terça-feira, 31 de janeiro de 2012

3 minutos e não é miojo? Salada morna de couscous marroquino com calabresa

Estou postando o que acabei de almoçar. Raspei a tigela e fui comendo mais devagar na medida que foi acabando pra ver se fazia render. Mais rápido impossível! Tirei essa manhã para trabalhar bastante e como ia almoçar sozinha fiquei protelando a ida para a cozinha. Só que a fome é implacável e começou a apertar de um modo que comer três ou quatro uvas não resolveriam.

Pra comer na frente do computador.

Infelizmente, almocei sozinha porque minha companhia está mal do estômago e não prefere não abusar. Tomou apenas chá com torradas e está descansando nesse momento. Para meu completo desgosto, ainda começou a chover muito e nem vou comentar que hoje é o último dia de férias. Já me conformei, mas sempre fica uma pontinha de tristeza pelo fato.

A salada, morna e perfeita para esse dia foi feita no impulso e improviso. Improviso porque não segui receita e impulso porque eu nem tava pensando em almoçar, mas foi só botar os pés na cozinha que entrei em alfa e fui inventando e juntando tudo como se isso fosse muito natural. Estou começando a gostar muito de cozinha, o que é ao mesmo tempo muito bom - me distrai e me divirto - e preocupante - pois posso virar a louca que só fala de comida.

Prato único.
Então foi assim: cortei um pedaço de linguiça calabresa em cubos nem tão perfeitos assim; fritei eles em uma frigideira até criar aquela casquinha tostada, acrescentei cebola e um pouco de molho de tomate caseiro. Desliguei o fogo e acrescentei salsinha e cebolinha picada em grande quantidade. Enquanto isso eu aqueci água, hidratei o couscous. Quando ele ficou pronto [cerca de 3 minutos], temperei com zathar, piquei uma noz por cima e juntei a calabresa misturando bem. Salsinha por cima e yumiii! Ficou tão melhor do que o esperado.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Com vocês... a semana da abóbora

Como duas pessoas podem consumir três quilos de abóbora antes que ela estrague? Como conseguir tal feito se umas dessas duas pessoas jura de pés juntos [não sei de onde tiraram essa expressão engraçada] que não gosta de abóbora [assim como de outra gama enorme de vegetais e frutas]? E, porque alguém compraria 3 quilos de abóbora em condições tão adversas?

Começando pelo fim, a abóbora em questão veio na cesta de produtos orgânicos que recebi na semana passada e não tive muito o que fazer em relação ao seu tamanho. Quando enviei o e-mail com os itens que gostaria de receber pedi uma abóbora-moranga pequena, mas os vendedores me responderam avisando que aquela era a menor disponível no momento. Eles foram bastante atenciosos e enviaram uma foto da moranga para a minha avaliação, logo, resolvi aceitar o desafio da abóbora.

Você compraria essa abóbora?
Pois é, eu comprei e agora estou me virando pra usar ela toda na semana da abóbora. Esse post está meio atrasado, uma vez que a dita semana começou na quarta-feira passada em grande estilo. E, como a moranga ainda não acabou se estenderá por mais alguns dias, de modo que vou atualizando assim que as receitas forem sendo produzidas. Não vou me estender no assunto que o meu querido companheiro não gosta de abóbora, porque é repetitivo para qualquer vegetal, exceto batata, mas vale dizer que o menino não se nega a experimentar nada e é sempre bem coerente nas análises dos pratos. Embora, às vezes goste de ficar implicando comigo por causa do terrorismo alimentar a que vem sendo submetido.

Pensando nos pratos já feitos eu tenho que confessar que devo essa semana a Ana Elisa do La Cucinetta, pois agora me dei conta que usei muito suas receitas e, pode-se dizer, experiência com pessoas que juram não gostar de abóbora. Não a conheço pessoalmente, mas compartilho de alguns pontos de vista e sempre que tenho um legume pra transformar em comida dou uma pesquisada lá no site dela, porque tem bastante informação boa, fora os textos. É uma pena que enquanto escrevo isso, ela pode estar dando um tempo de blog, conforme anunciou numa explicação nem tão curta assim a alguns dias. Perfeitamente compreensível, porque as coisas que são feitas por diversão não devem se transformar em tarefa, fora os chatos da internet. O que é ruim, pois era uma das poucas vozes dissonantes do universo dos foodbloggers tão colorido, otimista, cheio de frufru e igual. Estava comentando isso hoje aqui em casa: os blogs de comida tem me cansado um pouco, porque tudo é muito parecido, todo mundo quer ser legal e positivo, fazer receitas fáceis e que impressionam, falar sem pensar muito em sustentabilidade e ficar fazendo propaganda de produtos e serviços na forma de conteúdo. Isso me enjoa e me soa falso e viva a ranzinzice.

Depois da inevitável lamúria do dia, a comida. Na quarta-feira comecei - como já disse em grande estilo - com esse flan de abóbora. Mudei um pouco a receita e usei apenas dois ovos e duas gemas, porque achei 6 ovos meio exagerado, mas acho que não foi uma perda muito grande. Troquei o queijo gorgonzola por provolone, porque não sei se a outra parte gosta de queijos tão fortes [acho que nem ele sabe se já comeu gorgonzola na vida], e, coitado, a abóbora por si só já não é algo gostoso para ele, se eu metesse um queijo fedido que ele também não aprovasse a minha recém iniciada semana da abóbora iria ladeira abaixo. Só lamentei um pouco por não ter mais que 2 ramequins tendo portanto que colocar o restante do flan em um refratário comum. Acompanhei com uma salada de alface simplinha só temperada com azeite, limão e gersal e casou perfeitamente sem necessitar de mais nada. Como sobrara apenas um pouco do flan, no dia seguinte, mortos de fome ao retornar de um passeio no parque ecológico aqui perto, tive que aumentar o almoço fazendo um arroz com linhaça e mais salada verde.


Eu tô devendo essa continuação, mas é que são tantas as novidades que acabei me perdendo e esquecendo de postar. Outro fator que contribuiu para esse inevitável desleixo foi o fato de eu ter voltado a trabalhar na semana passada e com o cansaço decorrente desta experiência minha vontade de escrever declinou consideravelmente. A continuação da nossa saga abobrística se deu com uma incrível sopa apimentada e ao mesmo tempo confortante numa noite um pouco mais fria deste verão esquisito. Tudo bem que a sopa mistura coisas quase infalíveis como abóbora, curry e leite de coco, mas sabe como são os preconceituosos. Quando o fofo que mora comigo olhou para uma panela com o creme cor de abóbora fez aquela cara de "nós vamos comer isso, aí". E eu tive que dizer firmemente que sim e que ele iria gostar, que estava até com uma uma camisa laranja pra combinar. A única diferença da minha sopa para a receita foi que eu tinha um coco fechado para fazer o leite e um pouco de creme de leite fresco, o qual eu não podia deixar estragar. Assim, usei o creme de leite no lugar do leite de coco, o que deu uma ótima textura a sopa e um motivo nobre para fazê-la novamente - experimentar com o leite de coco. O fato é que na hora de comer ele fez caras e bocas, disse que aquela não era a sopa preferida dele, reclamou da cor, sentiu a ardência do prato, mas foi sorrateiramente da mesa ao fogão para pegar a segunda rodada.

Sopa doce-picante na medida certa pra ser repetida.
E, por último, neste post, que já é um tratado sobre abóbora no qual eu vou acabar me perdendo: um quibe de forno vegetariano... De abóbora? Não, com recheio de abóbora, feta e ricota. Desse eu não tenho foto, porque não deu pra tirar, mas certamente a mistura ficou muito boa, com aquele gosto que lembra armazém característico dos pratos com trigo para kibe. Eu acho que gosto mais do cheiro que do gosto, pois o aroma desses pratos me lembra algo bom que eu nem sei o que é. Não tenho nenhuma memória olfativa significante que envolta tal ingrediente, mas eu fico feliz quando faço. Essa receita, não é beeem um kibe, porque não leva carne - nem de soja - e fica com uma textura um pouco diferente, menos firme e mais desmanchante quando a gente põe no prato. Geralmente, o quibe de forno [já escrevi com k e com que - devo estar meio bêbada de cansaço de uma semana que insiste em não acabar] é um prato cortável, ou seja, você consegue retirar pedaços inteiros e montadinhos da travessa, o que não é o caso desse aqui. Mas na falta de nome melhor vai quibe de forno mesmo.

Infelizmente eu não tinha comprado hortelã e o pé que tem aqui no condomínio ainda tá muito pequenino, de modo que não era possível retirar-lhe uma quantidade que fizesse alguma diferença no sabor do prato e eu não ia de-predar a pequena moita em vão. Logo, vai quibe sem hortelã mesmo, o que não quer dizer que vai ser quibe sem gosto. Fiz uma substituição de ervas [ops!] e usei bastante salsinha crespa e cebolinha francesa, ambas recebidas na cesta orgânica - fazendo companhia para o abobrão - e disponíveis abundantemente na geladeira.

Misturei bem uma xícara de trigo para quibe, salsinha crespa e cebolinha francesa picadas, azeitonas bem picadas, pimenta síria, sal, azeite, um pouco de manteiga gelada e umas gotas de tabasco. Acho que foi isso,  pois já faz muito tempo e estou levemente desmemoriada em relação a essa receita. O recheio foi feito com cerca de 500 gramas de abóbora assada no forno e amassada [essa linda abóbora, especialmente, está macia e desmanchando facilmente] com o garfo juntamente com um pedaço de queijo feta e um pouco de ricota fresca caseira. Tudo no olho mesmo, já que a intensidade desses sabores é muito pessoais ou, como no meu caso, é fruto das sobras de ingredientes que habitam a minha geladeira. Salvo a abóbora, que tinha em bastante quantidade, mesmo três refeições depois, os queijo foram sobras e até mesmo por isso juntei a ricota e o feta para aumentar a quantidade de recheio e do queijo. Depois é forno até dourar e comer alegremente esse prato saudável, saboroso e saciante.

A semana da abóbora, que já estende a bem mais que sete dias, continuou no último domingo [05/02/2012] com o risoto de abóbora sobre o qual já escrevi aqui, mas acho que desta vez ficou com um sabor mais intenso e profundo devido ao incremento generoso de gengibre ralado e do uso de 150ml de caldo de frango caseiro. Também usei abóbora ralada e como ela estava muito macia, deu ainda mais cremosidade ao risoto. Pena que não pude usar queijo ralado, uma vez que o companheiro [que dessa vez comeu sem susto, piadinha, comentários infames e ainda elogiou - bom menino] estava se recuperando de sua, infelizmente mais comum do que gostaríamos, enfermidade cefálica e estomacal. Estou quase chegando a receita perfeita desse risoto - pelo menos pra mim - quando conseguir juntar as informações dessas duas execuções com arroz próprio para risoto e um bom vinho branco.

Ainda fiz um doce de abóbora que vai em outro post, para que a busca por ele fique mais fácil. Além disso, levei o doce para o trabalho e o sucesso que ele fez com a querida amiga Luciana me gerou um pedido meio que indireto assim: "Comeu? Comi, tava bom. Tá no blog?" Ao que eu respondi: "Comecei a trabalhar, esqueceu? Não dá mais tempo de escrever no blog." Essa conversa foi hoje, e veja como são as coisas de amizade, vou tentar postar o doce no blog hoje em post separado para que ela ache e talvez o faça.

Antes de acabar preciso dizer a melhor frase de todas sobre essa abóbora específica, que foi proferida, assim que ela chegou aqui em casa, por ele, que sempre faz os melhores e mais debochados comentários a respeito de quase tudo: "A gente pode ficar com ela?"

sábado, 28 de janeiro de 2012

Bolinhos para forminhas carentes: meus primeiros muffins

Eu estava andando correndo pelo Centro do Rio de Janeiro em uma tarde calorenta e fedida [é uma pena, mas a região central do Rio fede] porque precisava comprar um HD externo para meu backup. Sim, eu sou daquelas pessoas que juram que irão fazer backup e que um dia irá ter todos os arquivos organizados no computador. Eu até que não sou das piores, mas também não sou exemplo de nada.

Voltando a história, ir ao centro do Rio é uma coisa rara, pois não gosto de caminhar por ali com a quantidade de gente que se amontoa por todos os cantos e com os níveis de bom senso em franca decadência. Educação e cortesia andam em desuso ultimamente. O fato é que, quando resolvo fazer algo desse tipo e porque realmente preciso ir e não teve outra solução melhor para o meu problema. Assim sendo, aproveito para fazer todas as coisas que gosto quando estou no centro, desde que tenha tempo para isso e um pouco de disposição para aturar tudo o que detesto.

Acho que o meu caso é de nostalgia imaginária. Não vivi o suficiente para lembrar do centro da cidade como um lugar agradável, com sua arquitetura deslumbrante e pessoas simpáticas e educadas pelas ruas, mas ainda assim sinto falta disso. Tem muitas coisas que são legais naquela região e possibilidades infinitas para passear e se distrair, mas infelizmente tudo isso fica em segundo plano devido a correria, o barulho, a sujeira e o cheiro insuportável, especialmente no calor.

O fato é que nesse tour pelo paradoxal centro fiz várias coisas, além de comprar meu HD, como doar sangue no Hemorio, ir nas Casas Pedro comprar especiarias, entrar pela primeira vez no Real Gabinete Português - isso foi emocionante, que prédio incrível e silencioso perdido ali no centro -, e já indo embora, passando por ruas que nunca lembro o nome, dei de cara com uma loja de utilidades domésticas. Meu querido companheiro, que não me abandona nem nesses momentos mais exaustivos, perguntou muito gentilmente, uma vez que ele já estava um caco e certamente mais mortificado com aquilo tudo do que eu, se eu queria entrar. Respondi que sim e que seria rapidinho, mesmo sabendo que eu me perco nesses lugares e a chance de demorar era grande. Por sorte a loja era pequena e não deu pra ficar divagando muito, havia poucas opções de coisas de cozinha [como ele as chama] e saí de lá com um pegador tipo pinça e um conjunto de forminhas para cupcakes|muffins e afins.

Claro que comprei essas forminhas de silicone por puro impulso consumista culinário, já que eu não sou nenhuma especialista em bolinhos e nunca tinha feitos deles. Já andei sondando receitas na internet, mas nunca me bateu aquela vontade verdadeira de fazer cupcake ou muffin, ou seja, não tinha nenhuma ideia fixa me perseguindo a respeito disso. Mas vi as forminhas na prateleira e aquilo me pareceu tão necessário, como se minha existência culinária dependesse daquilo, e fui tomada por um estranho sentimento de necessidade de ter o objeto. Isso é tão não-eu que por um momento fiquei levemente surtada e hoje, pensando melhor acho que pode ter sido o cansaço e o calor que confundiram minha capacidade de julgamento. Ou então, a sensação, que acredito mover uma parcela dos consumistas, de que aquela era uma oportunidade única - afinal eu quase não vou ao centro do Rio e não voltaria naquela loja tão cedo. Como se as forminhas fossem sumir da face da terra para todo o sempre?!

Fui atraída por forminhas de silicone, que vergonha. Pelo menos, minhas pirações de consumo se limitam a 20 ou 30 pratas, como as benditas que custaram 19,99 e não a quinquilharias portáteis Polishop like e semelhantes.

A consequência dessa epopeia das forminhas de silicone é que elas ficaram na minha gaveta de talheres esquecidas e sem uso, como outros itens do museu das grandes novidades - por sorte não são muitos. Diferente de muitas outras coisas, eu sequer havia tentado cozinhar bolinhos desse tipo antes para saber se eu ia gostar de fazer tal coisa na cozinha. Eu tenho uma teoria, não muito científica, de que antes de sair comprando mil e um equipamentos para realizar determinada atividade você deve procurar saber se realmente vai gostar de fazer aquela atividade. O sorvete é um bom exemplo disso. Antes de achar que eu precisava de uma sorveteira para fazer sorvete caseiro eu fui tentando me virar com ferramentas toscas que já tinha para ver o resultado da coisa e, principalmente se eu ia entrar na vibe de fazer sorvete em casa com uma frequência razoável. Tirando o fato de que sempre chove quando faço sorvete, concluí que o investimento na máquina valeria a pena, e, mesmo assim, ainda não comprei uma.

Aí, sem mais nem menos, ontem, alguma coisa me atacou durante a tarde que eu levantei do sofá [estava meio sonolenta nessa hora], e num ímpeto estranho entrei na cozinha e falei: "Vamos fazer muffin?". Do nada, eu já concluí que faria os muffins e que seriam de limão e sem pensar peguei o computador e botei no Google "Technicolor Kicthen muffin de limão", entrei no primeiro resultado que me levou até o site da Patrícia Scarpin [é estranho você se referir com tanta intimidade a uma pessoa que não conhece, mas eu visito o blog sempre e não acho outra maneira apropriada de fazer tal referência] que é uma autoridade em limão e cítricos de um modo geral. Sabia que se queria bolinhos de limão, no site dela iria ter com certeza.

O primeiro resultado do Google foi "Muffins de limão com sementes de papoula" e foi a receita que segui, substituindo limão verde por siciliano [coloquei três colheres de chá e achei pouco] e sementes de papoula por de chia na mesma quantidade pedida na receita.

A questão - sempre tem uma questão - é que eu não tenho formas de cupcake|muffin. Posso comprar forminhas de silicone num lapso impulsivo, mas continuo firme na minha posição de evitar até o limite da necessidade o acúmulo de tralhas supostamente essenciais na cozinha. Sou uma adepta convicta do básico e do não-consumo e espero nunca mudar. Então improvisei a assadeira de bolinhos com uma forma de pizza e forminhas de empada, que, infelizmente, também estavam abandonadas e foram utilizadas pela primeira vez. Tudo bem que quando comprei as forminhas de empada estava numa fase tortinhas / patê brisée e ainda não havia pensado em mudar de hábitos completamente. Além disso elas só me custaram 6 ou 10 pratas, não me lembro.

Quase não sobrou pra foto.

Funcionou perfeitamente, mas acho que da próxima vez não será preciso usar as formas de empada como suporte. Como essa foi minha primeira vez, fiquei com medo das fomas de silicone abrirem e espalharem a massa, necessitando, por isso, de paredes mais firmes. Agora já sei que não acontece e o silicone sozinho garante boa sustentação. Conclusão: economia de umas 60 pratas [no mínimo] com assadeiras inflacionadas por causa da moda dos cupcakes.

Os três últimos mosqueteiros.
Pra não terminar sem comentários do ser que me acompanha nas mais diversas situações, segundo ele, os bolinhos ficaram muito fofos e gostosos. E... "O ruim é que dá pra você contar quantos eu comi!"

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Guia da autossuficiência doméstica. Episódio: ricota

Pois é, você não ouviu errado. Eu disse ricota... Queijo. Houve um dia em que eu resolvi fazer queijo na minha própria casa. E por quê? Apenas para saber que é possível. E, surpreendentemente fácil. O gosto? Acho que nunca havia comido ricota na minha vida toda e agora entendo porque ela é tão malfalada. Nenhuma ricota que comprei até hoje, das mais caras ou mais baratas, tem o mesmo gosto de leite dessa que eu fiz a dois dias atrás.

Coisa de quem não tem o que fazer? Não, coisa de quem quer saber até onde é possível ir, além da pura e simples curiosidade quando vejo uma receita dizendo que você pode fazer em casa a comida que todo mundo compra no mercado. Cada vez estou mais convencida de que esse é o caminho. Depois de procurar e conseguir produtos frescos orgânicos e nunca mais ter comprado granola comercial, fazer queijo nem parece tão insano assim.

Já havia visto a receita de ricota caseira a bastante tempo e vinha esperando uma oportunidade e disposição para testá-la. Primeiro achei que seria perfeito, depois comecei a duvidar da coisa, em seguida desisti porque a quantidade de ricota por litro de leite é bem pequena e achei que o rendimento não compensava o trabalho. Quando voltei a achar que poderia ao menos tentar a receita a falta de um "cheesecloth" ou algo parecido foi um empecilho  Sempre esquecia de procurar o maldito pano para sorar o queijo - é verdade que andar por lojas de tecido, ou de cama, mesa e banho, não é lá muito a minha cara. Agora de férias, em casa, em um dia de hiperatividade decidi: vou fazer queijo.

Dei um jeito na cozinha que estava um campo de batalha. Limpei tudo, organizei a louça e tô pra lá na cozinha procurando um "problema pra resolver". Muito inquieta nessa hora. Já era umas oito ou nove da noite e eu ainda com todo o gás. Uma vez que tudo estava em seu devido lugar pensei; por que não? Lá fui então separar os equipamentos. Não achei o "cheesecloth", mas a solução não poderia ter sido mais prosaica. Para escorrer a ricota usei um pano de prato "virgem" e limpo sobre uma peneira.

Iniciando os processos.
Tenho que confessar, não consegui leite de verdade para a ser transformado em ricota e tive que apelar para aquele líquido branco que vem numa caixa longa vida. São os problemas da vida moderna que exigem durabilidade em detrimento do sabor; preço em detrimento da qualidade; e substâncias químicas no lugar de ingredientes. Desse modo, temendo que a gordura do leite fosse pouca, resolvi colocar o creme de leite fresco na mistura que iria virar ricota, apesar desse item ser opcional na receita que eu segui.
Finalmente ricota.
À propósito, a receita que usei está no Simple Recipes e foi sugerida pelo David Lebovitz, que não é só um bom sorveteiro, como também entende de queijo e, sobretudo, me parece defender um estilo de vida mais próximo do que venho tentando experimentar. Ligado a coisas mais básicas, simples sem, contudo, ser falsamente simplificado pela ditadura da praticidade. Principalmente no que diz respeito a comida e alimentação, que ultimamente tem sido uma das áreas que mais me interessam e através da qual procuro exercitar um estilo de vida mais saudável.

Fiz apenas meia receita, pois era um experimento. No entanto, como sempre, a cabeçuda aqui, depois de ler umas trinta vezes a mesma coisa, colocou as quantidades de sal e ácido erradas. Usei uma colher de chá de suco de limão e de sal, quando pela  receita - dividindo todas quantidades pela metade - deveria ter usado meia de cada um. Por sorte deu certo mesmo com esse lapso de atenção que me é característico. Ainda mais se levarmos em conta que eu estava exagerada e avoada nesse dia.

Agora tenho o selo: eu fiz minha própria ricota. Estou a procura de leite de verdade para novos testes e quem sabe um queijo fresco virá pela frente.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Retomando o controle dos seus dias com uma salada incrível e equilibrada


Ontem foi um dia muito corrido. Acordei cedo, fui para cachoeira, estavam fazendo obras de contenção na rua da cachoeira. Paramos o carro bem longe, fomos andando, paramos a obra para passar, descemos até a cachoeira. Ficamos  cabreiros com as pedras rolando do morro na obra, fomos embora da cachoeira. Voltamos para casa pela longa estrada de terra. O carro tava limpinho e encerado. Chegamos em casa, fomos na horta, conversamos com os vizinhos e tomamos banho para sair de novo. Afff!

A cachoeira [num dia nublado]

A obra na rua que leva até ela. Pedras rolando...
Tudo isso só pela manhã. Como precisávamos continuar a maratona de terça-feira o almoço foi feito em dois tempos, mas ficou surpreendentemente ótimo, se compararmos tempo de preparação e os ingredientes catados a esmo. Foi um tigelão de coisas saudáveis, combinadas lindamente e que harmonizaram com perfeição. Prato único, mas substancial, pois a medida que eu ia acrescentando os ingredientes o troço ia crescendo e deu quase uma bacia de salada fria e deliciosa.

Em uma tigela grande misturei meia xícara de trigo para quibe - sabiamente colocado para hidratar antes de ir papear com a vizinhança - salsinha crespa e cebolinha picadíssimas, azeite [bastante], suco e raspas de limão siciliano, gengibre ralado, noz moscada ralada, pimenta síria moída na hora, gersal e umas [muitas] gotas de tabasco - eu tenho amado o tabasco. Essa mistura ficou descansando e pegando um pouco desse tempero. Enquanto isso...

Tostei na torradeira duas fatias de pão de forma [era o que eu tinha] e triturei tudo no processador, peguei mais uma fatia de pão, retirei as cascas [comi elas] e cortei em cubos bem pequenos. Aqueci manteiga e azeite em uma frigideira e pus todo o pão - triturado e cortado - lá mexendo de vez em quando até ficar bem tostado.

Na hora de servir, juntei a mistura temperada com uma caixa de seleta de legumes comprada pronta - eu posso explicar.

Explicação
Comprei essa caixa de seleta de legumes para usar na viagem semana passada, já que ia ter que cozinhar em condições desfavoráveis. Entretanto a dita caixa foi apenas passear no campo e voltou intacta para casa e esse foi um bom jeito de dar fim nela, porque aquelas coisinhas boiando no sódio não são nada apetitosas.

Pronto. Retomando. Misturei tudo isso, mais uma beterraba crua ralada e o pão tostado. Almoço: done!

Mas ainda não acabou. comemos, saímos, paramos o carro, pagamos o IPTU [shit, shit!] e fizemos uma parte das compras no caminho. Levamos o carro para trocar o óleo, esperamos, esperamos, esperamos. Tomamos café na padaria [o melhor café da cidade, sem dúvida], terminei de fazer as compras sozinha, fui pro Pilates. Voltamos pra casa, papeamos mais um pouco e fui fazer queijo. Isso mesmo, queijo, mas isso é outro post.

Comida rápida para dias preguiçosos e algumas boas notícias

Esses últimos dias tem sido meio lerdos e sem muita empolgação. Prenúncio do fim das férias. Acho que ando mais devagar para ver se surte algum efeito no passar das horas. Como eu não quero fim de férias! Tantas obrigações desagradáveis por vir, dias longos, cansativos e poucas alegrias. Isso se reflete diretamente na minha disposição para cozinhar, já que vai chegando a hora do almoço e eu ainda nem pensei e nem quero pensar no que fazer. O resultado são sempre comidas mais rápidas e práticas, sem abrir mão do sabor e da saúde e - é claro - sem apelar para facilidades cujos benefícios são duvidosos. Aqui em casa lasanha congelada não entra! E tenho dito.

Apesar das lamúrias que anunciam o fim da vagabundagem, este post também tem boas novas. Depois de muito tempo procurando um fornecedor de alimentos orgânicos, ou que fosse perto ou que entregasse aqui em casa, eu descobri uma fonte que faz as duas coisas. Nessa onda de comer melhor tenho me interessado cada vez mais por expandir o horizonte de preocupações concernentes a comida que me alimenta. E nesse processo a escolha e a compra da matéria-prima não é só uma parte essencial como também a mais difícil de ser feita como se deve.

Ter produtos de qualidade, mesmo pagando um pouco mais caro, não é tarefa das mais fáceis. É preciso experimentar, testar e, sobretudo, procurar. Até porque na lei da selva no mercado reza a valorização do mais barato independente da qualidade dos produtos. Algumas coisas são quase impossíveis de se comprar com o mínimo de confiança e outras estão fora da realidade financeira desta pequena família. Outro aspecto desta questão, ainda mais complicado, é ter produtos como frutas, hortaliças e vegetais, frescos e sem contaminantes, preferencialmente de produtores locais.

Prato sui generis.
Muitas tentativas depois encontrei por acaso, em um folder colado na portaria do condomínio, a referência da Fazenda Constância, a qual produz orgânicos e faz entregas aqui  pela região. Prestaram um serviço de qualidade e me entregaram na última sexta-feira produtos muito bom e frescos [visivelmente recém colhidos]. Fiquei feliz de poder contar com esse tipo de atendimento e agora tenho uma abóbora gigante - apesar de muito bonita - para dar cabo em um milhão de pratos. Já falei aqui em casa que esta será a semana da abóbora!

Acho que com tanta comida rápida, só passei mesmo para registrar tudo isso e falar do primeiro prato com produtos orgânicos fornecido dos "vizinhos". Salada de beterrabas dulcíssimas, com tomates [esses comprados no mercado] marinados em salsinha e cebolinha, com uma omelete verde de alho poró, e muita cebolinha. Tudo isso finalizado com as flores comestíveis que ganhei de brinde na cesta orgânica. Que o trabalho do pessoal da fazenda prospere e que eles continuem prestando um serviço de qualidade.

Mais uma coisa que ia esquecendo. Um bolo de banana incrível e totalmente para preguiçosos. O comedor de bolos compulsivo que mora comigo falou mais de três vezes que estava ótimo, e, ele é autoridade no assunto. Fácil, fácil. É tipo uma cuca de banana, mas com uma pequena intervenção gastronômica de minha parte ficou um achado culinário. Sem contar que promoveu uma necessária extinção das bananas que ficavam me olhando da bancada da pia. Foi o cacho todo e agora só restam duas.

A receita veio daqui, mas fiz algumas modificações pois chocolate não é um ingrediente muito bem quisto por essas bandas. Não que a gente não goste, mas é meio arriscado, comê-lo em excesso. O que fiz de diferente foi primeiro aromatizar o leite com 50 gramas de café em grãos. Fervi o leite com os grãos e deixei descansando enquanto fazia a farofa, com farinha, açúcar mascavo, um pouco de chocolate em pó, leite ninho e manteiga [da próxima vez vou por aveia]. Em uma forma redonda montei farofa, banana, farofa, banana, passas pretas, farofa, aveia, pedaços de manteiga e a parte líquida só com ovos e o leite aromatizado.

Ficou uma ótimo, saudável e com gosto de café. Banana e café combinam!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Reinventando a berinjela: estratégias mirabolantes para agradar a gregos e os que não gostam

Eu estou me viciando em escrever no blog. O que nem eu podia imaginar é que tenho tanta história pra contar pro trás do simples ato de cozinhar. Também gosto de ficar lendo os posts mais antigos e percebo o quanto a minha memória esvazia rápido - enche rápido também [é um problema de fluxo] -, pois nem lembrava de ter feito algumas das receitas que estão aqui. Por isso, este espaço não é para falar de cozinha, embora esta esteja cada vez mais presente na minha lista de interesses, mas para arquivar alguns episódios pelos quais eu passei e que iriam se perder sem esse registro. Isso é brega? Sim, porém divertido. É como deixar um rastro para mim mesma poder lembrar das coisas que realmente importaram, mas que inevitavelmente, devido a simplicidade cotidiana dos acontecimentos, serão esquecidas.

O assunto de hoje é um velho conhecido e eu prometo não me prolongar. Já é do conhecimento até do reino mineral [lembro que alguém que conheço usava muito essa expressão, só não sei quem - olha aí o problema de memória] que nem todos aqui em casa são fãs dos vegetais e afins. Coisas que brotam da terra e já podem ir pra mesa sem passar por nenhuma etapa que o transforme em algo supostamente mais gostoso não são o forte do menino. Só que eu desanimo,mas não desisto e se anteontem eu queria jogar por terra todos os planos de alimentação saudável, ontem a coisa voltou com tudo.

Depois! Bonito para um gratinado.
Eu tinha uma a berinjela [é, de novo] e muitas opções para transformá-la em um prato que camuflasse toda a sua berinjelice [aparência e textura - sabor até que não é o problema]. Pesquisa daqui e dali, corta coisas que pareçam caponata e antepasto, porque é muito heavy para um início de relacionamento com o vegetal; corta strogonoff porque não tem creme de leite; e concluí-se que na rede nada poderá me salvar. Partimos então para a livre interpretação, o que significa reunir tudo o que se sabe sobre o preparo de berinjela - não muita coisa - e criar um prato personalizado a partir disso. Mais uma vez consigo colocar teoria em prática na cozinha e fazer minhas próprias tentativas sem matar, de indigestão ou desgosto, nenhum comensal e isso me deixa feliz. Então, observemos a geladeira para ver o que precisa e pode ser utilizado ou porque está "cruzando a linha e vendo a luz" ou porque está me dando nos nervos e não acaba nunca.

O prato pode ser batizado de gratinado de berinjela afogada, o qual seria muito parecido com uma lasanha - e até tinha a mesma estrutura que eu havia pensado para o prato de massa - não fosse a desproporção entre líquidos e sólidos. Enquanto comíamos e falávamos [mais eu do que ele] sugeri que era um afogatto de berinjela. Quente, bem quente esse prato. Nada com cara de verão, apesar bastante saboroso e aromático.

E antes. Só pra variar
Fiz da seguinte forma. Cortei as berinjelas em fatias no sentido do comprimento, amaldiçoando o infeliz que comercializa um cortador de legumes que corta tudo errado. Três fatias deformadas depois parti pra faca mesmo, o que deveria ter feito desde o início. Dispus as fatias numa peneira, polvilhei sal pra desidratar e ficou lá descansando. Depois lavei e cobri com água enquanto preparava um molho branco comum: 30 gramas de manteiga, 30 gramas de farinha e 500 ml de leite aromatizado com ervas [tomilho, louro, salsa e sálvia]. Isso feito, eu me sentindo a adiantada, só montar e pronto, fui tomar banho porque tinha compromisso às três horas.

Acabo o banho e nisso chega o sujeito morto de cansado da pedalada que foi fazer para ficar morto de cansado - ou melhorar a performance no ciclismo como ele gosta de dizer. Conversamos um pouco, aparecem os vizinhos pra conversar também e pronto: o almoço que estava supostamente adiantado acaba de ficar perigosamente em cima da hora. Vou pra cozinha e começa a maratona de tudo junto ao mesmo tempo, resultando em duas vezes mais louça para lavar no final. Assim, correndo, passei as fatias de berinjela na frigideira quente, reservei. Na mesma frigideira dispus um pouco de azeite, alho poró previamente cortado em rodelas, salsão [acabou!!!! enfim!!!], ervilhas congeladas [que também acabaram], sal e pimenta do reino. Depois de refogar tudo joguei um pouco do molho branco na frigideira. Agora vai montar o prato pra gratinar: berinjela, refogado, berinjela, refogado, um pouco de cebolinha, berinjela, molho branco por cima de tudo escorrendo e afogando os ingredientes e uma quantidade educada de queijo mussarela e parmesão, apenas para tapear os desavisados. Finaliza com cebolinha fina cortada por cima de tudo e forno.

Cebolinhas finalizando!
Ficou ótimo e nem deu tanto trabalho assim, pois a pressa atrapalhou mais do que a dificuldade de execução. Por sorte [ou azar] gratinados tem uma vantagem em relação a outros pratos, já que o tempo de forno dá pra lavar a louça para não sair de casa com a pia parecendo um campo de batalha. Sair de casa com a pia suja é ruim, mas voltar e ela ainda estar suja é bem pior. Rá!

Claro que não deu para cortar bonitinho e colocar no prato montado, pois o molho bagunçou tudo. Essa é uma preparação estilo desmoronamento e você pega de colheradas. Não que isso tenha tirado o valor da refeição, exceto o nutricional já que eu não sei se tanto molho e queijo não anulam a parca porção saudável de berinjela. Como estamos no início da operação vegetais [coma-os ou ature-os] me contento com pequenas vitórias nem tão grandiosas assim, ou seja, mesmo que a berinjela apareça como coadjuvante no prato. Terei um pouco de paciência, boa vontade a passos curtos e muita chatice insistente para o reverter essa situação.