Aviso importante: esse post contém lamúrias, portanto pense bem antes de continuar.
Nesse fim de semana mais longuinho devido a um feriado na sexta-feira tentei manter meu cardápio enxuto para não abusar do tanto de tempo livre em casa. Às vezes, quando fico em casa dá vontade de comer toda hora e não sei ao certo o que motiva essa ansiedade, já que não é sempre que estou assim. Nesses dias de fome descontrolada é mais difícil manter a sincronia do intervalo de três horas entre cada refeição, sem contar que ter mais tempo para cozinhar dá margem a ficar inventado ainda mais coisas para comer.
Embora tenha ficado naturalmente moderada - o que significada sem vontade de comer toda hora, mas com o comichão inquietante de ficar cozinhando - nos últimos fins de semana, tenho desenvolvido algumas estratégias para quando não estou numa relação tão zen assim com a comida. Uma delas é desmistificar a equivalência entre comida gostosa e junk food. Eu adoro pizza, principalmente a que fazemos aqui em casa, mas procuro não pensar nela como a única opção saborosa que posso consumir. Em uma oportunidade, troquei a massa de pizza por pão sírio e acho que resolvi o problema de matar a vontade, sem exagero. Explico: quando faço pizza em casa a massa rende, no mínimo, duas das grandes e acabo comendo demais, o que não acontece quando temos apenas uma pequena pizza do tamanho de um pão sírio. Sem contar que um dia antes esse pão rendeu um saudável sanduíche frio com alface, tomate, beterraba, ricota temperada e carne assada desfiada.
Mas nesse final de semana em particular a vizinhança teve a brilhante ideia de fazer um churrasco, o que já me deu culpa só em aceitar. Gosto da ideia de me reunir com pessoas para comer e conversar, e também gosto de churrasco, e também não quero ser a chata que leva legume para a churrasqueira, mas tem alguma coisa que me aborrece, gastronomicamente falando, nesse tipo de comida que eu não tenho certeza do que é. Talvez seja a sensação de que exagero que você sente ao comer demais ou o desconforto de ficar embatumado tantas carnes depois. Não sinto culpa de gordinho - pela comida em si - mas sempre me parece que comer desse jeito é uma agressão contra si próprio. Espero que essa história de comer melhor não se torne um problema toda vez que os eventos sociais envolverem comida, mas não me sinto mais tão à vontade assim para ficar me empanturrando de carne defumada e farofa.
E o pior, fico tentada a fazer umas experimentações culinárias nos temperos, preparações e tipos de carne que serão assadas [para dar um toque gourmet no churrasco], e sinto que isso não terá boa recepção na confraria do carvão composta pelos machos sem frescura. Embora eles tenham aceitado usar sal aromatizado, ainda que com reticências das primeiras vezes, somente os homens comandam a grelha, dotados de todo o seu instinto primitivo de assar à moda das cavernas. Cuidado você deve ter, já dizia o mestre Yoda. É muito fácil parecer esnobe quando você curte culinária, presta mais atenção no paladar dos alimentos e começa a pensar onde estava com a cabeça quando achou que sorvete do supermercado era uma coisa gostosa.
À propósito, passei pela experiência traumática do sorvete hoje. Enquanto estava comendo um sorvete em sua versão de creme [pelo menos era o que dizia a embalagem] com a famosa banana assada na churrasqueira [a banana, e só ela, foi ponto alto do almoço para mim] só conseguia pensar em gordura hidrogenada. Tenho ficado mais exigente e menos tolerante com produtos antes incontestáveis - e que muita gente ainda acha muito bom - e isso me obriga a exercitar meu bom senso para não falar demais e acabar chateando ou ofendendo alguém. Pra completar, acho que não fui só eu quem passou pelo trauma do sorvete, pois o meu querido companheiro se ofereceu para me dar uma sorveteira no Natal [uêba]!! O que é ótimo porque talvez ganhe uma sorveteira e não me sinto tão freak com minhas chatices gustativas.
Parêntesis: percebam como esses posts de hoje vêm se encaixando.
Conclusão: não quero ser a saudável chata, muito menos a metida a chef mais chata ainda, mas preciso pensar sobre esse negócio de churrasco para tentar me encontrar dentro dessa ode à comilança. E lá vou eu de novo atrás do equilíbrio.
Como a proposta para "queimar uma carninha" surgiu no ontem de manhã, já comecei a pisar no freio desde a hora do almoço. Desisti de fazer carne com batata [óbvio], arquivei as panna cottas para comer outro dia e tirei fatias finas do pão de canela e passas para fazer um sanduíche. No jantar fiz umas batatas, mais ou menos como as do vídeo aí em baixo, com repolho [tentei dizer que o repolho era alface pra fazer "as pessoa" comer, mas não deu certo porque não sei mentir nem por uma boa causa] e tomate. Fiz as batatas puras com azeite, sem nenhum tempero e com o primeiro cozimento no microondas.
Cheguei a fazer um outro sorvete com o que sobrou do creme de leite da panna cotta, mas foi um projeto experimental e nem cheguei a comê-lo direito para definir se está ou não satisfatório.
O churrasco foi hoje no almoço e ainda estou com a estanha sensação de ter comido um boi inteiro. Para não ficar apenas me lamentando nessa ladainha toda de culpa e coisa e tal, fiz uma farofa da qual realmente eu gostei.
Nunca tinha me dado muito bem com farofas. Pelo menos nunca tinha experimentado nenhuma parecida com a farofa sabor ponte de safena que o pessoal lá de casa fazia nas festinhas e encontros familiares - que foram muitos. E, sempre pode ficar pior, mesmo achando que o problema da minha farofa era mão leve na manteiga ela ficava uma papa gordurenta quando eu ultrapassava a linha do entupimento coronariano. A farofa de hoje, pelo contrário, levou apenas a gordura dos cubos de bacon que eu coloquei e ficou boa, apesar de eu achar que a proporção entre a farinha e os outros trecos ainda pode ser ajustada. Coloquei bacon, cebola, alho, ovo, farinha com gérmen de trigo tostados previamente, sal e passas. Carreguei um pouco a mão no sal e acho que ficou mais seca do que eu gostaria, mas creio que seja esse o caminho em busca da farofa perfeita.
P.S.: Estou desistindo de comer qualquer coisa até o fim do dia de hoje.
Update de mesmo dia: voltei porque esqueci de falar da calda de açúcar e canela que fiz para cobrir a panna cotta. Foi uma calda que deu errado e depois deu certo. Fiz com 1/3 de xícara de açúcar cristal, 5 colheres de água e uma espremidinha de limão. Tudo muito bom se a bicha não tivesse endurecido quando esfriou. Como não ia perder para uma calda de açúcar, eu voltei ela para o fogo e coloquei mais 1/4 de xícara de água, deixei ferver um pouco reduzindo o mínimo e pronto. A consistência ficou perfeita para uma calda mole.
Existem 1.475.876 sites sobre gastronomia, culinária, receitas e afins... Desses, eu frequento com certa regularidade pelo menos uns 598.009... Mas, nem sempre, para não dizer quase nunca, as receitas que vejo são seguidas à risca... Às vezes, mudo um ingrediente, às vezes, pego um pouco de umas três ou quatro receitas... Criei esse blog de mim para mim mesma como uma forma de ter sempre um lugar para lembrar quais receitas funcionaram, de quais eu gostei e como foram feitas por mim.
domingo, 30 de outubro de 2011
Geleia de amora strikes back! Sorvete da geleia de amora que não deu certo
Estou devendo algumas receitas aqui. Simplesmente porque a minha capacidade de escrever é infinitamente menor do que a minha habilidade para cozinhar. Levo mais tempo escrevendo o texto do que cozinhando e só posso me dedicar às letras nos períodos de folga do trabalho e dos estudos [apesar de ser um pouco negligente com ambos no limite que meu senso de responsabilidade me permite].
Esse sorvete - na verdade frozen yogurt, mas falar sorvete é mais fácil - sobre o qual estou escrevendo só hoje foi feito com a tal da calda de amora que resultou de uma tentativa mal-fadada de fazer geleia. Já tem algum tempo que fiz o sorvete, e ele já até acabou, mas vale um post porque ficou saboroso e completamente modelável, ou seja, fazendo uma bola lindona [que ficaria perfeita se eu tivesse uma colher de sorvete, shame on me!] sem cristais de gelo e com uma textura macia assim que sai do freezer - não fica durão daquele jeito que a colher não entra e tem que esperar um pouquinho antes de comer. Com sabor azedo característico das amoras e, principalmente, sem gosto de gordura hidrogenada melequenta do sorvete 2 litros do mercado. Para uma primeira vez com sorvetes caseiros me dei foi muito bem, porque meu frozen saiu melhor do que sorvete comprado pronto.
A única questão na preparação dessa receita é que eu não disponho de uma sorveteira, uma espécie de tigela gelada que vai mexendo a massa do gelato enquanto ele congela. Com isso, a traquitana evita que cristais de gelo se formem antes do sorvete ficar pronto, já que a água congela primeiro que a gordura, comprometendo a textura do produto final.
Sem a sorveteira os processos parecem propaganda antiga de companhia aérea: gela um pouquinho, bate um pouquinho, e volta pro congelador. Você tem que ficar tomando conta do sorvete, então foi preciso tempo e o auxílio de um equipamento valioso: um relógio com timer. Usei meu relógio de pulso, que descobri ter uma função a mais do que ver as horas - e até apita - para marcar a hora de ir lá bulinar os cristais de gelo do sorvete para que eles se desfizessem e não atrapalhassem o congelamento das coisas. Não que seja trabalhoso, mas exige vigilância e um pouco de paciência, não dá pra colocar no freezer e sair de casa, por exemplo.
Pesquisei bastante na internet sobre sorvetes caseiros e acabei usando uma receita simples levemente adaptada. Não tinha tanto iogurte assim e usei a calda de amora para dar sabor no lugar da baunilha. Deixei gelando de um dia para o outro e coloquei no freezer e retirei para bater quatro vezes. Nas duas primeiras depois de 30 minutos e nas duas últimas depois de uma hora.
Depois de um resultado de sucesso quero comprar baunilha para fazer um sabor clássico e mesmo contrariando o que falei no post anterior sobre tralhas de cozinha monotarefa, já penso em comprar uma sorveteira. Como acredito que sempre arrumamos argumentos perfeitamente plausíveis e racionais quando queremos alguma coisa, mesmo que a coisa seja absurda, tem uma lógica nessa história de comprar um equipamento que só faz sorvete. Primeiro porque o sabor do sorvete caseiro realmente é bem melhor do que o industrializado, com a vantagem de você saber todos os ingredientes que vão nele. Depois porque não faz só sorvete não, faz frozen, sherbet, sorbet, bebidas..., etc, etc, etc. Essa é daquelas desculpas toscas incapaz de convencer a você mesmo de algo, mas que só quem gosta de alguma coisa de uma maneira não muito normal é capaz de formular.
Meu bom senso ainda está em dia e antes de decidir a compra vou ter que fazer mais sorvete para ver se realmente é algo que eu vou querer manter. Até porque toda vez que via receita de sorvete não me interessavam muito, visto que você pode comprá-lo no mercado e onde moro nem é tão quente assim. Agora a coisa já mudou um pouco, quero até comprar livro de sorvete, e tenho que ver até onde isso vai.
Curiosidade sobre tudo isso: foi só eu fazer o sorvete e entrou a frente fria maledeta que trouxe frio e chuva por duas semanas direto. E o meu frozen ficou lá abandonado na fortaleza da solidão. Murphy's Law.
Ai, ainda tem mais, quase que eu esqueço! Servi o sorvete [pra o pessoal aqui em casa] com biscoito de gengibre esfarelado e combinou muito. Tanto que não conseguimos mais comer de outro jeito.
sábado, 29 de outubro de 2011
De volta aos pães: pão de canela e passas
Feriado na sexta-feira é um bom motivo para fazer pão, até porque já tem um tempinho que não amasso nada. Um pão que começa na quinta, mas que apesar do tempo necessário para as criaturinhas agirem sobre a massa não dá muito trabalho para ser feito. É mais uma questão de planejar as tarefas, coisa que tenho feito com mais frequência e habilidade ultimamente.
De certo modo, a minha mudança nos hábitos alimentares está diretamente relacionada, nesse momento inicial de incorporar o novo estilo, a uma disciplina - um tanto quanto rígida - que inclui comer de três em três horas porções pequenas de alimentos variados, contabilizando as propriedades de cada uma, inclusive; beber quantidades absurdas de água ao longo de um dia, e, claro, sofrer as consequências de não ter uma bexiga tamanho XG; mastigar tão bem a ponto de doer o maxilar, prestando atenção no gosto e na textura de cada coisa; e, tentar não me privar demais de coisas gostosas, o que pode parecer um paradoxo, mas na verdade fica fácil quando você presta atenção no que come e procura uma cozinha mais ligada a coisas simples e caseiras, com temperos diferentes, abolindo conservantes, corantes, acidulantes, flavorizantes e todos essas coisas que não pertencem a nenhum dos reinos que você estudou em biologia [dos quais é claro eu não me lembro].
E, justamente por causa dessa disciplina toda, tenho exercitado o meu lado estrategista mais frequentemente. Ao invés de deixar para decidir o que comer na hora da fome, já traço mais ou menos, de acordo com os passos do meu dia, aquilo que irei precisar dentro dos intervalos definidos. Parece desgastante, mas gostar de cozinhar me motiva a pensar no que comer - meio óbvio - e saber que estou no início do processo de reeducação também faz com que isso pareça apenas uma etapa. Espero, sinceramente, que com o passar do tempo, tudo isso meio que se automatize e que os bons hábitos perdurem até que não precise mais pensar sobre eles. tenho me sentido bem com a nova fase, fisicamente sobretudo, e acredito que uma certa rigidez no início ajude a sedimentar as coisas. Mesmo que para isso tenha que recorrer a mecanismos bizarros como o programinha no celular que avisa quando você tem que beber água. É engraçado e meio bizarro você ir marcando o quanto já bebeu recebendo frases de incentivo em troca de cada copo d'água. Entretanto, só o fato de saber que o programa existe no telefone já faz com que a quantidade de líquido passe a ser uma preocupação a mais no seu dia [pelo menos nesse início], já que acho que chegava a passar um dia inteiro sem beber água.
Então, assim vai indo, sem nenhum investimento mirabolante em gadgets milagrosos, sem nenhum plano de ação de 12 passos que promete ser "a solução de seus problemas", e principalmente, apelando para a simplicidade daquilo que você faz por acreditar na ideia. E, não, não estou no programa de dieta Verão 2012, vou apenas tentando atacar os problemas que de fato me incomodam no que diz respeito a ter uma vida mais saudável. Não apenas como uma fase com começo, meio e fim - por isso tenho certa implicância com a ideia de estar de dieta - mas como um estilo novo de encarar as coisas, criando novos conceitos ou atualizando, ou apenas, praticando os antigos.
E, sim, eu não me abalo mais pelo empadão e a batata do mal [corada] do restaurante em que eu almoço. Como minha beterraba felizona! Nunca fui tentada pela batata frita dos infernos, mas sempre que tinha a corada maligna eu pegava, o mesmo para o empadão. Também cortei relações com o doce de abóbora radioativo [se é que aquilo leva abóbora]. Agora me sinto uma pessoa um pouco mais evoluída.
Mas é o pão? De canela com passas levemente inspirado pelo tal do pão de forma da Nutrella que agora parece que virou moda e é o preferido de 11 entre 10 pessoas que escrevem pela internet a fora. Eu comi esse pão pela primeira vez pouco tempo atrás na cada de minha tia, que, diga-se de passagem, também aaaamaaa o tal do pão - não sei se influenciada por alguém ou por escolha própria - e me fez comer um monte deles - até eu ter certeza que também aaamooo ele - quando fui visitá-la noutro dia. Além de todas as outras milhares de comidas preparadas com muita antecedência e a com precaução excessiva de quem não recebe muita visita e quer mostrar que é boa anfitriã. Fico imaginando a angústia que deve ter sido todo esse planejamento, fora o trabalho que deve ter dado. Mas que fique claro, foi ela que convidou.
O pão é bem gostoso mesmo e por acaso achei uma versão dele na internet para a máquina de fazer pão. O pão industrializado é bem macio e leve, como todo pão de forma, e tem um gosto adocicado que combina bem com manteiga ou requeijão. Acho que ainda não aaamooo o pão, mas quis experimentar uma versão caseira para ver se ficaria parecido. Não tenho máquina de pão, pois vivo bem sem ela e procuro manter a minha sanidade em dia comprando apenas as coisas que me fazem falta de verdade na cozinha, evito promessas de facilidades extremas bem como coisas monotarefas [aposto que o dono da fábrica da máquina de pão quer que todos os seus pobres trabalhadores sejam flexíveis e adaptáveis e vai querer me vender um treco que só faz uma coisa]. Já fiquei tentada a comprar uma, mas nem cheguei a ficar muito empolgada já que a ideia morreu três ou quatro sites de pesquisa sobre o assunto depois. Então, foi na mão mesmo que tive que resolver as coisas. Old school style.
Achei mais de uma receita desse pão, mas a que mais me interessou foi essa aqui. Não sei se porque sou atraída pelas coisas mais difíceis ou porque toda aquela história de soaker e hidratação da farinha parecia muito científico e crível [acho que tenho uma queda por explicações lógicas que fazem as receitas parecerem ter sentido, tipo, How stuffs works]. Sei, porém, que a receita era de um pão 100% integral, ou seja, sem farinha de trigo branca, e como eu não pretendia estragar um monte de ingredientes - incluindo meu iogurte caseiro - em um tijolo de canela e passas liguei o botão da prudência, que só tem quem já passou pelo fracasso culinário, e resolvi fazer o pão 50% integral. Levando em conta que nunca tinha feito essa receita antes, foi até um certo avanço, porque só tinha feito pães com no máximo 30% de farinha integral.
Fiz a preparação do soaker e da biga na quinta-feira a noite antes de dormir. A massa da biga ficou com uma textura muito boa para sovar [daquelas que dá até gosto de ficar amassando], fiz toda com farinha comum e usei um pouco de leite para completar o volume do iogurte porque ele foi quase todo no soaker. No dia seguinte retirei as preparações da geladeira e amassei tudo junto com o restante dos ingredientes utilizando apenas 5 colheres de sopa da farinha comum, porque acho que pães ficam mais leves e macios se o ponto for dado na sova e não com o acréscimo de farinha. Ficou bem grudenta, mas consegui chegar ao ponto que eu queria, não sem antes ter que ficar lutando para as passas ficarem na massa. Foi meio hilário, mas na medida em que eu ia sovando as passas iam pulando da massa - e davam altos vôos. E eu igual uma louca de tentáculos amassando o pão, tentando bloquear as bolinhas pretas saltitantes que iam em direção ao abismo do fim da bancada e catando as que rolavam para a pia para colocar numa tigela. E aqui entram duas ressalvas em relação a receita original:
1. colocar as passas no início só não dá problema para quem vai enfiar tudo na máquina de pão, que é quem vai trabalhar, e com uma tampa por cima;
2. se você vai usar as próprias mãos para amassar o pão, coloque as passas no fim, antes de modelar.
3. é melhor utilizar menos passas do que a quantidade pedida porque não devolvi todas que catei para o pão, justamente por ser um excesso.
4. conclusão, sacrifiquei minha batata ao curry à toa, porque não precisava ter gastado todas as passas na receita do pão.
Resultado final: ficou gostoso, mas ainda um pouco denso demais se você comparar com o pão de supermercado. O sabor ficou muito bom e o pão, apesar de denso, ficou macio para o meu paladar.
De certo modo, a minha mudança nos hábitos alimentares está diretamente relacionada, nesse momento inicial de incorporar o novo estilo, a uma disciplina - um tanto quanto rígida - que inclui comer de três em três horas porções pequenas de alimentos variados, contabilizando as propriedades de cada uma, inclusive; beber quantidades absurdas de água ao longo de um dia, e, claro, sofrer as consequências de não ter uma bexiga tamanho XG; mastigar tão bem a ponto de doer o maxilar, prestando atenção no gosto e na textura de cada coisa; e, tentar não me privar demais de coisas gostosas, o que pode parecer um paradoxo, mas na verdade fica fácil quando você presta atenção no que come e procura uma cozinha mais ligada a coisas simples e caseiras, com temperos diferentes, abolindo conservantes, corantes, acidulantes, flavorizantes e todos essas coisas que não pertencem a nenhum dos reinos que você estudou em biologia [dos quais é claro eu não me lembro].
E, justamente por causa dessa disciplina toda, tenho exercitado o meu lado estrategista mais frequentemente. Ao invés de deixar para decidir o que comer na hora da fome, já traço mais ou menos, de acordo com os passos do meu dia, aquilo que irei precisar dentro dos intervalos definidos. Parece desgastante, mas gostar de cozinhar me motiva a pensar no que comer - meio óbvio - e saber que estou no início do processo de reeducação também faz com que isso pareça apenas uma etapa. Espero, sinceramente, que com o passar do tempo, tudo isso meio que se automatize e que os bons hábitos perdurem até que não precise mais pensar sobre eles. tenho me sentido bem com a nova fase, fisicamente sobretudo, e acredito que uma certa rigidez no início ajude a sedimentar as coisas. Mesmo que para isso tenha que recorrer a mecanismos bizarros como o programinha no celular que avisa quando você tem que beber água. É engraçado e meio bizarro você ir marcando o quanto já bebeu recebendo frases de incentivo em troca de cada copo d'água. Entretanto, só o fato de saber que o programa existe no telefone já faz com que a quantidade de líquido passe a ser uma preocupação a mais no seu dia [pelo menos nesse início], já que acho que chegava a passar um dia inteiro sem beber água.
Então, assim vai indo, sem nenhum investimento mirabolante em gadgets milagrosos, sem nenhum plano de ação de 12 passos que promete ser "a solução de seus problemas", e principalmente, apelando para a simplicidade daquilo que você faz por acreditar na ideia. E, não, não estou no programa de dieta Verão 2012, vou apenas tentando atacar os problemas que de fato me incomodam no que diz respeito a ter uma vida mais saudável. Não apenas como uma fase com começo, meio e fim - por isso tenho certa implicância com a ideia de estar de dieta - mas como um estilo novo de encarar as coisas, criando novos conceitos ou atualizando, ou apenas, praticando os antigos.
E, sim, eu não me abalo mais pelo empadão e a batata do mal [corada] do restaurante em que eu almoço. Como minha beterraba felizona! Nunca fui tentada pela batata frita dos infernos, mas sempre que tinha a corada maligna eu pegava, o mesmo para o empadão. Também cortei relações com o doce de abóbora radioativo [se é que aquilo leva abóbora]. Agora me sinto uma pessoa um pouco mais evoluída.
Mas é o pão? De canela com passas levemente inspirado pelo tal do pão de forma da Nutrella que agora parece que virou moda e é o preferido de 11 entre 10 pessoas que escrevem pela internet a fora. Eu comi esse pão pela primeira vez pouco tempo atrás na cada de minha tia, que, diga-se de passagem, também aaaamaaa o tal do pão - não sei se influenciada por alguém ou por escolha própria - e me fez comer um monte deles - até eu ter certeza que também aaamooo ele - quando fui visitá-la noutro dia. Além de todas as outras milhares de comidas preparadas com muita antecedência e a com precaução excessiva de quem não recebe muita visita e quer mostrar que é boa anfitriã. Fico imaginando a angústia que deve ter sido todo esse planejamento, fora o trabalho que deve ter dado. Mas que fique claro, foi ela que convidou.
O pão é bem gostoso mesmo e por acaso achei uma versão dele na internet para a máquina de fazer pão. O pão industrializado é bem macio e leve, como todo pão de forma, e tem um gosto adocicado que combina bem com manteiga ou requeijão. Acho que ainda não aaamooo o pão, mas quis experimentar uma versão caseira para ver se ficaria parecido. Não tenho máquina de pão, pois vivo bem sem ela e procuro manter a minha sanidade em dia comprando apenas as coisas que me fazem falta de verdade na cozinha, evito promessas de facilidades extremas bem como coisas monotarefas [aposto que o dono da fábrica da máquina de pão quer que todos os seus pobres trabalhadores sejam flexíveis e adaptáveis e vai querer me vender um treco que só faz uma coisa]. Já fiquei tentada a comprar uma, mas nem cheguei a ficar muito empolgada já que a ideia morreu três ou quatro sites de pesquisa sobre o assunto depois. Então, foi na mão mesmo que tive que resolver as coisas. Old school style.
Achei mais de uma receita desse pão, mas a que mais me interessou foi essa aqui. Não sei se porque sou atraída pelas coisas mais difíceis ou porque toda aquela história de soaker e hidratação da farinha parecia muito científico e crível [acho que tenho uma queda por explicações lógicas que fazem as receitas parecerem ter sentido, tipo, How stuffs works]. Sei, porém, que a receita era de um pão 100% integral, ou seja, sem farinha de trigo branca, e como eu não pretendia estragar um monte de ingredientes - incluindo meu iogurte caseiro - em um tijolo de canela e passas liguei o botão da prudência, que só tem quem já passou pelo fracasso culinário, e resolvi fazer o pão 50% integral. Levando em conta que nunca tinha feito essa receita antes, foi até um certo avanço, porque só tinha feito pães com no máximo 30% de farinha integral.
Fiz a preparação do soaker e da biga na quinta-feira a noite antes de dormir. A massa da biga ficou com uma textura muito boa para sovar [daquelas que dá até gosto de ficar amassando], fiz toda com farinha comum e usei um pouco de leite para completar o volume do iogurte porque ele foi quase todo no soaker. No dia seguinte retirei as preparações da geladeira e amassei tudo junto com o restante dos ingredientes utilizando apenas 5 colheres de sopa da farinha comum, porque acho que pães ficam mais leves e macios se o ponto for dado na sova e não com o acréscimo de farinha. Ficou bem grudenta, mas consegui chegar ao ponto que eu queria, não sem antes ter que ficar lutando para as passas ficarem na massa. Foi meio hilário, mas na medida em que eu ia sovando as passas iam pulando da massa - e davam altos vôos. E eu igual uma louca de tentáculos amassando o pão, tentando bloquear as bolinhas pretas saltitantes que iam em direção ao abismo do fim da bancada e catando as que rolavam para a pia para colocar numa tigela. E aqui entram duas ressalvas em relação a receita original:
1. colocar as passas no início só não dá problema para quem vai enfiar tudo na máquina de pão, que é quem vai trabalhar, e com uma tampa por cima;
2. se você vai usar as próprias mãos para amassar o pão, coloque as passas no fim, antes de modelar.
3. é melhor utilizar menos passas do que a quantidade pedida porque não devolvi todas que catei para o pão, justamente por ser um excesso.
4. conclusão, sacrifiquei minha batata ao curry à toa, porque não precisava ter gastado todas as passas na receita do pão.
Resultado final: ficou gostoso, mas ainda um pouco denso demais se você comparar com o pão de supermercado. O sabor ficou muito bom e o pão, apesar de denso, ficou macio para o meu paladar.
domingo, 23 de outubro de 2011
Pappa al pomodoro: uma receita muito boa e meio esquecida
Apesar de gostar de cozinhar e de aprender sobre cozinha desde pequena, meu conhecimento acerca do assunto não era muito amplo até, digamos, poder ter acesso à internet e, sobretudo, a uma cozinha só pra mim. Costumava cozinhar na casa da minha mãe, mas só o necessário para me manter de pé, já que a cozinha não oferecia muitos atrativos, tanto em termos de espaço quanto de organização.
Hoje, tenho as coisas quase do jeito que eu quero, porque sempre tem alguma coisa para arrumar ou um utensílio que a gente quer muito. A cozinha funciona muito bem, tem bastante espaço, é arrumada na medida do possível e passo quase todo o fim de semana nela quando não tenho outros compromissos. Além do que, a internet é um mundo vasto para os amantes da culinária e consigo muito mais acesso a ingredientes exóticos, pratos típicos e utensílios nem sempre tão úteis. Já até comprei meus primeiros livros de culinária [pela internet]. Gosto da pesquisa sobre o assunto, sobretudo de conhecer novos pratos típicos e saber suas origens dos pratos. Foi exatamente o que aconteceu com essa receita de Pappa al pomodoro.
Contando com os milhões de blogs de culinária que existem na internet com receitas e estilos para todos os gostos, cheguei a esse prato tipicamente italiano através do La Cucinetta [tão citado aqui que acho que terei de pagar royalties] e das histórias de sua autora descendente de italianos. No início fiquei um pouco desconfiada de uma espécie de sopa que só leva tomate. Eu nunca tive coragem de fazer sopa de tomate por achar um excesso. Mas, como a curiosidade pelo novo geralmente é maior do que a prudência de ficar dentro de limites conhecidos [que assim permaneça], fui atrás de meia dúzia de receitas de pappa al pomodoro - sempre faço isso à título de comparação [não vou entregar minha latinha de tomates assim tão fácil] - e descobri que a maioria delas era muito parecida e levava os mesmos ingredientes na composição: tomate, pão e manjericão.
Vi a receita pela primeira vez aqui, mas preparei esta do site do Jamie Oliver. As duas são parecidas, mas a última levava tomates de latinha, que era o que eu pretendia usar, e gostei da ideia de assar os tomates cerejas para dar uma incrementada. Descumpri uma regra pessoal de tentar sempre a receita mais original possível, quando eu faço ela pela primeira vez. Mas, nesse caso, essa parece ser daquelas receitas que não tem muita restrição e se faz com o que tem à disposição no momento.
O fato é que o prato é surpreendentemente gostoso e confortante, especialmente numa noite fria como fez no dia em que comemos. Agradeço a curiosidade por te-lo experimentado e, com certeza, esse é um prato para se fazer muitas vezes. Os italianos sabem mesmo tratar das coisas simples. O que me faz pensar sobre o motivo de um prato como esse - notadamente bom, bonito e barato - ser tão pouco falado e consumido, pelo menos nos meios em que já andei. Ficamos comendo e confabulando sobre o esquecimento que faz com que determinados aspectos de uma cultura se percam, tal como esse prato.
Hoje, tenho as coisas quase do jeito que eu quero, porque sempre tem alguma coisa para arrumar ou um utensílio que a gente quer muito. A cozinha funciona muito bem, tem bastante espaço, é arrumada na medida do possível e passo quase todo o fim de semana nela quando não tenho outros compromissos. Além do que, a internet é um mundo vasto para os amantes da culinária e consigo muito mais acesso a ingredientes exóticos, pratos típicos e utensílios nem sempre tão úteis. Já até comprei meus primeiros livros de culinária [pela internet]. Gosto da pesquisa sobre o assunto, sobretudo de conhecer novos pratos típicos e saber suas origens dos pratos. Foi exatamente o que aconteceu com essa receita de Pappa al pomodoro.
Contando com os milhões de blogs de culinária que existem na internet com receitas e estilos para todos os gostos, cheguei a esse prato tipicamente italiano através do La Cucinetta [tão citado aqui que acho que terei de pagar royalties] e das histórias de sua autora descendente de italianos. No início fiquei um pouco desconfiada de uma espécie de sopa que só leva tomate. Eu nunca tive coragem de fazer sopa de tomate por achar um excesso. Mas, como a curiosidade pelo novo geralmente é maior do que a prudência de ficar dentro de limites conhecidos [que assim permaneça], fui atrás de meia dúzia de receitas de pappa al pomodoro - sempre faço isso à título de comparação [não vou entregar minha latinha de tomates assim tão fácil] - e descobri que a maioria delas era muito parecida e levava os mesmos ingredientes na composição: tomate, pão e manjericão.
Vi a receita pela primeira vez aqui, mas preparei esta do site do Jamie Oliver. As duas são parecidas, mas a última levava tomates de latinha, que era o que eu pretendia usar, e gostei da ideia de assar os tomates cerejas para dar uma incrementada. Descumpri uma regra pessoal de tentar sempre a receita mais original possível, quando eu faço ela pela primeira vez. Mas, nesse caso, essa parece ser daquelas receitas que não tem muita restrição e se faz com o que tem à disposição no momento.
O fato é que o prato é surpreendentemente gostoso e confortante, especialmente numa noite fria como fez no dia em que comemos. Agradeço a curiosidade por te-lo experimentado e, com certeza, esse é um prato para se fazer muitas vezes. Os italianos sabem mesmo tratar das coisas simples. O que me faz pensar sobre o motivo de um prato como esse - notadamente bom, bonito e barato - ser tão pouco falado e consumido, pelo menos nos meios em que já andei. Ficamos comendo e confabulando sobre o esquecimento que faz com que determinados aspectos de uma cultura se percam, tal como esse prato.
Saindo do forno: lasanha de brócolis, presunto e alho poró
Saindo do forno, literalmente, pois acabei de comer a lasanha desse post. Já posso adiantar que ficou muito boa e, digamos, passa com sete na prova da comida saudável. Se levarmos em conta que é domingo dá até pra passar com oito.
Essa lasanha foi feita meio que no improviso, sem seguir nenhuma receita específica, para utilizar os ingredientes que eu já tinha, especialmente a metade do pacote de lasanha que já vinha rolando no armário meio que esquecido durante algum tempo. E o melhor, liquidei o brócolis e o presunto congelados e 1/2 talo do alho poró que foi na sopa ontem. Um prato de coisas "catadas", claro que com alguma lógica culinária, que ficou parcialmente saudável e faz uma presença bastante adequada para um almoço de domingo típico.
O único porém estava escrevendo para este mesmo blog durante a manhã e esqueci da vida - e da hora do almoço - quando me dei conta a fome já tava batendo na porta, os mais desesperados soltando seus grunhidos e, o que é pior, a pia com louça para lavar. Uma das piores coisas na cozinha é começar a fazer alguma receita com louça na pia e tudo espalhado. Não sou tampouco adepta de visual de programa de cozinha, com aqueles potinhos e os ingredientes separadinhos, mas preciso de espaço livre, preciso poder ver a pia desocupada. Não lavei a louça! Fui direto para a lasanha, mas acho que estava em um dia bom, porque não foi estressante e não me enrolei tanto. Acho que sujei mais coisas do que era de fato preciso, no entanto deu para administrar tudo.
A massa era daquelas duras [não compro mais massa fresca, porque além de ser muito para duas pessoas, ainda não achei ainda uma que fosse de fato muito boa] que não precisa cozinhar. Ponto para a praticidade. Fiz a base de molho branco derretendo 30g de manteiga na panela, depois juntando 30g farinha de trigo e misturando para formar o "roux". Aí vem a parte mais emocionante de todo molho branco que é misturar o leite ao "roux" sem empelotar tudo e virar um caldo de gruminhos. Para esse molho aromatizei 600ml de leite fervendo-o com três folhas de louro, um ramo de tomilho [da horta, uêba], e uma folha de sálvia só porque ela tava caída lá horta e não quis deixar ela "partir" assim [creio que não fez muita diferença]. Joguei o leite na panela com o "roux", uma parte de cada vez, coando as folhas dos temperos, na chama mais baixa do fogão e fui mexendo vigorosamente homogeneizando a mistura, não sem respingar um pouco no fogão limpo [normal]. Dar certo deu, mas não ficou perfeito e lisinho. Separei duas conchas desse molho para finalizar a lasanha e ralei um pouco de noz moscada no restante que ficou na panela. Usei meu ralador de mão novo que foi uma ótima aquisição [bom, bonito e barato] e uma grata surpresa.
Na frigideira refoguei o alho poró em um pouco de manteiga, acrescentei o brócolis cortado e deixei até secar um pouco. Pus esse refogado na panela de molho branco junto com o presunto e misturei um pouco para fazer o recheio.
Para montar a lasanha, usei um refratário pequeno untado [só pra garantir]. Um pouco de recheio, massa, mais recheio, queijo muçarela [agora com ç], massa, recheio, muçarela, massa, recheio, muçarela, o molho branco separado, queijo parmesão ralado no ralador novo e um tiquinho de noz moscada. Aí é forno, não tão alto, porque essa massa precisa cozinhar um pouco. Quando estiver dourado por cima já pode retirar e se todos aguentarem esperar uns 5 minutos antes de servir para que ela não saia desmontando toda pelo prato. É claro que essa parte do esperar não funcionou por aqui e os pedaços de lasanha foram pro prato desmoronando mesmo, daquele jeito que a gente tem que levar o prato até a travessa para não cair tudo pela mesa. Nessa eu ainda queimei a boca tentando comer ela quente mesmo, fazendo uma cara estranha, com lágimas nos olhos e abanando as mão como se tivesse incorporando alguma coisa - de acordo com quem observava a cena, que pensando bem deve ter sido grotesca mesmo.
Essa lasanha foi feita meio que no improviso, sem seguir nenhuma receita específica, para utilizar os ingredientes que eu já tinha, especialmente a metade do pacote de lasanha que já vinha rolando no armário meio que esquecido durante algum tempo. E o melhor, liquidei o brócolis e o presunto congelados e 1/2 talo do alho poró que foi na sopa ontem. Um prato de coisas "catadas", claro que com alguma lógica culinária, que ficou parcialmente saudável e faz uma presença bastante adequada para um almoço de domingo típico.
O único porém estava escrevendo para este mesmo blog durante a manhã e esqueci da vida - e da hora do almoço - quando me dei conta a fome já tava batendo na porta, os mais desesperados soltando seus grunhidos e, o que é pior, a pia com louça para lavar. Uma das piores coisas na cozinha é começar a fazer alguma receita com louça na pia e tudo espalhado. Não sou tampouco adepta de visual de programa de cozinha, com aqueles potinhos e os ingredientes separadinhos, mas preciso de espaço livre, preciso poder ver a pia desocupada. Não lavei a louça! Fui direto para a lasanha, mas acho que estava em um dia bom, porque não foi estressante e não me enrolei tanto. Acho que sujei mais coisas do que era de fato preciso, no entanto deu para administrar tudo.
A massa era daquelas duras [não compro mais massa fresca, porque além de ser muito para duas pessoas, ainda não achei ainda uma que fosse de fato muito boa] que não precisa cozinhar. Ponto para a praticidade. Fiz a base de molho branco derretendo 30g de manteiga na panela, depois juntando 30g farinha de trigo e misturando para formar o "roux". Aí vem a parte mais emocionante de todo molho branco que é misturar o leite ao "roux" sem empelotar tudo e virar um caldo de gruminhos. Para esse molho aromatizei 600ml de leite fervendo-o com três folhas de louro, um ramo de tomilho [da horta, uêba], e uma folha de sálvia só porque ela tava caída lá horta e não quis deixar ela "partir" assim [creio que não fez muita diferença]. Joguei o leite na panela com o "roux", uma parte de cada vez, coando as folhas dos temperos, na chama mais baixa do fogão e fui mexendo vigorosamente homogeneizando a mistura, não sem respingar um pouco no fogão limpo [normal]. Dar certo deu, mas não ficou perfeito e lisinho. Separei duas conchas desse molho para finalizar a lasanha e ralei um pouco de noz moscada no restante que ficou na panela. Usei meu ralador de mão novo que foi uma ótima aquisição [bom, bonito e barato] e uma grata surpresa.
| Antes do forno |
| Depois do forno |
Para montar a lasanha, usei um refratário pequeno untado [só pra garantir]. Um pouco de recheio, massa, mais recheio, queijo muçarela [agora com ç], massa, recheio, muçarela, massa, recheio, muçarela, o molho branco separado, queijo parmesão ralado no ralador novo e um tiquinho de noz moscada. Aí é forno, não tão alto, porque essa massa precisa cozinhar um pouco. Quando estiver dourado por cima já pode retirar e se todos aguentarem esperar uns 5 minutos antes de servir para que ela não saia desmontando toda pelo prato. É claro que essa parte do esperar não funcionou por aqui e os pedaços de lasanha foram pro prato desmoronando mesmo, daquele jeito que a gente tem que levar o prato até a travessa para não cair tudo pela mesa. Nessa eu ainda queimei a boca tentando comer ela quente mesmo, fazendo uma cara estranha, com lágimas nos olhos e abanando as mão como se tivesse incorporando alguma coisa - de acordo com quem observava a cena, que pensando bem deve ter sido grotesca mesmo.
Se tem microondas, use-o! A seu favor.
Apesar do título, não é nenhuma campanha, só mais uma lista com as receitas, de modo que o eletrodoméstico não fique esquecido na terra da solidão e do abandono culinário junto com os descaroçadores, boleadores, multi-não-sei-lá-o-que e outros bichos.
Batatas ao murro
Almoço rápido com mandioquinha e ervilhas
Batatas ao murro
Almoço rápido com mandioquinha e ervilhas
Tá com frio. Tome sopa.
Desde que me mudei para uma cidade bem mais fria do que tinha experimentado até então a sopa passou a figurar com mais frequência no meu cardápio. Ficamos até aguardando a temporada das sopas começar logo no fim do verão. Ocasionalmente a entrada de uma frente fria - que para a maioria da população apenas diminui um pouco a sensação de estar vivendo no inferno - para nós significa tirar os casacos embalados do guarda-roupa no fim do inverno porque o frio é intenso.
Entretanto, se no quesito comida de um modo geral a experimentação é uma constante, tanto que ultimamente tem sido difícil eu repetir um prato aqui em casa e tenho a sensação que só vou terminar a lista de coisas para testar quando me aposentar, o que posso dizer do meu lado sopístico é que ele meio conservador, tenho cozinhado as mesmas sopas preferidas aqui em casa sem variar muito.
Parte dessa monotonia se deve a falta de apetite para legumes da outra parte dessa história. E aos seus dois milhões de argumentos, segundo ele "cientificamente comprovados", que determinado legume faz mais mal à saúde do que Coca-cola com Mentos. Mas como a minha pretensão é elevar a experiência gastronômica aqui em casa a outro nível [nada sofisticado, só mais saudável] essa mesmice está com os dias contados, aproveitando é claro esse frio fora de hora que estamos passando, particularmente este ano.
Especialmente porque uma nova máxima foi proferida ontem aqui em casa e tem que ser cumprida: Não existe comida ruim, existe é comida mal feita. Na verdade, não era pra ser tão incisivo assim, numa versão menos fascista seria: Não existe essa coisa de não gostar de um ingrediente, você é que não provou ele de uma maneira que te agrade [ou feito da maneira correta]. O que nos leva a uma segunda questão para ser colocada em prática. "Vou fazer o legume que você não gosta até a gente encontrar um jeito que ele fique saboroso". #persuasão
Assim estou criando essas lista de sopas [listas são aquelas coisas que você faz porque todo mundo diz que é bom para sua organização e para o cumprimento de metas, mas essa lista é para eu não esquecer dos links que eu achei interessante para testar ou fazer] para ir variando um pouco mais o nosso paladar para as sopas.
Sopa de Ervilha e suas variações infinitas. [começo com essa porque é um clássico aqui em casa desde os tempos imemoriais]
Variação 1: Sopa de Ervilha com Gengibre e Alho Poró
Sopa de Entulho [um clássico da casa de mãe - até faço mas não fica igual]
Sopa de Aipim [Mandioca, Macaxeira com queiram]
Papa al Pomodoro [não sei se é sopa, mas se não for, parece]
Sopa de cebola [não, não é a de pacote que também já vou abolir da minha dieta porque a quantidade de sódio só perde para o mar morto]
Sopa de Beterraba [ia testar essa semana, apesar das reticências, mas ele escapou da sopa porque o frio foi embora no dia que eu ia fazê-la]
Sopa de Abóbora pra quem não gosta de abóbora [essa é um verdadeiro desafio e ainda tenho que testar]
Creme de lentilha picante com fubá [despretenciosa surpresa para uma noite nem tem fria assim]
Entretanto, se no quesito comida de um modo geral a experimentação é uma constante, tanto que ultimamente tem sido difícil eu repetir um prato aqui em casa e tenho a sensação que só vou terminar a lista de coisas para testar quando me aposentar, o que posso dizer do meu lado sopístico é que ele meio conservador, tenho cozinhado as mesmas sopas preferidas aqui em casa sem variar muito.
Parte dessa monotonia se deve a falta de apetite para legumes da outra parte dessa história. E aos seus dois milhões de argumentos, segundo ele "cientificamente comprovados", que determinado legume faz mais mal à saúde do que Coca-cola com Mentos. Mas como a minha pretensão é elevar a experiência gastronômica aqui em casa a outro nível [nada sofisticado, só mais saudável] essa mesmice está com os dias contados, aproveitando é claro esse frio fora de hora que estamos passando, particularmente este ano.
Especialmente porque uma nova máxima foi proferida ontem aqui em casa e tem que ser cumprida: Não existe comida ruim, existe é comida mal feita. Na verdade, não era pra ser tão incisivo assim, numa versão menos fascista seria: Não existe essa coisa de não gostar de um ingrediente, você é que não provou ele de uma maneira que te agrade [ou feito da maneira correta]. O que nos leva a uma segunda questão para ser colocada em prática. "Vou fazer o legume que você não gosta até a gente encontrar um jeito que ele fique saboroso". #persuasão
Assim estou criando essas lista de sopas [listas são aquelas coisas que você faz porque todo mundo diz que é bom para sua organização e para o cumprimento de metas, mas essa lista é para eu não esquecer dos links que eu achei interessante para testar ou fazer] para ir variando um pouco mais o nosso paladar para as sopas.
Sopa de Ervilha e suas variações infinitas. [começo com essa porque é um clássico aqui em casa desde os tempos imemoriais]
Variação 1: Sopa de Ervilha com Gengibre e Alho Poró
Sopa de Entulho [um clássico da casa de mãe - até faço mas não fica igual]
Sopa de Aipim [Mandioca, Macaxeira com queiram]
Papa al Pomodoro [não sei se é sopa, mas se não for, parece]
Sopa de cebola [não, não é a de pacote que também já vou abolir da minha dieta porque a quantidade de sódio só perde para o mar morto]
Sopa de Beterraba [ia testar essa semana, apesar das reticências, mas ele escapou da sopa porque o frio foi embora no dia que eu ia fazê-la]
Sopa de Abóbora pra quem não gosta de abóbora [essa é um verdadeiro desafio e ainda tenho que testar]
Creme de lentilha picante com fubá [despretenciosa surpresa para uma noite nem tem fria assim]
sábado, 22 de outubro de 2011
Tudo o que você quer num dia como este... É uma sopa como esta.
A sopa de ervilha é um grande clássico nessa residência [50% da audiência desse site - duas pessoas, tirando eu - sabe disso perfeitamente e já experimentou a dita cuja]. Não há um inverno, ou outra estação qualquer, que não se faça ela algumas vezes. O pacote da ervilha faz parte das compras com naturalidade, como pão, farinha e leite. O fato que é esse é um prato tipo "Chuck Norris approves", ou sucesso garantido no dizer do meu querido companheiro.
E, desde que eu me entendo por gente, culinarísticamente falando, eu reproduzo essa receita que já fazia sucesso na casa de mãe e nas reuniões da minha família. No caso desta sopa, entretanto, acho que superei a geração precedente fui aperfeiçoando o preparo, de modo que hoje consigo fazer versões que considero melhores do que eu comia quando era mais nova, nas casas de minha mãe ou tias.
Esse também é um daqueles pratos que: 1. você faz no famoso olhômetro, sem medir nada; 2. é uma obra totalmente aberta e aceita muitas variações do tipo não tem uma coisa, põe outra; 3. por isso mesmo, nunca leva os mesmos ingredientes; 4. caso leve os mesmos ingredientes, tem algum componente místico [que deve envolver alinhamento de planetas, pressão atmosférica e humor da ervilha utilizada] que faz com que uma sopa nunca fique igual a outra já tomada anteriormente. Ou seja, para mim, é um prato paradoxal por ser um clássico e ao mesmo tempo completamente imprevisível.
Ontem, nesse frio todo com que a primavera nos agraciou nesse outubro, fiz essa sopa com alguns ingredientes nunca antes utilizados na história desse prato. Eu sei que em time que está ganhando não se mexe [na verdade não sei quem inventou esse ditado besta], mas acho que essa máxima não se aplica a uma pessoa que deseja superar o seu conservadorismo culinário no quesito de sopas e caldos. Assim sendo, seguindo a lógica deste blog e também como forma de comprovar cientificamente que esse prato é irrepetível, estou escrevendo essa receita secreta com todas as medidas [depois de ler esse post de novo vi o quão científico é uma pitada disso, um mínimo daquilo, por isso não sai igual] que usei na preparação para testar se é possível reproduzir a receita e ela ficar idêntica em sabor.
Utilizei 250 gramas de ervilha [sim, eu pesei = #insanidade] e deixei elas de molho em água por 6 horas, coloquei de manhã e fiz a sopa no fim da tarde. Bati no processador 3 dentes de alho, 1 pedaço de gengibre de uns 2cm e uma pitada de pimenta calabresa seca powerful [essa pimenta tá bem curtida]. Fogo baixo. Na panela de pressão coloquei cubos de bacon [tá, esse eu não medi] até liberarem a gordura e ficarem bem crocantes; retirei o bacon e coloquei 1/2 linguiça calabresa também em cubos para fritar até ficarem beeeem torradinhas. Depois de fritas eu as retirei e refoguei lentamente 1/2 talo de alho poró [só a parte branca] e essa mistura feita no processador, regando com água aos poucos, até ficar meio caramelizado [marronzinho]. Voltei com o bacon e a linguiça para a panela e depois joguei toda a ervilha escorrida para refogar e agregar bem o gosto dos temperos. Quando começou a dar sinais de que estava grudando no fundo joguei um pouco de água mexi bem para fazer uma espécie de deglacê, juntei 1/2 colher de chá de sal, um mínimo de pimenta do reino e joguei cerca de 2 litros de água quente na panela para cobrir tudo. Quanto começou a levantar fervura, fechei a panela de pressão e aumentei um pouco o fogo. Mais 20 minutos no fogo depois que começou a chiar e pronto. Então, abri a panela e estava um pouco grudado no fundo [acho que com a ervilha mais macia por causa do molho, 15 minutos de fogo eram suficientes], nada que abalasse a estrutura da sopa, mas por precaução troquei de panela, testei o sal, coloquei mais 1/2 colher de chá [acho que também não precisava] e, como ainda estava um pouco cedo para o jantar eu deixei descansando por algumas horas até comer [um verdadeiro gesto heróico].
A outra parte envolvida nessa relação chegou bem na hora da fritura da linguiça [prêmio de timing para a cozinheira, porque é uma grande satisfação quando as pessoas chegam na hora do melhor cheiro na cozinha para atiçar todas as lombrigas #feticheolfativo]. E quando chegou queria café. Toca então a fazer um café mexendo a sopa e bizoiando a água e colocando o pó, afff! Deu tudo certo no fim, mas depois do café, quando ele já ia subir para o banho foi dada a notícia: "Essa sopa hoje é um pouco diferente". "Diferente por quê? O que tem nela?". "Gengibre e alho poró, pra ver como fica". Dessa vez passou - pelo menos era o que parecia - porque não tinha nada que sugerisse algo muito desconhecido dentro desse universo gastronômico do tamanho do armário de rodoviária.
Sopa pronta. Ao ver a sopa na outra panela veio logo o questionamento primeiro com a expressão no rosto e depois verbalizando:
"Uê!???".
E já veio a explicação:
"Pegou um pouco no fundo, ficou bem grossa, aí eu troquei de panela só pra garantir".
E a resposta infame: "Foi o gengibre que sugou toda a água da sopa e levou para uma outra dimensão fora do planeta".
"Pois é, né? O gengibre é estranho, não pode ser mesmo desse planeta. Isso dá um filme, sabia? Gengibre: o estranho passageiro."
"Conta a história dos gengibres alienígenas que vem para Terra sugar toda nossa água..."
"Para levar para o planeta dos gengibres?".
"É. Até a cozinheira que tem um blog salvar a humanidade."
"Aí não, porque já fica muito verossímil."
FIM
Isso é o que dá a criatura trabalhar no sábado!!
Mas a sopa, ficou muito boa mesmo. Grossa como um creme e quente na medida certa.
E, desde que eu me entendo por gente, culinarísticamente falando, eu reproduzo essa receita que já fazia sucesso na casa de mãe e nas reuniões da minha família. No caso desta sopa, entretanto, acho que superei a geração precedente fui aperfeiçoando o preparo, de modo que hoje consigo fazer versões que considero melhores do que eu comia quando era mais nova, nas casas de minha mãe ou tias.
Esse também é um daqueles pratos que: 1. você faz no famoso olhômetro, sem medir nada; 2. é uma obra totalmente aberta e aceita muitas variações do tipo não tem uma coisa, põe outra; 3. por isso mesmo, nunca leva os mesmos ingredientes; 4. caso leve os mesmos ingredientes, tem algum componente místico [que deve envolver alinhamento de planetas, pressão atmosférica e humor da ervilha utilizada] que faz com que uma sopa nunca fique igual a outra já tomada anteriormente. Ou seja, para mim, é um prato paradoxal por ser um clássico e ao mesmo tempo completamente imprevisível.
Ontem, nesse frio todo com que a primavera nos agraciou nesse outubro, fiz essa sopa com alguns ingredientes nunca antes utilizados na história desse prato. Eu sei que em time que está ganhando não se mexe [na verdade não sei quem inventou esse ditado besta], mas acho que essa máxima não se aplica a uma pessoa que deseja superar o seu conservadorismo culinário no quesito de sopas e caldos. Assim sendo, seguindo a lógica deste blog e também como forma de comprovar cientificamente que esse prato é irrepetível, estou escrevendo essa receita secreta com todas as medidas [depois de ler esse post de novo vi o quão científico é uma pitada disso, um mínimo daquilo, por isso não sai igual] que usei na preparação para testar se é possível reproduzir a receita e ela ficar idêntica em sabor.
Utilizei 250 gramas de ervilha [sim, eu pesei = #insanidade] e deixei elas de molho em água por 6 horas, coloquei de manhã e fiz a sopa no fim da tarde. Bati no processador 3 dentes de alho, 1 pedaço de gengibre de uns 2cm e uma pitada de pimenta calabresa seca powerful [essa pimenta tá bem curtida]. Fogo baixo. Na panela de pressão coloquei cubos de bacon [tá, esse eu não medi] até liberarem a gordura e ficarem bem crocantes; retirei o bacon e coloquei 1/2 linguiça calabresa também em cubos para fritar até ficarem beeeem torradinhas. Depois de fritas eu as retirei e refoguei lentamente 1/2 talo de alho poró [só a parte branca] e essa mistura feita no processador, regando com água aos poucos, até ficar meio caramelizado [marronzinho]. Voltei com o bacon e a linguiça para a panela e depois joguei toda a ervilha escorrida para refogar e agregar bem o gosto dos temperos. Quando começou a dar sinais de que estava grudando no fundo joguei um pouco de água mexi bem para fazer uma espécie de deglacê, juntei 1/2 colher de chá de sal, um mínimo de pimenta do reino e joguei cerca de 2 litros de água quente na panela para cobrir tudo. Quanto começou a levantar fervura, fechei a panela de pressão e aumentei um pouco o fogo. Mais 20 minutos no fogo depois que começou a chiar e pronto. Então, abri a panela e estava um pouco grudado no fundo [acho que com a ervilha mais macia por causa do molho, 15 minutos de fogo eram suficientes], nada que abalasse a estrutura da sopa, mas por precaução troquei de panela, testei o sal, coloquei mais 1/2 colher de chá [acho que também não precisava] e, como ainda estava um pouco cedo para o jantar eu deixei descansando por algumas horas até comer [um verdadeiro gesto heróico].
A outra parte envolvida nessa relação chegou bem na hora da fritura da linguiça [prêmio de timing para a cozinheira, porque é uma grande satisfação quando as pessoas chegam na hora do melhor cheiro na cozinha para atiçar todas as lombrigas #feticheolfativo]. E quando chegou queria café. Toca então a fazer um café mexendo a sopa e bizoiando a água e colocando o pó, afff! Deu tudo certo no fim, mas depois do café, quando ele já ia subir para o banho foi dada a notícia: "Essa sopa hoje é um pouco diferente". "Diferente por quê? O que tem nela?". "Gengibre e alho poró, pra ver como fica". Dessa vez passou - pelo menos era o que parecia - porque não tinha nada que sugerisse algo muito desconhecido dentro desse universo gastronômico do tamanho do armário de rodoviária.
Sopa pronta. Ao ver a sopa na outra panela veio logo o questionamento primeiro com a expressão no rosto e depois verbalizando:
"Uê!???".
E já veio a explicação:
"Pegou um pouco no fundo, ficou bem grossa, aí eu troquei de panela só pra garantir".
E a resposta infame: "Foi o gengibre que sugou toda a água da sopa e levou para uma outra dimensão fora do planeta".
"Pois é, né? O gengibre é estranho, não pode ser mesmo desse planeta. Isso dá um filme, sabia? Gengibre: o estranho passageiro."
"Conta a história dos gengibres alienígenas que vem para Terra sugar toda nossa água..."
"Para levar para o planeta dos gengibres?".
"É. Até a cozinheira que tem um blog salvar a humanidade."
"Aí não, porque já fica muito verossímil."
FIM
Isso é o que dá a criatura trabalhar no sábado!!
Mas a sopa, ficou muito boa mesmo. Grossa como um creme e quente na medida certa.
sábado, 15 de outubro de 2011
Batatas ao murro para elevar o microondas a um outro nível
Pra começar, eu nem ia publicar essa receita porque ela é bem simples de fazer, mesmo. Mas pensando em algumas pessoas que não sabem o porquê do microondas habitar uma cozinha - não é mesmo - resolvi deixá-la aqui e alertar os desavisados [a desavisada, na verdade] sobre este prático eletrodoméstico.
Esse post pode até virar uma série: Se tem microondas, use-o!
Especialmente dedicado a pessoa que vive reclamando que não sabe usar e que só serve pra esquentar leite.
Simples assim, pegue batatas de médias para grandes. Na minha conta é uma batata por pessoa, mas se a cozinheira tiver que alimentar serres humanos não tão comedidos assim, podem ser duas por pessoas. No meu caso, foram três batatas médias e não sou eu a pessoa que exagera na comilança.
Não é pra tirar a casca da batata, mas em compensação, tem que lavar bem, né? No mínimo! Então coloque-as em um refratário que possa ir ao microondas [dãã] e coloque lá dentro. Agora vem as instruções complexas sobre o dito aparelho.
1. Feche a portinha, não esqueça.
2. Se o seu micro for modernoso, vai ter um botão escrito batata, com o desenho da leguminosa. Aperta ele.
3. E vai apertando o botão escrito porção até mais ou menos a quantidade em gramas que você supõem ter em batatas.
3.1. Se não tiver esse botão, não é preciso se desesperar, basta colocar em potência alta de 10 a 15 minutos [três batatas].
3.2. O controle de prevenção de catástrofes recomenda que você, na primeira vez, coloque 10 minutos apenas.
4. Espere o bicho apitar e confira o resultado.
4.1. Com uma faca, espete uma das batatas e veja se a faca entra com facilidade [sinal que estão macias]. Se sim, a primeira etapa está pronta. Se não coloque no microondas de novo e vá acrescentando mais 3 minutos por vez e conferindo.
Não esqueça de anotar o tempo total para não precisar ficar nesse vai não vai da próxima vez.
A batata vai estar quente, então pegue-as com cuidado enrole ela em um pano de prato e de um soco nela [nem muito forte, nem muito fraco], o suficiente para que a casca se rompa e você consiga ver seu interior desfarelando.
É interessante ter algum recheio nessa história, então é possível fazer qualquer coisa que se tenha disponível no momento: frango, atum, presunto, até salsicha. Mas a minha recomendação é um pouco de manteiga ou ricota com alho [o meu caso foi o último]. Para fazer tanto um quanto o outro basta misturar alho espremido a manteiga ou ricota. Mas atenção, nesse passo coloque apenas um dente de alho para duas colheres de manteiga ou 200 gramas de ricota e não faça como eu. Não coloque três dentes de alho para não ficar com bafo mata-vampiro.
Feito o recheio, despeje sobre a batata ainda quente e: se estiver com pressa, sirva assim mesmo; se estiver sem pressa, coloque um pouco de queijo derretível [mussarela ou parmesão] por cima e coloque no forno para gratinar.
Comentários finais: A versão sem pressa é bem melhor e a versão rápida fica melhor com molho de manteiga ou cremoso.
Este foi um post da incrível série: Se tem microondas, use-o! A seu favor!
Esse post pode até virar uma série: Se tem microondas, use-o!
Especialmente dedicado a pessoa que vive reclamando que não sabe usar e que só serve pra esquentar leite.
Simples assim, pegue batatas de médias para grandes. Na minha conta é uma batata por pessoa, mas se a cozinheira tiver que alimentar serres humanos não tão comedidos assim, podem ser duas por pessoas. No meu caso, foram três batatas médias e não sou eu a pessoa que exagera na comilança.
Não é pra tirar a casca da batata, mas em compensação, tem que lavar bem, né? No mínimo! Então coloque-as em um refratário que possa ir ao microondas [dãã] e coloque lá dentro. Agora vem as instruções complexas sobre o dito aparelho.
1. Feche a portinha, não esqueça.
2. Se o seu micro for modernoso, vai ter um botão escrito batata, com o desenho da leguminosa. Aperta ele.
3. E vai apertando o botão escrito porção até mais ou menos a quantidade em gramas que você supõem ter em batatas.
3.1. Se não tiver esse botão, não é preciso se desesperar, basta colocar em potência alta de 10 a 15 minutos [três batatas].
3.2. O controle de prevenção de catástrofes recomenda que você, na primeira vez, coloque 10 minutos apenas.
4. Espere o bicho apitar e confira o resultado.
4.1. Com uma faca, espete uma das batatas e veja se a faca entra com facilidade [sinal que estão macias]. Se sim, a primeira etapa está pronta. Se não coloque no microondas de novo e vá acrescentando mais 3 minutos por vez e conferindo.
Não esqueça de anotar o tempo total para não precisar ficar nesse vai não vai da próxima vez.
A batata vai estar quente, então pegue-as com cuidado enrole ela em um pano de prato e de um soco nela [nem muito forte, nem muito fraco], o suficiente para que a casca se rompa e você consiga ver seu interior desfarelando.
É interessante ter algum recheio nessa história, então é possível fazer qualquer coisa que se tenha disponível no momento: frango, atum, presunto, até salsicha. Mas a minha recomendação é um pouco de manteiga ou ricota com alho [o meu caso foi o último]. Para fazer tanto um quanto o outro basta misturar alho espremido a manteiga ou ricota. Mas atenção, nesse passo coloque apenas um dente de alho para duas colheres de manteiga ou 200 gramas de ricota e não faça como eu. Não coloque três dentes de alho para não ficar com bafo mata-vampiro.
Feito o recheio, despeje sobre a batata ainda quente e: se estiver com pressa, sirva assim mesmo; se estiver sem pressa, coloque um pouco de queijo derretível [mussarela ou parmesão] por cima e coloque no forno para gratinar.
Comentários finais: A versão sem pressa é bem melhor e a versão rápida fica melhor com molho de manteiga ou cremoso.
Este foi um post da incrível série: Se tem microondas, use-o! A seu favor!
Bolo integral de banana, aveia e mel
Esse é um bolo de feriado curto, para manter a tradição de sempre ter bolo em casa também, sob risco de certas pessoas começarem a ter crises de abstinência. Bem fácil de fazer, gostoso e forte, no sabor e na textura. Gostei, porque você come e ele enche a boca. Fica com uma massa mais densa, mas não pesada, ou seja, um paradoxo culinário bem interessante. Uma fatia vale por uma refeição.
Ainda levei algumas fatias para o trabalho para alimentar o povo na hora do café.
Aqui vai o link para a receita original link A única modificação foi substituir 50 gramas da farinha integral por gérmen de trigo. Depois vem a foto aí em baixo e o comentário "Pode escrever lá no blog que eu tô comendo de olhão. Porque tá bom o bolo". O comentário pode não ser muito confiável visto que a tara por bolo de quem proferiu tais palavras supera em muito o bom senso gastronômico.
A outra história desse bolo diz respeito a foto, pois foi uma das primeiras estilizadas, ou seja com uma produção mínima. Como a ideia de escrever esse blog não é muito voltada para a posteridade, não me importo muito em fotografar o que faço. Além de não ter uma câmera muito boa e nem esse hábito adquirido de fotografar comida, o que tem sido uma experiência nova para todos nós. Mas já incumbi outra pessoa de tirar as fotos da comida, até porque uma das máximas aqui de casa - recém inventada - é: quem não sabe cozinhar fotografa.
Só que a produção ainda está muito parca, pois não tem nenhuma concepção mais profunda acerca de iluminação, tipo de lente e outras abstrações fotográficas. Por enquanto os nossos maiores problemas são:
"Essa toalha tá horrível". "A gente não tem prato de bolo". "Tem que comprar uns acessórios para a fotografia". "Nos outros blogs é tão bem feita".
Mal começou e a produção já vem cheia de exigências. Afff!
Ainda levei algumas fatias para o trabalho para alimentar o povo na hora do café.
Aqui vai o link para a receita original link A única modificação foi substituir 50 gramas da farinha integral por gérmen de trigo. Depois vem a foto aí em baixo e o comentário "Pode escrever lá no blog que eu tô comendo de olhão. Porque tá bom o bolo". O comentário pode não ser muito confiável visto que a tara por bolo de quem proferiu tais palavras supera em muito o bom senso gastronômico.
| Olha o bolo aí gente! Agora um fotógrafo exclusivamente intimado a produzir material para o blog. |
Só que a produção ainda está muito parca, pois não tem nenhuma concepção mais profunda acerca de iluminação, tipo de lente e outras abstrações fotográficas. Por enquanto os nossos maiores problemas são:
"Essa toalha tá horrível". "A gente não tem prato de bolo". "Tem que comprar uns acessórios para a fotografia". "Nos outros blogs é tão bem feita".
Mal começou e a produção já vem cheia de exigências. Afff!
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Refeição saudável para um feriado magro [nos dois sentidos].
Feriado de um dia é uma ofensa a uma pessoa trabalhadora. Maaagro! Mal você começa a se acostumar a vagabundagem o feriado acaba sem mais nem menos. Pior é que você passa as vésperas fazendo uns planos [no meu caso culinarístico] e depois vai desistindo das coisas porque afinal o tempo é muito curto para experiências mais elaboradas.
O fato é que também cozinhar por aqui tem sido um exercício constante de planejamento - os planos do coiote para o papa-léguas pareceriam brincadeira de criança perto dos meus - para que eu continue firme nas minhas metas de redução de desperdício e de porcarias que entram na cozinha e consequentemente dentro de nós.
Então, como ontem foi dia de comer na casa da mãe, sobre cujo cardápio você não tem nenhuma ingerência, acabei abusando da quantidade de comida e também nas combinações, pois refeições em casas de mãe seguem a lógica de toda casa brasileira quase como uma instituição cultural profundamente arraigada [a voz acadêmica falando]: arroz com feijão [claro], e carne de panela com batata [que pelo menos não foram fritas].
Para curar a farra da carne, e, o que foi pior, no jantar, hoje fiquei só nas três refeições básicas, sem belisquetes no intervalo. Eu sei! Os intervalos precisam ser preenchidos com lanches saudáveis! Mas digamos que meu humor pela manhã não estava dos melhores e não conseguia pensar em nada que quisesse fazer na cozinha e as frutas não estavam tão atrativas para os meus olhos de mau-humor. Sem contar a variedade exígua de produtos frescos já que a chuva torrencial de ontem me fez adiar as compras no sacolão, não seria eu a andar por aí cheia de sacolas, pesadas, na chuva e de ônibus.
Para o almoço, quando o sol saiu e minha vontade de cozinhar começou a parecer uma ideia menos sacrificante, fiz não uma, mas duas saladas, mas para não incorrer no exagero podemos rebatizar uma delas de arroz colorido. A salada salada, foi simplinha mesmo de folhas de alface [que acho que está se reproduzindo na geladeira, pois não acaba nunca], folhas de rúcula que plantei no meu vaso e estão dando [ueba!!! orgulho mode on! Plantadora compulsiva] e cebola em tiras finamente fatiada. Seria uma salada bem básica mesmo, com folhas rasgadas, não fosse pela finalização com a dupla azeite e vinagre branco e gersal.
O gersal foi uma descoberta realmente fantástica, porque é uma coisa que tá ali o tempo todo e você nunca pensa sobre isso. Nada mais é do que gergelim torrado moído com sal. No meu caso misturei com um pouco de linhaça também. Sem contar que é um ótimo modo de comer linhaça. Depois de pronto, lembra muito do cheiro de amendoim torrado. Fui provar e, ou meu paladar ficou louco, sugestionado pelo cheiro, ou parece mesmo amendoim torrado. Quando apresentei a invencionice ao companheiro aqui em casa - que andava meio avesso ao gergelim - fiz uma boa propaganda com motivos de amendoim e ele levantou a hipótese de serem parentes, mas eu não fui procurar a relação.
Para o arroz colorido, que frio também poderia ser uma ótima salada usei 1 xícara de arroz integral cozido como mandava a embalagem, algumas azeitonas picadas, 1 beterraba pequena cortada em cubos e preparadas no forno, folhas frescas de manjericão, 1 tomate picado em cubinhos e 1/2 lata de atum. Mistura tudo e pronto. É só servir.
Para preparar a beterraba, descasquei ela, cortei em cubos bem pequenos. Cortei também os talos e guardei as folhas [zero wasting food]. Coloquei os cubos e os talos picados em uma assadeira, juntei umas folhas de tomilho e uma pitada de sal por cima delas. Levei ao fono até ficarem macias, mas ainda firmes. Ficaram muito doces e não me arrependi de ter pago um pouco mais caro pelas beterrabas orgânicas. Muito bom mesmo e o pessoal aqui em casa aprova essa ideia. "Isso são passas? Não, beterrabas ao forno. Estão tão doces, né? Parece passas."
Outra coisa que me surpreendeu positivamente foi o arroz integral, já que nunca tinha feito dele e foi bem fácil, apesar que levar uma quantidade maior de água. Achei que foi um bom começo e a refeição para #comermelhor ajudou também com o meu humor.
Câmbio, desliga!
O fato é que também cozinhar por aqui tem sido um exercício constante de planejamento - os planos do coiote para o papa-léguas pareceriam brincadeira de criança perto dos meus - para que eu continue firme nas minhas metas de redução de desperdício e de porcarias que entram na cozinha e consequentemente dentro de nós.
Então, como ontem foi dia de comer na casa da mãe, sobre cujo cardápio você não tem nenhuma ingerência, acabei abusando da quantidade de comida e também nas combinações, pois refeições em casas de mãe seguem a lógica de toda casa brasileira quase como uma instituição cultural profundamente arraigada [a voz acadêmica falando]: arroz com feijão [claro], e carne de panela com batata [que pelo menos não foram fritas].
Para curar a farra da carne, e, o que foi pior, no jantar, hoje fiquei só nas três refeições básicas, sem belisquetes no intervalo. Eu sei! Os intervalos precisam ser preenchidos com lanches saudáveis! Mas digamos que meu humor pela manhã não estava dos melhores e não conseguia pensar em nada que quisesse fazer na cozinha e as frutas não estavam tão atrativas para os meus olhos de mau-humor. Sem contar a variedade exígua de produtos frescos já que a chuva torrencial de ontem me fez adiar as compras no sacolão, não seria eu a andar por aí cheia de sacolas, pesadas, na chuva e de ônibus.
Para o almoço, quando o sol saiu e minha vontade de cozinhar começou a parecer uma ideia menos sacrificante, fiz não uma, mas duas saladas, mas para não incorrer no exagero podemos rebatizar uma delas de arroz colorido. A salada salada, foi simplinha mesmo de folhas de alface [que acho que está se reproduzindo na geladeira, pois não acaba nunca], folhas de rúcula que plantei no meu vaso e estão dando [ueba!!! orgulho mode on! Plantadora compulsiva] e cebola em tiras finamente fatiada. Seria uma salada bem básica mesmo, com folhas rasgadas, não fosse pela finalização com a dupla azeite e vinagre branco e gersal.
O gersal foi uma descoberta realmente fantástica, porque é uma coisa que tá ali o tempo todo e você nunca pensa sobre isso. Nada mais é do que gergelim torrado moído com sal. No meu caso misturei com um pouco de linhaça também. Sem contar que é um ótimo modo de comer linhaça. Depois de pronto, lembra muito do cheiro de amendoim torrado. Fui provar e, ou meu paladar ficou louco, sugestionado pelo cheiro, ou parece mesmo amendoim torrado. Quando apresentei a invencionice ao companheiro aqui em casa - que andava meio avesso ao gergelim - fiz uma boa propaganda com motivos de amendoim e ele levantou a hipótese de serem parentes, mas eu não fui procurar a relação.
Para o arroz colorido, que frio também poderia ser uma ótima salada usei 1 xícara de arroz integral cozido como mandava a embalagem, algumas azeitonas picadas, 1 beterraba pequena cortada em cubos e preparadas no forno, folhas frescas de manjericão, 1 tomate picado em cubinhos e 1/2 lata de atum. Mistura tudo e pronto. É só servir.
Para preparar a beterraba, descasquei ela, cortei em cubos bem pequenos. Cortei também os talos e guardei as folhas [zero wasting food]. Coloquei os cubos e os talos picados em uma assadeira, juntei umas folhas de tomilho e uma pitada de sal por cima delas. Levei ao fono até ficarem macias, mas ainda firmes. Ficaram muito doces e não me arrependi de ter pago um pouco mais caro pelas beterrabas orgânicas. Muito bom mesmo e o pessoal aqui em casa aprova essa ideia. "Isso são passas? Não, beterrabas ao forno. Estão tão doces, né? Parece passas."
Outra coisa que me surpreendeu positivamente foi o arroz integral, já que nunca tinha feito dele e foi bem fácil, apesar que levar uma quantidade maior de água. Achei que foi um bom começo e a refeição para #comermelhor ajudou também com o meu humor.
Câmbio, desliga!
Carnívoro sim, mas com moderação
Evitando a carne nos fins de semana só porque é possível. Algumas preparações para ocupar o lugar das 2 no prato e abastecer o corpo com proteína.
Então estou produzindo essa lista com receitas que já fiz ou que preciso experimentar para ter uma opção fácil de sacar uma cola na hora do almoço.
Quibe de forno com recheio de ricota
Suflês de queijo e / ou legumes
Almôndegas de trigo para quibe [essa tava na boca do gol porque tenho um pouco de trigo para quibe, mas estou tentada a trocar pela salada secreta daqui se eu achar o tal extrato de romã dificílimo]
Almôndegas de carne de soja
Almôndegas de tofu [tenho que experimentar e a receita ta no La Cucinetta]
Salada de atum [muito básica]
Atum ao forno com batata [ainda não fiz, ou será que já? Mas também é bem simples]
Queijo grelhado [rídiculo de tão simples, à prova de idiotas]
Tofu grelhado [experimentar, tenho um pouco de medo do tofu. Quem tem medo do tofu?]
Peixes congelados [do lado de cá dessas cercanias, o peixe é coisa difícil]
Camarão
Macarrão com molho pesto [comprar um pilão, urgente!]
Macarrão com molho de rúcula
Batata assada [muito bom para várias ocasiões, com tomilho, azeite, pimenta rosa e alecrim]
Batata ao murro [prima irmã da batata assada, cozida no microondas e gratinada rapidinho no forno com manteiga e queijo ou pasta de ricota com alho e queijo coalho]
Omelete [clássico, já fiz alguns muito bons mas ainda não postava no blog]
Tortilla de batata [Jamie Oliver style, receita aqui para experimentar]
Salada de arroz integral com atum [ou arroz colorido, se já tiver outra salada em vista]
Mandioquinha picante com ervilhas [Muito bom, docinho com o chilli no ponto. Cada vez eu gosto mais de pimentassss]
Salada de repolho com maçãs [Como esses dois combinam]
Fake risotto de abóbora com creme de cebola [Não é porque não se tem arroz arbóreo que não faremos risoto]
Macarrão caprese [massa + salada = refeição very cool]
Então estou produzindo essa lista com receitas que já fiz ou que preciso experimentar para ter uma opção fácil de sacar uma cola na hora do almoço.
Quibe de forno com recheio de ricota
Suflês de queijo e / ou legumes
Almôndegas de trigo para quibe [essa tava na boca do gol porque tenho um pouco de trigo para quibe, mas estou tentada a trocar pela salada secreta daqui se eu achar o tal extrato de romã dificílimo]
Almôndegas de carne de soja
Almôndegas de tofu [tenho que experimentar e a receita ta no La Cucinetta]
Salada de atum [muito básica]
Atum ao forno com batata [ainda não fiz, ou será que já? Mas também é bem simples]
Queijo grelhado [rídiculo de tão simples, à prova de idiotas]
Tofu grelhado [experimentar, tenho um pouco de medo do tofu. Quem tem medo do tofu?]
Peixes congelados [do lado de cá dessas cercanias, o peixe é coisa difícil]
Camarão
Macarrão com molho pesto [comprar um pilão, urgente!]
Macarrão com molho de rúcula
Batata assada [muito bom para várias ocasiões, com tomilho, azeite, pimenta rosa e alecrim]
Batata ao murro [prima irmã da batata assada, cozida no microondas e gratinada rapidinho no forno com manteiga e queijo ou pasta de ricota com alho e queijo coalho]
Omelete [clássico, já fiz alguns muito bons mas ainda não postava no blog]
Tortilla de batata [Jamie Oliver style, receita aqui para experimentar]
Salada de arroz integral com atum [ou arroz colorido, se já tiver outra salada em vista]
Mandioquinha picante com ervilhas [Muito bom, docinho com o chilli no ponto. Cada vez eu gosto mais de pimentassss]
Salada de repolho com maçãs [Como esses dois combinam]
Fake risotto de abóbora com creme de cebola [Não é porque não se tem arroz arbóreo que não faremos risoto]
Macarrão caprese [massa + salada = refeição very cool]
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Geleia 3 x Cozinheira 1: ou panna cotta com calda de amora pra não perder de zero
A geleia de amora desse post foi, durante 48 horas, uma doce esperança de que eu iria finalmente me livrar do fiasco do quebra-queixo de amora da temporada passada. Pois é, não vingou. Eu tive fé que um bom espírito gelificante iria transformar aquela coisa líquida no potinho recilado de "Queensbery" em algo passível de ser passado no pão com a faca e não algo para molhar o pão tal como a coisa havia sido amaldiçoada.
Já pensando em colocar a mistura novamente no fogo para reduzir mais um pouquinho comecei minha busca frenetica e secretamente a vários sites e posts de outros blogs sobre geleias e suas técnicas obscuras. Procurei durante um bom tempo uma maldita foto do ponto da geleia. Já que a perseguição do meu trauma passado fez eu desligar o fogo antecipadamente por duas vezes. Cheguei a jurar, para mim mesmo, é claro, numa espécie de neurose do endurecimento precoce [estranho isso], que o tal ponto havia chegado da segunda vez. E deixei ela lá descansando por incontáveis horas para assistir a mágica e falar: "Aha! Eu sabia que ia funcionar dessa vez". #fail.
Fui dissuadida a reduzir mais um pouco a mistura, uma vez que um pote já virara meio pote com a primeira tentativa e a chance de não haver nada no fim era grande. E, como as amoreiras são as #melhoresarvoresdo mundo ever, tinha um montão de amoras lá fora para uma próxima tentativa. Decidi ir catar amora na rua mais tarde para a nova empreitada. Dessa fez colhemos numa vasilha bem maior e ficamos um bom tempo de pé em pé pegando as frutinhas pretas. O melhor é que ainda tem bastante para pegar.
Updated: Só agora reparei a combinação kitsch e monocromática da foto acima.
Entretanto, ainda havia a "geleia Clownberry" (a única que você pode molhar no pão) que não podia ser jogada fora. A partir disso, eis que sem querer acabei fazendo uma deliciosa calda de amoras no ponto exato para jogar por sobre alguma coisa. E com aquele doce|azedo característico da fruta muito intensificado depois das duas idas ao fogão. E o pretexto utilizado para jogar a calda de amora por cima foi uma escolha bastante acertada, que, de certo modo, eu já vinha mirando em alguns sites por conta da minha missão de acabar com a gelatina sem sabor comprada no ímpeto do "eu posso precisar disso para alguma receita". Aí, encaixou com um Lego: nós tínhamos uma receita carente de calda e uma calda precisando de algo em que ela pudesse escorrer.
Esse achado foi a panna cotta uma receita de origem italiana que nunca havia experimentado - na verdade, sequer conhecia - até começar a ser mais [muito mais, às vezes irresponsavelmente mais] assídua nas publicações, sites e blogs sobre comida. [Agora eu entro na livraria e fico ali espremida na minúscula prateleira de gastronomia, a qual ainda tem disputar espaço com os vinhos, olhando os livros e causando certa estranheza nos meus amigos] O termo significa creme cozido e a sobremesa é tão deliciosa quanto simples, como tudo de comer cuja origem é a Itália. Além do mais, por ser de comer de colher, acaba com a derrota total que vinha satisfazendo a nossa vontade de um docinho depois do almoço. Um dia, o nem tão bom assim doce de leite de lata e, no outro, o mais famigerado ainda "leite ninho com açúcar". Isso quando eu não achava uma lata de leite condensado aberta com uma colherada faltando no fundo da geladeira, nos dias em que eu não estava em casa na hora do almoço.
Devido a uma baixa no armário de mantimentos e também dotada de um pouco de autoconfiança culinária fiz uma modificação nessa receita que nunca havia feito antes e nem sabia como era. No blog em que peguei a receita foi também onde eu descobri que a panna cotta existia. Depois comecei a procurar em outros lugares, mas essa ainda me parecia a melhor receita, já que era a que levava a menor quantidade de ingredientes, o que lhe conferia um quê de originalidade, no sentido de estar mais próximo da origem de sua execução. Meu problema era, no entanto, que só havia um creme de leite de 200g de caixinha no meu armário e a receita pedia 300g de creme de leite fresco. Embora, naquele momento, eu pudesse abstrair a enorme distância de sabor que existe entre o creme de leite fresco e o "de caixinha", a diferença de peso não era algo a ser ignorado.
Primeiro pensei em reduzir a quantidade da receita para adequá-la, mas eram muitos os cálculos para os outros ingredientes. Também fui procurar variações em outros sites que pudessem utilizar menos creme de leite, mas ainda tinha a impressão que devia começar pelo começo com uma receita desse tipo, assim, tradicional. Outro ponto a favor da minha primeira escolha era o fato dessa receita ser a mesma do Professional Baking, "o" livro do "Le Cordon Bleu". O que eu fiz então foi completar as 100 gramas que faltavam de creme de leite com iogurte natural, com base nessa combinação aqui. No fim, ficou perfeito! Uma combinação incrível da panna cotta não muito firme, não muito doce e com leve toque de iogurte mais a calda de amora doce|azeda no ponto correto. Uma sobremesa ideal, que concorre muitos pontos na frente, ao título de favorita por essas bandas de cá. Chega a ser ridículo de tão básico e tão gostoso.
A incursão pela culinária tradicional continua e para o próximo fim de semana estou com uma ideia fixa, como as do Brás Cubas: Apfelstrudel.
Tenho que comprar maçãs!
Já pensando em colocar a mistura novamente no fogo para reduzir mais um pouquinho comecei minha busca frenetica e secretamente a vários sites e posts de outros blogs sobre geleias e suas técnicas obscuras. Procurei durante um bom tempo uma maldita foto do ponto da geleia. Já que a perseguição do meu trauma passado fez eu desligar o fogo antecipadamente por duas vezes. Cheguei a jurar, para mim mesmo, é claro, numa espécie de neurose do endurecimento precoce [estranho isso], que o tal ponto havia chegado da segunda vez. E deixei ela lá descansando por incontáveis horas para assistir a mágica e falar: "Aha! Eu sabia que ia funcionar dessa vez". #fail.
Fui dissuadida a reduzir mais um pouco a mistura, uma vez que um pote já virara meio pote com a primeira tentativa e a chance de não haver nada no fim era grande. E, como as amoreiras são as #melhoresarvoresdo mundo ever, tinha um montão de amoras lá fora para uma próxima tentativa. Decidi ir catar amora na rua mais tarde para a nova empreitada. Dessa fez colhemos numa vasilha bem maior e ficamos um bom tempo de pé em pé pegando as frutinhas pretas. O melhor é que ainda tem bastante para pegar.
| Por dentro do pé de amora |
| O pote resultado da colheita. [Detalhe para os dedos roxos combinando com a blusa, com o pote e as amoras - trash!] |
Entretanto, ainda havia a "geleia Clownberry" (a única que você pode molhar no pão) que não podia ser jogada fora. A partir disso, eis que sem querer acabei fazendo uma deliciosa calda de amoras no ponto exato para jogar por sobre alguma coisa. E com aquele doce|azedo característico da fruta muito intensificado depois das duas idas ao fogão. E o pretexto utilizado para jogar a calda de amora por cima foi uma escolha bastante acertada, que, de certo modo, eu já vinha mirando em alguns sites por conta da minha missão de acabar com a gelatina sem sabor comprada no ímpeto do "eu posso precisar disso para alguma receita". Aí, encaixou com um Lego: nós tínhamos uma receita carente de calda e uma calda precisando de algo em que ela pudesse escorrer.
Esse achado foi a panna cotta uma receita de origem italiana que nunca havia experimentado - na verdade, sequer conhecia - até começar a ser mais [muito mais, às vezes irresponsavelmente mais] assídua nas publicações, sites e blogs sobre comida. [Agora eu entro na livraria e fico ali espremida na minúscula prateleira de gastronomia, a qual ainda tem disputar espaço com os vinhos, olhando os livros e causando certa estranheza nos meus amigos] O termo significa creme cozido e a sobremesa é tão deliciosa quanto simples, como tudo de comer cuja origem é a Itália. Além do mais, por ser de comer de colher, acaba com a derrota total que vinha satisfazendo a nossa vontade de um docinho depois do almoço. Um dia, o nem tão bom assim doce de leite de lata e, no outro, o mais famigerado ainda "leite ninho com açúcar". Isso quando eu não achava uma lata de leite condensado aberta com uma colherada faltando no fundo da geladeira, nos dias em que eu não estava em casa na hora do almoço.
Devido a uma baixa no armário de mantimentos e também dotada de um pouco de autoconfiança culinária fiz uma modificação nessa receita que nunca havia feito antes e nem sabia como era. No blog em que peguei a receita foi também onde eu descobri que a panna cotta existia. Depois comecei a procurar em outros lugares, mas essa ainda me parecia a melhor receita, já que era a que levava a menor quantidade de ingredientes, o que lhe conferia um quê de originalidade, no sentido de estar mais próximo da origem de sua execução. Meu problema era, no entanto, que só havia um creme de leite de 200g de caixinha no meu armário e a receita pedia 300g de creme de leite fresco. Embora, naquele momento, eu pudesse abstrair a enorme distância de sabor que existe entre o creme de leite fresco e o "de caixinha", a diferença de peso não era algo a ser ignorado.
Primeiro pensei em reduzir a quantidade da receita para adequá-la, mas eram muitos os cálculos para os outros ingredientes. Também fui procurar variações em outros sites que pudessem utilizar menos creme de leite, mas ainda tinha a impressão que devia começar pelo começo com uma receita desse tipo, assim, tradicional. Outro ponto a favor da minha primeira escolha era o fato dessa receita ser a mesma do Professional Baking, "o" livro do "Le Cordon Bleu". O que eu fiz então foi completar as 100 gramas que faltavam de creme de leite com iogurte natural, com base nessa combinação aqui. No fim, ficou perfeito! Uma combinação incrível da panna cotta não muito firme, não muito doce e com leve toque de iogurte mais a calda de amora doce|azeda no ponto correto. Uma sobremesa ideal, que concorre muitos pontos na frente, ao título de favorita por essas bandas de cá. Chega a ser ridículo de tão básico e tão gostoso.
A incursão pela culinária tradicional continua e para o próximo fim de semana estou com uma ideia fixa, como as do Brás Cubas: Apfelstrudel.
Tenho que comprar maçãs!
sábado, 1 de outubro de 2011
Bolo de milho mole (de fácil) e úmido
Quando você chega em casa numa sexta-feira depois de toda uma semana cheia de compromissos e coisas que você não queria fazer, só um bolo salva, certo? Sim, se esse fosse o meu ponto de vista. Mas na verdade, depois das semanas de comida mais leve, com menos quantidade de porcarias e em porções menores, que geraram comentários como "só isso que tem pra comer?" - de modo delicado, é claro - meu querido companheiro de aventuras estava com abstinência de bolos. Bolo é o seu prato preferido, sem sombra de dúvidas. Qualquer bolo, até os que não saíram tão bem assim.
Estão quando eu fui perguntar ingenuamente se ele estava afim de comer alguma coisa já imaginando como eu ia elaborar um sanduíche de atum com ricota e iogurte [veja que evolução nutritiva], veio a resposta inesperada. "Eu quero um café... Com um bolo. Porque há muito tempo não tem bolo". Bom, depois desse sonho de sanduíche frustrado, veio a outra pergunta fatídica, cuja resposta nunca é satisfatória e me leva toda vez a pensar porque eu ainda pergunto.
Pergunta: "Qual bolo você vai querer?"
Resposta que não ajuda em nada: "Bolo fofo"
Pois é, o problema é que se tratava de uma sexta-feira às 7 da noite e a perspectiva de fazer um bolo não era tão grande quanto a vontade de resolver o problema de abstinência alheio. Embora eu estivesse louca por uma cozinha [que minhas amigas e amigos de tendências feministas nunca leiam isso], porque eu fico, isso sim, com abstinência de cozinhar, não tinha me passado pela cabeça fazer um bolo àquela altura. Então surgiu a ideia, que eu já tinha arquivado para uma ocasião adequada, de fazer esse bolo de milho aqui. Isso porque havia quantidades absurdas de leite condensado proveniente de alguma promoção do mercado e do sentimento de que eu posso precisar ter isso no armário, do qual eu venho tentando me libertar em definitivo. Por enquanto está dando certo, fora o leve desespero do meu querido companheiro de que nós vamos ficar SEM COMIDA e que as próximas compras vão custar "UNS SEISCENTOS REAIS".
Ontem quando liguei para saber se precisava comprar alguma coisa no mercado antes de irmos para casa, com um tom de preocupação na voz, descobri que só tinha uma lata de atum e que era preciso comprar mais, além do kit survivor pão e leite. Leia-se: "O que eu vou fazer se não tiver atum? Vou comer o que com macarrão?". São desnecessários comentários sobre pão e leite.
Voltando ao bolo, ficou muito bom com destaque para a textura bastante úmida sem ser necessariamente cremosa. Ficou bem aerado, embora a massa seja praticamente líquida. E com os pedacinhos de coco matadores que combinaram com o líquido. Ou seja, bolo rápido, prático e bem gostoso. Ótimo para os que tem problemas de abstinência de bolo e vai para o hall da fama bolístico daqui de casa.
PS.: O único senão dessa receita foram as diversas vezes que me perguntaram: "Ainda não tá pronto?" Momento burro do Shrek. "Num tá demorando muito, não?" Não respondi na hora, mas agora acho que já era o psicológico afetando a noção de tempo.
Assinar:
Comentários (Atom)