segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um doce quase nunca para outra volta de indecisões

Nomes sem sentido são muito legais. Assim como coisas, eles só servem a quem os tem. Estou voltando de novo ao blog e como se fosse uma redenção escrevendo sois posts no lugar de um.

O pão? Ah, o pão? Será trauma ou excesso de supermercado. [Veja a história completa] Não, eu não fiz o pão com centeio, embora tenha me levantado com o ímpeto de fazê-lo. Só que... Quando comecei a arrumar a cozinha para começar os trabalhos [não gosto de começar a cozinhar com cozinha bagunçada, apesar de às vezes fechar os olhos e fazer assim mesmo] me dei conta que havia um pão que não dera certo sobre a pia - o qual teríamos que dar cabo de algum jeito - e mais dois famigerados sacos de pão do supermercado - os quais havia comprado mais cedo em um impulso de "não podemos ficar sem pão". Despensa vazia dá nisso.

Desistência aceita fui caçar algo para me satisfazer culinarísticamente. Procura no cérebro, antes do Google, e surgiu a imagem... Rocambole! Tenho goiabada e muitos anos me separando do último que comi. 

Decidida, comecei a procura no Google por receitas, visto que essa é uma coisa que não faço quase nunca e nunca anotei minha receita favorita. 

O rocambole? Ah, o rocambole? Será preguiça ou excesso de ovos. Na boa, um troço que leva 6 ovos [mais expressivo que meia dúzia] não é algo que possa animar alguém a começar uma sobremesa. Deixa isso para um dia em que eu começar mais cedo e com mais paciência.

Pensei em panna cotta. Já havia feito algumas com sucesso, pois acho que no fundo estava mais para sobremesa de comer de colher, depois do jantar e tal. Mas ainda não era isso o que eu queria.

Resolvi então arriscar fazer uma pudim de tapioca, cuja receita me foi passada por uma pessoa no trabalho. Não sem antes duvidar entre ele e um bolo de tapioca enviado pela minha mãe. Essa pessoa - a do trabalho - levou o dito pudim numa festa junina e o orgulho da beleza da obra era tão grande quanto o sabor do pudim. 

Posou bem pra foto. Um viva pra quem tinha a foto do pudim e não sabia!


A receita é bem imprecisa, pois foi copiada de boca e deixada no servidor do trabalho em uma pasta batizada sugestivamente de... Receitas. A dita cuja só tem duas ou três receitas, mas tenho quase certeza que ninguém mais se arriscou a fazer o tal pudim da Lucia, a não ser a própria.

Antes de começar a execução das coisas, no entanto, esse post deve fazer jus a seu título e conter mais um pouco de indecisão: Vai caber o pudim na forma menor? Penso eu? Num momento de raríssimo espírito planejador eu medi um litro de água na forma e concluí que se aquele era o volume do ingrediente de maior quantidade na receita [o leite] o pudim inteiro haveria de caber.

Caramelizei a forma e segui:

{{{{{{{{{{{{{{{ Pudim de tapioca da Lucia }}}}}}}}}}}}}}
Como está anotado na receita original

1 lata de leite condensado
1 vidro de leite de coco
3 ovos (usei dois pois estavam enormes, ou então estou com alguma avareza de ovos hoje)
1 colher de manteiga
2 pacotes de coco ralado - o que deduzir serem 100 gramas
1 copo americano de tapioca
1 litro de leite

O lance é fazer um mingau com o leite e a tapioca e, em outro recipiente misturar os outros ingredientes. Eu bati todos menos o coco ralado no liquidificados.

Uma vez o mingau pronto é só incorporar ele a outra mistura, ou incorporar a mistura a ele, tanto faz e foi o que eu fiz. Nessa hora eu também juntei o coco ralado, pois já que eram flocos em não queria que ficassem triturados.

Feito isso, levar o pudim ao forno em banho-maria e, notem bem, retirar quando estiver [sic] "moreninho". Como o meu está nesse momento [é isso mesmo, escrevo enquanto espero um pudim]. Mas ainda vou deixar mais um pouco.

Só que... aqui começa o desespero. Depois de fazer tudo como a receita mandava o volume do troco aumentou enormemente. Eu fiz o mingau e quando juntei o resto quase não coube na panela. Assim como não deu na forma de pudim que eu havia previsto. Além disso, na hora de despejar na forma a coisa foi espirrando toda na medida que caia fazendo uma pequena, mas frustrante sujeira. Assim...

Toca a caramelizar outra forma de pudim para assentar o restante e procurar um tabuleiro em que coubesse as duas formas para tentar assar em uma fornada só. Não tendo tal utensílio, só me restou colocar somente um dos pudins no forno e assar o outro em seguida.

[Pudim número 2 no forno. Bem na hora que eu falava dele.]

Só saberei se tudo isso valeu quando desenformar, mas talvez não seja o pior dos mundos visto que o infortúnio da forma pode me possibilitar um pudim para levar para o trabalho amanhã ou depois.

Só pra não perder o bonde, não sei se faço pot pie ou panquecas para o jantar.

Why go home?

Faz muito tempo que não venho aqui. Fiquei com certa ojeriza [queria uma palavra melhor, mas não achei] de escrever depois de acabar o Mestrado.

Continuo cozinhando e gostando cada vez mais de cozinhar. Continuo esquecendo receitas e não gostando de esquecer as receitas que funcionam.

Numa tentativa ineficiente de um dia retomar o blog escrevi várias receitas que deram certo em arquivos do bloco de notas para serem passadas para o blog um dia. Quando eu pudesse retomá-lo de onde parei.

Nesse meio tempo, fiz e refiz uma série de opções, muita coisa mudou, tentei receitas novas, repeti antigas sempre mudando alguma coisa. Viajei, aprendi coisas novas e meio que desaprendia a fazer pão - um desafio a ser superado. Fiz poucas tentativas infrutíferas de assar minha própria farinha. Não sei se qero dar receita, mas vou pelo menos colocar uma que está desde o início desse blog presa no meu celular, no aplicativo de notas de um dia de ônibus em que eu não tinha mais nada melhor para fazer a não ser ficar sentada e escrever receitas que funcionaram, antes que eu me esquecesse delas.

Pra falar a verdade, eu não sei se isso foi assim. Faz tanto tempo. Faz o tempo de eu começar minha saga de comer melhor. Aliás, outra coisa que tenho que aperfeiçoar, apesar dos progressos feitos até aqui. Contar mais qualidade do que caloria nas comidas eu já consigo dominar, mas nem sempre o bom senso é o que senta comigo à mesa. Eu já fui mais a chata da comida saudável, mas às vezes enfio o pé na jaca e sinto que o equilíbrio ainda não veio.

Vontade de escrever é uma coisa boa, já que eu tenho passado alguns dias da semana sozinha e a TV fica ligada apenas pela sensação do barulho, embora isso também me irrite um pouco. Não sei se são ataques leves de masoquismo programado ou se sou só indecisa mesmo. De todo modo [uma expressão que eu gosto e uso muito essa] está passando algum episódio do longínquo Friends que ainda hoje é usado pelos canais a cabo como se fosse novidade.

Receita?

Lembro que ela foi inspirada em uma do site No Calor do Fogão, mas agora qual? Adaptei bastante a original e vai essa mesmo. [Se eu achar a referência depois eu coloco]. A retardada aqui ficou procurando por pão + centeio e nunca ia achar, já que o centeio foi a minha substituição na receita original. O link é esse: http://nocalordofogao.blogspot.com.br/2011/09/pao-de-cebola-e-queijo-do-reino.html

{{{{{{{{{{{{{{{Pão de Centeio com Queijo}}}}}}}}}}}}}
Feio isso, né?

50g de centeio
325g de farinha de trigo
250ml de água
1 colher de chá de mostarda
3 colheres de chá de açúcar
1 colher de chá de sal
1/2 colher de sopa de fermento
acredito que o queijo é à gosto, visto que não está anotado

O lance de fazer deve ser misturar tudo, deixar crescer até dobrar de tamanho, modelar e assar. Lembro que a massa fica bem grudenta e minha opção foi fazer pães no formato de bolinhas.

Talvez eu faça ele hoje... ou não.

Pensamento do dia de cozinha
Não alimente os egos!! ou Alimentamos egos com comida!! Eu tinha pensado esse pensamento e me esqueci do que tinha pensado. Isso está acontecendo com muita frequência e é horrível. A pessoa abre uma aba do navegador para ver alguma coisa e quando clica na aba esqueceu o que quer procurar.

Estou ficando velha.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O sorvete (frozzen) ficou incrível

Pois é, quase três meses depois, I',m back! E com uma preguiça enorme de escrever aquilo que eu tenho que escrever por obrigação. Bobagem e devaneio saem aos montes dessa cabeça insana.

Mas eu tinha que voltar, primeiro porque estou esquecendo os pratos de faço e não tenho onde consultar [again!] e o "lembrar" foi o fator motivador desse blog. Segundo porque acabo de comer meu último e ultimate frozen yogurt. Nem acreditei de tão macio que ficou. Quando fui retirar do pote a colher entrou naquela massa branca sem nenhuma resistência e foi rolando uma bola perfeita. Tá, não muito perfeita, porque a preguiça me fez deixar de lado a colher de sorvete e porque eu não tenho tantas habilidades decorativas assim.

Só que eu tomei a primeira colherada e fiquei feliz por ter produzido aquilo. Azedinho, macio e completamente homogêneo. Segue a receita.

Peguei um litro de iogurte integral e natural [na garrafa dizia apenas leite e fermento lácteo]. Deixei ele sorando por algumas horas [não sei quantas horas, porque sou um fiasco para processos controlados, mas foi algo como cinco ou seis horas]. O processo de dessorar consiste em deixar o iogurte descansando sobre uma peneira forrada com um pano próprio para fazer queijo. Como não tenho o tal pano, utilizo aqui em casa uma fralda de pano de bebê [espero que essas coisas só entrem nesta casa para esta finalidade]. Durante esse processo a os sólidos se separam do líquido. O iogurte sobre a peneira [com os sólidos, é claro] fica denso e muito, mas muito mais consistente. O líquido que fica sob a peneira, e por isso é bom ter uma tigela aparando o que cair, é rico em proteína e pode ser utilizado para fazer bolo, biscoito entre outras coisas. É nutritivo e dura um tempo se guardado em geladeira.

Foto tosca da câmera do computador

Depois disso, e já lá pelas 10 da noite de ontem misturei com o mixer o iogurte [só a parte sólida, heim], que deu cerca de 500 gramas, coloquei um pouco do líquido para chegar a 500 gramas; 100 gramas de creme de leite, 3/4 de xícara de açúcar cristal, meia colher de chá de sal, uma jogadinha de essência de baunilha e uma tampinha de limão que tinha sobrado espremido. Tudo misturado, foi para a geladeira e hoje de manhã para a sorveteira.

Foto menos tosca, mas também da câmera do computador
Pronto, aí está a receita de sucesso, mas ainda preciso testar ela sem o creme de leite pra ver se funciona tão bem quanto.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Um dia e meio bolo

Voltei, de novo! Talvez com mais certeza da volta. Ou não! Estou evitando pressões de todos os tipos e até escrever num blog despretensioso pode se tornar uma coisa opressora em caso de descuido.

A receita é copiada de um site bom de bolos - o Technicolor Kicthen -, mas com algumas modificações para se adaptar ao que tinha na geladeira e para dar fim a 2/3 de um limão que estava perdido depois de ter sido utilizado apenas em parte em um tabule.

O bolo vale muito à pena e é esse aqui. A quantidade de ingredientes e etapas é algo meio exagerado. Um mundo de manteiga e ovos e açúcar que quase não bateu na minha pobre batedeira fraca. O resultado entretanto valeu cada grama de manteiga utilizada, pois a textura do bolo ficou impecável e extremamente delicado. Desmanchando na boca. Não é exatamente um bolo aerado, mas ficou uma pintura. Sem contar o aroma de limão que ficou em toda a casa até a hora de dormir. Lembro da exata sensação que tive ao abrir o forno para conferir se o bolo estava pronto: uma agradável surpresa olfativa quase inebriante que já me deixou satisfeita com a receita sem nem prová-la.

Quanto ao sabor e sucesso do bolo, se justifica pelo título do post. Ele foi feito ontem (20/11/1012) à noitinha, por volta das 19h. HOje quando cheguei do trabalho para o mais que perfeito [e merecido] café da tarde lá estava ele me esperando, ainda mais gostoso do que quente como comemos ontem [não deu pra esperar o bolo esfriar nem para retirá-lo da forma]. Ao final dos trabalhos  sobrou só meio bolo. E olha que o tamanho do bicho é uma ignorância, apesar da leveza e fofuras inerentes.

Um dia

Meio bolo
Quase que esqueço de anotar as modificações feitas na receita original:

  • usei apenas 200 gramas de manteiga e duas colheres de óleo de canola [o último é desnecessário, mas eu fiquei na dúvida da manteiga, bota ou não tudo e acabei usando um pouco de óleo pra compensar]
  • usei duas colheres de chá de fermento, porque não confiei na quantidade ínfima de fermento da receita original, especialmente em relação à proporção dos outros ingredientes
  • usei suco de 3/4 de um limão grande porque queria que ele acabasse e também porque gosto do bolo mais azedo
  • usei apenas 350 gramas de açúcar cristal
  • no lugar do buttermilk coloquei um copo de iogurte de 170 gramas e completei com leite até dar uma xícara.
  • Ah! Também não usei gengibre cristalizado, porque não tinha e não era a proposta desse bolo.



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Voltei... Com brevíssimas anotações

Eu sumi por um motivo razoável. A comida deixou temporariamente de ser prioridade para mim. Muitos dos hábitos saudáveis foram mantidos, com mais ou menos esforços, para não deixar que a correria dos afazeres se impusesse sobre as mudanças benéficas para o corpo. Não abandonei as atividades físicas por completo [somente a bicicleta, um pouco], diminui o ritmo da alimentação supersaudável, mas isso só significa que o que era muito radical foi sendo moldado a uma rotina menos rígida de comportamento, afinal uma pizza caseira no fim de semana não mata ninguém. Só tenho que me esforçar para beber muita água, porque isso sim é uma coisa difícil de se fazer, especialmente no inverno.

Como essas não notas corridas, eu vou ser breve no assunto. Tenho que deixar aqui uma salsa de manjericão, salsinha e azeitonas incrivelmente gostosa, uma base de tempero para sopa que se tornou padrão em casa e uma receita de molho de rúcula, que já apareceu aqui, com algumas alterações benéficas. Tudo muito verde, saboroso e nutritivo.

Começando pela salsa que é rápida, fácil e inspirada em uma receita do Jamie Oliver. Combina com batatas cozidas ou assadas, com macarrão, carne e outra infinidade de coisas. No dia que eu fiz misturei com batatas cozidas ainda quando estavam super quentes. Em um processador vai salsinha, manjericão, azeitona, alho [1 dente], sal, pimenta do reino, um pouco de água para ajudar a processar e um pouco de azeite para diluir. Para misturar com as batatas vale colocar algumas folhinhas de alecrim no final [sem processar, porque fica forte].

O molho padrão [ficou ótimo na sopa de ervilha] foi um daqueles felizes acidentes culinários que não acontecem com frequência. Queria fazer sopa de ervilha e só tinha 1 dente de alho em casa [uma vergonha, eu sei, mas era isso que eu tinha]. Em compensação tinha uma sobrinha da salsa que havia feito para as batatas, a qual estava ainda no potinho do miniprocessador - sinal cósmico que alguma coisas iria sair dali??? Peguei a sobra, coloquei meu dente de alho, gengibre, grão de pimenta branca e folhas de alho poró [só a parte verde] e algumas pimentas rosa [se não me engano, pois já faz tempo]. O molho está pronto, misturei na panela com um refogado de bacon, cebola roxa [tenho trocado a cebola comum pela roxa porque é muito melhor e a cebola está um assalto mesmo, então, não faz diferença pagar um pouco mais na roxa] um pedacinho da parte branca do alho poró. Deu um sabor bem particular a sopa, mas ficou ótimo.

O molho de rúcula... Passou tanto tempo que não me lembro mais dele. Hoje é dia 21/11 e não tenho como recuperar ele todo de memória. Bad for me! Acho apenas que bati rúcula leite e amido de milho no liquidificador e depois levei ao fogo para engrossar. A rúcula anda meio sumida, mas assim que voltar eu tento novamente.

sábado, 16 de junho de 2012

Quem te viu, quem te vê: sopa de cenoura e gengibre

Essa é mais uma história do garoto que não comia vegetais. Verduras, legumes e boa parte das frutas estavam fora de seu cardápio e passavam longe do que considerava gostoso. Nada no mundo o convencia do contrário a não ser a necessidade vital de nutrientes [o que o fazia encarar tudo como suplemento ou remédio] e a persistência por parte da cozinheira, a qual se convencera a algum tempo atrás de que não existe comida que se goste e sim comida que não foi feita de uma maneira que se goste.

Isso parece repetitivo e de fato o é, mas esta é a minha vida.

Ontem à noite, algo me dizia que deveria fazer alguma coisa para comer no jantar. Fiquei com essa sensação, sem saber o que a intuição estava me mandando fazer. Inicialmente pensei em um angu de fubá molinho, mas logo desisti por saber no fundo que não era isso, ainda. Pode ser também que tenha desistido por não ter nenhuma coisa legal para fazer um molho de acompanhar angu, mas isso não vem ao caso. O fato é que a ideia do angu foi se afastando e dando lugar a pensamentos mais nefastos e complexos ligados diretamente à sopa.

Poderia ser ervilha? Sim, pois eu a tinha no armário, além de agradar os corações mais exigentes no campo sopístico. Ele adora sopa de ervilha e esta sempre é a sua opção número um para qualquer menção a pratos quentes, confortantes e invernais. Ocorre que eu fui criada comendo sopa de ervilha com calabresa e outras carnes, digamos, mais para o estilo feijoada. Em casa de minha mãe - e tias e adjacências - a sopa de ervilha é um clássico feito à "velha escola" de pessoas que não se preocupavam com entupimentos em coronárias e outras obstruções. Assim sendo, eu abortei a missão da sopa de ervilha, não sem alguma resistência por parte das outras partes, por pura falta de calabresa. Vejam bem o tanto de apreço que o sujeito tem por esta sopa, uma vez que mesmo apresentando a falta de calabresa como motivo incontestável para adiar a sopa ele perguntou, assim como quem não quer nada: "Não dá pra fazer só com bacon?"

Depois de eu dissuadi-lo da ideia de comer sopa de ervilha [ficou para hoje como preço das negociações], continuei com os pensamentos que me levaram ao inventário mental da geladeira, que me levou a única opção possível. Sopa de cenoura! Era o que tinha e mais nada, a não ser um poucos rabanetes e tomates cerejas, que convenhamos, ficam tão sem função nas temperaturas quase glaciais do outono/ inverno nesta cidade fria. Perguntei ao companheiro querido, que estava trabalhando o dia inteiro com milhares de tarefas, se ele comeria uma sopa de cenoura se eu a fizesse. "Com gengibre!", ressaltei como se isso o fosse animar. Ele respondeu que sim com o ânimo de quem vaia para um casamento, mas no fundo sei que não se convenceu. Usou sua frase padrão para esse tipo de questionamento: "Tá, eu posso comer." Que significa: "Não é o que eu queria, mas eu faço o esforço."

Passa da etapa, decisão / convencimento eu coloquei uma panela com água para ferver e fui catar uma ervas lá fora. Tive que usar ervas locais [da minha varanda mesmo], porque as outras estavam na horta lá no final do condomínio e o frio e as roupas de frio ridículas me impediram de ir tão longe buscar mato pra sopa.

Foto clássica de sopa sem iluminação adequada.
Acho que estava mal influenciada pelo programa culinário da Rita Lobo - que mostrou receita de sopa de abóbora - e tive a nefasta sugestão de ferver a água primeiro para depois juntar a cenoura e os temperos. Shame on me! Pode até ser mais saudável, mas o sabor... Não sei, estamos falando da pessoa que não gosta de vegetais e tampouco sopas feitas com eles. Então me ocorreu que deveria - é claro, porque não pensei nisso antes - assar as cenouras com temperos e depois bater tudo para formar um creme bem mais intenso e com um leve sabor caramelado. Assim sim, foi o que fiz.

Tabuleiro pequeno, cenouras cortadas ao meio no sentido do comprimento [cerca de 300 gramas], três dentes de alho inteiros e descascados, um pedaço de gengibre, uma colher de chá de mel, um pouco de azeite, uma pitada de sal e pimenta moída na hora. Mistura tudo, dá uma arrumada de modo que as cenouras não fiquem sobrepostas e forno bem quente. Eventualmente, é bom abrir o forno e dar uma mexida geral em tudo e quando as cenouras estiverem macias e carameladas [com as bordas pretinhas] é só retirar e bater no liquidificador com água quente e algumas ervas [no meu caso usei tomilho e manjerona]. Isso feito, passe a sopa pela peneira e aperte bem para sair todo o caldo grosso. Se for necessário bata de novo o que sobrou na peneira no liquidificador com um pouco do líquido coado. Não sei, mas no caso da sopa de cenoura acho que a etapa da peneira é fundamental para os pedacinhos que ficam não incomodarem, Digo isso, porque da última vez que fiz sopa com vegetais mais duros fiquei incomodada com a textura, embora o sabor estivesse ótimo.

Intuição e queijo!
O caldo coado volta para o fogo até engrossar bem. Quando estiver quase pronto, acerte o sal, coloque um pouco de manteiga para aveludar o caldo e um fio de azeite para o sabor. Eu servi com farofinha de farelo pão e queijo minas curado. Acredito ter intuído muito bem acerca da sopa e principalmente do queijo minas no lugar do parmesão, já que o sabor mais forte combinou muito bem com o adocicado quente da cenoura e do gengibre. Comemos, ficamos vermelhos e com a cara quente e o termômetro pessoal para comidas gostosas que mora comigo disse que comeria mais se tivesse e que ficou muito bom. Quem te viu, quem te vê!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Provando a irrestibilidade do meu feijão, parte II

Eu estou sumida, mas não completamente. A quantidade de coisas para fazer e alguns eventos de fim de semana tem me tirado da cozinha ultimamente, pelo menos no que diz respeito às experimentações e novidades culinárias que eu tenho que anotar para não esquecer. Tenho cozinhado apenas para subsistência - o que já é muita coisas, visto que poderia apelar para não-comidas congeladas - e para pequenas reuniões sociais regadas a quantidades astronômicas e cansativas de pizzas.

Dito isto, venho aqui fazer um update das atividades culinárias das últimas semanas, corridas e um pouco preguiçosas. Especialmente no que diz respeito ao quesito escrever, a resistência tem sido grande, desde que dei um tempo na famigerada dissertação. Se por um lado sobra tempo, por outro sentar na frente de uma tela e ficar gastando meus preciosos neurônios com letras não me parecia tão atrativo.

Percebo escrevendo essas palavras agora que na verdade o "dar um tempo" me fez bem. As ideias estão fluindo melhor e o texto não me parece tão forçado, como obrigação de blogueiro sempre alerta e feliz. Não sou blogueira e quase me confundi tentando ser. O melhor é seguir o meu ritmo e quando der vontade de vir aqui eu o faço. A única implicação negativa que posso observar nessa posição é o fato de perder algumas receitas pelo caminho, já que não estarão registradas, mas é um preço justo.

Escrevo, como uvas velhas e aguardo a hora de sovar um pão. Um que eu acabei de achar procurando um pão rápido e prático - palavra nefasta - para eu tomar café sozinha hoje à tarde, que infortúnio. Impetuosamente aceitei essa receita aqui [literalmente] sem pensar muito sobre ela e sem uma infinidades de pesquisas pela rede atrás do "melhor" disso ou daquilo. Tem dias em que você só quer o básico, ainda mais depois de ficar lendo livros heréticos sobre personalidades que criam a mais valiosa empresa de computadores do mundo a partir de simplificações e minimalismos.

Pausa para sovar [mexer] o pão!

A massa tá tão molinha que sovar me parece um erro semântico.

Voltando a conversa inicial, que já está perdido, visto que alguns parágrafos [contei, mas acho que parágrafo de uma linha é meio que café com leite, então resolvi por alguns] depois eu ainda não toquei no assunto feijão propriamente dito. A correira, a confusão, a preguiça - ah tá, lembrei - e alguns problemas de ordem pessoal me afastaram da culinária. Sim, mas não por completo e esse simples feijãozinho de sábado, merece minhas honrarias e considerações por escrito de tão perfeito que ficou. Claro que a perfeição está medida aqui de acordo com a minha escala feijonística de perfeição. Sem dúvida, na minha opinião, esse foi o melhor feijão que eu já servi para alguém. Esta também foi a opinião do meu querido companheiro, mas ele só tem 10 anos de feijões ao meu lado não pode avaliar a escala evolutiva prá-relacionamento. Além disso, [dei um tapão sem querer na bacia e as uvas voaram longe - ainda bem que só tinhas umas poucas murchas] ele ficou com o que eu consideraria a cara do feijão perfeito, com o caldo grosso, mas caroços firmes, que quando você põe no prato ele se esparra sem perder a  cremosidade e fica com uma textura aveludada envolvendo seus pequenos grãos.Essa foi uma descrição meio poética de mais para feijão, mas foi assim que ficou e se tivesse que usar uma imagem, acho que parece aquelas cenas de canais de TV pseudo-científicos que mostra a lava de vulcão escorrendo lentamente por uma superfície. Geológico demais, mas foi a única coisa que me veio a mente.

O fato é que eu estava a fim de comer feijão já tinha um tempo e as minhas últimas tentativas, digamos, não foram aprovadas no meu controle de qualidade pessoal. Depois que extingui a última porção de feijão preto que tinha no freezer - finalmente, pois demorou uma vida pra acabar - fui atrás de feijões de outros tipos para variar um pouco. Acontece que o término do meu feijão preto calhou de coincidir com uma abdução coletiva de todos os outros tipos de feijões do mercado, o que atrapalhou minha busca em alguma semanas.  Parece uma saga, exageradamente detalhada para simplesmente comprar feijão, e foi por isso que desisti de ficar me afundando exaustivamente num mar de indecisões sobre melhor tipo de feijão e pegar um pacote de carioquinha que era o que tinha no mercado.

Uma vez em casa o pacote de feijão carioquinha morou no armário por um bom tempo antes de ver a luz, finalmente. Sempre pensava em fazer mas alguma coisa conspirava contra e eu acabava desistindo. No último fim de semana, aproveitei que estava meio agitada demais, fazendo um milhão de coisas ao mesmo tempo e procurando mais coisas para fazer, e fui cozinhar feijão. Vou comer feijão nesse fim de semana e estava decidido. Na quinta à noite coloquei o feijão de molho na água - assim não teria escapatória. Na sexta pela manhã, antes de sair para resolver alguma coisas que não me lembro mais, troquei a água do molho e pensei em cozinhar o feijão para o almoço. Quando voltamos da rua, já era muito tarde e a fome era maior do que o tempo necessário para o feijão ficar pronto, então fizemos um lanche [eu acho] e deixei ele aguardando seu momento, mais tarde. Nessa hora, apenas troquei a água mais uma vez dando uma lavada geral em tudo. No fim da tarde de sexta, coloquei ele para cozinhar - e a essa altura já sabíamos que comeríamos pizza no dia seguinte - pizzas que sobraram do fim de semana anterior.

Cozinhei meio quilo de feijão carioquinha com quatro folhas de louro e dois dentes de alho inteiros. E, importante, joguei os grão na panela de pressão com a água fervendo, deixei a temperatura aumentar e tampei. Depois de começar a chiadeira, mais trinta minutos e uma feliz revelação ao abrir a panela. O aspecto do feijão tava tão perfeito, que em não podia simplesmente congelar ele todo. Estava tão promissor e fresco que eu "tinha que" temperar uma parte e comer, apesar da sombra da pizza por vir. Separei metade,  aproximadamente, nos potes para o freezer e comecei a temperar o restante.

Para o tempero, só o essencial e algumas carnes pra dar uma sustância. no pilão foram três dentes de alho, uma pitada de sal e algumas folhas de manjericão. Na panela, com o fogo sempre baixo [feijão requer paciência], bacon picado até soltar a gordura. Depois a pasta de alho até dourar e, por último, calabresa em rodelas até ficaram bem crocantes. Depois que esse tempero apura bem, é preciso juntar o feijão, mas não tudo junto. Primeiro, uma concha com mais caldo para limpar o fundo da panela e em seguida, o restante do feijão que fica apurando no fogo baixo até começar a ferver e engrossar ainda mais. Só no fim, sal - meia colher de chá - e pimenta do reino a gosto.

Ficou incrível e eu prontamente abasteci uma caneca, como manda a tradição, feijão e um fio de azeite por cima. Não sei se a culpa antecipada pela eminência da noite da pizza ou o fastio pela lembrança do cafe da tarde ainda fresca, fez meu querido companheiro desistir do feijão para o jantar de sexta-feira. Eu deixei ele esfriando para o almoço do sia seguinte. Acontece que algumas poucas horas depois, alguém não resistiu e se pronunciou com fome: "Bem que eu comeria feijão agora", foi a frase que ele proferiu. Eu prontamente fui aquecer o caldo para comê-lo como uma sopa com pão torrado. Pra quem não queria jantar até que a disposição foi boa, visto que a sobre não dava nem para um almoço no dia seguinte.

No almoço do dia seguinte, fiz um pouco de arroz para acompanhar e temperei o feijão que estava no pote para ser congelado, pois o que tinha não dava e necessitávamos de mais feijão àquela altura. Comemos de novo e do feijão que iria todo para o freezer só sobrou um potinho. Refeição confortante, mais caseira impossível e deliciosa. No almoço, ainda refoguei um pouco de couve da horta para meu acompanhamento - o companheiro não gosta de couve - e posso tirar minha licença para feijoada, pois o teste foi muito bom.