A sopa de ervilha é um grande clássico nessa residência [50% da audiência desse site - duas pessoas, tirando eu - sabe disso perfeitamente e já experimentou a dita cuja]. Não há um inverno, ou outra estação qualquer, que não se faça ela algumas vezes. O pacote da ervilha faz parte das compras com naturalidade, como pão, farinha e leite. O fato que é esse é um prato tipo "Chuck Norris approves", ou sucesso garantido no dizer do meu querido companheiro.
E, desde que eu me entendo por gente, culinarísticamente falando, eu reproduzo essa receita que já fazia sucesso na casa de mãe e nas reuniões da minha família. No caso desta sopa, entretanto, acho que superei a geração precedente fui aperfeiçoando o preparo, de modo que hoje consigo fazer versões que considero melhores do que eu comia quando era mais nova, nas casas de minha mãe ou tias.
Esse também é um daqueles pratos que: 1. você faz no famoso olhômetro, sem medir nada; 2. é uma obra totalmente aberta e aceita muitas variações do tipo não tem uma coisa, põe outra; 3. por isso mesmo, nunca leva os mesmos ingredientes; 4. caso leve os mesmos ingredientes, tem algum componente místico [que deve envolver alinhamento de planetas, pressão atmosférica e humor da ervilha utilizada] que faz com que uma sopa nunca fique igual a outra já tomada anteriormente. Ou seja, para mim, é um prato paradoxal por ser um clássico e ao mesmo tempo completamente imprevisível.
Ontem, nesse frio todo com que a primavera nos agraciou nesse outubro, fiz essa sopa com alguns ingredientes nunca antes utilizados na história desse prato. Eu sei que em time que está ganhando não se mexe [na verdade não sei quem inventou esse ditado besta], mas acho que essa máxima não se aplica a uma pessoa que deseja superar o seu conservadorismo culinário no quesito de sopas e caldos. Assim sendo, seguindo a lógica deste blog e também como forma de comprovar cientificamente que esse prato é irrepetível, estou escrevendo essa receita secreta com todas as medidas [depois de ler esse post de novo vi o quão científico é uma pitada disso, um mínimo daquilo, por isso não sai igual] que usei na preparação para testar se é possível reproduzir a receita e ela ficar idêntica em sabor.
Utilizei 250 gramas de ervilha [sim, eu pesei = #insanidade] e deixei elas de molho em água por 6 horas, coloquei de manhã e fiz a sopa no fim da tarde. Bati no processador 3 dentes de alho, 1 pedaço de gengibre de uns 2cm e uma pitada de pimenta calabresa seca powerful [essa pimenta tá bem curtida]. Fogo baixo. Na panela de pressão coloquei cubos de bacon [tá, esse eu não medi] até liberarem a gordura e ficarem bem crocantes; retirei o bacon e coloquei 1/2 linguiça calabresa também em cubos para fritar até ficarem beeeem torradinhas. Depois de fritas eu as retirei e refoguei lentamente 1/2 talo de alho poró [só a parte branca] e essa mistura feita no processador, regando com água aos poucos, até ficar meio caramelizado [marronzinho]. Voltei com o bacon e a linguiça para a panela e depois joguei toda a ervilha escorrida para refogar e agregar bem o gosto dos temperos. Quando começou a dar sinais de que estava grudando no fundo joguei um pouco de água mexi bem para fazer uma espécie de deglacê, juntei 1/2 colher de chá de sal, um mínimo de pimenta do reino e joguei cerca de 2 litros de água quente na panela para cobrir tudo. Quanto começou a levantar fervura, fechei a panela de pressão e aumentei um pouco o fogo. Mais 20 minutos no fogo depois que começou a chiar e pronto. Então, abri a panela e estava um pouco grudado no fundo [acho que com a ervilha mais macia por causa do molho, 15 minutos de fogo eram suficientes], nada que abalasse a estrutura da sopa, mas por precaução troquei de panela, testei o sal, coloquei mais 1/2 colher de chá [acho que também não precisava] e, como ainda estava um pouco cedo para o jantar eu deixei descansando por algumas horas até comer [um verdadeiro gesto heróico].
A outra parte envolvida nessa relação chegou bem na hora da fritura da linguiça [prêmio de timing para a cozinheira, porque é uma grande satisfação quando as pessoas chegam na hora do melhor cheiro na cozinha para atiçar todas as lombrigas #feticheolfativo]. E quando chegou queria café. Toca então a fazer um café mexendo a sopa e bizoiando a água e colocando o pó, afff! Deu tudo certo no fim, mas depois do café, quando ele já ia subir para o banho foi dada a notícia: "Essa sopa hoje é um pouco diferente". "Diferente por quê? O que tem nela?". "Gengibre e alho poró, pra ver como fica". Dessa vez passou - pelo menos era o que parecia - porque não tinha nada que sugerisse algo muito desconhecido dentro desse universo gastronômico do tamanho do armário de rodoviária.
Sopa pronta. Ao ver a sopa na outra panela veio logo o questionamento primeiro com a expressão no rosto e depois verbalizando:
"Uê!???".
E já veio a explicação:
"Pegou um pouco no fundo, ficou bem grossa, aí eu troquei de panela só pra garantir".
E a resposta infame: "Foi o gengibre que sugou toda a água da sopa e levou para uma outra dimensão fora do planeta".
"Pois é, né? O gengibre é estranho, não pode ser mesmo desse planeta. Isso dá um filme, sabia? Gengibre: o estranho passageiro."
"Conta a história dos gengibres alienígenas que vem para Terra sugar toda nossa água..."
"Para levar para o planeta dos gengibres?".
"É. Até a cozinheira que tem um blog salvar a humanidade."
"Aí não, porque já fica muito verossímil."
FIM
Isso é o que dá a criatura trabalhar no sábado!!
Mas a sopa, ficou muito boa mesmo. Grossa como um creme e quente na medida certa.
Existem 1.475.876 sites sobre gastronomia, culinária, receitas e afins... Desses, eu frequento com certa regularidade pelo menos uns 598.009... Mas, nem sempre, para não dizer quase nunca, as receitas que vejo são seguidas à risca... Às vezes, mudo um ingrediente, às vezes, pego um pouco de umas três ou quatro receitas... Criei esse blog de mim para mim mesma como uma forma de ter sempre um lugar para lembrar quais receitas funcionaram, de quais eu gostei e como foram feitas por mim.
sábado, 22 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
Batatas ao murro para elevar o microondas a um outro nível
Pra começar, eu nem ia publicar essa receita porque ela é bem simples de fazer, mesmo. Mas pensando em algumas pessoas que não sabem o porquê do microondas habitar uma cozinha - não é mesmo - resolvi deixá-la aqui e alertar os desavisados [a desavisada, na verdade] sobre este prático eletrodoméstico.
Esse post pode até virar uma série: Se tem microondas, use-o!
Especialmente dedicado a pessoa que vive reclamando que não sabe usar e que só serve pra esquentar leite.
Simples assim, pegue batatas de médias para grandes. Na minha conta é uma batata por pessoa, mas se a cozinheira tiver que alimentar serres humanos não tão comedidos assim, podem ser duas por pessoas. No meu caso, foram três batatas médias e não sou eu a pessoa que exagera na comilança.
Não é pra tirar a casca da batata, mas em compensação, tem que lavar bem, né? No mínimo! Então coloque-as em um refratário que possa ir ao microondas [dãã] e coloque lá dentro. Agora vem as instruções complexas sobre o dito aparelho.
1. Feche a portinha, não esqueça.
2. Se o seu micro for modernoso, vai ter um botão escrito batata, com o desenho da leguminosa. Aperta ele.
3. E vai apertando o botão escrito porção até mais ou menos a quantidade em gramas que você supõem ter em batatas.
3.1. Se não tiver esse botão, não é preciso se desesperar, basta colocar em potência alta de 10 a 15 minutos [três batatas].
3.2. O controle de prevenção de catástrofes recomenda que você, na primeira vez, coloque 10 minutos apenas.
4. Espere o bicho apitar e confira o resultado.
4.1. Com uma faca, espete uma das batatas e veja se a faca entra com facilidade [sinal que estão macias]. Se sim, a primeira etapa está pronta. Se não coloque no microondas de novo e vá acrescentando mais 3 minutos por vez e conferindo.
Não esqueça de anotar o tempo total para não precisar ficar nesse vai não vai da próxima vez.
A batata vai estar quente, então pegue-as com cuidado enrole ela em um pano de prato e de um soco nela [nem muito forte, nem muito fraco], o suficiente para que a casca se rompa e você consiga ver seu interior desfarelando.
É interessante ter algum recheio nessa história, então é possível fazer qualquer coisa que se tenha disponível no momento: frango, atum, presunto, até salsicha. Mas a minha recomendação é um pouco de manteiga ou ricota com alho [o meu caso foi o último]. Para fazer tanto um quanto o outro basta misturar alho espremido a manteiga ou ricota. Mas atenção, nesse passo coloque apenas um dente de alho para duas colheres de manteiga ou 200 gramas de ricota e não faça como eu. Não coloque três dentes de alho para não ficar com bafo mata-vampiro.
Feito o recheio, despeje sobre a batata ainda quente e: se estiver com pressa, sirva assim mesmo; se estiver sem pressa, coloque um pouco de queijo derretível [mussarela ou parmesão] por cima e coloque no forno para gratinar.
Comentários finais: A versão sem pressa é bem melhor e a versão rápida fica melhor com molho de manteiga ou cremoso.
Este foi um post da incrível série: Se tem microondas, use-o! A seu favor!
Esse post pode até virar uma série: Se tem microondas, use-o!
Especialmente dedicado a pessoa que vive reclamando que não sabe usar e que só serve pra esquentar leite.
Simples assim, pegue batatas de médias para grandes. Na minha conta é uma batata por pessoa, mas se a cozinheira tiver que alimentar serres humanos não tão comedidos assim, podem ser duas por pessoas. No meu caso, foram três batatas médias e não sou eu a pessoa que exagera na comilança.
Não é pra tirar a casca da batata, mas em compensação, tem que lavar bem, né? No mínimo! Então coloque-as em um refratário que possa ir ao microondas [dãã] e coloque lá dentro. Agora vem as instruções complexas sobre o dito aparelho.
1. Feche a portinha, não esqueça.
2. Se o seu micro for modernoso, vai ter um botão escrito batata, com o desenho da leguminosa. Aperta ele.
3. E vai apertando o botão escrito porção até mais ou menos a quantidade em gramas que você supõem ter em batatas.
3.1. Se não tiver esse botão, não é preciso se desesperar, basta colocar em potência alta de 10 a 15 minutos [três batatas].
3.2. O controle de prevenção de catástrofes recomenda que você, na primeira vez, coloque 10 minutos apenas.
4. Espere o bicho apitar e confira o resultado.
4.1. Com uma faca, espete uma das batatas e veja se a faca entra com facilidade [sinal que estão macias]. Se sim, a primeira etapa está pronta. Se não coloque no microondas de novo e vá acrescentando mais 3 minutos por vez e conferindo.
Não esqueça de anotar o tempo total para não precisar ficar nesse vai não vai da próxima vez.
A batata vai estar quente, então pegue-as com cuidado enrole ela em um pano de prato e de um soco nela [nem muito forte, nem muito fraco], o suficiente para que a casca se rompa e você consiga ver seu interior desfarelando.
É interessante ter algum recheio nessa história, então é possível fazer qualquer coisa que se tenha disponível no momento: frango, atum, presunto, até salsicha. Mas a minha recomendação é um pouco de manteiga ou ricota com alho [o meu caso foi o último]. Para fazer tanto um quanto o outro basta misturar alho espremido a manteiga ou ricota. Mas atenção, nesse passo coloque apenas um dente de alho para duas colheres de manteiga ou 200 gramas de ricota e não faça como eu. Não coloque três dentes de alho para não ficar com bafo mata-vampiro.
Feito o recheio, despeje sobre a batata ainda quente e: se estiver com pressa, sirva assim mesmo; se estiver sem pressa, coloque um pouco de queijo derretível [mussarela ou parmesão] por cima e coloque no forno para gratinar.
Comentários finais: A versão sem pressa é bem melhor e a versão rápida fica melhor com molho de manteiga ou cremoso.
Este foi um post da incrível série: Se tem microondas, use-o! A seu favor!
Bolo integral de banana, aveia e mel
Esse é um bolo de feriado curto, para manter a tradição de sempre ter bolo em casa também, sob risco de certas pessoas começarem a ter crises de abstinência. Bem fácil de fazer, gostoso e forte, no sabor e na textura. Gostei, porque você come e ele enche a boca. Fica com uma massa mais densa, mas não pesada, ou seja, um paradoxo culinário bem interessante. Uma fatia vale por uma refeição.
Ainda levei algumas fatias para o trabalho para alimentar o povo na hora do café.
Aqui vai o link para a receita original link A única modificação foi substituir 50 gramas da farinha integral por gérmen de trigo. Depois vem a foto aí em baixo e o comentário "Pode escrever lá no blog que eu tô comendo de olhão. Porque tá bom o bolo". O comentário pode não ser muito confiável visto que a tara por bolo de quem proferiu tais palavras supera em muito o bom senso gastronômico.
A outra história desse bolo diz respeito a foto, pois foi uma das primeiras estilizadas, ou seja com uma produção mínima. Como a ideia de escrever esse blog não é muito voltada para a posteridade, não me importo muito em fotografar o que faço. Além de não ter uma câmera muito boa e nem esse hábito adquirido de fotografar comida, o que tem sido uma experiência nova para todos nós. Mas já incumbi outra pessoa de tirar as fotos da comida, até porque uma das máximas aqui de casa - recém inventada - é: quem não sabe cozinhar fotografa.
Só que a produção ainda está muito parca, pois não tem nenhuma concepção mais profunda acerca de iluminação, tipo de lente e outras abstrações fotográficas. Por enquanto os nossos maiores problemas são:
"Essa toalha tá horrível". "A gente não tem prato de bolo". "Tem que comprar uns acessórios para a fotografia". "Nos outros blogs é tão bem feita".
Mal começou e a produção já vem cheia de exigências. Afff!
Ainda levei algumas fatias para o trabalho para alimentar o povo na hora do café.
Aqui vai o link para a receita original link A única modificação foi substituir 50 gramas da farinha integral por gérmen de trigo. Depois vem a foto aí em baixo e o comentário "Pode escrever lá no blog que eu tô comendo de olhão. Porque tá bom o bolo". O comentário pode não ser muito confiável visto que a tara por bolo de quem proferiu tais palavras supera em muito o bom senso gastronômico.
| Olha o bolo aí gente! Agora um fotógrafo exclusivamente intimado a produzir material para o blog. |
Só que a produção ainda está muito parca, pois não tem nenhuma concepção mais profunda acerca de iluminação, tipo de lente e outras abstrações fotográficas. Por enquanto os nossos maiores problemas são:
"Essa toalha tá horrível". "A gente não tem prato de bolo". "Tem que comprar uns acessórios para a fotografia". "Nos outros blogs é tão bem feita".
Mal começou e a produção já vem cheia de exigências. Afff!
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Refeição saudável para um feriado magro [nos dois sentidos].
Feriado de um dia é uma ofensa a uma pessoa trabalhadora. Maaagro! Mal você começa a se acostumar a vagabundagem o feriado acaba sem mais nem menos. Pior é que você passa as vésperas fazendo uns planos [no meu caso culinarístico] e depois vai desistindo das coisas porque afinal o tempo é muito curto para experiências mais elaboradas.
O fato é que também cozinhar por aqui tem sido um exercício constante de planejamento - os planos do coiote para o papa-léguas pareceriam brincadeira de criança perto dos meus - para que eu continue firme nas minhas metas de redução de desperdício e de porcarias que entram na cozinha e consequentemente dentro de nós.
Então, como ontem foi dia de comer na casa da mãe, sobre cujo cardápio você não tem nenhuma ingerência, acabei abusando da quantidade de comida e também nas combinações, pois refeições em casas de mãe seguem a lógica de toda casa brasileira quase como uma instituição cultural profundamente arraigada [a voz acadêmica falando]: arroz com feijão [claro], e carne de panela com batata [que pelo menos não foram fritas].
Para curar a farra da carne, e, o que foi pior, no jantar, hoje fiquei só nas três refeições básicas, sem belisquetes no intervalo. Eu sei! Os intervalos precisam ser preenchidos com lanches saudáveis! Mas digamos que meu humor pela manhã não estava dos melhores e não conseguia pensar em nada que quisesse fazer na cozinha e as frutas não estavam tão atrativas para os meus olhos de mau-humor. Sem contar a variedade exígua de produtos frescos já que a chuva torrencial de ontem me fez adiar as compras no sacolão, não seria eu a andar por aí cheia de sacolas, pesadas, na chuva e de ônibus.
Para o almoço, quando o sol saiu e minha vontade de cozinhar começou a parecer uma ideia menos sacrificante, fiz não uma, mas duas saladas, mas para não incorrer no exagero podemos rebatizar uma delas de arroz colorido. A salada salada, foi simplinha mesmo de folhas de alface [que acho que está se reproduzindo na geladeira, pois não acaba nunca], folhas de rúcula que plantei no meu vaso e estão dando [ueba!!! orgulho mode on! Plantadora compulsiva] e cebola em tiras finamente fatiada. Seria uma salada bem básica mesmo, com folhas rasgadas, não fosse pela finalização com a dupla azeite e vinagre branco e gersal.
O gersal foi uma descoberta realmente fantástica, porque é uma coisa que tá ali o tempo todo e você nunca pensa sobre isso. Nada mais é do que gergelim torrado moído com sal. No meu caso misturei com um pouco de linhaça também. Sem contar que é um ótimo modo de comer linhaça. Depois de pronto, lembra muito do cheiro de amendoim torrado. Fui provar e, ou meu paladar ficou louco, sugestionado pelo cheiro, ou parece mesmo amendoim torrado. Quando apresentei a invencionice ao companheiro aqui em casa - que andava meio avesso ao gergelim - fiz uma boa propaganda com motivos de amendoim e ele levantou a hipótese de serem parentes, mas eu não fui procurar a relação.
Para o arroz colorido, que frio também poderia ser uma ótima salada usei 1 xícara de arroz integral cozido como mandava a embalagem, algumas azeitonas picadas, 1 beterraba pequena cortada em cubos e preparadas no forno, folhas frescas de manjericão, 1 tomate picado em cubinhos e 1/2 lata de atum. Mistura tudo e pronto. É só servir.
Para preparar a beterraba, descasquei ela, cortei em cubos bem pequenos. Cortei também os talos e guardei as folhas [zero wasting food]. Coloquei os cubos e os talos picados em uma assadeira, juntei umas folhas de tomilho e uma pitada de sal por cima delas. Levei ao fono até ficarem macias, mas ainda firmes. Ficaram muito doces e não me arrependi de ter pago um pouco mais caro pelas beterrabas orgânicas. Muito bom mesmo e o pessoal aqui em casa aprova essa ideia. "Isso são passas? Não, beterrabas ao forno. Estão tão doces, né? Parece passas."
Outra coisa que me surpreendeu positivamente foi o arroz integral, já que nunca tinha feito dele e foi bem fácil, apesar que levar uma quantidade maior de água. Achei que foi um bom começo e a refeição para #comermelhor ajudou também com o meu humor.
Câmbio, desliga!
O fato é que também cozinhar por aqui tem sido um exercício constante de planejamento - os planos do coiote para o papa-léguas pareceriam brincadeira de criança perto dos meus - para que eu continue firme nas minhas metas de redução de desperdício e de porcarias que entram na cozinha e consequentemente dentro de nós.
Então, como ontem foi dia de comer na casa da mãe, sobre cujo cardápio você não tem nenhuma ingerência, acabei abusando da quantidade de comida e também nas combinações, pois refeições em casas de mãe seguem a lógica de toda casa brasileira quase como uma instituição cultural profundamente arraigada [a voz acadêmica falando]: arroz com feijão [claro], e carne de panela com batata [que pelo menos não foram fritas].
Para curar a farra da carne, e, o que foi pior, no jantar, hoje fiquei só nas três refeições básicas, sem belisquetes no intervalo. Eu sei! Os intervalos precisam ser preenchidos com lanches saudáveis! Mas digamos que meu humor pela manhã não estava dos melhores e não conseguia pensar em nada que quisesse fazer na cozinha e as frutas não estavam tão atrativas para os meus olhos de mau-humor. Sem contar a variedade exígua de produtos frescos já que a chuva torrencial de ontem me fez adiar as compras no sacolão, não seria eu a andar por aí cheia de sacolas, pesadas, na chuva e de ônibus.
Para o almoço, quando o sol saiu e minha vontade de cozinhar começou a parecer uma ideia menos sacrificante, fiz não uma, mas duas saladas, mas para não incorrer no exagero podemos rebatizar uma delas de arroz colorido. A salada salada, foi simplinha mesmo de folhas de alface [que acho que está se reproduzindo na geladeira, pois não acaba nunca], folhas de rúcula que plantei no meu vaso e estão dando [ueba!!! orgulho mode on! Plantadora compulsiva] e cebola em tiras finamente fatiada. Seria uma salada bem básica mesmo, com folhas rasgadas, não fosse pela finalização com a dupla azeite e vinagre branco e gersal.
O gersal foi uma descoberta realmente fantástica, porque é uma coisa que tá ali o tempo todo e você nunca pensa sobre isso. Nada mais é do que gergelim torrado moído com sal. No meu caso misturei com um pouco de linhaça também. Sem contar que é um ótimo modo de comer linhaça. Depois de pronto, lembra muito do cheiro de amendoim torrado. Fui provar e, ou meu paladar ficou louco, sugestionado pelo cheiro, ou parece mesmo amendoim torrado. Quando apresentei a invencionice ao companheiro aqui em casa - que andava meio avesso ao gergelim - fiz uma boa propaganda com motivos de amendoim e ele levantou a hipótese de serem parentes, mas eu não fui procurar a relação.
Para o arroz colorido, que frio também poderia ser uma ótima salada usei 1 xícara de arroz integral cozido como mandava a embalagem, algumas azeitonas picadas, 1 beterraba pequena cortada em cubos e preparadas no forno, folhas frescas de manjericão, 1 tomate picado em cubinhos e 1/2 lata de atum. Mistura tudo e pronto. É só servir.
Para preparar a beterraba, descasquei ela, cortei em cubos bem pequenos. Cortei também os talos e guardei as folhas [zero wasting food]. Coloquei os cubos e os talos picados em uma assadeira, juntei umas folhas de tomilho e uma pitada de sal por cima delas. Levei ao fono até ficarem macias, mas ainda firmes. Ficaram muito doces e não me arrependi de ter pago um pouco mais caro pelas beterrabas orgânicas. Muito bom mesmo e o pessoal aqui em casa aprova essa ideia. "Isso são passas? Não, beterrabas ao forno. Estão tão doces, né? Parece passas."
Outra coisa que me surpreendeu positivamente foi o arroz integral, já que nunca tinha feito dele e foi bem fácil, apesar que levar uma quantidade maior de água. Achei que foi um bom começo e a refeição para #comermelhor ajudou também com o meu humor.
Câmbio, desliga!
Carnívoro sim, mas com moderação
Evitando a carne nos fins de semana só porque é possível. Algumas preparações para ocupar o lugar das 2 no prato e abastecer o corpo com proteína.
Então estou produzindo essa lista com receitas que já fiz ou que preciso experimentar para ter uma opção fácil de sacar uma cola na hora do almoço.
Quibe de forno com recheio de ricota
Suflês de queijo e / ou legumes
Almôndegas de trigo para quibe [essa tava na boca do gol porque tenho um pouco de trigo para quibe, mas estou tentada a trocar pela salada secreta daqui se eu achar o tal extrato de romã dificílimo]
Almôndegas de carne de soja
Almôndegas de tofu [tenho que experimentar e a receita ta no La Cucinetta]
Salada de atum [muito básica]
Atum ao forno com batata [ainda não fiz, ou será que já? Mas também é bem simples]
Queijo grelhado [rídiculo de tão simples, à prova de idiotas]
Tofu grelhado [experimentar, tenho um pouco de medo do tofu. Quem tem medo do tofu?]
Peixes congelados [do lado de cá dessas cercanias, o peixe é coisa difícil]
Camarão
Macarrão com molho pesto [comprar um pilão, urgente!]
Macarrão com molho de rúcula
Batata assada [muito bom para várias ocasiões, com tomilho, azeite, pimenta rosa e alecrim]
Batata ao murro [prima irmã da batata assada, cozida no microondas e gratinada rapidinho no forno com manteiga e queijo ou pasta de ricota com alho e queijo coalho]
Omelete [clássico, já fiz alguns muito bons mas ainda não postava no blog]
Tortilla de batata [Jamie Oliver style, receita aqui para experimentar]
Salada de arroz integral com atum [ou arroz colorido, se já tiver outra salada em vista]
Mandioquinha picante com ervilhas [Muito bom, docinho com o chilli no ponto. Cada vez eu gosto mais de pimentassss]
Salada de repolho com maçãs [Como esses dois combinam]
Fake risotto de abóbora com creme de cebola [Não é porque não se tem arroz arbóreo que não faremos risoto]
Macarrão caprese [massa + salada = refeição very cool]
Então estou produzindo essa lista com receitas que já fiz ou que preciso experimentar para ter uma opção fácil de sacar uma cola na hora do almoço.
Quibe de forno com recheio de ricota
Suflês de queijo e / ou legumes
Almôndegas de trigo para quibe [essa tava na boca do gol porque tenho um pouco de trigo para quibe, mas estou tentada a trocar pela salada secreta daqui se eu achar o tal extrato de romã dificílimo]
Almôndegas de carne de soja
Almôndegas de tofu [tenho que experimentar e a receita ta no La Cucinetta]
Salada de atum [muito básica]
Atum ao forno com batata [ainda não fiz, ou será que já? Mas também é bem simples]
Queijo grelhado [rídiculo de tão simples, à prova de idiotas]
Tofu grelhado [experimentar, tenho um pouco de medo do tofu. Quem tem medo do tofu?]
Peixes congelados [do lado de cá dessas cercanias, o peixe é coisa difícil]
Camarão
Macarrão com molho pesto [comprar um pilão, urgente!]
Macarrão com molho de rúcula
Batata assada [muito bom para várias ocasiões, com tomilho, azeite, pimenta rosa e alecrim]
Batata ao murro [prima irmã da batata assada, cozida no microondas e gratinada rapidinho no forno com manteiga e queijo ou pasta de ricota com alho e queijo coalho]
Omelete [clássico, já fiz alguns muito bons mas ainda não postava no blog]
Tortilla de batata [Jamie Oliver style, receita aqui para experimentar]
Salada de arroz integral com atum [ou arroz colorido, se já tiver outra salada em vista]
Mandioquinha picante com ervilhas [Muito bom, docinho com o chilli no ponto. Cada vez eu gosto mais de pimentassss]
Salada de repolho com maçãs [Como esses dois combinam]
Fake risotto de abóbora com creme de cebola [Não é porque não se tem arroz arbóreo que não faremos risoto]
Macarrão caprese [massa + salada = refeição very cool]
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Geleia 3 x Cozinheira 1: ou panna cotta com calda de amora pra não perder de zero
A geleia de amora desse post foi, durante 48 horas, uma doce esperança de que eu iria finalmente me livrar do fiasco do quebra-queixo de amora da temporada passada. Pois é, não vingou. Eu tive fé que um bom espírito gelificante iria transformar aquela coisa líquida no potinho recilado de "Queensbery" em algo passível de ser passado no pão com a faca e não algo para molhar o pão tal como a coisa havia sido amaldiçoada.
Já pensando em colocar a mistura novamente no fogo para reduzir mais um pouquinho comecei minha busca frenetica e secretamente a vários sites e posts de outros blogs sobre geleias e suas técnicas obscuras. Procurei durante um bom tempo uma maldita foto do ponto da geleia. Já que a perseguição do meu trauma passado fez eu desligar o fogo antecipadamente por duas vezes. Cheguei a jurar, para mim mesmo, é claro, numa espécie de neurose do endurecimento precoce [estranho isso], que o tal ponto havia chegado da segunda vez. E deixei ela lá descansando por incontáveis horas para assistir a mágica e falar: "Aha! Eu sabia que ia funcionar dessa vez". #fail.
Fui dissuadida a reduzir mais um pouco a mistura, uma vez que um pote já virara meio pote com a primeira tentativa e a chance de não haver nada no fim era grande. E, como as amoreiras são as #melhoresarvoresdo mundo ever, tinha um montão de amoras lá fora para uma próxima tentativa. Decidi ir catar amora na rua mais tarde para a nova empreitada. Dessa fez colhemos numa vasilha bem maior e ficamos um bom tempo de pé em pé pegando as frutinhas pretas. O melhor é que ainda tem bastante para pegar.
Updated: Só agora reparei a combinação kitsch e monocromática da foto acima.
Entretanto, ainda havia a "geleia Clownberry" (a única que você pode molhar no pão) que não podia ser jogada fora. A partir disso, eis que sem querer acabei fazendo uma deliciosa calda de amoras no ponto exato para jogar por sobre alguma coisa. E com aquele doce|azedo característico da fruta muito intensificado depois das duas idas ao fogão. E o pretexto utilizado para jogar a calda de amora por cima foi uma escolha bastante acertada, que, de certo modo, eu já vinha mirando em alguns sites por conta da minha missão de acabar com a gelatina sem sabor comprada no ímpeto do "eu posso precisar disso para alguma receita". Aí, encaixou com um Lego: nós tínhamos uma receita carente de calda e uma calda precisando de algo em que ela pudesse escorrer.
Esse achado foi a panna cotta uma receita de origem italiana que nunca havia experimentado - na verdade, sequer conhecia - até começar a ser mais [muito mais, às vezes irresponsavelmente mais] assídua nas publicações, sites e blogs sobre comida. [Agora eu entro na livraria e fico ali espremida na minúscula prateleira de gastronomia, a qual ainda tem disputar espaço com os vinhos, olhando os livros e causando certa estranheza nos meus amigos] O termo significa creme cozido e a sobremesa é tão deliciosa quanto simples, como tudo de comer cuja origem é a Itália. Além do mais, por ser de comer de colher, acaba com a derrota total que vinha satisfazendo a nossa vontade de um docinho depois do almoço. Um dia, o nem tão bom assim doce de leite de lata e, no outro, o mais famigerado ainda "leite ninho com açúcar". Isso quando eu não achava uma lata de leite condensado aberta com uma colherada faltando no fundo da geladeira, nos dias em que eu não estava em casa na hora do almoço.
Devido a uma baixa no armário de mantimentos e também dotada de um pouco de autoconfiança culinária fiz uma modificação nessa receita que nunca havia feito antes e nem sabia como era. No blog em que peguei a receita foi também onde eu descobri que a panna cotta existia. Depois comecei a procurar em outros lugares, mas essa ainda me parecia a melhor receita, já que era a que levava a menor quantidade de ingredientes, o que lhe conferia um quê de originalidade, no sentido de estar mais próximo da origem de sua execução. Meu problema era, no entanto, que só havia um creme de leite de 200g de caixinha no meu armário e a receita pedia 300g de creme de leite fresco. Embora, naquele momento, eu pudesse abstrair a enorme distância de sabor que existe entre o creme de leite fresco e o "de caixinha", a diferença de peso não era algo a ser ignorado.
Primeiro pensei em reduzir a quantidade da receita para adequá-la, mas eram muitos os cálculos para os outros ingredientes. Também fui procurar variações em outros sites que pudessem utilizar menos creme de leite, mas ainda tinha a impressão que devia começar pelo começo com uma receita desse tipo, assim, tradicional. Outro ponto a favor da minha primeira escolha era o fato dessa receita ser a mesma do Professional Baking, "o" livro do "Le Cordon Bleu". O que eu fiz então foi completar as 100 gramas que faltavam de creme de leite com iogurte natural, com base nessa combinação aqui. No fim, ficou perfeito! Uma combinação incrível da panna cotta não muito firme, não muito doce e com leve toque de iogurte mais a calda de amora doce|azeda no ponto correto. Uma sobremesa ideal, que concorre muitos pontos na frente, ao título de favorita por essas bandas de cá. Chega a ser ridículo de tão básico e tão gostoso.
A incursão pela culinária tradicional continua e para o próximo fim de semana estou com uma ideia fixa, como as do Brás Cubas: Apfelstrudel.
Tenho que comprar maçãs!
Já pensando em colocar a mistura novamente no fogo para reduzir mais um pouquinho comecei minha busca frenetica e secretamente a vários sites e posts de outros blogs sobre geleias e suas técnicas obscuras. Procurei durante um bom tempo uma maldita foto do ponto da geleia. Já que a perseguição do meu trauma passado fez eu desligar o fogo antecipadamente por duas vezes. Cheguei a jurar, para mim mesmo, é claro, numa espécie de neurose do endurecimento precoce [estranho isso], que o tal ponto havia chegado da segunda vez. E deixei ela lá descansando por incontáveis horas para assistir a mágica e falar: "Aha! Eu sabia que ia funcionar dessa vez". #fail.
Fui dissuadida a reduzir mais um pouco a mistura, uma vez que um pote já virara meio pote com a primeira tentativa e a chance de não haver nada no fim era grande. E, como as amoreiras são as #melhoresarvoresdo mundo ever, tinha um montão de amoras lá fora para uma próxima tentativa. Decidi ir catar amora na rua mais tarde para a nova empreitada. Dessa fez colhemos numa vasilha bem maior e ficamos um bom tempo de pé em pé pegando as frutinhas pretas. O melhor é que ainda tem bastante para pegar.
| Por dentro do pé de amora |
| O pote resultado da colheita. [Detalhe para os dedos roxos combinando com a blusa, com o pote e as amoras - trash!] |
Entretanto, ainda havia a "geleia Clownberry" (a única que você pode molhar no pão) que não podia ser jogada fora. A partir disso, eis que sem querer acabei fazendo uma deliciosa calda de amoras no ponto exato para jogar por sobre alguma coisa. E com aquele doce|azedo característico da fruta muito intensificado depois das duas idas ao fogão. E o pretexto utilizado para jogar a calda de amora por cima foi uma escolha bastante acertada, que, de certo modo, eu já vinha mirando em alguns sites por conta da minha missão de acabar com a gelatina sem sabor comprada no ímpeto do "eu posso precisar disso para alguma receita". Aí, encaixou com um Lego: nós tínhamos uma receita carente de calda e uma calda precisando de algo em que ela pudesse escorrer.
Esse achado foi a panna cotta uma receita de origem italiana que nunca havia experimentado - na verdade, sequer conhecia - até começar a ser mais [muito mais, às vezes irresponsavelmente mais] assídua nas publicações, sites e blogs sobre comida. [Agora eu entro na livraria e fico ali espremida na minúscula prateleira de gastronomia, a qual ainda tem disputar espaço com os vinhos, olhando os livros e causando certa estranheza nos meus amigos] O termo significa creme cozido e a sobremesa é tão deliciosa quanto simples, como tudo de comer cuja origem é a Itália. Além do mais, por ser de comer de colher, acaba com a derrota total que vinha satisfazendo a nossa vontade de um docinho depois do almoço. Um dia, o nem tão bom assim doce de leite de lata e, no outro, o mais famigerado ainda "leite ninho com açúcar". Isso quando eu não achava uma lata de leite condensado aberta com uma colherada faltando no fundo da geladeira, nos dias em que eu não estava em casa na hora do almoço.
Devido a uma baixa no armário de mantimentos e também dotada de um pouco de autoconfiança culinária fiz uma modificação nessa receita que nunca havia feito antes e nem sabia como era. No blog em que peguei a receita foi também onde eu descobri que a panna cotta existia. Depois comecei a procurar em outros lugares, mas essa ainda me parecia a melhor receita, já que era a que levava a menor quantidade de ingredientes, o que lhe conferia um quê de originalidade, no sentido de estar mais próximo da origem de sua execução. Meu problema era, no entanto, que só havia um creme de leite de 200g de caixinha no meu armário e a receita pedia 300g de creme de leite fresco. Embora, naquele momento, eu pudesse abstrair a enorme distância de sabor que existe entre o creme de leite fresco e o "de caixinha", a diferença de peso não era algo a ser ignorado.
Primeiro pensei em reduzir a quantidade da receita para adequá-la, mas eram muitos os cálculos para os outros ingredientes. Também fui procurar variações em outros sites que pudessem utilizar menos creme de leite, mas ainda tinha a impressão que devia começar pelo começo com uma receita desse tipo, assim, tradicional. Outro ponto a favor da minha primeira escolha era o fato dessa receita ser a mesma do Professional Baking, "o" livro do "Le Cordon Bleu". O que eu fiz então foi completar as 100 gramas que faltavam de creme de leite com iogurte natural, com base nessa combinação aqui. No fim, ficou perfeito! Uma combinação incrível da panna cotta não muito firme, não muito doce e com leve toque de iogurte mais a calda de amora doce|azeda no ponto correto. Uma sobremesa ideal, que concorre muitos pontos na frente, ao título de favorita por essas bandas de cá. Chega a ser ridículo de tão básico e tão gostoso.
A incursão pela culinária tradicional continua e para o próximo fim de semana estou com uma ideia fixa, como as do Brás Cubas: Apfelstrudel.
Tenho que comprar maçãs!
sábado, 1 de outubro de 2011
Bolo de milho mole (de fácil) e úmido
Quando você chega em casa numa sexta-feira depois de toda uma semana cheia de compromissos e coisas que você não queria fazer, só um bolo salva, certo? Sim, se esse fosse o meu ponto de vista. Mas na verdade, depois das semanas de comida mais leve, com menos quantidade de porcarias e em porções menores, que geraram comentários como "só isso que tem pra comer?" - de modo delicado, é claro - meu querido companheiro de aventuras estava com abstinência de bolos. Bolo é o seu prato preferido, sem sombra de dúvidas. Qualquer bolo, até os que não saíram tão bem assim.
Estão quando eu fui perguntar ingenuamente se ele estava afim de comer alguma coisa já imaginando como eu ia elaborar um sanduíche de atum com ricota e iogurte [veja que evolução nutritiva], veio a resposta inesperada. "Eu quero um café... Com um bolo. Porque há muito tempo não tem bolo". Bom, depois desse sonho de sanduíche frustrado, veio a outra pergunta fatídica, cuja resposta nunca é satisfatória e me leva toda vez a pensar porque eu ainda pergunto.
Pergunta: "Qual bolo você vai querer?"
Resposta que não ajuda em nada: "Bolo fofo"
Pois é, o problema é que se tratava de uma sexta-feira às 7 da noite e a perspectiva de fazer um bolo não era tão grande quanto a vontade de resolver o problema de abstinência alheio. Embora eu estivesse louca por uma cozinha [que minhas amigas e amigos de tendências feministas nunca leiam isso], porque eu fico, isso sim, com abstinência de cozinhar, não tinha me passado pela cabeça fazer um bolo àquela altura. Então surgiu a ideia, que eu já tinha arquivado para uma ocasião adequada, de fazer esse bolo de milho aqui. Isso porque havia quantidades absurdas de leite condensado proveniente de alguma promoção do mercado e do sentimento de que eu posso precisar ter isso no armário, do qual eu venho tentando me libertar em definitivo. Por enquanto está dando certo, fora o leve desespero do meu querido companheiro de que nós vamos ficar SEM COMIDA e que as próximas compras vão custar "UNS SEISCENTOS REAIS".
Ontem quando liguei para saber se precisava comprar alguma coisa no mercado antes de irmos para casa, com um tom de preocupação na voz, descobri que só tinha uma lata de atum e que era preciso comprar mais, além do kit survivor pão e leite. Leia-se: "O que eu vou fazer se não tiver atum? Vou comer o que com macarrão?". São desnecessários comentários sobre pão e leite.
Voltando ao bolo, ficou muito bom com destaque para a textura bastante úmida sem ser necessariamente cremosa. Ficou bem aerado, embora a massa seja praticamente líquida. E com os pedacinhos de coco matadores que combinaram com o líquido. Ou seja, bolo rápido, prático e bem gostoso. Ótimo para os que tem problemas de abstinência de bolo e vai para o hall da fama bolístico daqui de casa.
PS.: O único senão dessa receita foram as diversas vezes que me perguntaram: "Ainda não tá pronto?" Momento burro do Shrek. "Num tá demorando muito, não?" Não respondi na hora, mas agora acho que já era o psicológico afetando a noção de tempo.
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