domingo, 27 de novembro de 2011

Geleia... De novo... De jabuticaba

Fui fazer geleia de novo, depois da saga da geleia que virou calda que virou sorvete de amora e da segunda tentativa mais bem sucedida, mas dessa vez de jabuticaba. Eu adoro jabuticaba, principalmente se for pra ficar comendo in natura em quantidades excessivas, estourando aquelas belíssimas bolinhas pretas na boca com casca e tudo. Entretanto não me lembro de ter comido a geleia da fruta, o que me soa um pouco estranho, mas levando em conta os lapsos de minha memória pode ser que seja isso mesmo, ou não. O fato é que essa geleia me rendeu boas surpresas desde antes de eu pensar em fazê-la.

Pão de aveia e geleia de jabuticaba caseiros. Viva a autossuficiência doméstica!


A primeira surpresa foi o meu encontro - literalmente - com a jabuticaba. A temporada da fruta já passou por aqui e eu fiquei meio frustrada de não ter conseguido nem umazinha sequer pra comer, menos ainda um monte delas para testar minhas habilidades geleificantes. Ei que ao caminhar pela rua no centro da cidade dou de cara com um saquinho cheio de bolotinhas sobre uma banca conhecida. Passo por elas e sou atraída de imediato, num instante a luz do "eu preciso disso" acende, ao que eu volto e pergunto a moça na barraca: "Isso é jabuticaba, né?", não resisto e levo o saco pra casa imaginando a geleia a ser produzida.

No dia seguinte, ontem, separei metade que foi direto para o freezer e com o restante comecei os preparativos para fazer a geleia tentando me organizar mentalmente para não fazer a bagunça tradicional quando se trata desse tipo de compota. Nem preciso dizer que o esforço foi em vão e meu caminho até o nirvana da compota sem caos na cozinha ainda será longo, mesmo tendo o conforto de saber que estou apenas no início dele e na quarta tentativa de toda uma vida.

Até determinado ponto tudo correu muito bem; lavei as frutinhas e as escorri, espremi com as mãos [sem pedaço de nada voando pela cozinha, o que me deixou satisfeita], coloquei tudo na panela para aquecer e fazer a jabuticaba soltar líquido e apurar seu sabor, tudo isso com apenas uma panela um escorredor e uma colher de pau sujos. A perfeição. Minha concentração estava mantida nas etapas e o foco em uma única tarefa, ao contrário do que normalmente ocorre, funcionando a contento.

Só que - como em toda receita que exija um pouco mais de técnica - em algum momento vai acontecer da pessoa voltar ao seu estado natural e dotada de todo seu avoamento característico produzirá o verdadeiro caos com a falta de jeito de quem nunca entrou em uma cozinha antes. E no meu caso, dessa vez, foi a hora de passar as jabuticabas levemente cozidas pela peneira para separar o caldo das cascas e caroços. Comecei tentando usar o escorredor com uma bacia em baixo: muito grande e com furos pequenos demais. Fui de peneira de plástico [porque a de metal enferruja]: muito pequena e mole demais, não conseguia apertar com a colher para extrair toooodo sumo da fruta. Aí, no auge da falta de noção pensei: "vou espremer com a mão": quente demais. Alguns palavrões mentais e uma determinação huge [não achei outra palavra ainda - quem sabe até o fim do texto] monstro [achei a palavra, antes de acabar o texto] fizeram eu persistir na empreitada de "peneirar" aquele caldo colorido. No fim de tudo, até minha alma estava cor de jabuticaba, num tom meio roxo, meio vermelho, o que dizer então da pia, fogão e chão da minha cozinha. Camisa pintada, mãos rosadas, braços e rosto respigados depois, meu caldo de jabuticaba estava pronto para receber a metade do seu peso em açúcar que lhe faltara.

Pesei o caldo e o açúcar, passa pra lá e pra cá aqueles resíduos todos e comecei a fase três com momentos de grande tensão. Explico. Um dos meus pesadelos culinários é o tal do ponto da geleia, porque fico excessivamente preocupada em passar do ponto - tendo em vista o meu primeiro grande trauma -, tendendo, portanto a não atingi-lo, produzindo um doce com consistência mais líquida do esperamos quando se trata de geleia para passar no pão [e não para molhar o pão]. Vasculhei incansavelmente a internet atrás de algum site|blog|texto que explicasse, e sobretudo mostrasse, o ponto correto de retirar a geleia do fogo, mas para a uma cabeça [a minha] "nunca fiz geleia antes" tudo era muito vago e pouco ilustrativo. Como eu vou saber como é uma calda grossa o suficiente se eu nunca vi uma antes? Convenci-me de que teria que ser no prosaico método de tentativa e erro até que na leva em que comprei os primeiros livros de culinária para chamar de meus [já encomendei a segunda remessa na fatídica sexta-feira de ode ao consumo chamada ironicamente de Black Friday] tinha o Conservas e Compotas específico sobre geleias, compotas e afins.

No livro, além de várias receitas, estão algumas técnicas, utensílios necessários e pasmem... uma fotografia com o ponto correto da geleia. Não é preciso dizer o tamanho da felicidade súbita que me acometeu ao ver aquela foto. O investimento no livro já havia valido à pena só pela por me fazer visualizar algo que do qual eu só tinha uma ideia abstrata e porque finalmente eu consegui entender o que toda aquela história de pingo que não pinga significava. Eu não tirei uma foto da minha geleia de jabuticaba ao atingir o ponto correto [pode me bater agora] e também não vou usar a do livro, mas prometo que na próxima tentativa eu vou me esforçar para lembrar de fazer isso, mesmo se o caos estiver instaurado no momento.

No meio de tudo isso, enquanto eu estava lá mexendo a calda no fogo esperando pelo ponto certo com tudo bagunçado ao meu redor, me dei conta do quanto eu gosto de de fazer geleia. Assim como outras coisas na cozinha, como pães, fazer geleia me deixa feliz gratuitamente, mesmo sem eu nunca ter tido oportunidades de fazer esse tipo de doce antes ou mesmo sem nunca ter pensado que era uma coisa da qual eu podia gostar. E, num momento claramente filosófico, fiquei emocionada e realizei que o estilo de vida que tenho hoje é algo que me satisfaz plenamente, apesar de nunca ter esperado por isso, ou saber que ia ser assim tão diferente da vida que eu tinha antes de me mudar. Cheguei a verbalizar esse momento de satisfação com uma coisa tão simples como ter frutas frescas e produzir minha própria comida e comentei: "Sabe, eu gosto de fazer geleia! É uma coisa que me faz bem. Não só pelo fato de cozinhar, mas de poder ter acesso as frutas e todo o resto. Pelo novo estilo de vida".

A geleia ficou pronta com uma consistência satisfatória, embora não tenha ficado tão espessa [ai, meu trauma subconsciente]. Para minha próxima surpresa, ela é de um tom vermelho para roxo e eu sempre achei, não sei porque cargas d'água e sem nenhuma fundamentação lógica ou científica, que a geleia de jabuticaba era mais pro roxo enegrecido. Mas, como em algum momento levemente amalucado, por causa daquelas embalagens com as frutinhas pintadas que confundem a minha imaginação, eu pensei que geleia de cassis fosse de jabuticaba, não é nem tão estranho assim.

A outra surpresa ficou por conta do comentário que saiu da boca do meu querido companheiro após provar a geleia: "Ficou boa, mas tá muito doce, não? O doce tirou um pouco o gosto da jabuticaba". Apesar da crítica, essa frase é motivo de orgulho, já que a referida pessoa não sabia a diferença de gosto de um queijo para o outro há menos de três anos. Para alguém que cozinha para outra pessoa assim a evolução, digamos, gustativa, expressa na forma de um comentário tão elaborado - pelo menos no que diz respeito a percepção dos sabores - é algo a ser comemorado. De fato, a geleia ficou doce, mas acho que foi por causa da doçura inerente a fruta, já que a quantidade de açúcar foi a de sempre.

Nada que atrapalhasse a performance da geleia.

Update de mesmo dia: mantendo a linha e evitar o desperdício, não quis jogar o resíduo de cascas e caroços no lixo [nem sabia, mas as propriedades nutricionais da jabuticaba estão mesmo é na casca]. Então bati tudo no liquidificador com água e coei o líquido, o que resultou num creme espesso, muito parecido com acaí, mas ácido demais no sabor. Ainda assim dispus o creme em potes na geladeira para ver o que fazer com aquilo. Agora há pouco fiz a descoberta revolucionária: misturei duas colheres desse creme de jabuticaba com iogurte e granola e fui feliz com a experiência do lanchinho cor de vinho. Vou congelar uma parte para ver se cabe num bolo.

sábado, 26 de novembro de 2011

Pão com abas: pão de aveia em formato de cogumelo

Precisava de um pão hoje. Não necessariamente para comer, mas para amassar. Com minha nova rotina alimentar - a qual vai muito bem, obrigada - acabo não comendo tanto pão e, consequentemente, fazendo-os com menos frequência do que gostaria. Mas hoje não. Eu precisava de um pão.
Olha o pão.


Outro fator que inibia um pouco a panificação nesta casa, era o carregamento exagerado de pães de forma que meu querido companheiro trazia para casa a cada ida no mercado, justificável apenas em caso de uma guerra nuclear ou da fobia da falta de pão. Tudo bem, moramos longe de qualquer coisa que se pareça com o mercado. A padaria mais próxima fica a 30 minutos de uma caminhada pela estrada, o que faz com que  o planejamento das compras leve em conta algum estoque de itens básicos. Apesar disso, comprar dois pacotes de pão quanto ainda tem um fechado em casa é um pouco demais. Com tanto pão pronto não sobrava muito espaço para fazer mais deles sob o risco de estragar ou comermos de modo não muito educado.

Então, pedi a ele que não comprasse mais pão, porque eu ia fazer um para esse fim de semana, tanto para colocar mais grãos integrais no café da manhã [pois é, o pão nosso de cada dia é branquinho, branquinho] quanto para poder finalmente, depois de tanto tempo e um fracasso com um pão de centeio que ficou meio pedrinha, amassar alguma coisa.

Estava inclinada a produzir umas broas de milho que vi no La Cucinetta, que por sua vez, viu no Come-se [site incrível] até ler meu feed ontem e dar de cara com essa pão de aveia. Parecia perfeito e com a descrição ideal para as minhas pretensões de substituir o pão branco: era um pão fofo. Ainda relutei hoje cedo sobre qual pão seria dessa vez, mas optei pelo de forma quadradão como há muito eu não fazia.

Fiz algumas substituições na receita, porque não tinha melado [troquei por mel] e quis usar um pouco de farelo de trigo [30 ou 50 gramas]. Além disso, a farinha integral não deu. Fui jogando ela na balança e vendo o pote ficar mais vazio, mais vazio, o ponteiro da balança descendo e eu apelando para os deuses culinários e torcendo pela multiplicação da farinha. Em vão. Ficaram faltando 50 gramas que completei com centeio.

Todo o processo correu bem e fiz o pão com certa tranquilidade, exceto pelo shape final. Na medida em que fui colocando os ingredientes para a mistura via a coisa ficar meio embaçada: quanta farinha! Não pensei nisso no início, porque às vezes [quase sempre] sou meio cabeçuda e não leio as receitas até o final. Vou pegando tudo e fazendo ao mesmo tempo, quase sempre sem mis en place [tanto que faltou farinha].

Amassei com o método de Bertinet [meu padeiro favorito ever]. Deixei fermentar e modelei, não sem sofrer um pouco com a malemolência da massa. Com o rolo pronto, percebi da pior maneira que teria que encaixar o Rio de Janeiro em Niterói, como se diz por aqui. Coloquei a massa pra dentro da formas, mas ela ficou espremida e meio sem jeito, como quem viaja de avião nessas companhias mequetrefes que temos a nossa disposição. Deixei pra lá e paguei pra ver.

O formato de cogumelo
Depois de assado ele ficou ótimo no sabor mas estranho no formato. Parecia um cogumelo deformado, mas um cogumelo engraçado, convenhamos [vou postar a foto pra comprovar, assim que a câmera carregar]. A parte que cresceu para fora da forma não conseguiu se sustentar e deu uma caída pelas laterais. Tendi, nos primeiros estágios de forno, a achá-lo parecido com o pão do homem-elefante, mas na verdade acho que ele ficou mesmo foi com duas abas perfeitas para transporte. Tudo isso não tirou seu mérito de pão relativamente fácil [acho que com uma batedeira iria ser completamente fácil] e gostoso.
Pão com abas.

E com manteiga.

O pão ficou enorme e um pouco massudo na parte de baixo, pois o pobre coitado não teve espaço e força para expandir na forma diminuta. Ainda assim, não ficou duro ou denso demais, mas sim com uma textura daquelas que enche a boca e com um docinho absurdamente bom. Testado, aprovado com méritos e com a exigência de uma repetição sem o aperto da primeira tentativa. E fica muito bom torrado também.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Fake risotto de abóbora

Eu queria comer risoto. Já há algum tempo eu vinha com essa ideia de comer um risoto de verdade. Mas eu não tinha arroz apropriado para risoto. E, para não sair da minha política de usar tudo o que tenho no armário, não ia comprar. Não faz muito sentido tudo isso, mas é assim que eu venho fazendo. Com meio quilo de arroz comum e quase um quilo de arroz integral [comprado no impulso culinário] eu não ia botar mais arroz dentro de casa.

Assim sendo esse é um fake risotto de abóbora com pelo menos três pecados mortais na classificação culinária dos entendidos do prato. Contudo, tentando evitar que minha alma ardesse no inferno culinário repleto de comidas processadas e fast foods sem gosto, me abstive de usar creme de leite de latinha nessa receita. O que convenhamos, já ameniza a minha situação em uns 30% e torna minha penitência pagável convencendo apenas mais umas duas pessoas a comer + vegetais.

Faltou só a folhinha verde em cima pra fica meio besta [de chic]


Os puristas que me perdoem, mas esse risoto aí levou arroz comum [agulinha], apenas caldo de legumes [sem vinho branco] e não levou manteiga, porque eu também não tinha [shame on me]. Pelo menos o parmesão era do bom. Quem não gostar chama de arroz cremoso de abóbora e ficamos todos satisfeitos, porque a refeição valeu muito a pena. Principalmente pelo fato de até os menos entusiasmados com o dito vegetal terem comido gostado e repetido o prato sem reclamar [muito].

O segredo desse prato está em colocar a abóbora logo no início do cozimento, fazendo com que ela se desmanche e dê uma característica cremosa ao arroz no final. Finalizado com manteiga e parmesão, deve ficar perfeito, mesmo não usando um arroz mais apropriado para esse tipo de prato.

fiz da seguinte maneira. Descasquei a abóbora e piquei em cubos médios, o que rendeu aproximadamente 2 xícaras ou mais um pouquinho. Juntei as cascas, apararas de cebola e dois cravos [poderia ter colocado algumas folhas de alho poró também aqui] com 1 litro de água e pus para ferver. Em uma panela grande e alta pus um pouco de margarina [deve-se usar manteiga, mas dessa vez eu calculei mal e fiquei sem] e cebola para refogar. Um pouco de pimenta do reino moída na hora, pimenta calabresa e os cubos de abóbora. Deixei refogar até secar a água que solta da abóbora. Então juntei um xícara de arroz [ainda bem, já que quase pus duas xícaras, o que seria um desastre de proporções e renderia uma bela massa colante], uma pitada de sal e duas colheres de sopa de creme de cebola [completamente opcional, pois imagino que tudo ia dar certo sem ele, mas como era uma experiência de primeira vez, já tinha o dito produto nefasto em casa, ele já tá me dando nos nervos porque não acaba e me ocorreu que com certeza um produto como esse devia ter amido na composição]. Mexi bem, deixei o arroz refogar um pouco mais e fui agregando o caldo fervido e ainda bem quente na panela uma concha de cada vez. Tive que ficar mexendo até cozinhar o arroz al dente, o que levou uns quinze minutos mais ou menos. No final, já com o fogo desligado e a boca salivando, acrescentei um quase nada de margarina - para não ficar cometendo mais sacrilégios por aí - uma quantidade boa - não tão generosa, por certa culpa antecipada - de parmesão ralado na hora e noz moscada ralada na hora pra dar aquele perfume. No prato foram umas tirinhas de presunto pra dar uma graça, já que ficou com maior jeitão de prato chic.

O resultado dessa experiência me deixou bastante satisfeita, pois brincadeiras com os fundamentos da cozinha à parte, aproveitamento é uma coisa que me comove mais do que purismos bobos. E esse prato ficou digno de ser chamado de risoto no que confere a cremosidade e ao sabor suave dos ingredientes, modéstia à parte, bem misturados e equilibrados.

Fiquei feliz por inventar um prato todinho da minha cabeça e ter dado muito certo. Essa fio uma das primeiras vezes que senti esse orgulho da criação culinária. Acho que até então meu limite criativo se resumia a adaptações de outras receitas ou combinações eventuais de ingredientes catados. Dessa vez me senti criando um "prato", no sentido gastronômico da palavra, de verdade: concepção, método e execução. Foi aprovado aqui em casa e acho que ficou muito bom também, especialmente porque pude ver um pouco da teoria da cozinha funcionando na prática.

Das próximas vezes acho que vou acrescentar vinho branco, manteiga - certamente - e um pouco de gengibre. E, claro, fazer de novo quando tiver arroz arbóreo em casa.

Quick and Easy: tigela de jardim de verão... na primavera

Essa salada foi meu almoço de hoje e foi colhida, feita e comida em menos de 30 minutos [tô ganhando do Jamie nessa aí]. É de verão porque é fresca e refrescante, apesar de parecer uma  redundância que soa estranho. E é de jardim porque os ingredientes saíram da horta aqui de casa, o que me causa uma ponta de orgulho de ter plantado e colhido, apesar das expressões clichês que soam um tanto piegas.

Foi mais ou menos assim, cheguei em casa da rua; subi até a horta do condomínio [e é orgânica e da qual sou a responsável pelo projeto e execução]; colhi parte dos ingredientes; voltei pra casa; lavei tudo radipidinho; preparei e comi.

Tigela do almoço

Folhas, flores, frutos e pão


Segue o modus operandi do prato: usei folhas de rúcula, três tomates [sendo dois cereja e 1 italiano pequeno], manjericão, flores [sim eu disse flores] de rúcula e tomílho, um pãozinho rústico, um pouco de ricota, parmesão, manteiga, azeite e gersal. O pãozinho foi feito em casa já há algum tempo e estava congelado, tendo sido descongelado para o café e, embora ele obviamente não seja da horta foi feito com centeio e alecrim - da horta. Cortei esse pão em cubos e pus numa frigideira com um pouco de manteiga e azeite para dourar. Quando ficou pronto coloquei um pouco de gersal que já serviu com o tempero da salada toda. Em uma tigela vão as folhas, os tomates cortados ao meio, as flores, o pão, um pouco de ricota esfarelada com três lasquinhas de parmesão e... Pronto. Só comer vagarosamente aproveitando o croc-crunch do pão amanteigado com tomates.

Resultado muito bom mesmo.

Notas: 

comer flor é maior barato, porque é colorido na comida elevado ao quadrado. E gostoso também, porque a do tomilho é meio picante e a da rúcula parece um concentrado da ruculência da folha. 

tirando a ricota e o parmesão esse almoço foi quase todo homemade, com ingredientes produzidos em casa de modo completamente orgânico. Isso é um privilégio que não tem preço, juro. 

poderia ir para o guia da autossuficiência doméstica, mas vai pro quick and easy.

gastei mais tempo escrevendo esse post do que colhendo, fazendo e comendo a salada do meu jardim.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Guia da autossuficiência domestica: Episódio Granola

Junto com o pão e o leite a granola é um dos itens mais consumidos aqui em casa. Esses três itens devem "comer" uma parte considerável do orçamento doméstico, pois são comprados pelo menos a cada quinze dias.  Isso porque são produtos práticos, que servem muito bem na hora de se alimentar sem esforço, principalmente se estivermos falando das pessoas que não sabem / não gostam / não querem cozinhar. Um copo de leite e umas colheres de granola e pronto! Aqui isso é assim todo o dia.

Acontece que dentre as várias marcas de granola que existe no mercado - e hoje em dia é fácil achar esse tipo de alimento em qualquer mercadinho - só poucas são realmente saborosas e essas, normalmente, são as mais caras. A granola nunca foi um alimento barato, acredito que mais porque está associado a um estilo de vida saudável e é vendida na loja de produtos naturais do que porque os seus custo seja realmente altos. Apesar disso, nas últimas compras já vínhamos percebendo que os preços só aumentavam e a qualidade ia diminuindo, o que para um comedor compulsivo de granola é tanto um prejuízo quanto uma frustração.

Como eu já estou com a minha implicância com produtos industrializados no nível 5, fazer granola em casa pareceu-me então uma alternativa mais do que viável, necessária e agradável. Eu poderia estar listando várias razões para isso, mas só três bastam: fica mais gostosa, é mais ecônomico [o que justifica minha teoria sobre os preços absurdos da granola], e você sabe exatamente o que vai dentro. Sem falar que tem que ir para a cozinha, o que para mim não é nenhum problema.
Segunda leva de granola sendo preparada.

Grãos, grãos e mais grãos...


Essa ideia começou quando eu vi uma mensagem no twitter da @ritadopanelinha com um link para essa receita. Comprei os ingredientes e estou esperando a granola comprada acabar para começar meus testes. Acabei com os ingredientes e não consegui fazer a granola. Então mais um pacote apareceu aqui em casa e tive que esperar de novo até que ela acabasse, não sem antes dar a notícia apreensivamente e já com todos os argumentos prontos [a granola tem um quê de sagrado por aqui]:

"O que você acha de eu fazer a sua granola quando essa acabar?". "Só pra experimentar e vê se você gosta.". "Essa que você tá comprando, tá cara... E você nem gosta tanto dela assim". "Se não ficar bom você compra de novo."

E a resposta inesperada de tão fácil.

"Tudo bem, pelo menos assim a gente sabe o que tem dentro."

Menino esperto. Já incorporou o discurso desta cozinha de tanto ficar ouvindo a mesma conversa dia sim, dia não. Convencimento por insistência.

Esperei um dia mais tranquilo para fazer a granola pela primeira vez. Já tinha todos os ingredientes, mas atendendo a pedidos comprei um pouco de castanha do pará no mercado de manhã e fui pra cozinha. Decisão tomada, ingredientes prontos, vem a parte da pesquisa. Dificilmente em faço uma receita pela primeira vez sem consultar um sem-número de fontes e compará-las, especialmente as que mais confio e uso com mais frequência. Listo abaixo os sites pesquisados:

Technicolor Kitchen - Granola, ficando mais velha e segredos embaraçosos.
La cucinetta - Granola

Food up Bottom - Homemade granola bars.

Jamie Oliver - Home-made granola with berry compote.
Luiz Meira - Granola

Acabei usando como referência de algumas medidas o primeiro site, mas quis citar todos pois cada um deles tem dicas interessantes que poderei aproveitar em outras ocasiões, como a ideia de usar macadâmia como castanha do La Cucinetta [você nunca terá uma granola comercial com macadâmia]. Juntando tudo posso concluir que: ao contrário da receita que vi pela primeira vez, em todas as outras a granola ia no forno, logo, é pra coloquei no forno; da primeira receita, aproveitei a ideia de usar gérmen de trigo - já tinha em casa - e achei que ele deu boa liga e crocância junto com o açúcar; no fim, a receita acaba sendo original, porque você faz com ingredientes que mais gosta, com o que tem à disposição em casa, ou com o que te dá na telha de ir mudando.

Nesse momento já estou prestes a fazer a terceira fornada de granola caseira, o que significa "Chuck Norris approves", mas na primeira vez acabei me atrapalhando com alguns aspectos que na segunda vez foram acertados então segue a receita e o método "suje a menor quantidade de louça possível". Já que é pra substituir algo que você tem sem esforço no mercado tem que ser rápido, prático e workless [na falta de palavra melhor] de se fazer em casa.

Ligue o forno; coloque em uma assadeira grande [nº 3] 250 gramas de aveia em flocos, aproximadamente 50 gramas de gérmen de trigo, um pouco de linhaça torrada na frigideira e triturada; enquanto o forno aquece coloque essa assadeira dentro dele para secar um pouco os grãos. Enquanto isso, prepare a parte líquida. Eu acabei estabelecendo um método, para sujar menos coisas, que consiste em usar um recipiente que possa ir ao microondas sobre uma balança e ir acrescentando os ingredientes pelo peso. Primeiro é preciso zerar a balança, depois medir 75 gramas de mel mais 45 gramas de açúcar mascavo, total de 120 gramas. No mesmo recipiente, junte duas colheres de sopa de óleo de milho, canola ou girassol [usei de milho] ou uma colher de sopa algum óleo e 1/2 colher de sopa de manteiga. Para medir o óleo uso uma dica do Jamie de virar a garrafa e contar 1, 2, 3... Segundo ele, cada "segundo" corresponde a uma colher de sopa. Misture o mel, óleo e açúcar com o garfo e aqueça no microondas por 30 ou 40 segundos [esse etapa fui eu mesma que acabei desenvolvendo para tornar a mistura mais líquida e facilitar a incorporação nos secos]. Retire os grãos do forno, acrescente um pouco de canela [uma colher de chá], um pouco de gengibre em pó [menos do que uma colher de chá], anis estrelado triturado, sal [caso não tenha usado manteiga], passas pretas e castanha do pará picada. Junte então os ingredientes "molhados" e misture com o garfo e uma mão [se sujar as duas mãos dá trabalho pra limpar], aperte formando algumas pequenas bolas para dar textura, espelhe bem por toda assadeira e forno a 180º graus, ou o mais baixo possível. Uma vez no forno, retire a cada 10 minutos e misture a granola para homogeneizar a mistura. Quando estiver mais para o castanho está pronta [no meu caso foram 20 minutos], então é retirar do forno e misturar bem raspando um pouco os pedacinhos grudados na assadeira até ficar morna.

Ficou muito melhor que granola comprada pronta e bem mais barata também. Essa quantidade de aveia rendeu aproximadamente 500 gramas de granola, sendo o único inconveniente o fato de acabar muito mais rápido do que a outra.

Em um belo dia, como quem não quer nada, vem o sujeito e me entrega o pote vazio de granola sem dizer uma palavra. Segundo ele, que fique bem claro, "igual aqueles cachorrinhos que carregam a vasilha de comida vazia". Ao que eu respondo, vinte minutos depois, com um pote cheio de grãos nutritivos e fresquinhos [essa também é uma característica que melhora bastante com a receita caseira].

Não bastasse isso, hoje mais cedo vai o mesmo sujeito procurar a aveia pra misturar na granola com intenção de fazer ela render mais um pouco - visto que foi feita no sábado e já está acabando. E um belo sorrisinho se abre quando eu digo: "deixa a aveia aí que eu faço mais granola pra você amanhã". Donde se conclui que a vida é bem mais simples quando se faz/tem granola; depois desse tempo todo descobri que bastava fazer granola pra agradar incondicionalmente a outra parte; "a felicidade está na granola"; terei que comprar outra assadeira para fazer o dobro da receita da próxima vez.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Almoços diferentes não precisam de ocasião especial

Estou almoçando sozinha e em casa nesses últimos dois dias e sempre tive a impressão que a falta de um receptor para a sua comida significava, implicitamente, que pensar na refeição e ir prepará-la não era necessário. Bastava fazer qualquer lanche rápido, sujar o menor número de louças possível e de preferência sem usar o fogão. Tudo isso se resuma a uma única palavra: pão.

Ficou sozinha em casa por algum motivo e tem que comer, tome de pão com todas as variações possíveis imagináveis - que apesar de serem infinitas ainda são bem limitadas em termos de nutrientes, em mais um paradoxo culinário. Se você está seguindo a lei do menor esforço então o resultado é sempre pão com queijo e leite com café, seja qual for o horário.

Claro que com os novos hábitos muitas coisas tem mudado e as minhas refeições estão mais controladas e planejadas. Geralmente já acordo sabendo o que vou comer durante todo o dia. Às vezes funciona, outras, quando você está na casa da mãe, não. E eis que preparar um almoço com variedade de ingredientes e diferente todos os dias não é mais nenhuma ideia absurda de quem não tem o que fazer. Tanto que já começo a pensar em enfrentar o mestre e passar de fase [Gamer style] levando minha comida para o trabalho, mesmo que seja apenas em alguns dias da semana.

E não é só isso...

No tempo em que eu ficava triste, desmotivada e sem vontade de cantar uma linda canção na eminência de uma lonely meal eu também vivia sob a ditadura do feijão com arroz. Essa espécie de karma antropológico que está nas "Raízes do Brasil", sem qualquer demérito de sua eficácia nutritiva ou seu sabor, limita um pouco o universo das possibilidades criativas na cozinha e acaba nos levando a mesmice culinária. Repetindo: não tenho nada contra o feijão com arroz, eu gosto da mistura e tem dias que só isso parece comida. A minha questão é que fomos treinados desde pequenos - e acabamos internalizando essa ideia - a achar que somente ao arroz e feijão compete o título de refeição completa para um almoço, e às vezes até para o jantar.

Não é nenhum tratado sobre o assunto, mas disso decorre que: ficamos com o paladar mal acostumado aos sabores de sempre; perdemos chances de provar coisas novas só porque "isso é assim"; tornamo-nos velhos chatos com manias de "ele/ela não come se não tiver feijão" [embora isso não seja muito culpa do feijão, coitado]; e, no meu caso até pouco tempo atrás, achamos que não há necessidade de fazer um prato de comida decente por ter que comer sozinha. Explico e minha teoria: como na minha cabeça tonta, até bem pouco tempo atrás, comida era sinônimo de arroz com feijão [ou massa, ou sopa]. Preparar feijão com arroz dá um certo trabalho, e, portanto, realmente acredito não ter muito sentido de se fazer quando não terá mais ninguém para dividir o espólio. O que acontecia então, trocava a refeição por um lanche rápido mesmo já que as coisas andavam confusas no meu universo culinário.

Ah, e também nunca fui muito fã dessas soluções prontas de mercado cheias de substâncias estranhas. Nem dos pratos miraculosamente rápidos do Programa da Ana Maria Braga com todos os ingredientes na panela de pressão. Sou confusa mas tenho critério.

O fato é que mudei o meu conceito sobre comida ao ter tanta informação disponível sobre o assunto e a uma variedade tão grande de ideias, novos ingredientes e formas de preparar alimentos. Assim sendo, minhas lonely meals agora estão bem mais legais e nem dão tanto mais trabalho se comparadas ao pão com queijo. Ponto para a mente aberta da cozinheira.

Ontem almocei repolho refogado no azeite e cebola, com maças e iogurte. Não tirei foto, mas fiquei satisfeita por certificar minha intuição de que maça e repolho combinam com perfeição. Na verdade tenho dúvidas se a intuição é de fato minha, pois é possível que eu já tenha visto a combinação em alguma das milhões de referências que uso e essa informação tenha ficado retida nos lugares inóspitos do meu cérebro.

O meu almoço de hoje foi feito rapidinho e tinha vários ingredientes que eu nem sonharia em ver no meu prato nos tempos de outrora. Tudo praticamente no microondas, de modo que esse cardápio está capacitado para figurar no rol da séria "Microondas não é enfeite", que nem nasceu e já tá meio largada.

Almoço diferente servido no prato tradicional
O frango eu já tinha pronto e foi no micro pra requentar. Antes disso, no entanto, cortei em cubos médios 1 mandioquinha com casca e tudo [e para isso nem usei a tábua], coloquei em um recipiente com pimenta branca, sal e um fio de azeite, cobri com plástico filme pra fazer vapor. 4 minutos de microondas e já estava desmanchando. Fui amassando ela com o garfo e juntei pimenta calabresa [poderia ser mais] e uns pedacinhos de ricota. Enquanto isso já estava no forno a travessa com o frango e um potinho com uma colher de manteiga para derreter. Como a manteiga derrete rápido, não dá pra esperar até terminar o tempo do frango, portanto, retirei ela com 30 segundos. Juntei duas folhas de sálvia na manteiga e reservei. Enquanto isso coloquei 1/2 xícara de água pra ferver e pus lá uma mão cheia das ervilhas congeladas que comprei hoje e que nunca havia experimentado. Quando o frango terminou de aquecer [uns 3 minutos], foi juntar no prato com a mandioquinha e as ervilhas devidamente banhadas na manteiga.

Considerações sobre essa almoço: A foto é um lindo almoço servido num "duralux" porque não tenho outro, mas bem que pode ser pensada por seu lado provocativo de servir uma refeição tão diferente em um prato de PF.

A ervilha congelada é isso tudo mesmo que a gente vê nos programas de comida gringos. Pelo menos para mim ela se saiu muito bem.


domingo, 6 de novembro de 2011

Frango e forno ou como resolver problemas usando uma combinação tão dominical

Frango assado com as mandioquinhas saltando

Eu ando com certa implicância com frangos em geral. Não com a ave em si, mas com o fato de comê-la nas minhas refeições. Já faz algum tempo que não vejo um filé de frango grelhado com os mesmos olhos, nem mesmo os feitos à milanesa têm me causado algum impacto. Primeiro porque faço associações doidas quando estou muito determinada a fazer alguma coisa, o que, nesse caso, é comer direito. Então acho que ao invés de ver o filé de frango grelhado vejo as pobres galinhas sofrendo e/ou um pedaço de hormônio concentrado em estado sólido. Segundo porque ao forçar minha parca concentração no gosto real dos alimentos, cada vez estou mais convencida que o frango é aquilo que a querida pessoa que vive comigo chama de ingrediente "QSP" [ele gosta mesmo de usar essa expressão para tudo aquilo que ele considera sem gosto, ontem mesmo falou isso da pobre ricota].

Pausa para explicação científica: elemento QSP é o nome que se dá nos remédios - e talvez em outras coisas, não sei - ao composto que serve apenas de veículo para o princípio ativo. Assim, um comprimido é composto pela substância que trata determinado sintoma e de outros elementos que fazem com que tal substância chegue ao seu destino no corpo do sujeito que ingere o comprimido. Acho que é isso.

No mundo dos alimentos e na interpretação dada aqui em casa, ingrediente QSP pode ser qualquer coisa quue só serve para dar uma consistência mastigável a outros ingredientes. Particularmente, acho isso uma maldade com os alimentos menos favorecidos, mas no caso do frango tenho a nítida impressão que só sinto o gosto dos temperos que vão nele. Tanto que quando como, quase sempre no restaurante perto do trabalho, fico listando - mentalmente para não parecer maluca perante meus colegas - o que pode ter sido usado para conferir sabor àquela carne. E eu sempre sei quando tem o diabólico glutamato monossódico, personificação alimentícia do mal na minha ideia de degeneração da comida saudável.

Toda essa conversa para dizer que eu tinha dois pedaços de coxa e sobrecoxa de frango no freezer, os quais precisavam ser consumidos. Estou eliminando minhas carnes congeladas desde quando decidi começar a mudar de hábitos, mas tá difícil fazer isso com moderação, comendo carne apenas de vez em quando. Quero zerar esse estoque, comprado na época em que eu achava que tinha que comprar coisas "porque podia precisar", e começar de novo com carnes que de fato servirão para alguma preparação em quantidades bem menos exageradas. Solução para meu problema 1: fazer frango assado no domingo com salada tipo tabule com folhas verdes.

No entanto, nem tudo saiu como o planejado e sobrou feijão temperado do almoço de ontem e jogar ele fora é que eu não ia. No entanto, de novo, eu não queria comer arroz e feijão tal como comera ontem [também para acabar com o último potinho de feijão congelado]. Arroz e feijão sempre acaba em muita comida no prato e ontem acabei na mesa com meu "prato de pião" cheio e fazendo montinho. Tudo bem que, no máximo, esse pião seria uma pessoa comedida ou no início de carreira, mas para mim foi muito. Solução para esse segundo problema: no lugar do tabule fazer um feijão tipo "tutu nem tanto à mineira assim" e comer com o frango e a salada de folhas verdes. Daí temos a proteína + o grão + as folhas, faltou do carbô, mas eu já vou dar um jeito nisso.

Antes de resolver o problema do carboidrato preciso anotar o tempero para o frango assado. Processei três dentes de alho, duas folhas de sálvia, folhas de alho poró, 1 pedaço de gengibre, 1 colher de chá de sal grosso, pimenta rosa, 1 colher de chá de páprica picante e 1 colher de sopa de mel [a dica da páprica com mel veio daqui]. Separei a coxa da sobrecoxa e fiz uns cortes nos pedaços para que o tempero entrasse bem. Reguei com um pouco de azeite. Passei a mistura do processador na carne, preenchendo bem os cortes com o tempero. Coloquei tudo em um saco plástico, juntei u talo de cebolinha picada, mais azeite e ramos de tomilho. Deixei temperando por cerca de 1 hora e depois mais uma hora no forno.

Para a próxima vez acho que preciso colocar mais páprica e mais sal. Deixar marinando de um dia para o outro [dessa vez não deu porque se eu deixar a carne na geladeira um dia inteiro ela não descongela, raios]. Irei assar o frango sem a pele - porque eu não como pele de frango e também porque fica mais sequinho - e tentar providenciar um tabuleiro de assar frango com aquela gradinha.

Liguei o forno 20 minutos antes de colocar meu assado para pré-aquecer e enquanto isso fui fazer cascas de laranja cristalizadas. Pois é, como problema pouco é bobagem lá fui eu começar uma receita tendo outra para para tomar conta. Mas tudo correu sem problemas pois a coisa de cristalizar a casca da laranja é bem fácil. Vi a receita no blog Pecado da Gula, o qual acompanho pelo feed, e fiquei com isso na cabeça esperando uma oportunidade. A falta de um hábito - de guardar cascas de laranja - ou a existência de outro - o de sempre jogar as cascas do suco de laranja fora - fez com que eu ficasse algum tempo sem a matéria-prima básica para a preparação: cascas de laranja.

Na semana passada consegui lembrar de não jogar as cascas fora, piquei as tirinhas e coloquei-as de molho na água por três dias, trocando diariamente [ficou esse tempo todo, porque não pude fazer antes mesmo, mas acho que se fizer de um dia para o outro já dá]. Hoje consegui juntar a ideia com a oportunidade e lá fui eu colocar tudo na panela para fazer o doce. No início, parece que não vai, mas vai e após ter resistido a tentação de tirar as cascas do fogo antes da hora [lembrou o que aconteceu com a geleia de amora fatídica?] a coisa cristaliza mesmo. A receita é ótima, fácil, dá pra cristalizar um monte de coisas e seria perfeita se o seu resultado final não fosse viciante. Usei apenas cascas de 5 laranjas e produzi 400g de tirinhas lindamente cristalizadas, o que, convenhamos, é um problema numa casa onde moram apenas duas pessoas potencialmente viciáveis [embora eu já tenha melhorado bastante, palmas pra mim!]. Solução do problema 3: dar casquinhas de laranja cristalizadas para a vizinhança.

Voltando ao frango e ao carboidrato, com o forno quente e a panela de doce no fogão eu resolvo ter a brilhante ideia de colocar uma batatinha pra assar junto. Então vai eu pra geladeira atrás de uma batata doce, inicialmente. Trinta segundos de análise da gaveta de legumes depois decidi usar uma mandioquinha como vegetal [eu amo mandioquinha, mesmo sendo este um amor recente eu já estou completamente falling], pois acho que combina com assado. E lá fui eu pro lava e corta, toda sem jeito e sem tábua, correndo o risco de fazer um corte, porque eu sempre me corto quando tento não usar a tábua. Não me cortei, mas também não tirei a casca, porque eu ando numa fase culinarística um tanto quanto rústica. [Jamie Oliver Style]. Considero isso a solução do problema 4: carboidrato na refeição que não ia levar arroz.

Pus mais uns dentes de alho esmagados no refratário, duas folhinhas de sálvia por cima pra ficar crisp, frango no forno e casquinhas de laranja esfriando. Fui resolver o feijão já sabendo que pretendia fazer um quase tutu sem farinha de mandioca em casa e nenhuma possibilidade à menos de 5km de conseguir. Então apelei para a inventividade culinária, não sem um certo temor da coisa desandar, tendo assim a solução do meu último problema: se não tens farinha para engrossar o feijão use um pouco de gérmen de trigo e ganhe um tutu bastante respeitável. Nesse feijão já tinha ido linhaça, talos de beterraba, pimenta "não sei o nome" e abóbora em cubos. O gérmen de trigo deu uma inchada em contato com o feijão, porque talvez tenha hidratado. Em compensação fez um tutu mais molinho e com uma textura mais leve aprovada com louvor.

Resultado final: foi uma refeição dos campeões. Tudo ficou muito saboroso. Frango beeem úmido e bem temperado, embora tenha a impressão que perdi parte do tempero na pele e que o miolo mais perto do osso não tenha sido tão atingido pela mistura. Entretanto, para um frango que ficou apenas uma hora no banho de sais, estava muito decente.

E ainda teve uma sobremesa muito inovadora. Uma experiência acertada, precisando apenas de alguns ajustes.

Isso ficará para o próximo post, porque tenho louça pra lavar agora!

sábado, 5 de novembro de 2011

Salada ou Massa? Tanto faz: refeição inspirada na salada caprese

Eu comprei um maço de rúcula. Eu ia fazer sanduíche para jantar sexta à noite e estava ainda um pouco confusa sobre as opções de recheio, salvo a rúcula. No meio do caminho [tinha uma pedra] lembrei que podia fazer macarrão com molho de rúcula no lugar de sanduíche. A receita desse macarrão foi a maneira que encontrei para introduzir a rúcula nas nossas refeições, tendo em vista o profundo apego [Sarcasm] que meu querido companheiro tem com os vegetais - especialmente os verdes: gosta tanto deles que não os come [deve ser pena deles]. A rúcula passou no teste do não gosto e agora frequenta bem este lar, tanto que tenho até um pezinho dela na varanda.

Entretanto não queria massa com molho de leite para o jantar, pois já estava um pouco tarde e achei que seria demais. Aí veio o insight gastronômico: entre uma salada caprese meio capenga [não tinha muçarela de búfala e não ia comprar] e uma versão de massa menos volumosa estaria o meu jantar de sexta-feira. Já estava com essa salada em mente para ser preparada, mas ia adiando porque nunca tinha a tal da muçarela à disposição. Aqui onde eu moro não é muito fácil achar determinados ingredientes com uma qualidade minimamente aceitável. Prova disso é o sujeito [eu] ficar perambulando com uma garrafa de suco de goiaba de 1 litro, comprada a 80 quilômetros de casa, na mochila só porque esse tipo de suco natural não é vendido na sua cidade [momento no sense]. Achar a muçarela de búfala eu até achei no mercado, mas eu olhei pra ela profundamente e o produto não me convenceu, não parecia ser de muita qualidade e já estou sentido que a pessoa vai ficar andando quilômetros com queijo na bolsa para poder comer salada caprese.

Voltando ao assunto do post, o que fiz foi misturar um pouco das duas coisas e usar uma base de salada fria como molho para meu macarrão, o que, diga-se de passagem, ficou surpreendentemente bom. A salada "tipo" caprese foi feita a partir de livre interpretação já que não usei os ingredientes tradicionais, mas acho que o pessoal de Capri não liga para isso. Como toda primeira vez que faço alguma receita nova, acabei sujando mais coisa do que o necessário. Então vou escrever aqui do modo como farei das próximas vezes para não ter que ficar com vários potinhos pra lavar depois, logo será uma descrição no imperativo.

Coloque a água para ferver e vá separar os ingredientes para a salada. Separe as folhas de um maço de rúcula se gostar muito ou 1/2 maço se gostar pouco. A rúcula nesse caso interpreta o papel de manjericão, que deveria ir na salada original. Lave as folhas e seque no seu secador de salada [coloquei isso só porque tinha que falar do secador de salada que eu comprei recentemente e de fato funciona]. Se for usar toda a rúcula plante os tufos com raiz no seu vaso ou na horta [como eu fiz hoje]. Tempere cerca de 50g de ricota com sal e cebolinha para substituir a muçarela de búfala com glamour. Pique dois tomates débora pequenos em cubos médios. Retire as sementes e deixa-as descansando sobre uma peneira [com um recipiente por baixo, claro] para poder utilizar o suco que escorre. Separe umas quatro ou cinco azeitonas e compre as pretas da próxima vez [usei verde porque era o que eu tinha] e corte elas ao meio. Depois dos preparativos todos, a água já deve ter fervido. Então coloque sal, um pouco de ervas "comestíveis" e 200g de macarrão pequeno na panela [dessa vez eu só tinha penne tricolori em casa, mas quando eu imaginei esse prato o que vi foram gravatinhas no meio das folhas verdes]. Espere o macarrão cozinhar e ficar al dente. Escorra ele e jogue um pouco de água fria para interromper o cozimento. Agora já é hora da montagem feita em camadas. Disponha o macarrão não muito quente no recipiente em que será servido. Jogue ao estilo grande chef falsamente despreocupado com a beleza do prato: pimenta calabresa sem medo [dessa vez não ficou picante o suficiente], azeite de oliva extravirgem, um pouco de gersal. Depois os tomates, a azeitona, mais gersal e azeite. O gran finale é com a rúcula rasgada com as mãos, mais gersal e azeite. O gran gran finale pode [deve] ser com parmesão ralado na hora no ralo grosso, porque tem gente aqui em casa que gosta de morder o parmesão enquanto come e o com o ralador fino "fica parecendo um cabelinho".

Updated [07/11/2011]: Esqueci de falar que também é pra botar um alhinho frito, que no meu caso ganhei da mãe.

O resultado final foi ótimo, bem leve como estava esperando e com sabores amargo e doce balanceados. Vai ter de novo com certeza.

Notas:

Fui procurar o link da receita do macarrão com rúcula e percebi que já tinha escrito lá no outro post sobre o modo como a rúcula começou a ser consumida aqui em casa. Além de levemente esquecida estou ficando repetitiva, shame on me!

Acabo de descobrir porque meu querido companheiro gosta da rúcula. Segundo ele: "ela tem um gosto assim, meio amendoado [de amendoim] no final". Pode?

Quick and easy: lanches [ou não] rápidos e leves pra preencher o cardápio diário

Mais uma lista? Talvez. Na verdade, juntando todas as coisas que fazemos durante o dia e minha necessidade de experimentar comidas novas, acabo tendo o sério problema de esquecer das combinações que faço. Então, vou tentando anotar aqui lanches rápidos e bem leves que funcionaram bem para preencher os intervalos entre refeições do meu dia [na tentativa de comer de três em três horas].

Salada de kiwi - misturar na tigela em que vai comer, 1 kiwi cortado em pedaços com a casca mesmo, duas ou três colheres de iogurte natural, um pouco de calda de açúcar ou mel, passas pretas e só pra dar uma floreada um pedaço de chocolate quebrado com as mãos.

Tigela de jardim de verão - mistura fresca e refrescante com itens completamente caseiros.

Saladinha de couscous marroquino - aqui vale qualquer mistura com esse ingrediente "pau pra toda obra", o rei do "Quick and Easy" [porque miojo não é comida, né?]