramas do macarrão e em uma frigideira coloquei um punhado de gergelim para tostar, depois reguei com óleo de canola e pus a cenoura para refogar. Juntei o brócolis, deixei que cozinhasse um pouco. Pimenta do reino, sal e bastante gengibre ralado. No fim juntei o cogumelo fatiado. Quando tudo estava refogado joguei o macarrão com um pouco da água do cozimento, uma boa regada com shoyo e pronto. Ficou excepcional! Pelo menos para mim que adoro yakissoba e nunca cheguei muito perto de fazer um que parecesse uma comida tradicional. Nesse eu achei que cheguei a algum lugar, embora não ouse dizer que ficou como deveria ser, uma vez que nunca provei um yakissoba de verdade.

Refogando...

Em breve coloco a receita número 2: omelete divina que combina muito bem com os cogumelos.

Volto hoje, alguns dias depois, com a receita da omelete de shitake. Eu já não estou me lembrando muito bem dela, mas omelete não é muito a lista de ingredientes - que devem estar fresquíssimos - mas o modo de fazer e o jeito para a coisa.

Se não me engano a coisa foi assim: eu fatiei os cogumelos bem finos, refoguei com alho em um pouco de manteiga. Bati dois ovos com sal e pimenta do reino moída na hora e duas colheres de sopa de leite. Despejei todo o líquido na frigideira, sobre os cogumelos e fui construindo a omelete. Sim, construindo, pois para ela ficar bem fofinha é preciso ir trazendo com delicadeza as bordas para o centro da frigideira, deixando o ovo que ainda não está cozinho escorrer para o espaço que ficou. Depois foi colocar queijo ralado por cima e deixar ficar bem dourada embaixo. Dobrar e servir com salada verde. Ficou muito bom e acho que foi onde o shitake mostrou a que veio e se saiu melhor, pois combinou bem tanto com o ovo quanto com o alho.

Como são perfeitinhos e fofos.
Comi sozinha e me deixou confortada e satisfeita. Um jantar perfeito e leve para dias em que você só quer comer sem se estressar com nada. Agora não me lembro muito bem se refoguei os cogumelos e separei antes de juntá-los no ovo. Vai saber.

A receita número três é a de um risotto, com shitake, brócolis orgânico. Tudo como manda o figurino... Separei o shitake em duas partes: a primeira foi picada e foi para o refogado no início da preparação, a segunda foi fatiada refogada com alho na manteiga [isso combina] e acrescida ao risotto no final, para não perder a textura do cogumelo. Caldo de legumes no fogo com os cabinhos dos cogumlos e algumas folhas do brócolis. Alho e shitake na panela, depois o brócolis refogando bem. Junto o arroz, um pouco de vinho branco e fico lá mexendo até cansar. No final, junto manteiga, parmesão, pimenta do reino e o refogado dos cogumelos feito separadamente. Acerto o sal e pra mesa.

Todos comeram felizes e ficaram satisfeitos com os esforços empreendidos pelo cogumelo nesses dias de comida diferente. Eles está aprovados e podem fazer parte do cardápio tranquilamente, sem maiores questionamento. A mesma sorte não tem a cenoura e alguns outros vegetais menos favorecidos.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Cozinha para evitar o tédio e um suflê de legumes nutritivo

Eu não tenho andado longe da cozinha, mas em dívida com a criatividade culinária. Em parte sem tempo, é verdade, mas também sem vontade de ficar fazendo pose de comida e/ou escrevendo mais do que eu já tenho que escrever, por trabalho ou obrigação.

Hoje não foi diferente, acordei com uma preguiça descomunal e nem pude ficar imensamente feliz por não ter que trabalha. Isso porque preguiça geralmente vem junto com o tédio e torna-se um círculo viciosos. Tenho preguiça e não faço nada, fico com tédio. O tédio me deixa mal-humorada e aumenta a preguiça. A inércia toma conta de tudo e fiquei cerca de uma hora perdendo meu tempo na frente da TV com programas estúpidos só porque não tinha forças pra começar o dia logo cedo.

Até preguiça tem limite e esse limite vem acompanhado de certa culpa pelo desperdício de tempo tanto para o lazer quanto para a obrigação. Daí, foi o bonitinho ir passear de bicicleta para expiar a culpa dele que resolvi tomar vergonha e dar um rumo menos empoeirado e arrastado para o meu dia que mal havia começado. Afinal  ele havia saído para fazer o que mais gosta e já tinha até levado o carro no médico usando o tempo para as obrigações. Se ele vai fazer o que mais gosta eu vou...

Trabalhar!

Pois é, a minha culpa é maior em relação ao trabalho que ao prazer. Descobri isso hoje, talvez porque para os dias de preguiça ficar sem fazer nada seja uma fonte oculta de prazer, vai saber. Assim, paguei a minha corveia para ficar em paz com minha mente obsessivamente disciplinada [pelo menos nos últimos tempos] e comecei a mexer. Lentamente comecei a escavar a poeira e sair de baixo dela. Desliguei a TV, andei um pouco para sentir o sangue circular nas pernas novamente, abri as cortinas e a janela [passo importantíssimo - a preguiça me impediu até de ver que a casa estava meio "dark"] e fui para a cozinha com o computador a punhos para começar a minha rotina escrivinhadora. Subi no "escritório" peguei os textos que achei que fosse precisar, dei uma organizada na pequena montanha de despejos que deixamos no braço do sofá que fica perto da porta [é o nosso aparador, onde jogamos as coisas quando chegamos da rua e às vezes dá uma acumulada incomoda]. a ordem dessa coisas podem não ser a mesma em que ocorreram, mas foi basicamente isso.

Alguns parágrafos depois, já com a boa sensação de que pelo menos eu fiz o mínimo, resolvi ir me divertir um pouco na cozinha. Quer dizer, eu já estava na cozinha, mas escrevendo e não me divertindo. Fui preparar os itens para o almoço, até porque alguém iria chegar da rua querendo comer um braço.

Havia comprado cenouras na Fazenda Constância de Orgânicos na semana passada [sujei meu tênis todo de lama andando na plantação] e logicamente o que vem acompanhado da cenoura fresquinha e colhida na hora: a rama da cenoura. Então, eu já estava de olho para fazer alguma receita com ela antes do amarelamento/apodrecimento, pois as partes verdes tendem ao rápido perecimento e hoje seria esse dia. A primeira coisa que veio a mente - desde que eu comprei a cenoura - foi uma omelete verde com as ramas e bastante cebolinha, mas fazendo uma rápida pesquisa sobre o tema hoje achei algumas instruções e sugestões valiosas no LaCucinetta, cuja dona, para minha satisfação voltou a ativa com os posts. A dica fundamental foi passar as folhas no processador para que fiquem bem picadas e mais palatáveis, uma vez que eu certamente iria incorrer no erro de picar grosseiramente.

Ocorre que ao catar as coisas na geladeira para começar o preparo, descobri uma abobrinha moribunda que se escondera no saco de batatas não tão no fundo assim da gaveta de vegetais [o que só prova que tenho visitado pouco essa gaveta]. Automaticamente ela, a abobrinha passou a prioridade zero na lista de ingredientes, logo, eu resolvi misturar tudo num suflê, servido com batata assada com bacon.

Triturei as folhas de cenoura no processador, ralei a abobrinha, resolvi ralar também uma cenoura, porque não, e um pedaço de queijo parmesão. Cozinhei as batatas, que ficaram ótimas, com dois dentes de alho, sal, pimenta rosa e algumas sementes de erva-doce. Batatas cozidas, ainda firmes e escorridas, ganharam uma boa quantidade de azeite, sal e alecrim fresco. Mexi bem na panela e arrumei-as em uma assadeira, de modo que ficassem com a casca para baixo e separadas. No fim salpiquei cubinhos de bacon sobre elas e coloquei no forno a 180ºC.

Os legumes do sufle estavam prontos e quando a batata estava quase lá eu comecei a quebrar os ovos [4 no total]. Gemas batidas com sal e pimenta para acrescentar à mistura de vegetais, aos quais ainda juntei uns cubos de queijo minas curado e claras numa tigela a parte para virarem neve. Depois foi só incorporar as claras em neve aos vegetais, dispor em um refratário e colocar no forno.

Quentinho, saudável, correto e delicioso.
Deste modo, tenho certeza que as ramas da cenoura foram bem aproveitadas e o almoço ficou bastante nutritivo e mais uma vez a abobrinha foi salva. O único senão foi que eu acho que acabei comendo demais, pois o suflê estava como deveria, com um aspecto e textura de leveza. Ah! E ninguém reclamou de estar comendo ramas de cenoura, pelo contrário; chegou pegou seu pedaço, deu uma garfada e comentou "É a parte verde da cenoura? É sim, tá ruim? Não tá bom, e dizem que tem muita vitamina, né?". Well done!